Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles
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Monday, March 05, 2018

Elis e Eu





Foto:Internet

Não me lembro bem qual foi o mês,talvez final de outubro ou novembro do ano de 1980.Nessa época eu trabalhava na fábrica de sapatos do meu tio,no Itaim - Bibi,Creazione Grazia,na Rua Bandeira Paulista.A fábrica ficava nos fundos e na frente,a loja.
Meu tio fazia os sapatos mais  lindos e os mais disputados pelas celebridades e mulheres da alta sociedade brasileira e era comum receber quase todos os dias uma visita ilustre na loja.
Era um final de tarde quente,eu me preparava para ir embora quando vi aquela mulher olhando a vitrine.Eu estava de cabeça baixa,arrumando  as gavetas do balcão,levantei novamente a cabeça e ela continuava olhando os sapatos e sorria.Eu a reconheci,era Elis Regina!
Ela percebeu minha surpresa,sorriu de volta,apagou o cigarro e entrou na loja e sem falar nada, cantou para mim: " De tanto levar frechada do teu olhar,meu peito até parece sabe o quê? Táubua de tiro ao álvaro,não tem mais onde furar,não tem mais..."
Meu tio tirou as medidas dos pés de Elis e lhe fez dois lindos pares de sandálias,no dia em que ela foi buscar eu não estava.Mas ela me deixou um convite para vê-la em um show inesquecível.
Saudades de Elis!

Sunday, February 12, 2017

Contos Quase Infantis O Padre Bianca

Contos Eróticos Infantis
O Padre Bianca
Imagem:Internet


   Todos nós, sem exceção, carregamos por toda a vida fatos marcantes de nossa infância. Um dia, lá na frente,vamos sentir saudades de lugares que visitamos,choraremos por coisas e pessoas que deixamos pra trás. Mas também, em algum momento, vamos sorrir das traquinagens e das loucuras infantis. A infância parece nunca ter fim e quando percebemos, somos adultos , amadurecemos, vemos que tudo valeu à pena e passamos a entender melhor a vida.

   Era o ano de 1978 e era época de Copa do Mundo na Argentina. Saíamos do Colégio Mário Rangel e corríamos para o campo do Águia, que ficava do outro lado da rua, na lateral da Igreja São José Operário. No campo, formávamos os times e disputávamos nossa copa do mundo particular.
   Somente aos domingos entrávamos na igreja, íamos à missa e depois, nos reuníamos no campo para nosso jogo sem fim.
   Miltinho e eu não gostávamos de ir à missa, só íamos aos domingos na missa das sete horas, por causa de Cleonice. Miltinho como sempre, desta vez apaixonara-se por ela, aliás, ele se apaixonava por uma nova garota a cada sete dias, sem nunca ter sucesso.
   Cleonice morava no Jardim Lilah e Miltinho me fazia andar quilômetros para passarmos pela rua detrás da casa dela para jogarmos pedra em seu telhado, era a maneira que ele achava que chamaria atenção. O que acabou também não dando certo. O Luiz do bar, percebendo nossa insistência, colocou Duque, seu cachorro pastor alemão para nos dar uma carreira. Miltinho, enfim, para o bem de minha saúde, desistiu de Cleonice.
   Miltinho eu e a turma do futebol, não éramos bem-vindos nas missas. O padre Emílio nos marcava sob pressão, nos vigiava o tempo todo e quando falávamos mais alto nos chamava à atenção. Foi em um desses domingos que o Padre Emílio apresentou uma nova pessoa para nossa comunidade, era Eliel. Eliel lhe ajudaria nas celebrações. Ele seria o novo diácono.
   Eliel lia os folhetos, cantava e também usava uma roupa igual a do padre. Ao ver Eliel falando para as pessoas na igreja, Miltinho perguntou em voz alta:
   - Padre Emílio, esse é o novo padre?
   Padre Emílio, rindo da pergunta de Miltinho e explicando calmamente, disse:
  - Não meu filho, ele é diácono, vai me ajudar nas coisas da igreja.
   Para surpresa de todos e nossa vergonha descomunal, Miltinho, lá do fundo da igreja gritou para o coitado do Padre Emílio:
   -Ele é padre sim! Ele usa vestido, igual ao senhor!
   O domingo foi de sol.

   Eliel gostava de futebol e junto com o Genésio, resolveu montar para nós um time de futebol. E era um time com uniformes e etc.
   Genésio não tinha uma boa reputação no bairro, diziam que ele era “macho e fêmea”. Usavas as unhas pintadas e quando conversava afeminava a voz.
   Eliel ficou muito amigo de Genésio, começou a passar várias horas por dia em sua casa,os dois eram fãs de Ney Matogrosso.Aquela súbita e estreita amizade despertou a curiosidade da molecada.Os meninos mais velhos faziam campana ao lado das janelas da casa de Genésio,tentando ver ou ouvir o que se passava lá dentro...

   Finalmente chegou o dia de estrearmos o time e os uniformes, estávamos ansiosos para a disputa de nossa primeira partida “oficial”. Genésio e Eliel nos davam as últimas instruções.
   O jogo começou e nada dava certo pra nós, só na metade do primeiro tempo, já perdíamos por três á zero! Manezinho, um conhecido malandro do bairro, também assíduo frequentador da casa de Genésio, gritava do lado do campo:
   - Ô Genésio! Ô Bianca! Arrumem esse time!
   Ouvimos os gritos de Manezinho, Miltinho olhou pra mim, olhei pro Alemão que olhou para o Adir,que olhou pro Ciro e ao mesmo tempo,tomados pela surpresa, nos perguntamos uns aos outros:
   - Bianca?!!
   Bianca era o nome de “guerra” de Eliel. Depois de nosso espanto, Manezinho nos revelou que ele, Genésio e Eliel, ganhavam um dinheiro extra, “conversando” dentro de carros com velhos ricos, lá na Avenida São Gabriel.

   O último domingo de novembro de 1978 foi o último dia em que vimos Eliel. Antes que a missa terminasse o Padre Emílio informou que era aniversário do Diácono Eliel e todos cantaríamos parabéns para ele. A igreja esta cheia, toda a comunidade estava presente naquele dia, os times que jogariam depois da missa, até o Manezinho estava lá.
   A banda começou a tocar o Parabéns pra Você, o padre começou a cantar, tudo caminhava para um final feliz, até que...Miltinho com a voz esganada puxou outro coro:
   - E pra Bianca nada?
   Nem seria necessário dizer que não houve festa.

   O tempo passou, o time acabou e o famoso campo do Águia deu lugar ao comércio e a uma agência do Bradesco. Anos depois soubemos da morte de Genésio, com uma doença grave, teve medo de morrer só, atirou-se de uma ponte.
   Passamos muitos anos sem notícias de Eliel, até que Miltinho voltando depois de trinta dias de férias em Governador Valadares, bateu na porta de casa de madrugada e me contou eufórico:
   - Marquinhos!Sabe quem eu vi?
   - Sei lá!
   - Marquinhos, encontrei o Eliel!
   - Onde?
   -No circo!
   - Ele tava fazendo o quê lá? Miltinho, ele te viu?
   - Ele é artista agora! O nome dele é Bianca Matogrosso!
   Deveria ser obrigatório haver sol em todos os lugares do mundo, todos os domingos.


Sunday, October 16, 2016

Grandes Manipulações no Futebol - História Verídica



Grandes manipulações no futebol.Essa é uma das verídicas:

Em 1977 foi lançado pela Rede Globo o slogan “O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!”.
Tratava-se de um torneio onde só participavam times que tivessem o nome de Corinthians e pela lógica só um time com esse nome seria campeão. Ao mesmo tempo, o Sport Club Corinthians Paulista, há vinte e três anos na fila, tinha um desempenho no Paulistão pra lá de incentivado pela arbitragem e, na final contra a Ponte Preta (time infinitamente superior), estranhamente teve seu centroavante Rui Rey expulso por Dulcídio Wanderley Boschilla no começo da partida. Dias depois, Rui Rey ouvia tocar a sirene do Parque São Jorge em sua homenagem, como reforço recém-contratado para a temporada de 1978. A história não mente.
Interessante lembrar este slogan, : "O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!"
Texto internet.Resposta no blog do Odir Cunha.


Saturday, June 25, 2016

Contos Quase Infantis - Com Chocolate nas Veias


Contos Eróticos Infantis
Com Chocolate nas Veias
Imagem:internet

Quando meu tio me levou para trabalhar em sua fábrica de sapatos femininos no Itaim - Bibi, muitas coisas mudaram em minha vida. Foi lá que aprendi, que às vezes precisamos  amadurecer antes da hora.
E foi lá também que conheci muitas pessoas bacanas. Com algumas daquelas pessoas, fiz amizades duradouras, com muitas outras sempre tive um pouco de receio de me aproximar.
Foi lá, na fábrica de sapatos de meu tio que me tornei quem sou.
Meu tio sempre foi muito generoso e também se encarregou de arrumar um emprego para Miltinho, na Esfiharia do Jaber, na Rua Tabapuã.
No edifício ao lado da esfiharia, morava Lili, uma menina gordinha, sorridente, simpática, de olhos castanhos e...linda!
Como eu já imaginava, Miltinho apaixonou – se platonicamente por ela. Durante meses, Lili era a única palavra que saía da boca de Miltinho.

Na fábrica de sapatos, uma das minhas responsabilidades era comprar materiais para a confecção dos calçados. Três vezes por semana, eu tinha que ir até a Rua Maceió comprar couros.
 Meu trajeto até o ponto de ônibus, era da Rua Bandeira Paulista até a Avenida Cidade Jardim, onde eu embarcava no Trólebus que subia a Rua Augusta.
Lili também tomava o mesmo ônibus e fazia o mesmo trajeto que eu. Acabamos ficando amigos. Lili fazia curso de fotografia no centro da cidade. Ela também ficou amiga de Miltinho.
Ainda me lembro do primeiro assunto ente Lili e eu. Conversamos sobre a notícia que mais se comentava naqueles dias. Naquela época, no início dos anos oitenta, muita gente desaparecia misteriosamente na cidade de São Paulo. No Itaim – Bibi, havia confirmações de que muitas garotas desapareceram sem deixar vestígios. A polícia dizia para as famílias que, provavelmente, elas haviam fugido com os namorados...

Uma das figuras mais estranhas que conhecemos no Itaim – Bibi foi Guido. Ele era o mestre chocolateiro da fábrica de chocolates, na Rua Joaquim Floriano. Guido não trabalhava todos os dias, ficamos sabendo que ele só trabalhava as noites em que formulava novas receitas para os bombons.
Na fábrica de chocolates, eram produzidos os melhores bombons do mundo. Nunca houve nada igual.
Logo descobrimos os dias em que Guido havia ido trabalhar. Assim que descíamos do ônibus na Avenida Nove de Julho, imediatamente, sentíamos o aroma que exalava das chaminés da fábrica de chocolates. Aquele cheiro inconfundível nos inebriava.

Guido era realmente um homem muito esquisito, parecia muito jovem, mas  ao mesmo tempo, também aparentava ser velho.Usava roupas pesadas e estava sempre vestindo um grande casaco preto.Usava cachecóis que lhe cobriam o pescoço e parte lhe escondia a boca.Guido também nunca retirava o chapéu.Parecia estar sempre tentando esconder alguma coisa.
Quando saía da fábrica, após seu turno de trabalho, ritualísticamente, ia tomar  café na padaria na Rua Doutor Renato Paes de Barros e ficava por lá, até o horário em que os alunos  saiam do colégio.Ele era conhecido dos jovens do bairro e gostava de conversar com eles,principalmente com  as garotas,todas,sem exceção,adoravam Guido.Ele sempre levava consigo,pacotes daqueles maravilhosos bombons.Quando chegava em gente ao colégio,era um alvoroço,as garotas já sabiam que ganhariam chocolate.

Miltinho não gostava de Guido, sempre que o via passar, comentava com  preocupação:
- Marquinhos... Marquinhos... Marquinhos, esse cara é louco.
- Que é isso, Miltinho? Deixa o homem em paz!
Miltinho insistia:
- Veja bem! Ele é jovem, usa essas roupas de idoso, todo estranho, não sei se você percebeu...
- Percebeu o quê?
- Ele vive com frio! E as mãos dele? Quando cumprimenta a gente, as mãos dele são geladas!
-Deve ser por causa da fábrica, lá tem muitas geladeiras.
-Marquinhos, na fábrica tem um monte de fogão gigante. Lá dentro deve ser um calor dos infernos.
Comecei a ficar encucado com Guido...

Miltinho esta cada vez mais apaixonado por Lili. Falava dos seus planos ao lado dela,chegava a imaginar a festa de casamento. Miltinho estava alucinado de amor e a todo instante me pedia opinião:
- Marquinhos, você acha que devo me declarar pra ela? Devo dizer que estou afim?
-Sei lá, você é quem sabe.
-Eu penso em falar pra ela, mas tenho medo.
-Ué! Medo do quê?
- E se Lili me der um fora? Vou perder a amizade dela. Você não acha melhor eu sofrer calado no meu canto e poder estar sempre perto dela, do que nunca mais poder vê-la?
Miltinho até que tinha alguma razão. Além do receio de perder Lili de uma vez por todas, ainda havia a diferença de classes. Lili era uma garota rica do Itaim- Bibi e ele, um garoto pobre do Capão Redondo.
Sempre soubemos que um garoto pobre do Capão Redondo era obrigado a sofrer calado.


Miltinho passou abertamente a odiar Guido, depois que o chocolateiro começou a galantear Lili. Todos os dias, Guido enviava bombons e bilhetes para Lili e ela parecia gostar de ser cortejada pelo chocolateiro.
Miltinho estava incomodado com aquela situação e ficava cada dia mais nervoso:
- Marquinhos!Vou matar esse cara!
Eu tentava lhe acalmar:
-Você está louco, Miltinho?Não tem nada demais, são amigos.
Miltinho se calava e eu sabia que sofria muito.


Ficamos profundamente entristecidos quando Suzi desapareceu. Suzi era uma garota bacana, ela trabalhava na loja da Levi´s na Rua João Cachoeira. Ela sempre nos ensinava sobre política. As pessoas diziam que, como tantos outros, Suzi havia sido presa pela ditadura.

Meses depois do desaparecimento de Suzi, fomos à festa de aniversário do Nego Teta, estávamos  animados,todos os nossos amigos compareceram,o pessoal do colégio,da Favela da Funchal e até o pessoal do Clube do Mé.Guido também estava na festa do Nego Teta.
Miltinho não se sentia confortável, estava encabulado e não tirava os olhos de Guido e Lili.
Guido falava ao ouvido da garota,ela sorria,parecia bem à vontade com a conversa do chocolateiro.
Vindo rapidamente em minha direção, Miltinho decidiu:
- Marquinhos, vou falar com ela, vou me declarar! Que se dane!
Miltinho atravessou o salão e foi até onde estavam Lili e Guido, chamou Lili em um canto, disse - lhe algo e voltou:
-Pronto! Falei pra ela.
- E o que ela disse?
- Que vai pensar...
A festa acabou naquele instante para Miltinho e eu, saímos do salão sem que ninguém nos visse. No caminho para o ponto de ônibus, resolvemos parar no Jack in The Box para comermos hambúrguer e tomarmos Coca-Cola, era uma maneira de esfriar a cabeça e aplacar um pouco da tristeza e Miltinho.
Mas aquela noite ainda estava longe de acabar...
Quando saíamos da lanchonete, vimos um casal que entrava na rua que dava para os fundos da fábrica de chocolates, reconhecemos Guido, que vinha segurando o braço de Lili.
Miltinho me puxou e me convenceu a seguir os dois.
Ainda de longe, observamos Guido e Lili entrarem na fábrica de chocolates. Depois de algum tempo em que os dois já se encontravam lá dentro, nos aproximamos da porta e encostamos nossos ouvidos para tentarmos captar qualquer barulho que pudesse vir lá de dentro.
Miltinho estava morrendo de ciúmes e sentia-se derrotado. Era nítido seu olhar de angústia e decepção.
O tempo passava e só ouvíamos o barulho de metais. De vez em quando escutávamos bem baixinho a voz de Guido sussurrando palavras ininteligíveis. Apuramos um pouco mais nossa audição e enfim, ouvimos claramente a voz de Guido, que falava  em um idioma que até então não conhecíamos.

Tentei convencer Miltinho  a sairmos daquele lugar, disse – lhe que aquilo era perder tempo, que não adiantava mais sofrer,que era melhor partir pra outra.
Miltinho já havia se convencido em irmos embora, Mas um grito de pavor nos congelou a espinha. Desesperada, Lili pedia socorro, gritava alto e chorava aterrorizada.
Miltinho e eu não tivemos dúvidas, começamos a gritar, chutar e tentar arrombar a porta.
Repentinamente, fez – se um brevíssimo silêncio e em seguida, ouvimos passos apressados se afastando lá dentro.

Do lado de fora, Miltinho  eu continuávamos tentando arrombar a porta da fábrica de chocolates.Pensei em pedir ajuda,mas a rua estava completamente deserta aquela hora da noite.Também pensei em ir até a delegacia,mas Miltinho achava que talvez não desse tempo de salvar Lili.
Miltinho raciocinava rápido e viu um pequeno vitrô sobre a pequena porta e me falou;
- Sobe nas minhas costas, vai!
Miltinho se abaixou, coloquei meus pés em seus ombros e pulei. Com muito esforço alcancei a borda do vitrô. Dei um soco com todas as minhas forças, o vidro se quebrou e me esgueirei para passar pelo vão ínfimo.
Caí dentro da fábrica de chocolates e abri a porta para que Miltinho também entrasse. Lá dentro, caminhamos por um pequeno corredor e acabamos dentro de uma grande cozinha, repleta de caldeirões fervendo leite e chocolate, máquinas e utensílios diversos. Sobre uma bancada, amarrada e nua, encontramos Lili.


A polícia foi até a casa onde Guido morava. Uma mansão sombria na Rua Mário Ferraz. Lá, encontraram um verdadeiro tesouro. Obras de artes de valor incalculável. Quadros tão antigos quanto se podia imaginar, impossível  datar quando foram pintados,talvez milênios.
O que realmente chamou a atenção da polícia foi a quantidade das belas estátuas espalhadas por toda a casa. Estátuas esculpidas com chocolate e em tamanho natural. Elas exalavam aquele aroma inconfundível  que saía das chaminés da fábrica.
Um caminhão foi chamado para transportar tudo o que fora  apreendido na  casa de Guido.
Quando começaram a carregar as estátuas, a surpresa foi aterradora, as estátuas eram feitas para esconder os cadáveres das garotas desaparecidas.

 Ficamos ainda mais chocados e assustados quando soubemos a forma com que o chocolateiro assassinava suas vítimas. Guido colocava entorpecentes - que ele  mesmo sabia preparar - dentro dos bombons que oferecia para as garotas que escolhia como vítimas.
Guido levava as garotas já dopadas para a fábrica de chocolates, depois de violentá-las e cometer todo tipo de crueldade, usava a máquina de filtrar o leite para lhes retirar completamente todo o sangue. Depois, injetava  nas veias das meninas,calda quente de chocolate. Com o sangue das garotas, ele produzia o ingrediente secreto que colocava em seus bombons.


O tempo passa mais rápido, quanto mais vamos amadurecendo.
Para decepção de Miltinho, Lili foi morar na Alemanha e não tem intenção de voltar.
Guido desapareceu, não deixou nenhum rastro.


Ah! Quase me esqueci de falar sobre Sara...
Sara era neta do judeu, dono da loja de couros, aonde eu ia três vezes por semana fazer compras. Miltinho conheceu Sara e claro, também ficou completamente apaixonado por ela.
Com Sara ele não quis perder tempo, em uma festa na casa do Nego Teta, Miltinho decidiu declarar seu amor infinito a ela. Preparou-se e foi todo confiante e com ar de conquistador experiente. Chegou perto da moça e não teve dúvidas, disparou:
- Sara, você é linda, eu te amo e estou afim de namorar contigo!
Ao ouvir a declaração de Miltinho, Sara, do alto de seus vinte e sete anos, não pensou duas vezes:
- Se enxerga moleque! Você acha que tenho cara de babá?

Miltinho e eu, até hoje, até hoje, odiamos chocolate.




Tuesday, December 01, 2015

Jovens Homens Pretos

Imagens:Internet

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não assassinou apenas cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou o futuro de cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,todos os dias, assassina o futuro.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,também não gosta de jovens homens pretos.

Tuesday, September 22, 2015

É Que... Faltou Dizer Eu Te Amo



Imagem:Internet

É Que... Faltou Dizer Eu Te Amo
Eu reconheci aquele caminhar, aquele jeito de dar cada passo. A cada pedaço de rua que ela avançava, o tempo me levava de volta para trinta anos atrás. Ela conservava a mesma beleza.
Ela me reconheceu. Eu estava parado na porta da casa de meu irmão. Fui buscar Samira, minha pequena sobrinha, que iria fazer uma longa viagem.
Ela se aproximou, me olhou nos olhos e sorriu.Era o mesmo sorriso.Eu lhe estendi  a mão.Suas mãos estavam trêmulas e a voz conservava a mesma melancolia.
As palavras demoraram a sair:
- Como vai?
-Vou indo. A vida está cada vez mais corrida.
-Faz tempo que não aparece por esses lados.
-É verdade. Coisas acontecem e tudo muda muito de repente.
-Da última vez que esteve por aqui, e já faz muito, muito tempo,te vi de longe.
- E por quê não falou comigo?
-Você estava acompanhado.
-Não havia problema algum nisso.
-Não quis ser deselegante. Achei desnecessário criar um transtorno, trazendo um pedaço perdido do passado.
-Tudo bem.
Ela me olhava atentamente, como se buscasse algo escondido dentro de mim e falou:
-Você está muito bem, continua bonito.
-O tempo também tem sido generoso contigo. Você está linda também.
Eu tinha tanto para perguntar e as palavras insistiam em não querer sair, eu me esforçava:
-Como está sua família?
-Família?
-Sim, sua família.
-Nunca tive.
-Mas você se casou.
-Não durou muito tempo.
-E filhos?
-Não os tive.
-Não quis ser mãe?
-Durante um tempo, sim. Até que tentei.
Os olhos claros dela refletiam uma certa dor escondida na alma.
Fomos soltando as amarras e as palavras que deveriam ser ditas no passado, só agora vieram:
-Você ainda se lembra da última vez que conversamos?
-Sim, na missa de sétimo dia de seu pai.
-Você apareceu lá com seu marido.
-Nossa! O tempo passou rápido demais.
-Demais, demais, demais.
Ela tinha muitas perguntas e nunca tive as respostas.
-Olha, eu nunca tive a chance, talvez se tivesse tido, me faltaria coragem.
-Coragem, pra quê?
-O que aconteceu com a gente?Por quê você foi embora?
-Foi sua a culpa.
-O que eu fiz?
-Você nunca me deu certeza se gostava de mim. Nunca me deu certeza se queria ficar comigo.
-Não acredito que isto ouvindo isso de você. Você resolveu ir embora. Fiquei sabendo na manhã em que embarcou naquele maldito ônibus. Mesmo assim, ainda fui lá e vi de longe você indo embora.
-Eu te vi na rodoviária.
-E não se despediu de mim. Nem mesmo um único e mísero aceno.
-Eu esperei você me pedir pra ficar.
-Eu esperei você descer do ônibus, desistir de ir embora e me dar um abraço.
-Eu chorei durante toda a viagem. Quando começava a pegar no sono, acordava aos sobressaltos sentindo o teu perfume.
-Chorei muito. Chorei durante muitos meses.
-Eu pensei em voltar.
-Eu te esperei.
-Mas se casou com outro.
-Te esperei por muito tempo. Nunca recebi uma carta sua.
-Você nunca me deu certeza se gostava de mim.
-Você também não.
-Me fazia sentir ciúmes.
-Eu só queria chamar sua atenção.
Seus olhos claros se umedeceram, por baixo dos meus óculos escuros as lágrimas rolaram escondidas.
-Muitas vezes eu liguei na casa de minha mãe, exatamente na hora em que eu sabia que você estava passando em frente.
-Você nunca me enviou um recado.
-Eu pedia pra minha irmã me dizer que roupa você estava usando e se estava linda como sempre.
Ela queria dizer mais alguma coisa:
-Seus filhos são lindos.
-Sim, eles são lindos.
-Eles se parecem com sua mulher.
-Parecem muito.
-Sua mulher se parece comigo. Foi proposital?
-Como assim?Proposital?
-Se casar com alguém que se parece tanto comigo?
-Não. Foi o destino. O lugar em que a conheci, o coração precisando de abrigo.
-Você a ama muito.
-Amo. Amo de verdade. Aprendi a amá-la com todas minhas forças.
Ela estendeu a mão para me dizer adeus:
-Foi bom te ver.
-Foi um prazer. Me perdoa?
-Claro. Já te perdoei há muito tempo. Sem ressentimentos Já estamos velhos para desenterrar os erros do passado.
Ela ajeitou o lenço no pescoço, colocou o chapéu e se foi dizendo:
-Boa sorte e boa viagem.
-Boa sorte pra você também. Cuide-se.
Samira foi buscar suas malas e parou para ouvir a conversa atrás da porta entreaberta da sala que dá para a rua. Coloquei suas malas no bagageiro e ela sentou-se no carro. Depois de sair da avenida e entrar na estrada, Samira rompeu o breve silêncio:
-Você e ela já foram namorados, tio?
-Não sei se “namorados” é a palavra exata. Nós tentamos ficar juntos uma vez, já faz muito tempo.
-Ela te amou, tio. Ela vai te amar a vida inteira.
-Como você pode afirmar isso?Você só tem onze anos?
-Tio!Dá pra ver nos olhos dela, dá pra ouvir na voz dela.
-E você percebeu isso assim, tão depressa?
-Tio! Já entendo algumas coisas. Já sei o que aconteceu com vocês dois.
-E o que aconteceu?Pode me dizer?
-É que... Faltou alguém dizer, eu te amo.

A noite começava a cair, o sol estava vermelho, a linha do horizonte já ficava mais perto. E como há trinta anos atrás,o perfume dela me mantinha acordado.

Saturday, December 27, 2014

10 de Janeiro, Agora o Lançamento Vai Ser em Casa

 Dia 10 de janeiro,na quadra da Escola de Samba Mancha Alvi Verde!
O evento será na sede da torcida, a partir das 22h. Convidado pelo presidente Marquinhos, Teles estará presente para abrir a festa e contar um pouco mais sobre sua obra. O preço do ingresso é R$ 20,00.

Thursday, December 11, 2014

Zoo Cidade

Imagem:Internet





   Em uma noite cinzenta e suja,eu caminhei entre cobras e lagartos.Animais de todas as espécies perambulavam pelas ruas de uma cidade imunda.
   Eu vi restos mortais de velhos sonhos,restos de moral e pudor escorrendo pelos esgotos fedorentos dos banheiros dos velhos cinemas do centro.
   Eu respirei pedaços podres de mulheres mal amadas.Peguei nas mãos, pedaços de corações de poetas semimortos.
   Eu vi portas velhas rangendo na escuridão dos prédios abandonados e fantasmas se escondendo de mim.
   Nessa noite, eu vi o mundo se apagando como lamparina velha,se esvaindo.Eu vi o mundo vomitando e tossindo.Eu vi o mundo cuspindo sangue, solidão e dor.

Thursday, October 23, 2014

Contos Quase Infantis - A Pomadinha Chinesa

Foto:Internet


Miltinho eu gostávamos mesmo era de prestar atenção às conversas dos homens adultos. Achávamos que o tempo passava devagar para nós. E que nunca, nunca iríamos ser como todos aqueles homens do bairro.
   Tínhamos certeza de que todos eles eram felizes e donos de suas vidas. Acreditávamos que eles sabiam de tudo. Que eles eram donos de todos os segredos.         Falavam sobre mulheres, descreviam com maestria, tudo o que faziam quando estavam sozinhos com elas.Miltinho e eu,fingíamos não os escutar.Mas estávamos sempre de ouvidos atentos.
  
Verinha era a moça mais simpática do bairro. Também era a mais boazinha. Verinha vivia de fazer favores. Todos os dias fazia um favor para alguém. Só não entendíamos porque Verinha só fazia favores para os homens. Todos! Todos mesmo, sempre procuravam Verinha.
    Verinha era muito querida. Sempre que entrava em algum bar, os homens já a abraçavam com entusiasmo. Alguns lhe passavam a mão no rosto, nos cabelos e outros até lhe davam tapinhas na bunda.
   Verinha sentia muito frio. Mesmo quando estava muito quente, ela sempre estava agarrada a algum dos homens do bairro. Ela sempre pedia para que alguém a esquentasse.
  Os homens a chamavam de Verinha do Povão!
  As mulheres de nosso bairro não gostavam tanto de Verinha...
  Miltinho e eu decidimos descobrir que favores eram aqueles que Verinha fazia. Depois de ouvir o Aníbal cochichar nos ouvidos dela, que precisava de um favor... Seria às sete da noite, na casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos.
  Vimos quando o Aníbal levou Verinha para dentro da casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos. Miltinho e eu nos aproximamos e olhamos pelo vitrô...
 
 Um dia,enquanto pegava as revistas de mulheres nuas que meu tio escondia,descobri uma caixa repleta de pequenas latinhas. Não dava para saber o que era, estava tudo escrito em chinês.
 Quando comentei com Miltinho ele deu logo um jeito de descobrir qual seria a utilidade daquelas latinhas.
   Ele disse que ouviu Seu Toninho falar com o Aníbal que a "tal" latinha, guardava uma pomada mágica. A pomada que conquistava as mulheres.
  Miltinho e eu, sentados no barranco da "Rua de Cima", segurávamos as latinhas nas mãos... Nós éramos apaixonados pela Cleópatra do filme...

    Miltinho me convenceu a pedirmos um favor para Verinha. Juntamos todas nossas pequenas economias. Passamos semanas sem comprar doces e tubaína. Enchemos vários cofrinhos da Poupança Haspa.
    No dia em que falamos com ela, Verinha ficou reticente, disse que éramos muitos crianças e que tinha medo que contássemos para alguém. Ela mudou de ideia quando viu os seis cofrinhos cheios...
   No dia combinado, Miltinho e eu pegamos várias latinhas de pomada chinesa do meu tio.
   Quando chegamos à casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos, Verinha já estava lá. Sentada na beira da cama, nos mandou tirar as roupas. Estávamos tímidos, mas ela nos convenceu tirando a própria blusa e ficando somente de sutiã. Verinha nos ofereceu um pouco de conhaque Dreher para perdermos a timidez.
  Miltinho e eu estávamos em pé, completamente nus na frente de Verinha. Ela passou as mãos em nossos corpos e depois levou as mãos ao nariz.
 Verinha desatou a gargalhar. Ela gargalhava, gargalhava...
  Miltinho olhava para mim, eu olhava para Miltinho e Verinha gargalhava como se fosse explodir.
  Verinha diminuiu o ritmo de sua risada quando percebeu nossa cara de vergonha. Vestindo a roupa e nos devolvendo os cofrinhos ela nos ensinou:
   - A pomadinha chinesa, não é para passar no corpo todo seus bobos... É pra passar só no pinto!
  
   Naquele instante, perdemos um pouco de nossa inocência...

Friday, October 10, 2014

Lia 100121 Trecho



 


   Foi em uma festa no Bar do Quirino que conheci Letícia. Paixão à primeira vista e arrebatadora.

   Naquela noite eu havia bebido como de costume. Alguns uísques, algumas cervejas, mas ainda estava inacreditavelmente sóbrio.
    Letícia estava sentada numa mesa no fundo da choupana - o Bar do Quirino era uma choupana -, ela e mais dois amigos. Eu não conseguia tirar os olhos daquela obra de arte em forma de mulher. Ela fingia  não perceber que eu a observava. Às vezes encostava a cabeça no ombro de um dos seus amigos e sorria. Eu prestava atenção a cada um de seus movimentos.
    Minha alegria acabou quando ela saiu de braços dados com um dos rapazes que estava na mesa. Fiquei triste, meu coração ficou pequeno. Naquela noite adquiri amor platônico por Letícia, ela nem me notou. Quirino me serviu mais uísque e me carregou pra casa.

   No outro dia resolvi usar o que aprendi na faculdade de jornalismo pra descobrir o endereço de Letícia. Eu não estava disposto a passar mais uma noite sem dormir. Ela foi um furacão que passou por mim, levando minha sanidade, meu coração e sei lá mais o quê. Precisava achar aquela mulher.

   Depois de muitas perguntas e poucas respostas finalmente encontrei seu paradeiro.
   Ponta da ilha. Descobri seu endereço.
   Como louco mandei flores e escrevi poesias.
   Ela me encontrou no quiosque e também gostou de mim.
  
   Letícia invadiu a minha vida, por causa dela embarquei numa história incrível.