Escritor Marcos Tecora Teles do Capão Redondo Zona Sul da Cidade de São Paulo estará nas ruas do Brooklin. Com obras publicadas na França e no Brasil.
Tema Bildung(formação).
XXII Brooklinfest 2016 nos dias 22 e 23 de outubro celebrará a obra de Marcos Tecora Teles,escritor da Literatura do Capão Redondo.
Livros:
O azul do Céu Histórias das Ruas
Je suis Rio Editora Ana Caoana França
Palestra Lágrimas Futebol Clube
Os eventos do Brooklin realizados pela Associação do Brooklin criam alinhamento entre pessoas e suas obras.A cultura brasileira com dimensão universal.
Luiz Delfino Cardia.
Marcos Tecora Teles
Monday, October 17, 2016
Sunday, October 16, 2016
Grandes Manipulações no Futebol - História Verídica
Grandes manipulações no futebol.Essa é uma das verídicas:
Em 1977 foi lançado pela Rede Globo o slogan “O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!”.
Tratava-se de um torneio onde só participavam times que tivessem o nome de Corinthians e pela lógica só um time com esse nome seria campeão. Ao mesmo tempo, o Sport Club Corinthians Paulista, há vinte e três anos na fila, tinha um desempenho no Paulistão pra lá de incentivado pela arbitragem e, na final contra a Ponte Preta (time infinitamente superior), estranhamente teve seu centroavante Rui Rey expulso por Dulcídio Wanderley Boschilla no começo da partida. Dias depois, Rui Rey ouvia tocar a sirene do Parque São Jorge em sua homenagem, como reforço recém-contratado para a temporada de 1978. A história não mente.
Interessante lembrar este slogan, : "O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!"
Texto internet.Resposta no blog do Odir Cunha.
Wednesday, August 24, 2016
Depois Daquele Beijo
Foto: Internet
Depois Daquele Beijo
Hoje, exatamente hoje, faz vinte anos que
vivo na mais completa escuridão. Provavelmente, minha história não seja tão
especial e nem signifique muita coisa. Provavelmente, minha história seja igual
à história de milhares de outras pessoas. Mas esta é minha história. E uma
coisa eu posso afirmar; ninguém recebe o primeiro beijo da vida de uma garota e
passa incólume pela vida.
Depois de longos, turbulentos
e tristes anos, voltei ao bairro onde nasci e vivi parte de minha vida. Fui
visitar alguns amigos de minha família.
Era uma tarde fria
de agosto, um sábado. Fui recebida com afeto e percebi a comoção que causei nos
amigos, ao chegar amparada por Billy, meu cão – guia. Depois dos abraços
afetuosos e beijos emocionados, nos sentamos e tomamos café. Tudo como nos velhos
tempos.
Mas a campainha
tocou...
Enquanto alguém foi
atender ao portão, continuávamos conversando eufóricos e sorrindo alto.
A voz daquela visita
inesperada fez abrir uma porta no tempo. E era a mesma voz, a mesma voz melancólica
do menino bonito e tristonho por quem me apaixonei um dia.
Nosso reencontro foi
como deveria ter sido, emocionante, repleto de arrependimentos e pedidos de desculpas.
Tínhamos muito o que falar,mas também tínhamos muito o que calar.
Ele quis saber de
tudo o havia acontecido comigo em todos esses anos, quis saber como me sentia e
eu não lhe escondi nada. Contei a ele que foi em uma tarde de sábado como aquela,
onde ficamos sozinhos. Ali, naquela mesma casa, naquela mesma sala, ouvindo Van
Morrison tocar na vitrola, que trocamos um beijo. Meu primeiro beijo. Eu lhe
contei que foi ali, que uma garota aos catorze anos se apaixonou por um rapaz
bonito e romântico. Eu o fiz lembrar que, depois daquela tarde eu lhe ligava perguntando;
e agora? E ele sorria do outro lado da linha.
Lembrei a ele que, depois daquela tarde de
sábado,durante meses,todas as tardes de sábado foram mágicas,dançávamos colados
e trocávamos beijos apaixonados.Sentávamos no tapete daquela sala,ele já adulto
bebia vinho e eu bebia Coca- Cola.
Eu contei a ele
sobre minha tristeza. Sobre a humilhação na minha festa de quinze anos. Contei
que contava os dias, ansiosa e insone, esperando o dia chegar para poder dançar
com ele, eu queria dançar a valsa com meu príncipe. Mas ele não apareceu. Sem se
despedir, desapareceu e nunca mais voltou. Não podia deixar de lhe contar sobre
toda minha tristeza e decepção.
Também falei que
anos depois me casei com uma pessoa que quase acabou com minha vida. Eu falei
que me casei com um homem que parecia me amar, mas só me trouxe dor e tristeza.
Um homem violento e viciado. Um homem habituado apenas à boemia e aos prostíbulos.
E não pude esconder que esse homem contraiu o vírus da AIDS e que por sorte ou
sei lá, a única coisa que me passou foi sífilis e perdi completamente a visão.
Talvez por piedade de mim, Deus o tenha levado pouco tempo depois.
Contei sobre a perda
de meus pais e que, desde então vivo quase só.
Eu falava e ele só ouvia.
Eu pedi para ver seu rosto com minhas mãos.Ele aproximou seu rosto do meu e lhe
toquei a face.Era o mesmo rosto delicado,o mesmo perfume e o mesmo hálito que
exalava vida.Eu toquei seu rosto e podia ver o passado,via as luzes das tardes ensolaradas.Eu tocava seu rosto e a mesma música chegava em meus ouvidos.Eu tocava
seu rosto e nas pontas dos meus dedos ainda podia sentir a tristeza daquela
alma doce,que por muito e muito tempo viveu atormentada pelo abandono na infância,pela
pobreza e pela fome.Eu tocava em seu rosto e suas lágrimas escorriam por entre
meus dedos e pude, enfim,saber que aquele menino bonito e tristonho também me
amou um dia.
Ele me contou que
teve medo e fugiu de tudo, mas nunca se esqueceu daquela tarde de sábado. Ele
também descobriu que ninguém dá o primeiro beijo da vida de uma garota e passa
incólume pela vida.
Hoje, também é
sábado e minha sobrinha está me fazendo companhia. Ela vai passar o final de
semana aqui em casa. Minha sobrinha não conhece toda minha história, mas ela
ligou o som e colocou uma música pra tocar. ”Sweet Thing”, Van Morrison...
Saturday, June 25, 2016
Contos Quase Infantis - Com Chocolate nas Veias
Contos Eróticos
Infantis
Com Chocolate nas Veias
Imagem:internet
Quando meu tio me levou para trabalhar em sua fábrica de
sapatos femininos no Itaim - Bibi, muitas coisas mudaram em minha vida. Foi lá
que aprendi, que às vezes precisamos amadurecer antes da hora.
E foi lá também que conheci muitas pessoas bacanas. Com algumas
daquelas pessoas, fiz amizades duradouras, com muitas outras sempre tive um
pouco de receio de me aproximar.
Foi lá, na fábrica de sapatos de meu tio que me tornei quem
sou.
Meu tio sempre foi muito generoso e também se encarregou de
arrumar um emprego para Miltinho, na Esfiharia do Jaber, na Rua Tabapuã.
No edifício ao lado da esfiharia, morava Lili, uma menina
gordinha, sorridente, simpática, de olhos castanhos e...linda!
Como eu já imaginava, Miltinho apaixonou – se platonicamente
por ela. Durante meses, Lili era a única palavra que saía da boca de Miltinho.
Na fábrica de sapatos, uma das minhas responsabilidades era
comprar materiais para a confecção dos calçados. Três vezes por semana, eu
tinha que ir até a Rua Maceió comprar couros.
Meu trajeto até o
ponto de ônibus, era da Rua Bandeira Paulista até a Avenida Cidade Jardim, onde
eu embarcava no Trólebus que subia a Rua Augusta.
Lili também tomava o mesmo ônibus e fazia o mesmo trajeto
que eu. Acabamos ficando amigos. Lili fazia curso de fotografia no centro da cidade.
Ela também ficou amiga de Miltinho.
Ainda me lembro do primeiro assunto ente Lili e eu. Conversamos
sobre a notícia que mais se comentava naqueles dias. Naquela época, no início
dos anos oitenta, muita gente desaparecia misteriosamente na cidade de São Paulo.
No Itaim – Bibi, havia confirmações de que muitas garotas desapareceram sem
deixar vestígios. A polícia dizia para as famílias que, provavelmente, elas
haviam fugido com os namorados...
Uma das figuras mais estranhas que conhecemos no Itaim – Bibi
foi Guido. Ele era o mestre chocolateiro da fábrica de chocolates, na Rua
Joaquim Floriano. Guido não trabalhava todos os dias, ficamos sabendo que ele
só trabalhava as noites em que formulava novas receitas para os bombons.
Na fábrica de chocolates, eram produzidos os melhores
bombons do mundo. Nunca houve nada igual.
Logo descobrimos os dias em que Guido havia ido trabalhar. Assim
que descíamos do ônibus na Avenida Nove de Julho, imediatamente, sentíamos o
aroma que exalava das chaminés da fábrica de chocolates. Aquele cheiro inconfundível
nos inebriava.
Guido era realmente um homem muito esquisito, parecia muito jovem,
mas ao mesmo tempo, também aparentava
ser velho.Usava roupas pesadas e estava sempre vestindo um grande casaco
preto.Usava cachecóis que lhe cobriam o pescoço e parte lhe escondia a
boca.Guido também nunca retirava o chapéu.Parecia estar sempre tentando
esconder alguma coisa.
Quando saía da fábrica, após seu turno de trabalho, ritualísticamente,
ia tomar café na padaria na Rua Doutor
Renato Paes de Barros e ficava por lá, até o horário em que os alunos saiam do colégio.Ele era conhecido dos jovens
do bairro e gostava de conversar com eles,principalmente com as garotas,todas,sem exceção,adoravam Guido.Ele
sempre levava consigo,pacotes daqueles maravilhosos bombons.Quando chegava em gente
ao colégio,era um alvoroço,as garotas já sabiam que ganhariam chocolate.
Miltinho não gostava de Guido, sempre que o via passar, comentava
com preocupação:
- Marquinhos... Marquinhos... Marquinhos, esse cara é louco.
- Que é isso, Miltinho? Deixa o homem em paz!
Miltinho insistia:
- Veja bem! Ele é jovem, usa essas roupas de idoso, todo
estranho, não sei se você percebeu...
- Percebeu o quê?
- Ele vive com frio! E as mãos dele? Quando cumprimenta a gente,
as mãos dele são geladas!
-Deve ser por causa da fábrica, lá tem muitas geladeiras.
-Marquinhos, na fábrica tem um monte de fogão gigante. Lá
dentro deve ser um calor dos infernos.
Comecei a ficar encucado com Guido...
Miltinho esta cada vez mais apaixonado por Lili. Falava dos
seus planos ao lado dela,chegava a imaginar a festa de casamento. Miltinho
estava alucinado de amor e a todo instante me pedia opinião:
- Marquinhos, você acha que devo me declarar pra ela? Devo
dizer que estou afim?
-Sei lá, você é quem sabe.
-Eu penso em falar pra ela, mas tenho medo.
-Ué! Medo do quê?
- E se Lili me der um fora? Vou perder a amizade dela. Você
não acha melhor eu sofrer calado no meu canto e poder estar sempre perto dela, do
que nunca mais poder vê-la?
Miltinho até que tinha alguma razão. Além do receio de
perder Lili de uma vez por todas, ainda havia a diferença de classes. Lili era
uma garota rica do Itaim- Bibi e ele, um garoto pobre do Capão Redondo.
Sempre soubemos que um garoto pobre do Capão Redondo era
obrigado a sofrer calado.
Miltinho passou abertamente a odiar Guido, depois que o
chocolateiro começou a galantear Lili. Todos os dias, Guido enviava bombons e
bilhetes para Lili e ela parecia gostar de ser cortejada pelo chocolateiro.
Miltinho estava incomodado com aquela situação e ficava cada
dia mais nervoso:
- Marquinhos!Vou matar esse cara!
Eu tentava lhe acalmar:
-Você está louco, Miltinho?Não tem nada demais, são amigos.
Miltinho se calava e eu sabia que sofria muito.
Ficamos profundamente entristecidos quando Suzi desapareceu.
Suzi era uma garota bacana, ela trabalhava na loja da Levi´s na Rua João Cachoeira.
Ela sempre nos ensinava sobre política. As pessoas diziam que, como tantos outros,
Suzi havia sido presa pela ditadura.
Meses depois do desaparecimento de Suzi, fomos à festa de
aniversário do Nego Teta, estávamos animados,todos
os nossos amigos compareceram,o pessoal do colégio,da Favela da Funchal e até o
pessoal do Clube do Mé.Guido também estava na festa do Nego Teta.
Miltinho não se sentia confortável, estava encabulado e não
tirava os olhos de Guido e Lili.
Guido falava ao ouvido da garota,ela sorria,parecia bem à
vontade com a conversa do chocolateiro.
Vindo rapidamente em minha direção, Miltinho decidiu:
- Marquinhos, vou falar com ela, vou me declarar! Que se
dane!
Miltinho atravessou o salão e foi até onde estavam Lili e Guido, chamou Lili em um canto, disse - lhe algo e voltou:
-Pronto! Falei pra ela.
- E o que ela disse?
- Que vai pensar...
A festa acabou naquele instante para Miltinho e eu, saímos do
salão sem que ninguém nos visse. No caminho para o ponto de ônibus, resolvemos
parar no Jack in The Box para comermos hambúrguer e tomarmos Coca-Cola, era uma
maneira de esfriar a cabeça e aplacar um pouco da tristeza e Miltinho.
Mas aquela noite ainda estava longe de acabar...
Quando saíamos da lanchonete, vimos um casal que entrava na
rua que dava para os fundos da fábrica de chocolates, reconhecemos Guido, que
vinha segurando o braço de Lili.
Miltinho me puxou e me convenceu a seguir os dois.
Ainda de longe, observamos Guido e Lili entrarem na fábrica
de chocolates. Depois de algum tempo em que os dois já se encontravam lá dentro,
nos aproximamos da porta e encostamos nossos ouvidos para tentarmos captar qualquer
barulho que pudesse vir lá de dentro.
Miltinho estava morrendo de ciúmes e sentia-se derrotado. Era
nítido seu olhar de angústia e decepção.
O tempo passava e só ouvíamos o barulho de metais. De vez em
quando escutávamos bem baixinho a voz de Guido sussurrando palavras ininteligíveis.
Apuramos um pouco mais nossa audição e enfim, ouvimos claramente a voz de Guido,
que falava em um idioma que até então
não conhecíamos.
Tentei convencer Miltinho
a sairmos daquele lugar, disse – lhe que aquilo era perder tempo, que não
adiantava mais sofrer,que era melhor partir pra outra.
Miltinho já havia se convencido em irmos embora, Mas um
grito de pavor nos congelou a espinha. Desesperada, Lili pedia socorro, gritava
alto e chorava aterrorizada.
Miltinho e eu não tivemos dúvidas, começamos a gritar, chutar
e tentar arrombar a porta.
Repentinamente, fez – se um brevíssimo silêncio e em seguida,
ouvimos passos apressados se afastando lá dentro.
Do lado de fora, Miltinho
eu continuávamos tentando arrombar a porta da fábrica de
chocolates.Pensei em pedir ajuda,mas a rua estava completamente deserta aquela
hora da noite.Também pensei em ir até a delegacia,mas Miltinho achava que talvez
não desse tempo de salvar Lili.
Miltinho raciocinava rápido e viu um pequeno vitrô sobre a
pequena porta e me falou;
- Sobe nas minhas costas, vai!
Miltinho se abaixou, coloquei meus pés em seus ombros e pulei.
Com muito esforço alcancei a borda do vitrô. Dei um soco com todas as minhas forças,
o vidro se quebrou e me esgueirei para passar pelo vão ínfimo.
Caí dentro da fábrica de chocolates e abri a porta para que
Miltinho também entrasse. Lá dentro, caminhamos por um pequeno corredor e acabamos
dentro de uma grande cozinha, repleta de caldeirões fervendo leite e chocolate,
máquinas e utensílios diversos. Sobre uma bancada, amarrada e nua, encontramos
Lili.
A polícia foi até a casa onde Guido morava. Uma mansão
sombria na Rua Mário Ferraz. Lá, encontraram um verdadeiro tesouro. Obras de
artes de valor incalculável. Quadros tão antigos quanto se podia imaginar, impossível datar quando foram pintados,talvez milênios.
O que realmente chamou a atenção da polícia foi a quantidade
das belas estátuas espalhadas por toda a casa. Estátuas esculpidas com chocolate
e em tamanho natural. Elas exalavam aquele aroma inconfundível que saía das chaminés da fábrica.
Um caminhão foi chamado para transportar tudo o que fora apreendido na casa de Guido.
Quando começaram a carregar as estátuas, a surpresa foi aterradora,
as estátuas eram feitas para esconder os cadáveres das garotas desaparecidas.
Ficamos ainda mais
chocados e assustados quando soubemos a forma com que o chocolateiro assassinava
suas vítimas. Guido colocava entorpecentes - que ele mesmo sabia preparar - dentro dos bombons que
oferecia para as garotas que escolhia como vítimas.
Guido levava as garotas já dopadas para a fábrica de chocolates,
depois de violentá-las e cometer todo tipo de crueldade, usava a máquina de
filtrar o leite para lhes retirar completamente todo o sangue. Depois, injetava
nas veias das meninas,calda quente de
chocolate. Com o sangue das garotas, ele produzia o ingrediente secreto que
colocava em seus bombons.
O tempo passa mais rápido, quanto mais vamos amadurecendo.
Para decepção de Miltinho, Lili foi morar na Alemanha e não
tem intenção de voltar.
Guido desapareceu, não deixou nenhum rastro.
Ah! Quase me esqueci de falar sobre Sara...
Sara era neta do judeu, dono da loja de couros, aonde eu ia
três vezes por semana fazer compras. Miltinho conheceu Sara e claro, também ficou
completamente apaixonado por ela.
Com Sara ele não quis perder tempo, em uma festa na casa do
Nego Teta, Miltinho decidiu declarar seu amor infinito a ela. Preparou-se e foi
todo confiante e com ar de conquistador experiente. Chegou perto da moça e não
teve dúvidas, disparou:
- Sara, você é linda, eu te amo e estou afim de namorar
contigo!
Ao ouvir a declaração de Miltinho, Sara, do alto de seus
vinte e sete anos, não pensou duas vezes:
- Se enxerga moleque! Você acha que tenho cara de babá?
Miltinho e eu, até hoje, até hoje, odiamos chocolate.
Friday, June 03, 2016
Je Suis Rio
Vem aí!
Je suis Rio,antologia, lançado na França.Me sinto muito orgulhoso em fazer parte desta obra.No livro, um conto meu,Zé Azul do Rio de Janeiro.Além de mim,tem Ferréz,Marcelino Freire, Alexandre De Maio, entre outros autores!
Editora Anacaona.
Je suis Rio,antologia, lançado na França.Me sinto muito orgulhoso em fazer parte desta obra.No livro, um conto meu,Zé Azul do Rio de Janeiro.Além de mim,tem Ferréz,Marcelino Freire, Alexandre De Maio, entre outros autores!
Editora Anacaona.
Sunday, May 29, 2016
Um Mendigo, Um cigarro e Um Chope
Foto: Internet
Um Mendigo, Um cigarro
e Um Chope
Aquela tarde
de dezembro estava imensamente quente, o verão havia chegado com todo seu calor
e majestade.
As ruas
estavam vazias naquela tarde de domingo quando nos sentamos no Bar Brahma, na
esquina da Avenida São João com a Avenida Ipiranga. Léa e Mauro, meus amigos,
que quando vinham do interior, marcavam nossos encontros ali, no coração da
cidade.
Os dois
estavam mais calados que o habitual. Léa com seu jeito sempre aristocrático
reclamava da crise, da queda nos investimentos, dos preços das roupas de grife
e dos preços das passagens para a Europa, onde viajava de férias a cada seis
meses.
Mauro estava
preocupado com a queda do valor das ações, da baixa liquidez do mercado.
Eu apenas os
ouvia, não entendia muito bem o significado daquelas conversas, meu mundo era outro.
Eu era apenas um moço da periferia... apenas os ouvia.
Tomávamos Chope,
comíamos porções das mais variadas e íamos deixando o tempo passar.
Mas naquela
tarde foi diferente.
Meus amigos
estavam mais calados do que de costume, cada um de nós absorto nos próprios
pensamentos e não nos demos conta de que há tempos um mendigo nos observava. Ele
estava ali o tempo todo, parado, com suas roupas esfarrapadas, uns trecos
amarrados à cintura e calçava uma velha sandália que mal lhe cabia as solas dos
pés.
Léa o viu e
assustou-se, pensou em chamar a segurança, lhe acalmei dizendo que estávamos seguros.
Estávamos sentados dentro do cercado que limitava o bar das avenidas.
O mendigo
continuava lá, nos olhava atentamente, olhava o rosto plastificado de Léa, o rosto
endurecido de Mauro e parecia desnudar nossas almas esfarrapadas e cansadas. Eu
o olhei nos olhos e por um instante vi refletir a miséria que cada um de nós
carrega. Ele nos olhava e nos tornava a pequenos.
Léa me pediu
para que oferecesse um trocado àquele homem, para que ele nos deixasse em paz. O
mendigo sorriu e caminhou lentamente em nossa direção, não podíamos mais
escapar de sua presença incômoda. Ele se aproximava, não dava mais tempo de
contê-lo. Léa parecia querer sair correndo dali, apavorada com a presença daquele
andarilho.
Não deu
tempo.
O mendigo se
aproximou e surpreendentemente se apresentou:
- Boa tarde,
senhora e senhores. Me chamo Sivaldo,sou viciado em drogas,mas não as consumo
mais todos os dias. Não sou ladrão, nunca roubei e nem preciso. Não há nada
mais para mim no mundo de vocês. Sou apenas um vagabundo, maltrapilho.
O mendigo
nos calou com sua voz calma, serena e pacífica. Ele sabia que éramos pobres
humanos, perdidos em nosso mundo egoísta, solitário e doente. Ele sorria pra mim,
sabia que eu ainda tinha um pouco do que sobrou da minha própria infância, de
alguma forma, me enxergou como igual e dirigiu a palavra a mim
- Irmão, posso
te pedir um favor?
Eu
permanecia mudo, apenas sorri e ele continuou:
- Irmão, sabe
de uma coisa? Há muito tempo que vivo por estas ruas. Há muito tempo não me
sinto gente, não me sinto humano. Sabe por quê? Porque as pessoas me fazem
acreditar que não sou. Eu vi vocês aqui e pensei em pedir um trocado, um pouco
de comida, mas eu quero me sentir gente, me sentir humano, sabe? Eu só quero um
cigarro, desses, dos bons e um chope, o irmão pode pagar um pra mim?
O céu
começava a ficar escuro, a tempestade se aproximava e o vento já varria as ruas
do velho centro. Com um cigarro em uma das mãos e o copo de chope na outra, Sivaldo
arrastava as pernas,como se desfilasse em uma escola de samba,fantasiado com
suas roupas de mendigo. Gesticulava e seguia de olhos fechados, como se ouvisse
uma bateria de escola samba que tocava um samba enredo divino.
Léa, Mauro e
eu, acompanhávamos com nossos olhos incrédulos Sivaldo desaparecer perto do Boulevard.
Sentados de
frente para a avenida,com os braços apoiados na pequena cerca,permanecemos em silêncio,
tentando entender o que acabara de acontecer, o que tínhamos vivido naquele
breve instante.
A chuva veio
e me levantei para sair.
- Não vai esperar a
chuva passar? - me perguntou Léa.
A pergunta
de Léa me fez lembrar que há tempos eu não percebia como era bonita uma tarde
de chuva. Há tempos eu não caminhava na chuva. Quando criança me diziam que,
andar e chorar na chuva nos lavava a alma.
Me despedi
de meus amigos e atravessei lentamente as avenidas,deixei que as lágrimas
chegassem.
Eu também
precisava me sentir humano novamente, eu também precisava me sentir gente.
Tuesday, December 01, 2015
Jovens Homens Pretos
Imagens:Internet
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não assassinou apenas cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou o futuro de cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,todos os dias, assassina o futuro.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,também não gosta de jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro não assassinou apenas cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro assassinou o futuro de cinco jovens homens pretos.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,todos os dias, assassina o futuro.
A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro,também não gosta de jovens homens pretos.
Wednesday, October 28, 2015
Contos Quase Infantis O Homem da Roupa Verde Que Encantava Prostitutas
Foto:Internet
Contos
Eróticos Infantis
O
Homem da Roupa Verde Que Encantava Prostitutas
Nós humanos, passamos a vida inteira
tentando entender como somos, o que somos e como e por que o tempo passa. E
tentamos nos aceitar.
No nosso caso não havia muito o que entender,era
só aceitar. Para Miltinho e eu, o tempo também passou...
Agora, éramos dois rapazolas e eu estava
indo para o meu primeiro dia de emprego. Emprego que Miltinho arrumou para mim.
O trabalho era em uma empresa de mala direta, nosso trabalho era colocar as
cartas nos envelopes e levar aos correios. Confesso, era divertido. Éramos uma
turma de jovens de vários bairros da cidade e trabalhávamos apenas três dias
por semana.
Naquele velho edifício do centro da cidade, no
mesmo andar em que envelopávamos as cartas, havia um escritório de contabilidade,
lá trabalhavam algumas pessoas, dentre elas, uma mulher jovem chamada Ester, uma
loira que tinha um mau hálito dos infernos, um rapaz careca e mal humorado e um
velhinho bem vestido e muito educado, Seu Henrique.
Com tantos moleques trabalhando juntos, era
inevitável a algazarra, a zoeira e a diversão. Depois de algumas semanas, Seu
Henrique passou a visitar nossa sala. Ficava na porta ,nos observando,sorria. Ele
se divertia também.
Seu
Henrique tinha a mania de esfregar as mãos, era a forma de demonstrar excitação,
contentamento, mas Miltinho ficava encucado com Seu Henrique:
- Marquinhos, esse velho é bicha!
-Acho que não. Ele é bacana. Deve ser o
jeito dele, ele é quieto.
Miltinho
insistia em tentar me convencer:
-
Marquinhos, olha só. Esse velho só anda vestido com roupa chique, sapato lustrando,
com essa gravatinha borboleta, fica olhando pra gente, sorrindo e esfregando as
mãos.E é educadinho demais.
Miltinho repetia as mesmas palavras toda vez
que via Seu Henrique.
Ester, a jovem mulher, elucidou de uma vez
por todas as dúvidas. Ela ouviu um dos comentários de Miltinho, dizendo que
achava que Seu Henrique era homossexual. Ester chamou Miltinho e eu em sua sala
e nos contou:
-Eu sei que vocês ficam preocupados com o
jeito de Seu Henrique. Por favor, não tenham medo dele, ele é apenas uma
criança, envelheceu somente o corpo. Seu Henrique tem um ligeiro retardo
mental.
Nós ouvimos atentos a explicação de Ester, Miltinho
me olhava e demonstrava remorso. Foram tantas as ofensas veladas ao velhinho...
Nossos corações doeram...
Enquanto Ester falava conosco, Seu Rômulo
entrou na sala. Seu Rômulo era o irmão mais velho de Seu Henrique e dono do
escritório de contabilidade. Seu Rômulo ajudou Ester a terminar a explicação:
-Eu não pude deixar de ouvir a conversa, mas
só pra encurtar, vou dizer uma coisa pra vocês, meu irmão nunca se sentiu tão feliz.
Ele nunca conviveu com outros jovens. Henrique tem um tumor no cérebro desde
que nasceu, ficou com esse retardo e teve um trauma quando perdemos nossa mãe.
Miltinho e eu apenas escutávamos e Seu
Rômulo nos disse mais:
- Meu irmão, tem muito apreço por vocês. Aproveitem
a amizade dele. Ele está com sessenta e cinco anos, não tem muito tempo.
Seu Henrique chamava qualquer pessoa, de
qualquer idade de senhor ou senhora. Era extremamente educado, inteligente, um ser
absolutamente doce. Usava roupas finas, feitas sob medida pelos melhores
alfaiates da cidade. Amava livros e filmes. Pela falta de companhia nunca saía
de casa.
Seu Henrique gostava de usar roupas verdes e
isso nos fazia brincar e deixá-lo apavorado:
- Seu Henrique! Se o senhor passar na frente
da pastelaria do chinês com essa roupa verde, eles vão cortar o senhor e servir
para os clientes, viu? –Miltinho gostava de chateá-lo.
-
É perigoso mesmo senhor Marquinhos? Seu Henrique me perguntava.
-
Claro que é Seu Henrique. O senhor acha mesmo que o chinês compra toda aquela
verdura? Eu também me divertia com a conversa.
O fato é que Seu Henrique abandonou os ternos
verdes, os sapatos de cromo alemão, a gravata borboleta e passou a se vestir
como nós.
Nós aprendemos a entender como seu Henrique pensava.
No trabalho, era competente, compenetrado, assíduo e pontual. Quando se juntava
a nós, era como um adolescente, sempre querendo saber coisas novas. Coisas que
um homem aos sessenta e cinco anos ainda não havia vivido. Seu Henrique tinha
pressa em aprender, tinha a necessidade de conhecer o mundo em que os garotos
de minha idade viviam.
Miltinho resolveu dar um presente para Seu Henrique,
nós o levaríamos para sair conosco, à noite, pelo centro da cidade. Íamos
levá-lo ao cinema, aos bares e aos inferninhos.
Passamos dias combinando tão insano ato, Seu
Henrique estava ansioso, preocupado em como fugir de casa em um sábado a noite,
sem que ninguém o visse saindo e chegando.
Tudo deu certo.
Encontramos seu Henrique no sábado às sete
da noite na Avenida São Luiz. Ele estava elegante como sempre. E feliz como
nunca...
Fomos direto para a boate Clube de Paris, onde
nosso amigo Gérson era segurança. Pedimos cerveja e ficamos olhando as moças
fazerem seus shows.
-Seu Henrique?- Miltinho perguntou - Quer
beber?
-Não posso!
- Quem falou que o senhor não pode?Miltinho perguntou novamente.
- Quem falou que o senhor não pode?Miltinho perguntou novamente.
-Meu pai! Respondeu seu Henrique.
-Mas seu pai morreu faz tempo! Pode beber, ele
não está vendo e ninguém aqui vai falar pra ele. Não é Marquinhos?
Miltinho foi convincente. E eu confirmei
balançando a cabeça e rindo escondido.
Seu
Henrique bebia aquele copo de cerveja e sorria. Sorria extasiado, como um
condenado a morte, que no último instante recebeu o indulto.
No outro sábado Miltinho resolveu aumentar a
loucura e a irresponsabilidade. Levaríamos seu Henrique ao 69,o bordel mais
famoso e fuleiro da cidade.
- Miltinho, você é doido? Levar o Seu
Henrique na zona? Eu perguntava preocupado.
- Calma Marquinhos, calma! Deixa o velhinho
se divertir, ele ainda é virgem! -Miltinho gargalhava - Seu Henrique precisa
trocar o óleo!
No dia fatídico chegamos ao prédio da Rua
dos Andradas, um lugar estranho, homens que entravam e saíam. Todos preocupados
em não serem vistos, descobertos. Nas escadas, mulheres seminuas convidavam
para um momento de prazer.
Miltinho já conhecia bem ali, fomos subindo
até um andar intermediário onde havia um pequeno bar. Pedimos cerveja e
resolvemos servir conhaque para Seu Henrique. Ele adorou.
Ficamos ali, observando o movimento. A todo
instante as mulheres se insinuavam e nos convidavam para um programa. Uma
mulher madura se aproximou de nós e convidou Seu Henrique:
- Oi gato!Vamos brincar?
Seu Henrique nos olhou de um jeito engraçado,
ficou confuso com a pergunta da prostituta e nos perguntou:
- Os senhores acham que posso brincar com
ela?
- Claro! Estamos aqui pra isso, Seu Henrique.
Explicou-lhe Miltinho.
Seu Henrique ainda confuso perguntou para a
mulher:
- A senhora quer brinca de quê?
- Brincar de quê gato? Brincar de fazer
neném!
A prostituta saiu do quarto com o rosto sereno,
parecia muito mais jovem do que havia entrado. Seu Henrique sorria e esfregava
as mãos.
Tudo correu em paz. Voltamos para casa, Seu
Henrique estava encantado com as luzes da madrugada, estava encantado com mais uma
noite que estava chegando ao fim.
Seu Henrique conheceu quase todos os
prostíbulos do centro da cidade. Conheceu cada cinema e teatro de striptease. Foi
para o quarto com muitas mulheres.
Foram meses mágicos. Seu Henrique aprendeu
conosco o que era perdição e nós aprendemos com ele a maneira que nos salvaria
da miséria do mundo. Seu Henrique não tinha medo de caminhar pelas ruas imundas
e fedorentas, não tinha preconceito em se relacionar com a ralé. Ele contava
lindas histórias, muitas delas retiradas dos livros que lia e dos filmes que assistia,
mas muitas da lindas histórias surgiam de sua mente inocente. Ele nos contou
sobre sua doença, sobre o pouco tempo que tinha pra viver, sobre o trauma por
ter visto na infância sua mãe se afogar.
Seu Henrique nos falou de sua namorada, que
ela morava no mar e vinha visitá-lo e que, um dia ficariam juntos para sempre.
Seu Henrique nos falava com imensa tristeza que
quando sentia dores de cabeça tinha que ficar quieto, porque aquele poderia ser
seu último instante. Seu Henrique nos contou que as dores que chegavam como
choques em sua cabeça, estavam aumentando.
O aviso de luto na porta do escritório de
contabilidade nos pegou de surpresa.
Dias depois Seu Rômulo nos deu a triste notícia.
Seu Henrique desapareceu. Foi visto pela última vez em frente ao mar no Guarujá.
Uma pessoa relatou que viu um velhinho vestindo um lindo terno verde, usava uma
gravata borboleta, calçava brilhantes sapatos pretos e carregava nas mãos um
enorme buquê com maravilhosas rosas amarelas. A pessoa relatou que o velhinho
parecia esperar alguém, pois a todo instante olhava o relógio,até que ele
gesticulou,abriu os braços e como se segurasse na mão de alguém foi
desaparecendo mar adentro.
Tempos depois encontramos a primeira mulher
que levou seu Henrique para o quarto, ela estava trabalhando em uma loja de bijuterias
na Rua Vinte e Cinco de março. Nos contou que abandonou a profissão depois que
saiu do quarto com seu Henrique naquela noite.Nos contou que ele pediu pra que
ela apenas se deitasse ao seu lado,que fechasse os olhos, ela nos disse que ele
lhe contou lindas histórias. Afirmou que enquanto ele lhe contava aquelas
lindas histórias, era como se estivesse encantada. Falou que ouvia e parecia
estar em cada uma daqueles lugares que o velhinho narrava. Que quando acordou
se deu conta de que aquele não era seu lugar.
Descobrimos que Seu Henrique nunca teve
relações sexuais com nenhuma daquelas mulheres. Seu Henrique as amava, amava os
seres humanos e os entendia, sentia pena da miséria em que vivia cada uma delas.
E ele também as salvou.
Miltinho e eu de vez em quando, usávamos
roupas verdes, passávamos correndo em frente a pastelaria do chinês na Ladeira
Porto Geral,para que ele não nos cortasse e servisse para seus clientes.
Tuesday, October 06, 2015
A Rua dos Suicidas
Imagem:Internet
Há muitos anos em nosso bairro,haviam duas ruas muito estranhas.Uma era chamada de Rua dos Suicidas e a outra,era a Rua dos Assassinos.
Os nomes faziam jus a realidade.Na Rua dos Suicidas,cinco moradores haviam se matado em menos de três anos.Na Rua dos Assassinos,oito moradores estavam na penitenciária por terem executado várias pessoas.
As duas ruas eram sombrias,as crianças do bairro evitavam ao máximo passar por elas.
Na Rua dos Suicidas,morava Malu,uma moça loira e bonita que não falava com ninguém.Malu usava maquiagem escura,vestia somente roupas pretas e usava um véu,também preto.
Na Rua dos Assassinos,morava Angélica,irmã gêmea de Malu...
Continua amanhã...
Há muitos anos em nosso bairro,haviam duas ruas muito estranhas.Uma era chamada de Rua dos Suicidas e a outra,era a Rua dos Assassinos.
Os nomes faziam jus a realidade.Na Rua dos Suicidas,cinco moradores haviam se matado em menos de três anos.Na Rua dos Assassinos,oito moradores estavam na penitenciária por terem executado várias pessoas.
As duas ruas eram sombrias,as crianças do bairro evitavam ao máximo passar por elas.
Na Rua dos Suicidas,morava Malu,uma moça loira e bonita que não falava com ninguém.Malu usava maquiagem escura,vestia somente roupas pretas e usava um véu,também preto.
Na Rua dos Assassinos,morava Angélica,irmã gêmea de Malu...
Continua amanhã...
Monday, October 05, 2015
Igreja Universal do Reino do Lula
Foto:Internet
Igreja Universal do Reino do Lula
Nunca antes na história deste país se usou tanto ardil para se apossar de corações e mentes. O governo Lula em comunhão com a Igreja Universal formam uma grande e perigosa facção. O governo aprendeu com os Bispos da Universal a arte da prestidigitação, também aprendeu a disseminar a Teologia da Prosperidade, oferecendo aos pobres o paraíso e criando legiões de ignorantes. Lula é o mágico, que esconde no bolso do paletó o nosso futuro. Alardeia aos quatro cantos coisas que nunca fez e nunca fará, mas o prestidigitador tem esse poder, a ilusão como arte. Nos discursos aprendidos na Universal, revela como é fácil colocar quase toda uma nação em catarse.
O povo que ainda passa fome, que ainda vive de forma indigna e
perturbadora, não doa seu dízimo ao Lula, doa seu voto. Nunca antes na
história da humanidade um país foi governado por um ilusionista. O
Brasil é o primeiro.
Marcos Teles
Marcos Teles
Tuesday, September 22, 2015
É Que... Faltou Dizer Eu Te Amo
Imagem:Internet
É Que... Faltou Dizer
Eu Te Amo
Eu reconheci
aquele caminhar, aquele jeito de dar cada passo. A cada pedaço de rua que ela avançava,
o tempo me levava de volta para trinta anos atrás. Ela conservava a mesma
beleza.
Ela me reconheceu.
Eu estava parado na porta da casa de meu irmão. Fui buscar Samira, minha
pequena sobrinha, que iria fazer uma longa viagem.
Ela se aproximou,
me olhou nos olhos e sorriu.Era o mesmo sorriso.Eu lhe estendi a mão.Suas mãos estavam trêmulas e a voz conservava
a mesma melancolia.
As palavras
demoraram a sair:
- Como vai?
-Vou indo. A
vida está cada vez mais corrida.
-Faz tempo
que não aparece por esses lados.
-É verdade. Coisas
acontecem e tudo muda muito de repente.
-Da última
vez que esteve por aqui, e já faz muito, muito tempo,te vi de longe.
- E por quê
não falou comigo?
-Você estava
acompanhado.
-Não havia
problema algum nisso.
-Não quis
ser deselegante. Achei desnecessário criar um transtorno, trazendo um pedaço
perdido do passado.
-Tudo bem.
Ela me
olhava atentamente, como se buscasse algo escondido dentro de mim e falou:
-Você está
muito bem, continua bonito.
-O tempo
também tem sido generoso contigo. Você está linda também.
Eu tinha
tanto para perguntar e as palavras insistiam em não querer sair, eu me
esforçava:
-Como está
sua família?
-Família?
-Sim, sua
família.
-Nunca tive.
-Mas você se
casou.
-Não durou
muito tempo.
-E filhos?
-Não os
tive.
-Não quis
ser mãe?
-Durante um tempo,
sim. Até que tentei.
Os olhos
claros dela refletiam uma certa dor escondida na alma.
Fomos
soltando as amarras e as palavras que deveriam ser ditas no passado, só agora
vieram:
-Você ainda
se lembra da última vez que conversamos?
-Sim, na
missa de sétimo dia de seu pai.
-Você
apareceu lá com seu marido.
-Nossa! O tempo
passou rápido demais.
-Demais, demais,
demais.
Ela tinha
muitas perguntas e nunca tive as respostas.
-Olha, eu
nunca tive a chance, talvez se tivesse tido, me faltaria coragem.
-Coragem, pra
quê?
-O que
aconteceu com a gente?Por quê você foi embora?
-Foi sua a
culpa.
-O que eu
fiz?
-Você nunca
me deu certeza se gostava de mim. Nunca me deu certeza se queria ficar comigo.
-Não
acredito que isto ouvindo isso de você. Você resolveu ir embora. Fiquei sabendo
na manhã em que embarcou naquele maldito ônibus. Mesmo assim, ainda fui lá e vi
de longe você indo embora.
-Eu te vi na
rodoviária.
-E não se
despediu de mim. Nem mesmo um único e mísero aceno.
-Eu esperei você
me pedir pra ficar.
-Eu esperei
você descer do ônibus, desistir de ir embora e me dar um abraço.
-Eu chorei
durante toda a viagem. Quando começava a pegar no sono, acordava aos
sobressaltos sentindo o teu perfume.
-Chorei muito.
Chorei durante muitos meses.
-Eu pensei
em voltar.
-Eu te
esperei.
-Mas se
casou com outro.
-Te esperei
por muito tempo. Nunca recebi uma carta sua.
-Você nunca me
deu certeza se gostava de mim.
-Você também
não.
-Me fazia
sentir ciúmes.
-Eu só
queria chamar sua atenção.
Seus olhos
claros se umedeceram, por baixo dos meus óculos escuros as lágrimas rolaram
escondidas.
-Muitas
vezes eu liguei na casa de minha mãe, exatamente na hora em que eu sabia que
você estava passando em frente.
-Você nunca
me enviou um recado.
-Eu pedia
pra minha irmã me dizer que roupa você estava usando e se estava linda como
sempre.
Ela queria
dizer mais alguma coisa:
-Seus filhos
são lindos.
-Sim, eles
são lindos.
-Eles se parecem
com sua mulher.
-Parecem
muito.
-Sua mulher
se parece comigo. Foi proposital?
-Como
assim?Proposital?
-Se casar
com alguém que se parece tanto comigo?
-Não. Foi o destino.
O lugar em que a conheci, o coração precisando de abrigo.
-Você a ama
muito.
-Amo. Amo de
verdade. Aprendi a amá-la com todas minhas forças.
Ela estendeu
a mão para me dizer adeus:
-Foi bom te
ver.
-Foi um prazer.
Me perdoa?
-Claro. Já
te perdoei há muito tempo. Sem ressentimentos Já estamos velhos para desenterrar
os erros do passado.
Ela ajeitou
o lenço no pescoço, colocou o chapéu e se foi dizendo:
-Boa sorte e
boa viagem.
-Boa sorte
pra você também. Cuide-se.
Samira foi
buscar suas malas e parou para ouvir a conversa atrás da porta entreaberta da sala
que dá para a rua. Coloquei suas malas no bagageiro e ela sentou-se no carro. Depois
de sair da avenida e entrar na estrada, Samira rompeu o breve silêncio:
-Você e ela
já foram namorados, tio?
-Não sei se “namorados”
é a palavra exata. Nós tentamos ficar juntos uma vez, já faz muito tempo.
-Ela te amou,
tio. Ela vai te amar a vida inteira.
-Como você
pode afirmar isso?Você só tem onze anos?
-Tio!Dá pra
ver nos olhos dela, dá pra ouvir na voz dela.
-E você
percebeu isso assim, tão depressa?
-Tio! Já
entendo algumas coisas. Já sei o que aconteceu com vocês dois.
-E o que
aconteceu?Pode me dizer?
-É que... Faltou
alguém dizer, eu te amo.
A noite
começava a cair, o sol estava vermelho, a linha do horizonte já ficava mais perto.
E como há trinta anos atrás,o perfume dela me mantinha acordado.
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