Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles

Sunday, May 17, 2015

Enquanto Eu Estiver Por Aqui






Imagens: internet
Mesmo que a terra se parta em pedaços, como aquele bolo de aniversário que você nunca teve, eu estarei aqui, contigo.
Mesmo que os trovões te assombrem os ouvidos. Mesmo que os raios machuquem os teus pequenos olhos indefesos, eu estarei aqui.
Mesmo que o mundo balance, mesmo que a vida corra perigo, mesmo que a terra engula as flores, ainda assim, estarei aqui.
Mesmo que não exista mais o espaço, nem a terra, nem nossa casa, eu estarei aqui e te carregarei dentro do meu abraço.

Friday, March 20, 2015

Contos Quase Infantis - A Professora Sensual e o Amendoim nas Calças




Imagem:Internet


Contos Eróticos Infantis
A Professora Sensual e o Amendoim nas Calças

   Lá no final dos anos setenta, o Colégio Mário Rangel era como nossa casa. Depois que o tempo passou é que fomos perceber o quanto nossa escola foi importante. Talvez, por não termos naquele tempo acesso a todas as facilidades da vida super moderna destes novos tempos. Naquele tempo, na periferia, só havia os campinhos pra jogarmos futebol e a televisão que só transmitia três ou quatro canais. Por isso, nossas brincadeiras eram sempre na rua.
   Nós amávamos nossa escola, amávamos nossos colegas e professores. Tínhamos certeza que poderíamos viver para sempre no Colégio Mário Rangel.
   De tudo que havia na escola, o que mais gostávamos eram as festas de encerramento de ano. E também, a Professora Vânia... Era com ela que a gente sonhava, era com ela que todos os garotos planejavam se casar...
   A Professora Vânia era uma moça belíssima, loira, alta, de lindos e grandes olhos verdes. Nossa professora gostava de rock and roll, de vez em quando usava aquelas roupas de moda hippie, grandes batas coloridas, calças boca de sino, grandes colares, pulseiras e óculos escuros com aros grandes. Nossa imensa e incontida alegria era quando ela usava as roupas mais sensuais. Nossa gigantesca alegria era quando ela entrava na sala de aula, com aquelas blusas que não cabiam aquele par de seios. Nossa esfuziante alegria era quando ela vestia aquelas saias que, segundo as leis da física, não cabiam aquelas ancas. Nas aulas da Professora Vânia, a gente rezava para que as horas não passassem.
   A Professora Vânia adorava amendoim.
   Todos os dias ela passava na banca de doces e comprava um saquinho de amendoim. Depois que ela passava a matéria na lousa, ela sentava-se em sua mesa e ia apertando os bagos e soltando os caroços do amendoim. Esfregava os caroços, retirava a casquinha e quase nos matava , quando delicadamente, colocava cada caroço na boca, com o cuidado de não retirar o batom que marcava seus lábios carnudos.
   Nos dias em que ela usava suas roupas sensuais, acontecia uma verdadeira romaria dos meninos da sala, mal a professora passava a lição e logo que se sentava os meninos, um a um, seguidas vezes, iam lhe pedir explicações mais detalhadas. Todos fingiam não compreender, somente para ficar olhando dentro de seu decote. Acho que a Professora Vânia também gostava daquele pequeno jogo de sedução.
   De todos nós, quem se apaixonou perdida e platonicamente pela Professora Vânia foi Miltinho. Era somente ela quem habitava seus dias. Houve um tempo em que ele andava mesmo esquisito. Tudo o que encontrava pela frente, ele dizia lhe fazer lembrar de nossa sedutora professora.
   Os problemas começaram quando ele começou a descobrir as coisas das quais ela gostava. Por causa da louca paixão que ele adquiriu, eu sofri durante dias com grandes calombos nas costas e nas pernas, por conta dos tiros de sal que levava.
   Miltinho descobriu que a Professora Vânia adorava jabuticabas. Para meu azar, perto de casa havia a chácara do Seu Mané. Miltinho me convencia a ir roubar jabuticabas, mas todas às vezes, o velhinho que tomava conta do lugar nos flagrava e atirava em nós com a espingarda de sal. Miltinho era mais rápido e sempre corria na minha frente, por consequência, eu era sempre o alvo do velhinho sem coração.
   Miltinho achou uma maneira menos perigosa para tentar chamar a atenção da professora Vânia, passou a lhe levar rosas. Rosas que também me convencia a roubar no quintal de Dona Penha.
   Dona Penha era uma senhora, dessas crentes fanáticas, ela cultivava as mais lindas rosas que já havíamos visto. As rosas de seu quintal eram lindas, de um rosa magnífico e de um perfume que se podia sentir a dezenas de metros de distância. De vez em quando ela nos pegava no pulo, tentava correr atrás de nós,como não conseguia,pedia ajuda a Jesus, com toda força:
   - Leva eles Jesus!Leva esses encapetados pro inferno!Moleques do Satanás!
   A maldição de Dona Penha atingiu Miltinho.
   Na festa de encerramento do ano, preparamos nossa festa, cada um levou alguma coisa para beber e comer. A Heloísa levou a vitrola e os discos de discoteque. A Professora Vânia estava deslumbrante, mais linda do que nunca. Ela bebia refrigerante e comia amendoim. Ela dançava um pouquinho com cada um de nós, eu fiquei envergonhado e só segurei na cintura dela. Miltinho não. Miltinho abraçou a professora, dançava de olhos fechados, imaginando que estivesse mesmo dançando com sua namorada. A professora Vânia nem percebeu a alegria de Miltinho, enquanto dançava,ela sorria,falava com as meninas e ia comendo os amendoins. Quando a música terminou, a professora foi buscar o Pedrinho para a próxima dança. Miltinho não percebeu que a música havia terminado, permaneceu de olhos fechados, com os braços esticados, abraçando o vento. A sala inteira começou rir de Miltinho, não pela cara de bobo, mas sim, pelo volume que surgiu em suas calças. As meninas começaram a zombar de Miltinho, ele ficou encabulado, fez até cara de choro. A Professora Vânia percebendo o constrangimento de Miltinho, correu em seu socorro e afirmou sem titubear:
   - Calma gente! Foi só um bago de amendoim que deixei cair sem querer dentro das calças de Miltinho.
   Para a sorte de Miltinho, as férias começaram naquele dia.
   Nunca mais vimos a Professora Vânia, tudo culpa de um sortudo desgraçado, chamado Professor Felizardo. O filho da mãe casou-se com ela e para nosso azar, foram felizes para sempre.


Friday, January 23, 2015

Contos Quase Infantis – A Pecadora do Metrô

Fonte:Internet - Paula Romani



Contos Eróticos Infantis – A Pecadora do Metrô

   Miltinho e eu, pela primeira vez iríamos andar de Metrô. Passaríamos o final de semana no bairro de Santana, na casa de minha querida tia Diná. Só em sair do Capão Redondo e atravessarmos sozinhos a cidade, já seria uma aventura e mataríamos um pouco de nossa grande curiosidade.
   Fomos até o centro da cidade e de lá tomamos o Metrô na Praça da Sé.
   Era um sábado de manhã, a cidade estava vazia, pouquíssimas pessoas aguardavam na plataforma com destino à Santana. Felizes e excitados com a aventura, Miltinho e eu, embarcamos no penúltimo vagão.
   Ela entrou na Estação São Bento. Vestia um vestido curtíssimo, esvoaçante,que à medida em que caminhava,ia deixando à mostra parte dos seios e da bunda. Ela era uma mulher linda e parecia a Sônia Braga em uma cena de Gabriela.
   Ela sentou-se em um banco à nossa frente, um homem velho a acompanhava. Ele lhe fazia carícias e juras de amor. A cena era digna das que víamos nas revistas que meu tio escondia embaixo do colchão. Não conseguíamos tirar os olhos do casal. O homem, sem querer, vez outra, nos presenteava com uma visão privilegiada daquele corpo de mulher. Ele a abraçava e passava - lhe as mãos pelo corpo. A todo instante a barra do vestido dela subia até a barriga e as alças caiam até o colo. De vez em quando, parecia até mesmo estar nua.
   Miltinho e eu, inconscientemente, naquele momento, pensávamos a mesma coisa. Certamente, uma meia seria sacrificada naquela noite. A imaginação é realmente uma coisa inexplicável...
   A cena prosseguia, mas a mulher não demonstrava muito interesse no velho. Percebíamos que ela fingia. Ela também mostrava-se ansiosa,parecia querer livrar-se logo dele.À todo instante olhava o relógio,como se estivesse atrasada para algum compromisso muito importante.
   Depois de uma longa e tórrida despedida, o velho desembarcou na Estação Carandiru. Ela lhe sorriu, ele retribuiu com um sorriso estranho e um tanto maldoso.
   A voz nos alto – falantes nos informava que estávamos em Santana. Ela saiu apressada do vagão. Miltinho e eu fomos a observando desaparecer na estação e pensávamos na meia...
   Minha tia havia pedido para a esperássemos na lanchonete ao lado da estação. Como chegamos mais cedo, sentamos em uma mesinha do lado de fora e pedimos uma Laranja Pop. Enquanto bebíamos nosso refrigerante, Miltinho e eu falávamos sobre a moça no Metrô. Minutos depois ela reapareceu...
   Miltinho e eu olhávamos incrédulos. Agora ela vinha acompanhada de um homem jovem e bem vestido. Não entediamos mais nada. Há poucos minutos ela se desmanchava de desejos com o velho. Agora, estava maravilhosa e feliz ao lado do homem jovem. O Homem jovem a levou para dentro da lanchonete. Miltinho eu, de vez em quando a ouvíamos gargalhar.
   A moça nem nos notou.

   Minha tia demorava a chegar. A todo instante,íamos até a esquina olhar se ela estava chegando, poderia ter se desencontrado de nós.
   Em uma dessas idas e vindas, ouvimos pipocos, pensamos que fossem rojões. Formou-se um tumulto em frente da lanchonete.
   Miltinho e eu vimos o homem jovem caído em uma grande poça de sangue. Entre o balcão e o corredor, estava ela, estirada no meio do salão. Seu corpo seminu mostrava os furos feitos pelas balas. Os tiros foram certeiros.
   O homem velho não havia desembarcado na Estação Carandiru, apenas mudou de vagão. Seguiu a moça e vingou-se da traição.
   Miltinho e eu ficamos estarrecidos, apavorados com aquele crime. A moça que parecia a Sônia Braga, agora é só um lindo corpo sem vida.
  Depois do acontecido, passamos muito tempo sem levar meias para debaixo do cobertor.

Friday, January 16, 2015

Contos Quase Infantis - A Prostituta da Cidade das Andorinhas



Imagem: Internet



Contos Eróticos Infantis

A Prostituta da Cidade das Andorinhas

   Havia quatro meses que estávamos na estrada, e em cada lugar,cada comunidade que chegávamos,colocávamos em prática o que os padres nos ensinavam durante a jornada. Àquela altura, nossas mochilas já estavam mais leves,em cada lugar que parávamos,deixávamos um pedaço da biblioteca que carregávamos nas costas.
   Havíamos estado em muitos lugares. Agora estávamos em Anagé, uma pequena cidade no sertão baiano. Chegamos em uma tarde de calor intenso,sob aquele céu azul-claro do mês de maio de 1984.
   O céu da cidade era enfeitado por um bando de andorinhas.
   Nunca ficávamos muito tempo em cada lugar.  E ali, ali não seria diferente.
   Fomos alojados no quartel do Tiro de Guerra. Estávamos eufóricos, afinal, depois de meses, iríamos finalmente dormir em uma cama com colchão.

   Dias depois de acomodados na cidade, já havíamos nos habituado com a comunidade rural e com a rotina do lugar. E como de costume, os padres nos informaram que era hora de partir novamente.
   Os recrutas tornaram-se nossos companheiros e amigos. Também eram nossos guias por ali e nos levavam à quase todos os lugares onde podíamos nos divertir.
   Ficou combinado que partiríamos na segunda-feira. No sábado, combinamos de ir conhecer um prostíbulo que ficava na zona rural. A ansiedade era imensa, os hormônios de todos escapavam até pelos olhos.
   Enfim, chegara o momento.Enquanto os padres dormiam,escapamos pelas janelas laterais do velho prédio do quartel. Rapidamente ganhamos a rua e adentramos na mata. Depois de uma longa caminhada, avistamos a casa que ficava na beira de um riacho seco.
   O lugar tinha um aspecto de pobreza extrema. Era uma casa grande e velha, com quartos nos corredores e no quintal. A sala era ampla e havia um balcão improvisado, feito de adobão e uma geladeira Frigidaire caindo aos pedaços. A música saía de uma velha vitrola National, que não se cansava de tocar um disco do Wando. Não eram muitas as mulheres, contamos oito no total. Algumas eram até bonitas, outras nem tanto.
   Os rapazes, incentivados pelos recrutas, logo entraram na farra. Eu e Miguel Marinho ficamos sentados em um dos poucos bancos que havia na sala, bebíamos cerveja e fumávamos nosso cigarro. Foi quando ela entrou.
   Era como se ela tivesse saído de um daqueles filmes surrealistas. Ela era uma mulher de meia – idade, esquálida, tinha os cabelos desgrenhados, usava um batom carmim que lhe acentuava os lábios avantajados. Vestia uma combinação já muito gasta, com furos no sutiã. A calcinha, além de ser maior do que seu número estava costurada nas nádegas e mal escondia sua intimidade.Era grotesco. Mesmo com tudo isso, Zita era engraçada. Tinha bom astral e acabou nos revelando toda a tristeza e amargura por estar ali.
    Com tantas moças jovens e bonitas no prostíbulo, homem nenhum se interessava em ir para a cama com ela. Mesmo assim ficava por ali, limpava a casa, lavava as roupas e servia no bar. Tornou-se uma espécie de “clown”, divertindo os frequentadores.
   Miguel Marinho e eu ficamos curiosos com aquela figura. Zita era um personagem que insistia em querer ser real.
   Zita era realmente uma mulher triste, que fingia ser alegre para não morrer de fome naquele sertão.
   Zita também nos contou que havia saído do Crato, deixando para trás três filhos, só para tentar encontrar o marido que foi “buscar” ouro em Serra Pelada, e que sabia que ele jamais retornaria. Zita nos contou que depois de cinco anos, perdeu definitivamente as esperanças e começou a perambular pelo Norte e Nordeste, até chegar até ali.
   Zita sonhava em voltar para sua casa, no Ceará, queria ficar junto dos filhos que há tanto tempo não via. Talvez, se pudesse,montaria um pequeno negócio ou mesmo um cabaré, quem sabe?
    Zita era atormentada pelo remorso e pela saudade.
   Bebemos muita cerveja, os rapazes estavam felizes e satisfeitos. O dia começava a clarear, Zita dormia sentada em uma velha cadeira, a vitrola havia se calado. Fomos embora.
   No caminho, voltando para o quartel, falamos de Zita, de sua história, de sua dor e de sua saudade. Fomos abatidos por um profundo sentimento de pena e solidariedade. Nós iríamos ajudá-la de alguma forma. Nossos corações doíam. Os corações dos recrutas e os dos civis.
   Os padres nos esperavam na porta do Tiro de Guerra, levamos muitas broncas e os sermões foram quase intermináveis.
   Mais tarde, voltamos ao prostíbulo, fomos procurar Zita. Nós lhe entregamos um pacote com todo o dinheiro que levávamos conosco, dinheiro que nossas famílias nos enviavam e nunca tínhamos onde gastar. E não era pouco dinheiro.
   Na segunda – feira, estávamos prontos para seguir nosso rumo. Na frente da agência de passagens estava Zita, com suas malas surradas e com um sorriso enorme que lhe enfeitava o rosto marcado por anos de busca e incertezas. Antes de entrar no ônibus que a levaria de volta pra casa, Zita beijou e abraçou cada um de nós. Abraços tão cheios de gratidão que podíamos sentir o amor exalar do coração daquela pobre mulher.
   Em nossas viagens, aprendemos com os padres, que o dinheiro não traz felicidade, mas pode comprar um pouco de paz.
   Quando o ônibus que levava Zita começou a entrar na rodovia pudemos ver o bando de andorinhas lhe seguindo.
  De alguma forma, aquelas andorinhas chegaram ali ao mesmo tempo em Zita também chegara. E partiram juntas. Zita e as andorinhas.