Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles
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Sunday, February 12, 2017

Contos Quase Infantis O Padre Bianca

Contos Eróticos Infantis
O Padre Bianca
Imagem:Internet


   Todos nós, sem exceção, carregamos por toda a vida fatos marcantes de nossa infância. Um dia, lá na frente,vamos sentir saudades de lugares que visitamos,choraremos por coisas e pessoas que deixamos pra trás. Mas também, em algum momento, vamos sorrir das traquinagens e das loucuras infantis. A infância parece nunca ter fim e quando percebemos, somos adultos , amadurecemos, vemos que tudo valeu à pena e passamos a entender melhor a vida.

   Era o ano de 1978 e era época de Copa do Mundo na Argentina. Saíamos do Colégio Mário Rangel e corríamos para o campo do Águia, que ficava do outro lado da rua, na lateral da Igreja São José Operário. No campo, formávamos os times e disputávamos nossa copa do mundo particular.
   Somente aos domingos entrávamos na igreja, íamos à missa e depois, nos reuníamos no campo para nosso jogo sem fim.
   Miltinho e eu não gostávamos de ir à missa, só íamos aos domingos na missa das sete horas, por causa de Cleonice. Miltinho como sempre, desta vez apaixonara-se por ela, aliás, ele se apaixonava por uma nova garota a cada sete dias, sem nunca ter sucesso.
   Cleonice morava no Jardim Lilah e Miltinho me fazia andar quilômetros para passarmos pela rua detrás da casa dela para jogarmos pedra em seu telhado, era a maneira que ele achava que chamaria atenção. O que acabou também não dando certo. O Luiz do bar, percebendo nossa insistência, colocou Duque, seu cachorro pastor alemão para nos dar uma carreira. Miltinho, enfim, para o bem de minha saúde, desistiu de Cleonice.
   Miltinho eu e a turma do futebol, não éramos bem-vindos nas missas. O padre Emílio nos marcava sob pressão, nos vigiava o tempo todo e quando falávamos mais alto nos chamava à atenção. Foi em um desses domingos que o Padre Emílio apresentou uma nova pessoa para nossa comunidade, era Eliel. Eliel lhe ajudaria nas celebrações. Ele seria o novo diácono.
   Eliel lia os folhetos, cantava e também usava uma roupa igual a do padre. Ao ver Eliel falando para as pessoas na igreja, Miltinho perguntou em voz alta:
   - Padre Emílio, esse é o novo padre?
   Padre Emílio, rindo da pergunta de Miltinho e explicando calmamente, disse:
  - Não meu filho, ele é diácono, vai me ajudar nas coisas da igreja.
   Para surpresa de todos e nossa vergonha descomunal, Miltinho, lá do fundo da igreja gritou para o coitado do Padre Emílio:
   -Ele é padre sim! Ele usa vestido, igual ao senhor!
   O domingo foi de sol.

   Eliel gostava de futebol e junto com o Genésio, resolveu montar para nós um time de futebol. E era um time com uniformes e etc.
   Genésio não tinha uma boa reputação no bairro, diziam que ele era “macho e fêmea”. Usavas as unhas pintadas e quando conversava afeminava a voz.
   Eliel ficou muito amigo de Genésio, começou a passar várias horas por dia em sua casa,os dois eram fãs de Ney Matogrosso.Aquela súbita e estreita amizade despertou a curiosidade da molecada.Os meninos mais velhos faziam campana ao lado das janelas da casa de Genésio,tentando ver ou ouvir o que se passava lá dentro...

   Finalmente chegou o dia de estrearmos o time e os uniformes, estávamos ansiosos para a disputa de nossa primeira partida “oficial”. Genésio e Eliel nos davam as últimas instruções.
   O jogo começou e nada dava certo pra nós, só na metade do primeiro tempo, já perdíamos por três á zero! Manezinho, um conhecido malandro do bairro, também assíduo frequentador da casa de Genésio, gritava do lado do campo:
   - Ô Genésio! Ô Bianca! Arrumem esse time!
   Ouvimos os gritos de Manezinho, Miltinho olhou pra mim, olhei pro Alemão que olhou para o Adir,que olhou pro Ciro e ao mesmo tempo,tomados pela surpresa, nos perguntamos uns aos outros:
   - Bianca?!!
   Bianca era o nome de “guerra” de Eliel. Depois de nosso espanto, Manezinho nos revelou que ele, Genésio e Eliel, ganhavam um dinheiro extra, “conversando” dentro de carros com velhos ricos, lá na Avenida São Gabriel.

   O último domingo de novembro de 1978 foi o último dia em que vimos Eliel. Antes que a missa terminasse o Padre Emílio informou que era aniversário do Diácono Eliel e todos cantaríamos parabéns para ele. A igreja esta cheia, toda a comunidade estava presente naquele dia, os times que jogariam depois da missa, até o Manezinho estava lá.
   A banda começou a tocar o Parabéns pra Você, o padre começou a cantar, tudo caminhava para um final feliz, até que...Miltinho com a voz esganada puxou outro coro:
   - E pra Bianca nada?
   Nem seria necessário dizer que não houve festa.

   O tempo passou, o time acabou e o famoso campo do Águia deu lugar ao comércio e a uma agência do Bradesco. Anos depois soubemos da morte de Genésio, com uma doença grave, teve medo de morrer só, atirou-se de uma ponte.
   Passamos muitos anos sem notícias de Eliel, até que Miltinho voltando depois de trinta dias de férias em Governador Valadares, bateu na porta de casa de madrugada e me contou eufórico:
   - Marquinhos!Sabe quem eu vi?
   - Sei lá!
   - Marquinhos, encontrei o Eliel!
   - Onde?
   -No circo!
   - Ele tava fazendo o quê lá? Miltinho, ele te viu?
   - Ele é artista agora! O nome dele é Bianca Matogrosso!
   Deveria ser obrigatório haver sol em todos os lugares do mundo, todos os domingos.


Thursday, October 23, 2014

Contos Quase Infantis - A Pomadinha Chinesa

Foto:Internet


Miltinho eu gostávamos mesmo era de prestar atenção às conversas dos homens adultos. Achávamos que o tempo passava devagar para nós. E que nunca, nunca iríamos ser como todos aqueles homens do bairro.
   Tínhamos certeza de que todos eles eram felizes e donos de suas vidas. Acreditávamos que eles sabiam de tudo. Que eles eram donos de todos os segredos.         Falavam sobre mulheres, descreviam com maestria, tudo o que faziam quando estavam sozinhos com elas.Miltinho e eu,fingíamos não os escutar.Mas estávamos sempre de ouvidos atentos.
  
Verinha era a moça mais simpática do bairro. Também era a mais boazinha. Verinha vivia de fazer favores. Todos os dias fazia um favor para alguém. Só não entendíamos porque Verinha só fazia favores para os homens. Todos! Todos mesmo, sempre procuravam Verinha.
    Verinha era muito querida. Sempre que entrava em algum bar, os homens já a abraçavam com entusiasmo. Alguns lhe passavam a mão no rosto, nos cabelos e outros até lhe davam tapinhas na bunda.
   Verinha sentia muito frio. Mesmo quando estava muito quente, ela sempre estava agarrada a algum dos homens do bairro. Ela sempre pedia para que alguém a esquentasse.
  Os homens a chamavam de Verinha do Povão!
  As mulheres de nosso bairro não gostavam tanto de Verinha...
  Miltinho e eu decidimos descobrir que favores eram aqueles que Verinha fazia. Depois de ouvir o Aníbal cochichar nos ouvidos dela, que precisava de um favor... Seria às sete da noite, na casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos.
  Vimos quando o Aníbal levou Verinha para dentro da casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos. Miltinho e eu nos aproximamos e olhamos pelo vitrô...
 
 Um dia,enquanto pegava as revistas de mulheres nuas que meu tio escondia,descobri uma caixa repleta de pequenas latinhas. Não dava para saber o que era, estava tudo escrito em chinês.
 Quando comentei com Miltinho ele deu logo um jeito de descobrir qual seria a utilidade daquelas latinhas.
   Ele disse que ouviu Seu Toninho falar com o Aníbal que a "tal" latinha, guardava uma pomada mágica. A pomada que conquistava as mulheres.
  Miltinho e eu, sentados no barranco da "Rua de Cima", segurávamos as latinhas nas mãos... Nós éramos apaixonados pela Cleópatra do filme...

    Miltinho me convenceu a pedirmos um favor para Verinha. Juntamos todas nossas pequenas economias. Passamos semanas sem comprar doces e tubaína. Enchemos vários cofrinhos da Poupança Haspa.
    No dia em que falamos com ela, Verinha ficou reticente, disse que éramos muitos crianças e que tinha medo que contássemos para alguém. Ela mudou de ideia quando viu os seis cofrinhos cheios...
   No dia combinado, Miltinho e eu pegamos várias latinhas de pomada chinesa do meu tio.
   Quando chegamos à casinha ao lado do bar do Pedrão dos Cavalos, Verinha já estava lá. Sentada na beira da cama, nos mandou tirar as roupas. Estávamos tímidos, mas ela nos convenceu tirando a própria blusa e ficando somente de sutiã. Verinha nos ofereceu um pouco de conhaque Dreher para perdermos a timidez.
  Miltinho e eu estávamos em pé, completamente nus na frente de Verinha. Ela passou as mãos em nossos corpos e depois levou as mãos ao nariz.
 Verinha desatou a gargalhar. Ela gargalhava, gargalhava...
  Miltinho olhava para mim, eu olhava para Miltinho e Verinha gargalhava como se fosse explodir.
  Verinha diminuiu o ritmo de sua risada quando percebeu nossa cara de vergonha. Vestindo a roupa e nos devolvendo os cofrinhos ela nos ensinou:
   - A pomadinha chinesa, não é para passar no corpo todo seus bobos... É pra passar só no pinto!
  
   Naquele instante, perdemos um pouco de nossa inocência...

Thursday, September 18, 2014

Nada a Perder



Eu não tenho nada
nada a perder

A viver na solidão
melhor pessoa errada
Eu não tenho nada
nada a perder

A não ter o que dizer
melhor palavra errada
Eu não tenho nada
nada a perder

A esperar por água e pão
melhor faca amolada
Eu não tenho nada
nada a perder

A esperar por solução
melhor a luta armada
Eu nunca tive nada
nada a perder.

Friday, August 22, 2014

Palestra Lágrimas Futebol Clube

 

O novo selo “Literatura Marginal DSOP” será apresentado na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com o lançamento, no dia 30 de agosto, às 19h, de "Palestra Lágrimas Futebol Clube", escrito por Marco Tecora Teles. Uma obra destinada não apenas aos torcedores do Palmeiras, mas a todos os amantes de futebol, bem como os apaixonados por literatura.

Tuesday, October 08, 2013

Vem aí ! Sangue nos Olhos






 Sangue nos Olhos

   -Você não se lembra de nada?
  Claudinei ouvia Luiz perguntar sobre a noite anterior.
 -Nada,só lembro quando ele pisou no pescoço de Carminha.
 -E ela? Também não viu?
 -Ele bateu muito nela,ficou desacordada.

 Luiz vai até o fundo do sitio,olha atentamente o poço que há tempos estava abrindo.Volta,olha para o amigo e pergunta ainda assustado com o que via:
-Você fez tudo isso sozinho? Enterrou o corpo no poço? Limpou o sangue?

Claudinei confirmou balançando a cabeça.

-Você consegue se levantar?
Claudinei,fica de pé e empurrando a cadeira de rodas diz para o amigo:
-Dói um pouco.Fiquei muito tempo sentado.
-Carminha te viu de pé?
-Não,é melhor que ela não saiba o que aconteceu,ela só se lembra de ter apanhado do safado do Firmino.

 Luiz faz o sinal da cruz e comenta:
-Caralho!Credo em cruz!

Wednesday, August 28, 2013

A Bolsa de Guardar Estrelas



A Bolsa de Guardar Estrelas

Existe um tempo em nossa infância que muitas coisas inexplicáveis acontecem com a gente. E no fundo, quem quer explicar?Apenas vivemos...e também, depois que crescemos nossa memória não consegue mais nos trazer as imagens da primeira infância.

Não me recordo muito bem. Nem quando,nem como. Sei que já fui pequenino.
Uma vez viajei para a casa dos meus avós ,no interior da Bahia. Passei alguns dias maravilhosos por lá. No dia da viagem de volta,minha avó Idalina me chamou lá nos fundos da casa e me deu de presente uma velha bolsa de couro.
Recebi aquele presente sem entender direito a utilidade de tal objeto.
Minha avó Idalina ,sorriu entendendo minha dúvida e inquietação e me disse com voz delicada:
- Essa é uma bolsa valiosa,ela é para guardar estrelas.
Fiquei ainda mais curioso e lhe perguntei:
-Como assim,vó? Pra guardar estrelas?
-Quando a noite estiver muito,muito estrelada fique de olhos bem arregalados,você vai poder ver as estrelas caírem do céu.
-Estrelas caem? Porquê vó?
-No céu nem sempre tem espaço para tantas estrelas. Elas crescem e vão empurrando umas às outras. As mais fraquinhas por não terem forças para se segurar,sempre se soltam. Por isso você tem que ficar atento,quando alguma cair,corra depressa,pegue-a com cuidado e coloque-a na bolsa. A bolsa não deixa que elas se apaguem.

Lembro que a noite era clara. E eram tantas as estrelas, que pareciam querer encobrir todo aquele céu. Lembrando das palavras de minha avó,fui lá dentro de casa e peguei a velha bolsa que eu havia deixado debaixo da cama.
Fixei os olhos lá no alto e uma luz veio descendo,descendo até cair no meio do taboal que existia em frente a minha casa. Corri como louco,peguei a pequena estrela e a coloquei rapidamente na bolsa.
Durante algum tempo,pegar e guardar estrelas era minha distração.
Logo a notícia se espalhou e pessoas de todos os cantos do mundo vinham até minha casa,somente pra ver as estrelas que eu guardava na velha bolsa.

O tempo passou muito rápido,eu cresci e guardar estrelas, era para crianças,não para rapazes. Mesmo assim,de vez em quando eu ia lá,abria a velha bolsa e olhava o brilho que vinha de dentro.
O tempo continuava passando rápido demais e, guardar estrelas era coisa para crianças,não para homens.
Um dia fui olhar a velha bolsa,lá não havia estrela alguma. Elas se apagaram e até a velha bolsa parecia ainda mais velha...parecia triste.

Quando crianças sempre temos algo para guardar alguma coisa.Alguns possuem um baú,uma caixa, ou mesmo uma velha bolsa para... guardar estrelas.
Quando crescemos,sem saber, ganhamos um pequeno vaso invisível,onde a gente guarda as lágrimas que choramos nos nossos dias mais tristes,mas também, o sorriso mais feliz que demos em nossa infância.

E hoje chegou uma notícia. De que uma garotinha na Palestina,possui uma velha bolsa... De guardar estrelas...

Monday, August 05, 2013

O Brasil é o País do Crime

O Brasil é o País do Crime!



Imagem internet


O crime é o maior empreendimento do Brasil.Não há neste país nenhum outro investimento tão lucrativo e seguro. Não há nenhuma fábrica de bens de consumo, nenhuma rede de venda a varejo, nenhuma empresa prestadora de serviços, de telecomunicações ou qualquer outra atividade lícita que dê tanto lucro quanto o crime. O crime é uma instituição genuinamente brasileira.Nenhuma outra nação conseguiu adotar de forma tão competente esta atividade.


Para começar a dissertar sobre este assunto terei que voltar lá nos primórdios, na época do descobrimento, quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, trazendo sua corja de genocidas e estupradores.

Depois de tomada a posse destas terras tropicais, a coroa portuguesa, temendo invasões estrangeiras, preocupou-se em povoar a nova colônia. Mas lá na corte eram poucos os que queriam aventurar-se na travessia do oceano atlântico, por não saberem o que os aguardavam em lugar tão distante e misterioso.Não restando alternativa, a aristocracia resolveu fazer acordos com a marginália de Portugal.Viriam para o Novo Mundo e aqui começariam nova vida.Muitos receberiam títulos e terras.O que seria absolutamente conveniente, pois resolveriam dois problemas ao mesmo tempo, se livrariam da escória e conseguiriam tomar posse de verdade das novas terras conquistadas.Os acordos foram feitos.E o Brasil começou assim...

Não vou me dar ao trabalho de relatar aqui o que já temos como registros históricos de pilhagem na época da colonização, pois quero entrar no assunto que é o título deste texto.


No Brasil sempre houve apenas duas classes sociais, ricos e pobres. A chamada “classe média” surgiria anos depois com a revolução industrial no País.

Os ricos sempre fizeram as leis e sempre tiveram nas mãos os rumos de nossa nação.As leis sempre foram feitas pelos ricos para uso próprio como forma de proteção, já que no início do século XX até meados dos anos 50, os que mais cometiam crimes no Brasil eram fazendeiros, grileiros, posseiros e proprietários de manufaturas.Eram eles que encomendavam assassinatos, por questões de terras, estupravam mulheres e expulsavam trabalhadores de pequenas cidades.Quando por algum descuido eram pegos pega lei, o poder financeiro os livrava facilmente de qualquer empecilho penal.
O (atual?) código penal brasileiro data de 1940.E foi feito sob medida para as classes dominantes.
Durante o correr dos anos, algumas leis foram incluídas, outras alteradas, modificadas, porém, o código continuou a ter seu uso dirigido à mesma camada da sociedade e hoje, por ironia, também favorece o crime organizado.

Indubitavelmente o crime dá lucro, todos ganham muito com ele, em todos os setores da sociedade.A violência gera empregos diretos e indiretos.Seja contratando criminosos ou aos que vivem em decorrência de delitos.Como advogados, juízes, policiais, empresas de segurança privada, empresas de acessórios eletrônicos, traficantes, ”aviões”, “mulas”, sequestradores, assassinos, sindicalistas, imprensa,

políticos, empresários, publicitários,fiscais de prefeituras e de todas as instâncias de fazenda pública,entre tantas outras atividades.

O Brasil foi planejado para o crime!

Sem o crime o país não cresce!
Acredito que pelo menos 70% da população brasileira já tenha cometido um delito, mesmo sem saber.Muitos de nós já corrompemos alguém ou fomos corrompidos.

De onde vem todo este mal? Podem dizer que sou radical, etc, mas vou afirmar com convicção.O Crime também e principalmente, nasce dentro na lei (lei?)!


A POLÍCIA


A polícia brasileira é assassina e cruel, a polícia brasileira é quem corrompe o sistema inteiro.

A polícia no Brasil tem poder demais, muito mais do que deveria ter!
Dê uma carteira e um revólver na mão de alguém despreparado e veja o que acontece. No mínimo, truculência e abuso de poder.A polícia no Brasil é quem fomenta o crime, é quem dá a certeza de impunidade.A polícia sempre teve um preço.Antes era paga pelos senhores de escravos. Hoje é paga para proteger os mesmos senhores, mas ao mesmo tempo, também recebe do crime.
Desarme a polícia e diminuirá a violência! Ou você acredita
que quem arma os bandidos são os cartéis da droga?
Sabemos que é impossível combater o crime com tamanha desfaçatez.
Como acreditar numa polícia que acha que tem o poder de abordar, prender, julgar e punir um cidadão em uma rua de uma periferia qualquer? Como acreditar em uma polícia que constitui sociedade com traficantes?
Como acreditar em uma polícia que transforma delegacias em balcões de negócios?
Como acreditar em uma polícia que usa carros do estado pra recolher moedas em caça-níqueis, dinheiro em bordéis e em casas de jogos? Isso é só pra dizer o mínimo!

OS PRESÍDIOS


As cadeias estão sempre lotadas, por quê será? Muitos criminosos? Também. Mas será mesmo apenas isso? E os lucros das cadeias? Com quem fica? Sim! Cadeia dá lucro! Ou você acredita mesmo que um preso possa custar 1.700 reais ao estado? Vamos fazer uma conta?

Os restaurantes do governo do Estado de São Paulo, subsidiam refeições vendidas nos restaurantes Bom Prato, cada refeição custa 1 real.Um preso se alimenta em média três vezes ao dia, então no final de trinta dias ele consumirá 90 reais em média dos cofres do estado, sem falar que presos não recebem material de higiene, como sabonetes, pasta de dentes, etc.
Então, como pode um preso custar 1700 reais aos cofres do estado? Você ainda tem dúvidas de que o crime é um grande negócio?
O Brasil tem pressa em formar criminosos!
Qual o verdadeiro motivo de tanto descaso com nossas crianças? Por quê tanta maldade com nossos adolescentes?
A verdade está aí, nua e crua.O crime é o maior empreendimento deste país.

Uma outra pergunta: Por quê será que não reformam o código penal?Será que é porque as perdas (financeiras) serão muito grandes?Por quê será?


MÁQUINA DE FABRICAR CRIMINOSOS


Na história da humanidade sempre houve o uso da mão-de-obra de prisioneiros.Presos políticos, presos de guerra e etc, que foram designados para trabalhos forçados.Os Estados Unidos e muitos países europeus usaram e ainda usam muito desta “força de trabalho”.

Como citei anteriormente o código penal brasileiro não obriga o preso a trabalhar.Claro, por causa do código “caduco”, feito para “barões”.Hoje em dia um preso que queira trabalhar,tem que pagar alguma coisa a alguém,já que um dia de trabalho lhe é debitado na pena .
Mas existe e sempre existiu um esquema para encher cadeias.Para muitas “autoridades” cadeia cheia é investimento,é bolso cheio.
Será que é tão difícil educar alguém? Como pode uma criança de 10 anos se transformar em um assassino cruel?Eu tenho a resposta.
A antiga Febem (hoje Fundação Casa), sempre foi uma máquina de fabricar criminosos. Durante o regime militar (onde tudo começou), menores infratores ou não, eram literalmente “jogados” nessas casas de correção.Mas nunca houve intenção de corrigir ninguém, o que sempre houve foi coação, violência, abuso sexual e outras humilhações.Ao invés de reeducar os futuros cidadãos, criavam e continuam criando exércitos de psicopatas.
Tenho muitos amigos que passaram pela Febem, muitos sobreviveram e hoje levam uma vida pacata, com família e trabalho digno. Muitos outros, anos mais tarde, morreram em confronto com a polícia.Mas todos, todos entraram lá crianças. E eram crianças que ainda jogavam bola na rua, brincavam com bolinhas de gude, soltavam pipas.E muitos eram absolutamente inocentes.
As pessoas procuram a resposta para tanta violência e por incrível que pareça a resposta está na frente de todos.

Todos sabemos da condição desumana com que são tratados os encarcerados.

A cadeia pode ser humanizada.
Pode sim! Dê trabalho e escola aos presos. Cadeia tem quer boa! É isso mesmo!Cadeia tem que ser boa, com horário para o trabalho, com horário para o estudo, para o culto religioso, horário para as refeições, para o entretenimento e etc.
O preso tem que pagar sua pena sem benefício algum, tem que cumprir integralmente, porém, tem que ser preparado para voltar à sociedade.
O estado não precisa gastar um centavo na formação escolar e profissional de um preso. A cadeia é autossustentável. Para cada três dias de trabalho é abatido um dia de pena.Todos querem trabalhar, é lógico, quanto mais estudo e trabalho, mais próxima estará a liberdade.
O estado não quer educar os cidadãos livres, imagine se vão se dar ao trabalho de educar os encarcerados.
Como afirmei o custo na educação e formação dentro dos presídios não custará nada aos cofres públicos.As cadeias estão cheias de profissionais.Lá estão professores, médicos, advogados, engenheiros, e tantos outros profissionais.O trabalho não é moeda de troca com a liberdade? Então?
Claro!Um ensina o outro, um trabalha para o outro e todos trabalham de graça para o estado.Todo mundo sai ganhando, principalmente a sociedade que ao invés de receber de volta assassinos revoltados, receberá profissionais com anos de educação.
Como escrevi no início, o Brasil é o país do crime.Não parece que esse estado de coisas irá mudar tão cedo.Uma sociedade moldada na mentira e na corrupção levará décadas para se transformar.

Sei que não é possível acabar com o crime.Quase todo o sistema jurídico que conhecemos foi formulado com base no velho testamento.Muitas nações adotaram a religião como ponto de partida para suas leis, mas os livros sagrados apontam como maior benção o livre arbítrio.Todos somos livres para fazermos o que quisermos, o que é um paradoxo.


O crime nunca vai acabar, mas é possível transformar o criminoso. O problema é que no Brasil não se combate o crime de verdade, na fonte.

A verdade é que o crime sempre foi e sempre será a maior fonte de renda deste país!
O Brasil é o país do crime!

Sunday, August 04, 2013

Sangue nos Olhos

Sangue nos Olhos

Um trecho.

   O Opala reluzente surgiu rodando devagarinho na descida depois da curva, na rodovia Régis Bitencourt, divisa das cidades de São Lourenço e Itapecerica da Serra.


   Os policiais recebiam a confirmação pelo rádio de que era mesmo esse veículo,um Opala 4.1 S, preto,placas AL 1018 de São Paulo.

  Acabara de ser  montado o bloqueio policial,várias viaturas e alguns caminhões fechavam os dois lados da estrada,os soldados estavam de prontidão,preparados para parar o veículo que parecia vir aumentando a velocidade a cada palmo de chão.
  
   O Opala começou a ganhar um pouco mais de velocidade e os primeiro tiros de advertência foram disparados,o veículo não parava.

   Os tiros já partiam em direção ao veículo e ele só rodava mais e mais depressa...Até se chocar em um dos caminhões que fechavam a rodovia.

   Os policiais se aproximaram e dispararam vários tiros,quebrando os pára brisas do carro.
   Um oficial aproximou-se lentamente do carro,empunhava uma pistola e gritava para que o ocupante saísse com as mãos na cabeça.

   Longos e tensos minutos passaram-se,nem uma movimentação ou barulho vinha de dentro do Opala,apenas o fogo que começou a se alastrar pelo interior do carro.
   Outros policiais juntaram-se ao oficial,abriram as portas do carro e lá dentro só havia as ferragens do que sobrara de uma cadeira de rodas...
 

Friday, June 07, 2013

Rua das Lembranças


Já é mais um dia e aí venho eu de volta
Caminhando pelas ruas, as ruas da periferia
Pensando aqui comigo mesmo
Quantos sonhos, desejos impossíveis
E nos pontos de ônibus
Manadas humanas de cabeças baixas
Esperando o trem da vida passar

Sigo olhando os carros velhos, as mesmas pedras encostadas
Um trem que viaja solto e vazio
Vou olhando as veias expostas
As fraturas expostas e os sorrisos tristes
Desses guerreiros e guerreiras
Dessa gente que caminha procurando um rumo
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas
Ruas empoeiradas da periferia

Na memória vou buscando os amigos
Todos os que partiram pra última viagem
Todos os que foram empurrados pros infernos
Os mesmos amigos que ouviam Dafé e Tim Maia
Que procuravam comigo os bailes nos sábados á noite
Sempre caminhando pelas ruas, ruas empoeiradas da periferia

Um anjo sem asas passa por mim
De olhos molhados, com lágrimas vermelhas
Expulso do paraíso, como tantos, como tantos
Também veio morar aqui, na rua das lembranças
Mata o tempo olhando os rostos marcados de minha gente
Dessa gente que sonha e caminha
Dessa gente que sonha e caminha
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas, ruas empoeiradas da periferia.

Friday, May 31, 2013

Contos Quase Infantis - A Moça Mais Bonita e o Dia Em Que Fui Herói



Quando adolescente, fui trabalhar no Itaim-Bibi,na fábrica de sapatos de um parente. Eu ainda era praticamente uma criança, e claro,muitas coisas eu ainda não entendia.
Ao lado da fábrica havia dentre outras coisas, uma oficina de chaveiro,uma oficina mecânica,um estúdio fotográfico e uma lanchonete.
Todos os dias ao cair da tarde,reuniam-se ali na lanchonete, praticamente todos os homens daquele pedaço da Rua Bandeira Paulista. Formou-se ali um verdadeiro “Clube dos Cafajestes Tupiniquim”.Como não podia deixar de ser,os assuntos eram os mais variados,desde a final do campeonato até a última “beldade” na capa da revista Ele & Ela. Óbvio também, que nunca ficavam de fora os comentários sobre as mulheres que passavam por aquela parte da rua.
Sem perceber eu também passei a fazer parte do “clube”.Participava das conversas,bebia cerveja e até me arriscava em algumas “cantadas”.

Agora é que “ela” vai entrar na história

Ela passava todos os dias em frente a lanchonete,sempre no mesmo horário,levava uma criança para uma escola na Rua Pedroso Alvarenga. Ela trabalhava em uma casa de família na Rua Urussuí. Seu caminho era ir pela Rua Bandeira Paulista e voltar pela Rua Tabapuã.
Quando ela surgia carregando a criança pela mão,era o momento de maior “tensão” no “clube”.
Ela era linda,o sonho de todos os marmanjos que se reuniam na lanchonete do Zé Pinto. Quando ela passava,dirigiam-lhe todo um dicionário de elogios,pediam-lhe em casamento,assovios e outras tantas coisas que nem posso citar neste texto. Quase todos os dias a cena se repetia.
Ela seguia impassível,sabia do poder de encantamento que exercia sobre aquela turba de “desocupados”.Não esboçava reação alguma,nenhum gesto,um mínimo sinal de sorriso,caminhava altiva e serena,impávida e colossal.
Depois que ela passava seguiam-se os comentários;alguns diziam que ela já estava “no papo”,que era questão de dias para conquistá-la,outros faziam apostas apara ver quem a conquistaria primeiro.
Os dias,os meses seguiam e nada acontecia. Ela continuava passando,o “clube “ se alvoroçava e ela desaparecia na esquina. Novamente comentários e apostas.

Da queda ao heroísmo

Eu estava lá, sozinho na porta da fábrica,sozinho na rua,pronto para ir embora quando de repente, ela surgiu na esquina. Meu coração quase escapou boca afora. Ela vinha se aproximando,como numa cena de filme romântico,parecia caminhar em câmera lenta. Quando passou por mim tive coragem e mandei um Psiu!.Ela caminhou alguns passos ,virou-se e voltou em minha direção. Daquela boca sensual soou a pergunta que me jogaria no fogo do inferno da vergonha:
- O quê você quer comigo menino?
Fiquei mudo,sem saber o que responder. Como não havia pensado no que dizer depois do psiu,balbuciei tremulamente:
-Nada não...
-Tudo bem.
Ela falou e se foi.

Como diria Mark Twain ;as cortinas da vergonha caíram sobre essa cena...
Para minha sorte, não havia testemunhas para essa fracassada e imbecil tentativa de conquista.

A partir deste dia passei a me esconder dela,quando era a hora dela passar,eu corria para os fundos da fábrica e inventava algo para fazer.
Essa estratégia em esconder minha vergonha não durou muito tempo. Numa tarde de novembro,sem que eu sequer imaginasse,os agentes do destino conspiravam para minha redenção. Ela surgiu radiante,vestia uma minissaia branca,tinha os cabelos molhados e parecia desfilar.
Aquela hora o"clube” estava mais cheio do que nunca,havia mais membros,até o delegado estava lá.
Tentei me refugiar,não deu tempo,ela sorriu e parecia olhar para mim. Ela passou pelo “Clube dos Cafajestes”,aproximou-se de mim e surpreendentemente lascou um beijo em minha face rubra. Ela sorriu e falou:
-Oi menino bonito.
Fiquei estático,como um objeto inanimado e olhando pra ela indo embora...

Depois que ela se foi,todos correram em minha direção. Muitos gritavam vivas, outros já preparavam os rojões, alguns já pensavam em chamar os bombeiros para um desfile em carro aberto.
E assim me tornei o herói do “clube”.


Ah! Ela? Não a vi mais. Soube através de pessoas da Favela da Funchal, que ela engatou um tórrido romance com o japonês do estúdio fotográfico. Mas ainda guardo uma lembrança,uma foto dela em cenas picantes numa página de uma revista erótica.

Monday, January 28, 2013

Tragédias Cotidianas


Tragédias Cotidianas
Foto: UOL

Minha amiga Rita Rodrigues me perguntou se eu não comentaria sobre o que aconteceu na casa de shows em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eu disse a ela que não havia muito o que comentar. Pensei realmente em não escrever nada sobre o assunto. Estava esperando esgotar toda a exploração midiática e política do acidente.
Após refletir,decidi que não devo e não posso perder o direito de me indignar sobre mais uma tragédia.
A indignação começa quando as vidas perdidas já não importam,importam apenas as melhores imagens,os melhores ângulos,aquela imagem exclusiva. Me indigna também os comentaristas profissionais,com suas suposições e falastrices.
A indignação aumenta quando começam a apontar os culpados. O culpado é o músico,não poderia ter usado fogos de artifício no palco. A culpa não é do músico,a culpa é todos nós. Nós matamos os jovens na casa de shows. Nós acendemos o fósforo que matou um pouco de uma nova geração de brasileiros. Porque somos nós que fazemos as escolhas erradas,somos nós que não damos atenção à corrupção que destrói nossas vidas. Somos culpados porque não cobramos devidamente aqueles que nos representam. Somos culpados porque não amamos os nossos iguais. Somos culpados porque somos egoístas.
Nós matamos os jovens em Santa Maria,porque sabemos que a fiscalização nas prefeituras são apenas órgãos paralelos de arrecadação para políticos. Sabemos também que os donos da casa de shows , que só pensavam no lucro e certamente pagavam propina à alguém.
Somos todos culpados porque as tragédias não mais nos assombram,elas viram espetáculo.
E é sempre assim,depois da tragédia,vem a exploração da mídia,vem a comoção,vem o choro. Culpa-se o mais fraco. Inventam uma nova lei. E daí ,vamos dormir confortados e esperar a próxima tragédia. E as tragédias vêm sempre embaladas para presente.
Depois dos funerais,esvaziam-se as manchetes,vem o esquecimento.
Mas um coração de mãe vai sangrar todo dia,até o fim dos tempos.

Marcos Teles.

Saturday, January 19, 2013

Trecho do Livro


Trecho do livro:

"Hoje me orgulho de minhas mãos calejadas, de cada ruga que trago no rosto, das marcas nas costas e da dignidade com que me propus um dia, sob o azul do céu, apesar de tudo, tocar minha vida em frente.
Hoje também me emocionei muito ao lembrar de minha mãe, que mesmo sem nenhuma instrução, apenas com a sensibilidade que só as mães têm, disse-me certa vez durante uma chuva de verão, que para cada pessoa no mundo foi concedido o direito a um pote de ouro. E que este pote está no final do arco-íris. Por isso na vida temos que ser pacientes, porque tudo tem seu tempo. E se a gente quiser pegar nosso pote de ouro, temos que aprender a esperar o sol abraçar a chuva."