Marcos Tecora Teles
Monday, April 13, 2015
Friday, March 20, 2015
Contos Quase Infantis - A Professora Sensual e o Amendoim nas Calças
Contos Eróticos Infantis
A Professora Sensual e o Amendoim nas Calças
Lá no final dos anos setenta, o
Colégio Mário Rangel era como nossa casa. Depois que o tempo passou é que fomos
perceber o quanto nossa escola foi importante. Talvez, por não termos naquele tempo
acesso a todas as facilidades da vida super moderna destes novos tempos. Naquele
tempo, na periferia, só havia os campinhos pra jogarmos futebol e a televisão
que só transmitia três ou quatro canais. Por isso, nossas brincadeiras eram sempre
na rua.
Nós amávamos nossa escola, amávamos
nossos colegas e professores. Tínhamos certeza que poderíamos viver para sempre
no Colégio Mário Rangel.
De tudo que havia na escola, o
que mais gostávamos eram as festas de encerramento de ano. E também, a Professora
Vânia... Era com ela que a gente sonhava, era com ela que todos os garotos planejavam
se casar...
A Professora Vânia era uma moça
belíssima, loira, alta, de lindos e grandes olhos verdes. Nossa professora
gostava de rock and roll, de vez em quando usava aquelas roupas de moda hippie,
grandes batas coloridas, calças boca de sino, grandes colares, pulseiras e
óculos escuros com aros grandes. Nossa imensa e incontida alegria era quando
ela usava as roupas mais sensuais. Nossa gigantesca alegria era quando ela
entrava na sala de aula, com aquelas blusas que não cabiam aquele par de seios.
Nossa esfuziante alegria era quando ela vestia aquelas saias que, segundo as
leis da física, não cabiam aquelas ancas. Nas aulas da Professora Vânia, a
gente rezava para que as horas não passassem.
A Professora Vânia adorava amendoim.
Todos os dias ela passava na
banca de doces e comprava um saquinho de amendoim. Depois que ela passava a
matéria na lousa, ela sentava-se em sua mesa e ia apertando os bagos e soltando
os caroços do amendoim. Esfregava os caroços, retirava a casquinha e quase nos
matava , quando delicadamente, colocava cada caroço na boca, com o cuidado de
não retirar o batom que marcava seus lábios carnudos.
Nos dias em que ela usava suas
roupas sensuais, acontecia uma verdadeira romaria dos meninos da sala, mal a
professora passava a lição e logo que se sentava os meninos, um a um, seguidas
vezes, iam lhe pedir explicações mais detalhadas. Todos fingiam não compreender,
somente para ficar olhando dentro de seu decote. Acho que a Professora Vânia
também gostava daquele pequeno jogo de sedução.
De todos nós, quem se apaixonou
perdida e platonicamente pela Professora Vânia foi Miltinho. Era somente ela
quem habitava seus dias. Houve um tempo em que ele andava mesmo esquisito. Tudo
o que encontrava pela frente, ele dizia lhe fazer lembrar de nossa sedutora
professora.
Os problemas começaram quando
ele começou a descobrir as coisas das quais ela gostava. Por causa da louca
paixão que ele adquiriu, eu sofri durante dias com grandes calombos nas costas
e nas pernas, por conta dos tiros de sal que levava.
Miltinho descobriu que a
Professora Vânia adorava jabuticabas. Para meu azar, perto de casa havia a chácara
do Seu Mané. Miltinho me convencia a ir roubar jabuticabas, mas todas às vezes,
o velhinho que tomava conta do lugar nos flagrava e atirava em nós com a
espingarda de sal. Miltinho era mais rápido e sempre corria na minha frente, por
consequência, eu era sempre o alvo do velhinho sem coração.
Miltinho achou uma maneira
menos perigosa para tentar chamar a atenção da professora Vânia, passou a lhe
levar rosas. Rosas que também me convencia a roubar no quintal de Dona Penha.
Dona
Penha era uma senhora, dessas crentes fanáticas, ela cultivava as mais lindas
rosas que já havíamos visto. As rosas de seu quintal eram lindas, de um rosa
magnífico e de um perfume que se podia sentir a dezenas de metros de distância.
De vez em quando ela nos pegava no pulo, tentava correr atrás de nós,como não
conseguia,pedia ajuda a Jesus, com toda força:
- Leva
eles Jesus!Leva esses encapetados pro inferno!Moleques do Satanás!
A maldição de Dona Penha atingiu Miltinho.
Na festa de encerramento do ano,
preparamos nossa festa, cada um levou alguma coisa para beber e comer. A
Heloísa levou a vitrola e os discos de discoteque. A Professora Vânia estava deslumbrante,
mais linda do que nunca. Ela bebia refrigerante e comia amendoim. Ela dançava
um pouquinho com cada um de nós, eu fiquei envergonhado e só segurei na cintura
dela. Miltinho não. Miltinho abraçou a professora, dançava de olhos fechados, imaginando
que estivesse mesmo dançando com sua namorada. A professora Vânia nem percebeu
a alegria de Miltinho, enquanto dançava,ela sorria,falava com as meninas e ia
comendo os amendoins. Quando a música terminou, a professora foi buscar o
Pedrinho para a próxima dança. Miltinho não percebeu que a música havia terminado,
permaneceu de olhos fechados, com os braços esticados, abraçando o vento. A
sala inteira começou rir de Miltinho, não pela cara de bobo, mas sim, pelo
volume que surgiu em suas calças. As meninas começaram a zombar de Miltinho, ele
ficou encabulado, fez até cara de choro. A Professora Vânia percebendo o constrangimento
de Miltinho, correu em seu socorro e afirmou sem titubear:
- Calma gente! Foi só um bago
de amendoim que deixei cair sem querer dentro das calças de Miltinho.
Para a sorte de Miltinho, as
férias começaram naquele dia.
Nunca mais vimos a Professora Vânia,
tudo culpa de um sortudo desgraçado, chamado Professor Felizardo. O filho da
mãe casou-se com ela e para nosso azar, foram felizes para sempre.
Friday, January 23, 2015
Contos Quase Infantis – A Pecadora do Metrô
Contos Eróticos
Infantis – A Pecadora do Metrô
Miltinho e eu, pela primeira vez iríamos
andar de Metrô. Passaríamos o final de semana no bairro de Santana, na casa de
minha querida tia Diná. Só em sair do Capão Redondo e atravessarmos sozinhos a cidade,
já seria uma aventura e mataríamos um pouco de nossa grande curiosidade.
Fomos até o centro da cidade e de lá tomamos
o Metrô na Praça da Sé.
Era um sábado de manhã, a cidade estava vazia,
pouquíssimas pessoas aguardavam na plataforma com destino à Santana. Felizes e
excitados com a aventura, Miltinho e eu, embarcamos no penúltimo vagão.
Ela entrou na Estação São Bento. Vestia um
vestido curtíssimo, esvoaçante,que à medida em que caminhava,ia deixando à
mostra parte dos seios e da bunda. Ela era uma mulher linda e parecia a Sônia
Braga em uma cena de Gabriela.
Ela
sentou-se em um banco à nossa frente, um homem velho a acompanhava. Ele lhe
fazia carícias e juras de amor. A cena era digna das que víamos nas revistas
que meu tio escondia embaixo do colchão. Não conseguíamos tirar os olhos do
casal. O homem, sem querer, vez outra, nos presenteava com uma visão privilegiada
daquele corpo de mulher. Ele a abraçava e passava - lhe as mãos pelo corpo. A
todo instante a barra do vestido dela subia até a barriga e as alças caiam até
o colo. De vez em quando, parecia até mesmo estar nua.
Miltinho e eu, inconscientemente, naquele
momento, pensávamos a mesma coisa. Certamente, uma meia seria sacrificada
naquela noite. A imaginação é realmente uma coisa inexplicável...
A cena prosseguia, mas a mulher não
demonstrava muito interesse no velho. Percebíamos que ela fingia. Ela também
mostrava-se ansiosa,parecia querer livrar-se logo dele.À todo instante olhava o
relógio,como se estivesse atrasada para algum compromisso muito importante.
Depois de uma longa e tórrida despedida, o
velho desembarcou na Estação Carandiru. Ela lhe sorriu, ele retribuiu com um
sorriso estranho e um tanto maldoso.
A voz nos alto – falantes nos informava que
estávamos em Santana. Ela saiu apressada do vagão. Miltinho e eu fomos a
observando desaparecer na estação e pensávamos na meia...
Minha tia havia pedido para a esperássemos na
lanchonete ao lado da estação. Como chegamos mais cedo, sentamos em uma mesinha
do lado de fora e pedimos uma Laranja Pop. Enquanto bebíamos nosso refrigerante,
Miltinho e eu falávamos sobre a moça no Metrô. Minutos depois ela reapareceu...
Miltinho e eu olhávamos incrédulos. Agora
ela vinha acompanhada de um homem jovem e bem vestido. Não entediamos mais nada.
Há poucos minutos ela se desmanchava de desejos com o velho. Agora, estava
maravilhosa e feliz ao lado do homem jovem. O Homem jovem a levou para dentro
da lanchonete. Miltinho eu, de vez em quando a ouvíamos gargalhar.
A moça nem nos notou.
Minha tia demorava a chegar. A todo
instante,íamos até a esquina olhar se ela estava chegando, poderia ter se
desencontrado de nós.
Em uma dessas idas e vindas, ouvimos pipocos,
pensamos que fossem rojões. Formou-se um tumulto em frente da lanchonete.
Miltinho e eu vimos o homem jovem caído em
uma grande poça de sangue. Entre o balcão e o corredor, estava ela, estirada no
meio do salão. Seu corpo seminu mostrava os furos feitos pelas balas. Os tiros
foram certeiros.
O homem velho não havia desembarcado na
Estação Carandiru, apenas mudou de vagão. Seguiu a moça e vingou-se da traição.
Miltinho e eu ficamos estarrecidos, apavorados
com aquele crime. A moça que parecia a Sônia Braga, agora é só um lindo corpo
sem vida.
Depois do acontecido, passamos muito tempo
sem levar meias para debaixo do cobertor.
Friday, January 16, 2015
Contos Quase Infantis - A Prostituta da Cidade das Andorinhas
Imagem: Internet
Contos Eróticos Infantis
A Prostituta da Cidade
das Andorinhas
Havia quatro meses que estávamos na estrada,
e em cada lugar,cada comunidade que chegávamos,colocávamos em prática o que os
padres nos ensinavam durante a jornada. Àquela altura, nossas mochilas já estavam
mais leves,em cada lugar que parávamos,deixávamos um pedaço da biblioteca que
carregávamos nas costas.
Havíamos estado em muitos lugares. Agora
estávamos em Anagé, uma pequena cidade no sertão baiano. Chegamos em uma tarde
de calor intenso,sob aquele céu azul-claro do mês de maio de 1984.
O céu da cidade era enfeitado por um bando
de andorinhas.
Nunca ficávamos muito tempo em cada lugar. E ali, ali não seria diferente.
Fomos alojados no quartel do Tiro de Guerra.
Estávamos eufóricos, afinal, depois de meses, iríamos finalmente dormir em uma
cama com colchão.
Dias depois de acomodados na cidade, já havíamos
nos habituado com a comunidade rural e com a rotina do lugar. E como de costume,
os padres nos informaram que era hora de partir novamente.
Os recrutas tornaram-se nossos companheiros
e amigos. Também eram nossos guias por ali e nos levavam à quase todos os
lugares onde podíamos nos divertir.
Ficou combinado que partiríamos na segunda-feira. No sábado, combinamos de ir conhecer um prostíbulo que ficava na zona rural. A
ansiedade era imensa, os hormônios de todos escapavam até pelos olhos.
Enfim, chegara o momento.Enquanto os padres
dormiam,escapamos pelas janelas laterais do velho prédio do quartel. Rapidamente
ganhamos a rua e adentramos na mata. Depois de uma longa caminhada, avistamos a
casa que ficava na beira de um riacho seco.
O lugar tinha um aspecto de pobreza extrema.
Era uma casa grande e velha, com quartos nos corredores e no quintal. A sala
era ampla e havia um balcão improvisado, feito de adobão e uma geladeira Frigidaire
caindo aos pedaços. A música saía de uma velha vitrola National, que não se
cansava de tocar um disco do Wando. Não eram muitas as mulheres, contamos oito
no total. Algumas eram até bonitas, outras nem tanto.
Os rapazes, incentivados pelos recrutas, logo
entraram na farra. Eu e Miguel Marinho ficamos sentados em um dos poucos bancos
que havia na sala, bebíamos cerveja e fumávamos nosso cigarro. Foi quando ela
entrou.
Era como se ela tivesse saído de um daqueles
filmes surrealistas. Ela era uma mulher de meia – idade, esquálida, tinha os
cabelos desgrenhados, usava um batom carmim que lhe acentuava os lábios
avantajados. Vestia uma combinação já muito gasta, com furos no sutiã. A calcinha,
além de ser maior do que seu número estava costurada nas nádegas e mal escondia
sua intimidade.Era grotesco. Mesmo com tudo isso, Zita era engraçada. Tinha bom
astral e acabou nos revelando toda a tristeza e amargura por estar ali.
Com
tantas moças jovens e bonitas no prostíbulo, homem nenhum se interessava em ir
para a cama com ela. Mesmo assim ficava por ali, limpava a casa, lavava as
roupas e servia no bar. Tornou-se uma espécie de “clown”, divertindo os
frequentadores.
Miguel Marinho e eu ficamos curiosos com
aquela figura. Zita era um personagem que insistia em querer ser real.
Zita era realmente uma mulher triste, que
fingia ser alegre para não morrer de fome naquele sertão.
Zita também nos contou que havia saído do Crato,
deixando para trás três filhos, só para tentar encontrar o marido que foi “buscar”
ouro em Serra Pelada, e que sabia que ele jamais retornaria. Zita nos contou
que depois de cinco anos, perdeu definitivamente as esperanças e começou a
perambular pelo Norte e Nordeste, até chegar até ali.
Zita sonhava em voltar para sua casa, no Ceará,
queria ficar junto dos filhos que há tanto tempo não via. Talvez, se
pudesse,montaria um pequeno negócio ou mesmo um cabaré, quem sabe?
Zita
era atormentada pelo remorso e pela saudade.
Bebemos muita cerveja, os rapazes estavam
felizes e satisfeitos. O dia começava a clarear, Zita dormia sentada em uma
velha cadeira, a vitrola havia se calado. Fomos embora.
No caminho, voltando para o quartel, falamos
de Zita, de sua história, de sua dor e de sua saudade. Fomos abatidos por um
profundo sentimento de pena e solidariedade. Nós iríamos ajudá-la de alguma forma.
Nossos corações doíam. Os corações dos recrutas e os dos civis.
Os padres nos esperavam na porta do Tiro de Guerra,
levamos muitas broncas e os sermões foram quase intermináveis.
Mais tarde, voltamos ao prostíbulo, fomos
procurar Zita. Nós lhe entregamos um pacote com todo o dinheiro que levávamos conosco,
dinheiro que nossas famílias nos enviavam e nunca tínhamos onde gastar. E não
era pouco dinheiro.
Na segunda – feira, estávamos prontos para seguir
nosso rumo. Na frente da agência de passagens estava Zita, com suas malas
surradas e com um sorriso enorme que lhe enfeitava o rosto marcado por anos de
busca e incertezas. Antes de entrar no ônibus que a levaria de volta pra casa, Zita
beijou e abraçou cada um de nós. Abraços tão cheios de gratidão que podíamos
sentir o amor exalar do coração daquela pobre mulher.
Em nossas viagens, aprendemos com os padres,
que o dinheiro não traz felicidade, mas pode comprar um pouco de paz.
Quando o ônibus que levava Zita começou a
entrar na rodovia pudemos ver o bando de andorinhas lhe seguindo.
De alguma forma, aquelas andorinhas chegaram
ali ao mesmo tempo em Zita também chegara. E partiram juntas. Zita e as andorinhas.
Saturday, December 27, 2014
10 de Janeiro, Agora o Lançamento Vai Ser em Casa
Dia 10 de janeiro,na quadra da Escola de Samba Mancha Alvi Verde!
O evento será na sede da torcida, a partir das 22h. Convidado pelo presidente Marquinhos, Teles estará presente para abrir a festa e contar um pouco mais sobre sua obra. O preço do ingresso é R$ 20,00.
O evento será na sede da torcida, a partir das 22h. Convidado pelo presidente Marquinhos, Teles estará presente para abrir a festa e contar um pouco mais sobre sua obra. O preço do ingresso é R$ 20,00.
Thursday, December 11, 2014
Zoo Cidade
Imagem:Internet
Em uma noite cinzenta e suja,eu caminhei entre cobras e lagartos.Animais de todas as espécies perambulavam pelas ruas de uma cidade imunda.
Eu vi restos mortais de velhos sonhos,restos de moral e pudor escorrendo pelos esgotos fedorentos dos banheiros dos velhos cinemas do centro.
Eu respirei pedaços podres de mulheres mal amadas.Peguei nas mãos, pedaços de corações de poetas semimortos.
Eu vi portas velhas rangendo na escuridão dos prédios abandonados e fantasmas se escondendo de mim.
Nessa noite, eu vi o mundo se apagando como lamparina velha,se esvaindo.Eu vi o mundo vomitando e tossindo.Eu vi o mundo cuspindo sangue, solidão e dor.
Em uma noite cinzenta e suja,eu caminhei entre cobras e lagartos.Animais de todas as espécies perambulavam pelas ruas de uma cidade imunda.
Eu vi restos mortais de velhos sonhos,restos de moral e pudor escorrendo pelos esgotos fedorentos dos banheiros dos velhos cinemas do centro.
Eu respirei pedaços podres de mulheres mal amadas.Peguei nas mãos, pedaços de corações de poetas semimortos.
Eu vi portas velhas rangendo na escuridão dos prédios abandonados e fantasmas se escondendo de mim.
Nessa noite, eu vi o mundo se apagando como lamparina velha,se esvaindo.Eu vi o mundo vomitando e tossindo.Eu vi o mundo cuspindo sangue, solidão e dor.
Thursday, October 23, 2014
Contos Quase Infantis - A Pomadinha Chinesa
Foto:Internet
Miltinho eu
gostávamos mesmo era de prestar atenção às conversas dos homens adultos.
Achávamos que o tempo passava devagar para nós. E que nunca, nunca iríamos ser
como todos aqueles homens do bairro.
Tínhamos certeza de que todos eles eram
felizes e donos de suas vidas. Acreditávamos que eles sabiam de tudo. Que eles
eram donos de todos os segredos. Falavam
sobre mulheres, descreviam com maestria, tudo o que faziam quando estavam
sozinhos com elas.Miltinho e eu,fingíamos não os escutar.Mas estávamos sempre
de ouvidos atentos.
Verinha era a moça
mais simpática do bairro. Também era a mais boazinha. Verinha vivia de fazer favores.
Todos os dias fazia um favor para alguém. Só não entendíamos porque Verinha só
fazia favores para os homens. Todos! Todos mesmo, sempre procuravam Verinha.
Verinha era muito querida. Sempre que
entrava em algum bar, os homens já a abraçavam com entusiasmo. Alguns lhe
passavam a mão no rosto, nos cabelos e outros até lhe davam tapinhas na bunda.
Verinha sentia muito frio. Mesmo quando
estava muito quente, ela sempre estava agarrada a algum dos homens do bairro. Ela
sempre pedia para que alguém a esquentasse.
Os homens a chamavam de Verinha do Povão!
As mulheres de nosso bairro não gostavam
tanto de Verinha...
Miltinho e eu decidimos descobrir que favores
eram aqueles que Verinha fazia. Depois de ouvir o Aníbal cochichar nos ouvidos dela,
que precisava de um favor... Seria às sete da noite, na casinha ao lado do bar
do Pedrão dos Cavalos.
Vimos quando o Aníbal levou Verinha para
dentro da casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos. Miltinho e eu nos
aproximamos e olhamos pelo vitrô...
Um dia,enquanto pegava as revistas de mulheres
nuas que meu tio escondia,descobri uma caixa repleta de pequenas latinhas. Não
dava para saber o que era, estava tudo escrito em chinês.
Quando comentei com Miltinho ele deu logo um
jeito de descobrir qual seria a utilidade daquelas latinhas.
Ele disse que ouviu Seu Toninho falar com o
Aníbal que a "tal" latinha, guardava uma pomada mágica. A pomada que
conquistava as mulheres.
Miltinho e eu, sentados no barranco da "Rua
de Cima", segurávamos as latinhas nas mãos... Nós éramos apaixonados pela
Cleópatra do filme...
Miltinho
me convenceu a pedirmos um favor para Verinha. Juntamos todas nossas pequenas economias.
Passamos semanas sem comprar doces e tubaína. Enchemos vários cofrinhos da
Poupança Haspa.
No dia em que falamos com ela, Verinha
ficou reticente, disse que éramos muitos crianças e que tinha medo que
contássemos para alguém. Ela mudou de ideia quando viu os seis cofrinhos
cheios...
No dia combinado, Miltinho e eu pegamos
várias latinhas de pomada chinesa do meu tio.
Quando chegamos à casinha ao lado do bar do
Pedrão dos Cavalos, Verinha já estava lá. Sentada na beira da cama, nos mandou
tirar as roupas. Estávamos tímidos, mas ela nos convenceu tirando a própria
blusa e ficando somente de sutiã. Verinha nos ofereceu um pouco de conhaque
Dreher para perdermos a timidez.
Miltinho
e eu estávamos em pé, completamente nus na frente de Verinha. Ela passou as mãos
em nossos corpos e depois levou as mãos ao nariz.
Verinha desatou a gargalhar. Ela gargalhava,
gargalhava...
Miltinho
olhava para mim, eu olhava para Miltinho e Verinha gargalhava como se fosse
explodir.
Verinha diminuiu o ritmo de sua risada quando
percebeu nossa cara de vergonha. Vestindo a roupa e nos devolvendo os cofrinhos
ela nos ensinou:
- A
pomadinha chinesa, não é para passar no corpo todo seus bobos... É pra passar
só no pinto!
Naquele instante, perdemos um pouco de nossa
inocência...
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