Marcos Tecora Teles
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Tuesday, October 21, 2014
Contos Quase Infantis - A Engolidora de Espadas
Foto:Internet
Quando o prédio da mercearia de Seu Toninho ficou pronto,foi uma festa! Depois de meses de construção,enfim,pudemos ver como havia ficado enorme.Embaixo a mercearia,grande e sortida,em cima a casa de Seu Toninho.
Seu Toninho era o homem mais rico do bairro.Era casado com Dona Encarnação.Seus filhos já eram casados e moravam longe.
No começo,a gente até gostava de Seu Toninho. Com o tempo, ele começou a roubar o nosso troco e chegava até a ficar com nosso dinheiro.Não podíamos lhe entregar qualquer nota, antes de pegarmos nossos doces ou refrigerantes.Ele tinha o hábito de dizer que não havíamos pago. A gente chorava de raiva quando isso acontecia.
Dona Encarnação,ela era legal.Os homens cochichavam e diziam que Seu Toninho era casado com um dragão.Dona Encarnação não era tão feia assim...
Miltinho dizia que ela parecia o "Godzilla" sorrindo...
Foi em uma tarde de uma dia da semana,não lembro se em uma terça ou quarta-feira.Não conseguíamos conter nossa felicidade quando a notícia chegou em nossos ouvidos.Seu Toninho disse que um circo estava chegando.
Miltinho e eu ficamos eufóricos,queríamos ver os leões,os elefantes,os macacos adestrados e os tigres. Queríamos ver as grandes carretas e tudo mais que um grande circo traz.
Quando a caravana do circo começou a despontar na curva do "S",nossos corações aceleraram.
Para nossa tristeza,o circo não tinha animais,exceto um cachorrinho magrinho,com cara de pidão.Os dois caminhões eram pequenos,velhos e fumacentos.
Eu já estava decepcionado...até que Miltinho abriu um sorrisão e me mostrou ela...
Ela vinha desfilando,vestia um maiô brilhante, um penacho na cabeça,trazia uma tocha acesa e cuspia fogo.A mulher mais bonita do mundo!
Miltinho e eu, íamos ao colégio e voltávamos depressa,só pra ver o circo ser montado.Depois de alguns dias,começaram os espetáculos.
E foi ela quem apresentou o primeiro número no circo.Desfilava com o cachorrinho magricela,o cachorrinho era engraçadinho...
Depois ela fazia o número do fogo.Enchia a boca com um líquido e cuspia labaredas.Ela também participava do número de atirar facas.Era um susto para nós.Acho que o circo era dela...
Ela também engolia espadas. A gente não entendia como uma mulher tão linda poderia fazer algo tão perigoso. Mas ela também fazia a Mulher Avestruz.Engolia tudo o que aparecesse em sua frente.Comia papel,vidro,ferro,lata e nem sei mais o quê.
O nome dela era Katerina.Tinha nascido na União Soviética.Tornou-se a mulher mais querida do nosso bairro.Todos os homens só falavam nela.
Miltinho descobriu um vão no caminhão em que ela se trocava durante as apresentações.Quando Katerina saía do picadeiro,a gente corria e ia olhar ela trocar de roupa.Era maravilhoso! Katerina tinha os olhos azuis,tão azuis como um céu de domingo de sol.Os cabelos dela eram negros e a pele branquinha.Nós sonhávamos com Katerina...
Em um sábado,como de costume,assim que Katerina saiu do picadeiro,fomos espiá-la trocar o maiô.Para nossa surpresa,Seu Toninho estava lá dentro.Ficamos aterrorizados quando vimos Katerina de joelhos com o rosto dentro das calças de Seu Toninho...
Miltinho me olhava incrédulo.Percebemos que naquela noite o circo morreu dentro de nós.
Fomos embora,caminhávamos devagar e em silêncio.Queríamos falar alguma coisa,mas não tínhamos vontade e nem palavras.
Passei aquela noite inteira lembrando da cena com Katerina e Seu Toninho.Fiquei com muita raiva dela.Também fiquei muito preocupado com Seu Toninho.
No domingo de manhã,Miltinho me chamou para comprar tubaína e doce de banana em copinho.Fomos à mercearia,estava lotada.Parecia que todos do bairro estavam lá.Os homens jogavam sinuca,bebiam pinga e cerveja.As crianças comiam doces.Parecia até uma festa.
Seu Toninho e Dona Encarnação atendiam os clientes,ele mais sério e ela,como sempre,educada e sorridente.
Miltinho me cutucava e falava:
- Pergunta logo pra ele, Marquinhos.
Eu queria perguntar,mas a coragem me faltava.
- Pergunta Marquinhos! - Miltinho insistia falando mais alto.
Dona Encarnação vendo nossa apreensão,perguntou para Miltinho:
- Pergunta o quê,menino?
-O Marquinhos que fazer uma pergunta pro Seu Toninho,mas está com vergonha.
Seu Toninho,ouvindo a conversa,aproximou-se e com toda a sua autoridade falou em voz alta:
- Seja homem moleque,desembucha!
- Pergunta logo,Marquinhos!
Eu tomei coragem e perguntei:
- Seu Toninho! Como é que o senhor vai fazer Xixi agora?
Minha pergunta fez o silêncio parecer eterno naquele instante...
- Ora moleque!Como vou fazer xixi?Como todo homem faz.
- Mas a Katerina... comeu o seu piru!
O circo foi embora...
Demoramos para entender por que Dona Encarnação mudou-se de nosso bairro.
Thursday, October 02, 2014
Roger Abdelmassih - Eu Sou Deus
Imagem:Internet
Reportagem: Pedro Riveros
No dia 10 de
agosto de 2014 eu estava na cidade de Pedro Juan Caballero. Concluía uma
matéria sobre aliciamento de trabalhadores bolivianos que estão sendo levados
para o Brasil. Trabalhadores que serão os novos escravos do século 21.
Enquanto fazia a matéria encontrei um velho amigo,
Zack Dominguez. Um milionário agricultor paraguaio e proprietário das maiores
plantações de maconha do planeta. Um homem acima de qualquer suspeita. Financiador
de campanhas eleitorais em quase toda a América do Sul.
Zack me
convidou para passar um final de semana em uma de suas mansões em Assunção. Sabia
que ele me ajudaria com informações sobre o que procurava.
No sábado, dia
12 de julho, o pequeno avião veio me buscar. A viagem foi tranquila. Zack me
recebeu com a elegância e a alegria de sempre.
Meu encontro com Roger Abdelmassih
No domingo, dia
13 de julho, enquanto conversávamos na piscina, Zack recebeu uma ligação e me
disse que estava chegando visita, que eu não me importasse. A visita era um casal,
um grande cientista e sua bela esposa.
Minutos
depois um automóvel Mercedes, preto, estacionou na entrada da mansão. A mulher
desceu primeiro. Nunca a havia visto, mas o homem me pareceu familiar. Já o vira
em praticamente todos os veículos de comunicação. Era o ex- médico e fugitivo
Roger Abdelmassih.
Feitas as apresentações,
a mulher mostrou-se profundamente triste, tinha o olhar cansado, entrou na
mansão e de lá não mais saiu. Roger também aparentava cansaço, mas era mais falante.
Extremamente educado, abriu a garrafa de Bourbon e serviu a mim e Zack. Pediu
que eu o chamasse apenas de Roger.
Roger
conversava com Zack e lhe falava sobre a tensão dos últimos dias, das fugas, dos
cuidados com as constantes mudanças de endereços e cidades.
Como jornalista,
não poderia deixar passar aquela grande oportunidade de fazer perguntas à tão
célebre criminoso.
Roger
parecia conhecer seu destino, sabia que os dias de fuga terminariam a qualquer momento.
Só não sabia nem quando, nem onde. Mostrava-se calmo e às vezes sorria preocupado.
Eu senti que
Roger queria falar.
Entrevista com Roger Abdelmassih
P.R - Quem é Roger Abdelmassih?
Roger - Eu sou algo muito próximo de um Deus!
P.R - Por que o senhor acha que é um Deus?
Roger - Eu dei a vida para muitas pessoas!
P.R- Olhando por este lado, todo geneticista é Deus?
Roger- Não,
de forma alguma.
P.R - Então, o que o faz afirmar ser um Deus?
Roger- A
maneira que encontrei de poder ajudar as pessoas. De como pude torná-las
felizes.
P.R - O senhor é uma das pessoas mais procuradas do mundo.
Acusado de dezenas de estupros. Acha mesmo que conseguiu fazer alguém feliz?
Antes de
responder a pergunta, Roger colocou mais um pouco de bebida em sua taça. Bebeu
um pequeno gole, como que procurando no fundo da taça, as palavras adequadas.
Roger - Todas aquelas pessoas que me procuravam, buscavam o que faltava para
completar suas vidas. Todas aquelas pessoas queriam um filho. Muitos queriam um
filho para amar. Outros queriam um filho simplesmente para tentar perpetuar o
nome da família. Tentar perpetuar suas posses. Para a maioria, um filho era a
certeza de felicidade. Para muitas daquelas mulheres, a maternidade, era
cumprir uma missão. Tudo o que fiz foi tentar dar a elas o que sonhavam. O Deus
bíblico não tinha competência para lhes dar, eu tinha!
P.R - Mas o senhor não usou apenas métodos científicos. Usou
métodos naturais de fecundação. Sabia mesmo o que estava fazendo? Estava
consciente do que isso tudo iria acarretar para suas pacientes?
Roger - A ciência é magnífica, mas sabemos que todo o processo de pesquisa é lento.
As pessoas tinham pressa.
P.R - Qual o motivo de violentar suas pacientes?
Roger
franziu a testa, acentuando ainda mais as rugas que mostravam sua idade avançada.
Sua resposta não foi apenas surreal, foi surpreendente.
Roger -
Eu amei cada uma daquelas famílias! Os amei de todo o meu coração. Chegou um
dia que não era mais por dinheiro e poder que eu trabalhava, era por amor.
P.R - O senhor acha mesmo que não violentou nenhuma
daquelas mulheres? Que o que fez foi por amor?
Roger - Sim! Amor puro e incondicional! Eu tive que deixar de lado muito do que
aprendi, tive que deixar de lado décadas de pesquisa, porque eu também comecei
a ter pressa em fazê-las felizes.
P.R - Como foi essa mudança? Como foi que resolveu “acelerar”
o processo?
Roger - Durante os tratamentos descobri que muitas mulheres eram férteis, que o
problema estava nos companheiros, eles eram estéreis. Percebi que não precisava
perder meses, anos, com tratamentos que poderiam ser simples. Que não era
preciso procurar doadores de sêmem. Percebi que não precisava perder tempo com provetas.
Eu seria o doador!
P.R - Suas pacientes perguntavam quem eram os doadores?
Roger - Não. O doador é um segredo guardado para sempre. Tranca-se o cofre e
joga-se a chave fora.
P.R - Como o senhor fazia?
Roger - Eu fazia o procedimento normal. Fazia uma parte do tratamento, esperava
o tempo adequado, para que as pacientes e seus companheiros não desconfiassem. Marcava
o dia da inseminação. Simplesmente as penetrava e ejaculava. Sempre fui um
homem fértil.
P.R - Suas pacientes disseram que o senhor as beijava, qual
o motivo? Não era “ciência”?
Roger- Não
queria que fosse algo mecânico. Precisava ser algo humano. Eu queria que sentissem
um pouco de prazer na hora do “ato”.
P.R - O senhor conseguiu engravidar alguma de suas
pacientes?
Roger
colocou a mão na testa, cobrindo o sol que batia em seu rosto e sorriu satisfeito.
Pela primeira vez mostrou-se alegre.
Roger - Não sei o número exato, chegou uma hora que parei de contar. Chega perto
de uma centena.
P.R - O senhor é pai de quase cem pessoas?
Roger - Aproximadamente.
P.R - Se o senhor engravidou tantas pacientes, porque
somente quarenta lhe acusam de
estupro? Acha que vão aparecer mais acusações?
Roger - Acho que depois que tudo isso veio à tona, muitas pessoas não vão
querer perder a felicidade que lhes proporcionei. Creio que todos ficarão em silêncio.
O silêncio será eterno. Para o bem de todos.
P.R - O senhor leu o livro de Pedro Cavalcanti?
Roger - Li.
P.R- Depois dessa conversa, me diga realmente, quem é
Roger Abdelmassih?
Roger - Deus! Eu sou Deus!
Roger
Abdelmassih foi preso dias depois em Assunção no Paraguai. Cumpre uma pena de duzentos e oitenta anos em um presídio
em São Paulo, Brasil.
Pedro
Riveros é apenas um personagem. Esta é uma entrevista fictícia.
Monday, August 05, 2013
O Brasil é o País do Crime
O Brasil é o País do Crime!
Imagem internet
O crime é o maior empreendimento do Brasil.Não há neste país nenhum outro investimento tão lucrativo e seguro. Não há nenhuma fábrica de bens de consumo, nenhuma rede de venda a varejo, nenhuma empresa prestadora de serviços, de telecomunicações ou qualquer outra atividade lícita que dê tanto lucro quanto o crime. O crime é uma instituição genuinamente brasileira.Nenhuma outra nação conseguiu adotar de forma tão competente esta atividade.
Para começar a dissertar sobre este assunto terei que voltar lá nos primórdios, na época do descobrimento, quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, trazendo sua corja de genocidas e estupradores.
Depois de tomada a posse destas terras tropicais, a coroa portuguesa, temendo invasões estrangeiras, preocupou-se em povoar a nova colônia. Mas lá na corte eram poucos os que queriam aventurar-se na travessia do oceano atlântico, por não saberem o que os aguardavam em lugar tão distante e misterioso.Não restando alternativa, a aristocracia resolveu fazer acordos com a marginália de Portugal.Viriam para o Novo Mundo e aqui começariam nova vida.Muitos receberiam títulos e terras.O que seria absolutamente conveniente, pois resolveriam dois problemas ao mesmo tempo, se livrariam da escória e conseguiriam tomar posse de verdade das novas terras conquistadas.Os acordos foram feitos.E o Brasil começou assim...
Não vou me dar ao trabalho de relatar aqui o que já temos como registros históricos de pilhagem na época da colonização, pois quero entrar no assunto que é o título deste texto.
No Brasil sempre houve apenas duas classes sociais, ricos e pobres. A chamada “classe média” surgiria anos depois com a revolução industrial no País.
Os ricos sempre fizeram as leis e sempre tiveram nas mãos os rumos de nossa nação.As leis sempre foram feitas pelos ricos para uso próprio como forma de proteção, já que no início do século XX até meados dos anos 50, os que mais cometiam crimes no Brasil eram fazendeiros, grileiros, posseiros e proprietários de manufaturas.Eram eles que encomendavam assassinatos, por questões de terras, estupravam mulheres e expulsavam trabalhadores de pequenas cidades.Quando por algum descuido eram pegos pega lei, o poder financeiro os livrava facilmente de qualquer empecilho penal.
O (atual?) código penal brasileiro data de 1940.E foi feito sob medida para as classes dominantes.
Durante o correr dos anos, algumas leis foram incluídas, outras alteradas, modificadas, porém, o código continuou a ter seu uso dirigido à mesma camada da sociedade e hoje, por ironia, também favorece o crime organizado.
Indubitavelmente o crime dá lucro, todos ganham muito com ele, em todos os setores da sociedade.A violência gera empregos diretos e indiretos.Seja contratando criminosos ou aos que vivem em decorrência de delitos.Como advogados, juízes, policiais, empresas de segurança privada, empresas de acessórios eletrônicos, traficantes, ”aviões”, “mulas”, sequestradores, assassinos, sindicalistas, imprensa,
políticos, empresários, publicitários,fiscais de prefeituras e de todas as instâncias de fazenda pública,entre tantas outras atividades.
O Brasil foi planejado para o crime!
Sem o crime o país não cresce!
Acredito que pelo menos 70% da população brasileira já tenha cometido um delito, mesmo sem saber.Muitos de nós já corrompemos alguém ou fomos corrompidos.
De onde vem todo este mal? Podem dizer que sou radical, etc, mas vou afirmar com convicção.O Crime também e principalmente, nasce dentro na lei (lei?)!
A POLÍCIA
A polícia brasileira é assassina e cruel, a polícia brasileira é quem corrompe o sistema inteiro.
A polícia no Brasil tem poder demais, muito mais do que deveria ter!
Dê uma carteira e um revólver na mão de alguém despreparado e veja o que acontece. No mínimo, truculência e abuso de poder.A polícia no Brasil é quem fomenta o crime, é quem dá a certeza de impunidade.A polícia sempre teve um preço.Antes era paga pelos senhores de escravos. Hoje é paga para proteger os mesmos senhores, mas ao mesmo tempo, também recebe do crime.
Desarme a polícia e diminuirá a violência! Ou você acredita
que quem arma os bandidos são os cartéis da droga?
Sabemos que é impossível combater o crime com tamanha desfaçatez.
Como acreditar numa polícia que acha que tem o poder de abordar, prender, julgar e punir um cidadão em uma rua de uma periferia qualquer? Como acreditar em uma polícia que constitui sociedade com traficantes?
Como acreditar em uma polícia que transforma delegacias em balcões de negócios?
Como acreditar em uma polícia que usa carros do estado pra recolher moedas em caça-níqueis, dinheiro em bordéis e em casas de jogos? Isso é só pra dizer o mínimo!
OS PRESÍDIOS
As cadeias estão sempre lotadas, por quê será? Muitos criminosos? Também. Mas será mesmo apenas isso? E os lucros das cadeias? Com quem fica? Sim! Cadeia dá lucro! Ou você acredita mesmo que um preso possa custar 1.700 reais ao estado? Vamos fazer uma conta?
Os restaurantes do governo do Estado de São Paulo, subsidiam refeições vendidas nos restaurantes Bom Prato, cada refeição custa 1 real.Um preso se alimenta em média três vezes ao dia, então no final de trinta dias ele consumirá 90 reais em média dos cofres do estado, sem falar que presos não recebem material de higiene, como sabonetes, pasta de dentes, etc.
Então, como pode um preso custar 1700 reais aos cofres do estado? Você ainda tem dúvidas de que o crime é um grande negócio?
O Brasil tem pressa em formar criminosos!
Qual o verdadeiro motivo de tanto descaso com nossas crianças? Por quê tanta maldade com nossos adolescentes?
A verdade está aí, nua e crua.O crime é o maior empreendimento deste país.
Uma outra pergunta: Por quê será que não reformam o código penal?Será que é porque as perdas (financeiras) serão muito grandes?Por quê será?
MÁQUINA DE FABRICAR CRIMINOSOS
Na história da humanidade sempre houve o uso da mão-de-obra de prisioneiros.Presos políticos, presos de guerra e etc, que foram designados para trabalhos forçados.Os Estados Unidos e muitos países europeus usaram e ainda usam muito desta “força de trabalho”.
Como citei anteriormente o código penal brasileiro não obriga o preso a trabalhar.Claro, por causa do código “caduco”, feito para “barões”.Hoje em dia um preso que queira trabalhar,tem que pagar alguma coisa a alguém,já que um dia de trabalho lhe é debitado na pena .
Mas existe e sempre existiu um esquema para encher cadeias.Para muitas “autoridades” cadeia cheia é investimento,é bolso cheio.
Será que é tão difícil educar alguém? Como pode uma criança de 10 anos se transformar em um assassino cruel?Eu tenho a resposta.
A antiga Febem (hoje Fundação Casa), sempre foi uma máquina de fabricar criminosos. Durante o regime militar (onde tudo começou), menores infratores ou não, eram literalmente “jogados” nessas casas de correção.Mas nunca houve intenção de corrigir ninguém, o que sempre houve foi coação, violência, abuso sexual e outras humilhações.Ao invés de reeducar os futuros cidadãos, criavam e continuam criando exércitos de psicopatas.
Tenho muitos amigos que passaram pela Febem, muitos sobreviveram e hoje levam uma vida pacata, com família e trabalho digno. Muitos outros, anos mais tarde, morreram em confronto com a polícia.Mas todos, todos entraram lá crianças. E eram crianças que ainda jogavam bola na rua, brincavam com bolinhas de gude, soltavam pipas.E muitos eram absolutamente inocentes.
As pessoas procuram a resposta para tanta violência e por incrível que pareça a resposta está na frente de todos.
Todos sabemos da condição desumana com que são tratados os encarcerados.
A cadeia pode ser humanizada.
Pode sim! Dê trabalho e escola aos presos. Cadeia tem quer boa! É isso mesmo!Cadeia tem que ser boa, com horário para o trabalho, com horário para o estudo, para o culto religioso, horário para as refeições, para o entretenimento e etc.
O preso tem que pagar sua pena sem benefício algum, tem que cumprir integralmente, porém, tem que ser preparado para voltar à sociedade.
O estado não precisa gastar um centavo na formação escolar e profissional de um preso. A cadeia é autossustentável. Para cada três dias de trabalho é abatido um dia de pena.Todos querem trabalhar, é lógico, quanto mais estudo e trabalho, mais próxima estará a liberdade.
O estado não quer educar os cidadãos livres, imagine se vão se dar ao trabalho de educar os encarcerados.
Como afirmei o custo na educação e formação dentro dos presídios não custará nada aos cofres públicos.As cadeias estão cheias de profissionais.Lá estão professores, médicos, advogados, engenheiros, e tantos outros profissionais.O trabalho não é moeda de troca com a liberdade? Então?
Claro!Um ensina o outro, um trabalha para o outro e todos trabalham de graça para o estado.Todo mundo sai ganhando, principalmente a sociedade que ao invés de receber de volta assassinos revoltados, receberá profissionais com anos de educação.
Como escrevi no início, o Brasil é o país do crime.Não parece que esse estado de coisas irá mudar tão cedo.Uma sociedade moldada na mentira e na corrupção levará décadas para se transformar.
Sei que não é possível acabar com o crime.Quase todo o sistema jurídico que conhecemos foi formulado com base no velho testamento.Muitas nações adotaram a religião como ponto de partida para suas leis, mas os livros sagrados apontam como maior benção o livre arbítrio.Todos somos livres para fazermos o que quisermos, o que é um paradoxo.
O crime nunca vai acabar, mas é possível transformar o criminoso. O problema é que no Brasil não se combate o crime de verdade, na fonte.
A verdade é que o crime sempre foi e sempre será a maior fonte de renda deste país!
O Brasil é o país do crime!
Friday, September 09, 2011
Só Pra Falar do Meu Avô

Em uma noite clara, no começo dos anos 70 eu desembarquei na rodoviária Julio Prestes. Chegava em São Paulo, trazido por meu avô.
A noite era quente e estrelada.Entramos num velho táxi DKV e seguimos para o Capão Redondo.Rua Humberto Pascale,onde eu vim morar.
Meu avô era um homem do sertão. Amava o trabalho, amava gente e plantas. Meu avô era apaixonado pela vida, mas a vida não foi tão justa com ele.
Meu avô levou uma queda e teve um ferimento na perna.Durante anos sofreu com a ferida e nunca esmoreceu.Prosseguiu trabalhando, até que um dia teve que amputar a perna. Foi um tempo difícil pra mim. Ele passou meses internando e fiquei todo esse tempo sem vê-lo.
Em uma tarde de domingo uma ambulância parou na porta de casa.Quando a porta do carro se abriu ele estava lá dentro,sorrindo e com o rosto iluminado... Estava sendo transferido para um centro de recuperação em Itapecerica da Serra, agora eu ia poder vê-lo todos os dias.
Meu avô era um ser diferente. Desses raros, que nascem a cada mil anos e nos faz entender o sentido exato da vida. Me ensinou a amar o trabalho e a respeitar o suor que cai do rosto de quem luta.
Por amar gente e plantas, não podia ver um terreno vazio que logo ia pedir para o proprietário deixar que ele limpasse e cultivasse alguma plantação. E era isso que ele fazia, juntava a molecada, e íamos todos cuidar do pequeno pedaço de terra. Ali ele plantava milho, mandioca, batata-doce, hortaliças e depois que tudo crescia ele saía distribuindo para as pessoas da vila. Confesso que também gostava de fazer aquilo...
Ele gostava de contar histórias, de reunir pessoas ao seu redor, gostava de distribuir carinho e atenção. Ele dizia que tinha um sonho. De um dia poder ver brotar homens da terra. Tinha o sonho de plantar uma semente mágica e ao invés de uma árvore, surgir gente.
Meu avô morreu em julho de 1985. A última horta que plantou foi na Rua John Adams número 50, ele não viu brotar.
Sinto muito a falta dele, penso nele todos os dias. Às vezes quando as coisas não caminham bem,me pergunto o que ele me diria para fazer.Por tudo que me ensinou,por todo o amor que me deu,ele sempre será minha bússola e meu porto seguro.
Meu avô sonhava em ver homens brotando da terra. Exatamente onde plantou sua última horta é a sede de nosso projeto. Pena ele não estar aqui pra ver... Onde lançou sua última semente, vamos colher cidadãos.
Wednesday, August 17, 2011
Só Preciso do que Mereço
Não vou mais tentar entender o que se passa na mente da maioria das pessoas.
O que sei é muitos não fazem nada, não querem fazer nada, reclamam de tudo, são contra tudo e querem que tudo lhes seja colocado nas mãos. Simplesmente ficam sentados em casa, nos botecos e não se importam com nada, apenas com vida dos outros. Querem conforto sem sacrifícios e querem luxo sem esforço.
Confesso que ando cansado de ouvir lamúrias e ver tanta preguiça, má vontade e tantos outros sentimentos negativos.
Sei que a vida é boa...
Tenho muitas tarefas diárias e ainda assim, todos os dias procuro algo novo pra fazer, pra ocupar ainda mais o tempo. E já nem lembro há quanto tempo não tenho dinheiro, mas tem sempre alguém segurando a barra pra mim. Um amigo ajuda a pagar o aluguel, outro paga a cerveja, se não tiver uma carona, ando a pé, e por aí vai...
O fato é que estou sempre trabalhando, estou sempre querendo mudar o destino de alguém, com uma palavra, uma ideia,ouvindo,ajudando a encher uma laje, escrevendo uma carta, e tantas outras coisas, coisas simples para alguns e importantes para tantos outros... Não há graça em ser feliz sozinho...
Sempre penso como o agricultor, que levanta cedo todo dia, vai arar a terra, plantar a semente, regar as mudas, mas sempre com a certeza que não há certeza. Se chover muito a plantação alaga, se não chover, não terá frutos. O agricultor sabe que depende do clima e do tempo, e não é só do seu próprio tempo, por isso o agricultor apenas trabalha...
É assim que toco minha vida, trabalhando, para que a vida de meus amigos e de minha comunidade seja melhor.
Não que eu não goste de dinheiro, penso que o dinheiro é pra ser usado como ferramenta de transformação e de progresso. O dinheiro tem que ser conquistado com esforço e satisfação.
Essa nossa sociedade entorpecida precisa acordar e ver que o bem estar de todos depende de cada um.
Acho que tenho tudo o que preciso e só preciso do que mereço.
Tuesday, July 26, 2011
Sultans of Swing

O primeiro disco que comprei na vida.Custou cinquenta mil cruzeiros,valeu à pena...
Um dia de trabalho em uma revista(meu primeiro trabalho foi em uma revista,agora que me dei conta!)
Ainda me recordo da felicidade,quando o vendedor o colocou pra tocar na vitrola da loja.Levei pra casa,como se tivesse levando cristais,com medo que caísse,que quebrasse...
Quando coloquei na vitrolinha(nem me lembro mais a marca,sei que abria e a tampa era o alto-falante)foi uma emoção ouvir os acordes de Sultans of Swing,inesquecível...
Friday, February 11, 2011
Clube do Coração Solitário
Como em quase todos os dias, acordei cedo, tomei banho , engoli um pedaço de pão e saí correndo. Já estava atrasada para o trabalho.
A distância de casa até minha loja não era assim tão grande, mas o trânsito era imprevisível.E eu me sentia péssima, não dormira bem, as constantes discussões com meu marido estavam me deixando cada dia mais deprimida. Depois de muitos anos de convivência, esta fase que estávamos passando parecia arrasadora e definitiva.
O trabalho na loja da família me distraía, as meninas que trabalhavam comigo haviam se tornado companheiras e a elas eu relatava meus sentimentos e angústias.E elas me ouviam, me deixavam chorar e me consolavam.
Sempre fui recatada.Sempre fui o retrato de uma mulher criada em um universo machista. Deixei a casa de papai para me casar...E por isso, talvez, o respeito excessivo, o medo de expressar minhas ideias, minhas dúvidas e a serviliência quase auto - escravizante.
Minha vida estava uma porcaria, minha vida se resumia em somente cuidar da loja, do “senhor” marido e de dois filhos adultos preguiçosos. Durante anos vivi assim. Até aquela quarta-feira...
O dia começara preguiçoso, eu estava como sempre cansada, triste, decepcionada com a vida, a família, os amigos...Eu queria mesmo era morrer.
Claudia, uma de minhas funcionárias me trouxe um café forte e disse que era pra me ajudar a encarar mais um dia. Me aconselhou a procurar novas amizades,mesmo que fossem virtuais,me incentivou a entrar em salas de bate-papo para pessoas maduras.Hesitei no início, relutei e por fim tive coragem.
Digitei um apelido e entrei na sala.Fiquei observando e lendo as “conversas”. Não queria páginas com conteúdo pornográfico, por isso precisava sondar o território.Fui ficando ali, achava engraçado algumas perguntas, as frases feitas, as paixões instantâneas que as pessoas expressavam...E gostei...
Um apelido me chamou atenção, CCS, quase todas as mulheres na sala “conversavam” com ele, eu não sabia o que ele respondia. Então lhe enviei um tímido olá!
A resposta veio demorada, porém carregada de educação e gentileza, ele perguntou de onde eu teclava, me “disse” coisas bonitas, me senti feliz.Teclamos por um longo tempo, ele se despediu e prometeu “voltar” mais tarde.Voltei ao meu trabalho.
No final da tarde, novamente entrei na sala, lá estava ele, eu disse boa tarde, ele me respondeu com letras maiúsculas um outro boa tarde.Teclamos, ele falou sobre sua vida, falei da minha (escondendo muito do que vivia realmente), ele parecia ser confiável.Gostei de sua conversa, da maneira que ele via o mundo, de como entendia as pessoas, de como respeitava as ideias alheias e da solidariedade que parecia lhe ser inerente.
Foi com certa melancolia que me despedi de meu novo amigo aquela tarde.Tive vontade de acelerar o tempo, amanhã estava muito longe...
Mais um dia de trabalho, nem bem arrumei minhas coisas rotineiras, sentei na frente do computador e lá estava ele.Não tive coragem de lhe confessar que sonhara com aquele apelido, que eu havia passado a noite em claro contando as horas para o dia clarear.Tudo que ele havia dito sobre relacionamento, solidão...Era como se já me conhecesse...
Passamos o dia teclando, ele me convidou para usarmos o "Messenger", fiquei um pouco receosa, assim mesmo aceitei o convite.Não havia uma foto, no lugar apenas um avatar com três letras.CCS.Passamos quase o dia inteiro teclando, até que ele me deu o número do seu telefone.Disse a ele que não poderia ligar, que eu era uma mulher casada, madura, com filhos, lhe dei todos os motivos possíveis para escapar daquela “armadilha”.Não consegui, a curiosidade, a vontade de conhecer a voz por trás do apelido, de ouvir o som daquelas palavras doces que ele escrevia me encorajaram e liguei.
Eu disse um alô inseguro e esperei a voz que viria do outro lado da linha.Tremi e transpirei, me senti com quinze anos, com o coração na boca.Curiosa e com medo.Medo do que estava sentindo naquele instante.Foi libertador...
Quinze dias depois da primeira ligação, já me sentia envolvida por aquele homem, já tínhamos nos visto pela web cam.Parecia inacreditável, ele já era parte da minha vida.
Ele queria me conhecer de forma real, me falou que queria me dizer olhando nos olhos tudo que dizia na vida virtual.Eu relutava, morria de medo de que me vissem em companhia de um completo desconhecido, mas as meninas me incentivaram, e marcamos um encontro.
Ele me esperava na rua paralela a estação, encostei o carro, buzinei, minhas pernas tremiam, eu podia ouvira as batidas do meu coração.Ele veio se aproximando devagar, colocou a cabeça pra dentro do carro e me beijou.Um beijo longo que me fez estremecer e esquecer minha condição de esposa fiel e mãe presente.Abri a porta do carro ele entrou, rodamos por algumas ruas e sem consultá-lo entrei em um motel.Ele não pareceu surpreso, apenas me perguntou se eu tinha certeza se queria realmente fazer aquilo. Respondi que lá dentro decidiria.
Entramos no quarto, ele sentou-se na cama e me olhava, eu permaneci em pé olhando dentro dos seus olhos.Abri os botões de minha blusa e coloquei sua mão sobre meio seio, lhe pedi pra sentir meu coração, ele sorriu e me acariciou.Seu toque me fez jogar fora todos os tabus que me privaram a vida inteira de ser mulher e humana. Seu toque me fez jogar fora todos os meus conceitos judaico-cristãos, de família, igreja e moral.Eu queria era ser amada, precisava me sentir mulher, amante, traidora, dominadora.Dona do meu mundo.Nos amamos sem medo do pecado e sem medo do inferno...
Na esquina em frente à estação ele desceu do carro, me beijou e partiu.Perguntei se nos veríamos de novo e ele disse que não.
Demorei um tempo pra entender sua afirmação.Primeiro me senti desprezada, achando que ele não gostou de ter feito amor comigo. Somente tempos depois pude perceber que ele me amou de verdade. Uma única vez, mas foi pra sempre.
Tive coragem e contei para meu marido e meus filhos, lhes falei que queria ir embora, que iria viver só.Meu marido mesmo sabendo de tudo, me permitiu ficar em casa, dizendo que eu não precisaria sair. No fundo, no fundo ele não me condenou.
No dia do nascimento do meu primeiro neto, meu marido me convidou pra tomar um drink, que fossemos comemorar.Há tempos não tinha bebido tanto, eu estava radiante e feliz de verdade, meu marido segurou minhas mãos e disse que nunca havia me visto tão linda.Falei que ele estava sendo gentil, ele disse que não,que era verdadeiro o que estava dizendo.Ele se ajoelhou e disse que ainda me amava.Fiquei emocionada e percebi que nunca havia deixado de amá-lo também.
Eu e meu marido estamos nos conhecendo novamente, descobrindo novos lugares e nos permitindo mais.
Nunca mais entrei em salas de bate- papo,ainda lembro do homem a quem amei eternamente por uma única vez. Sei que errei ao me envolver.O que me conforta é ter a certeza que ele mudou minha vida.Apaguei o CCS do meu computador, não faço mais parte do Clube do Coração Solitário.
Meu nome é Rita de Cássia e quero morrer de amor...
Friday, January 22, 2010
Aos Visionários
Há sempre um tempo em que não se pode sonhar.Há sempre um tempo em que é proibido sorrir.
Há sempre um tempo em que cantar é perigoso,porque há sempre um tempo de truculência e os braços armados do mal, sufocam os gritos das multidões e calam os poetas.
Mas há sempre um tempo que surgem visionários, de almas rebeldes e corações selvagens.Com fúria contida e coragem martírica
Visionários que sempre traçam os mapas. Mapas de novos caminhos e de novas esperanças
E enfim, chega um tempo em que a bandeira da pátria não mais nos intimida.Tremulando ao sabor do vento.Estampada nas capas dos cadernos,nas camisetas e nos biquínis,nos promete novos tempos de paz,justiça e liberdade.
Wednesday, June 10, 2009
Aos Amigos,Muito Obrigado!
Imagem:Internet
Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.
Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...
Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.
Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...
Wednesday, May 13, 2009
Tecora Base - Cinque
Quando os europeus aportaram na costa africana
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber
Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga
Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar
Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.
Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte
Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo
Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.
Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber
Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga
Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar
Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.
Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte
Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo
Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.
Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.
Tuesday, November 25, 2008
Vou Processar o bispo Edir Macedo
Vou processar Edir Macedo e a Igreja Universal por propaganda enganosa.
Assistindo a um programa da Record / Universal,vi pessoas chegando com carrões,dando depoimentos,afirmando que a Igreja do Bispo Macedo lhes deu tudo,carro,mansão,viagens,etc...
Claro,eu não sou tão bobo assim.Corri pra Igreja,fui na reunião dos 318 pastores.”Eles fazem milagres,fazem surgir dinheiro em sua vida.” Promete a propaganda.
Pois muito bem,fui em trinta reuniões,orei tanto e com tanta fé (como o bispo me ensinou), fiquei doente de tanto gritar, e ainda dei no desafio a Jesus o dinheiro que peguei emprestado com um agiota.Continuo devendo até hoje.
Mas estou preocupado.Até agora nada de milagre.Nem carro e nem mansão.E o pior,descobri que o Bispo Macedo é ateu.,vende Jesus sem culpa.
Acho que só o Procon pode resolver meu problema.Se a Igreja Universal é comércio,pode ser incluída como prestadora de serviço.Portanto, pode ser responsabilizada por serviços prometidos e não entregues.
Preciso de um advogado!
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Monday, September 17, 2007
Vivo em São Paulo
Cidade de São Paulo vista da Estação Espacial Internacional !Fonte Estadão)
Vivo em São Paulo
Eu vivo em São Paulo
e às vezes me revolto.
Às vezes também me exalto,
às vezes protesto
e às vezes me calo.
É que eu moro em São Paulo.
Assim é São Paulo,
um mundo com outro mundo dentro.
Eu sofro em São Paulo,
com um futuro que vai ficando distante.
Às vezes choro quando chove em São Paulo.
Eu vivo em São Paulo
e com as luzes da madrugada
sempre me encanto.
Com as fardas cinzentas e hostis
eu sempre me espanto.
Também tenho medo em São Paulo.
Eu morro em São Paulo,
com o ar envenenado,
morro com o descaso.
Morro em São Paulo,
com a ignorância e a indiferença,
com as fábricas de solidão e desespero.
Morro todo dia em São Paulo.
Aqui é São Paulo,
das moças nos paredões,
dos doentes nos calçadões,
das periferias avermelhadas.
Aqui é São Paulo, cidade menina,
sempre esperando o primeiro beijo.
Também amo em São Paulo.
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