Marcos Tecora Teles
Wednesday, September 16, 2009
Minha Primeira Vez
Muitas coisas na vida a gente aprende com a família.Outras com os amigos e muitas outras tantas aprendemos com nossos professores.
Quando criança,antes mesmo de entrar para a escola, minha avó me ensinou a juntar as letras. O mais engraçado é que ela não era totalmente alfabetizada.Minha avó me mostrava figuras nos livros e simulava a leitura. Solenemente ela fingia entender os textos,eu acreditava...
Quando cheguei à quinta série, conheci Dona Wilma. Ela era uma mulher bonita,de cabelos claros.Usava grandes óculos e tinha ar aristocrático.Já conhecíamos sua fama de professora exigente,durona e para muitos,claro,chata.Muitos desses adjetivos eram verdadeiros, porém,havia um outro que eu descobriria tempos depois.
Dona Wilma era professora de Língua Portuguesa e tinha orgulho do que ensinava.
Minha história de cumplicidade com minha professora começou no dia em que ela nos apresentou um texto de Érico Veríssimo, intitulado O Gaúcho.Ela nos mandou ficar em silêncio e ordenou que lêssemos devagar.No outro dia nos mandou novamente ler o mesmo texto,mas desta vez em voz alta.E assim passaram-se alguns dias,até que ela nos separou em grupos e pediu para que cada grupo lesse um trecho do texto.
Como um maestro rege sua orquestra, ela ia nos guiando pela história contada por Érico.
Sem perceber estávamos dentro dos pampas,viajando no lombo dos cavalos.Tocando boiadas.Respirando o cheiro da chuva na terra molhada . Vestindo bombachas.Comendo suculentos churrascos e sorvendo o chimarrão quente.
Ela nos fazia respirar nas vírgulas e respeitar os pontos finais.No começo, escorregávamos nas estrofes,nos atropelávamos nos hifens,mas sempre encontrávamos novamente o caminho nas reticências...
Quando percebi, estávamos interpretando e sentindo através daquela leitura, o poder que também tem a palavra escrita.
Finalmente ela achou que estávamos prontos para enfrentar novos desafios.E estávamos...
Surpreendentemente numa tarde,já quase no final da aula, ela saiu da sala e pouco tempo depois voltou com a diretora da escola,Dona Nadir.Dona Wilma pediu que ficássemos de pé e que lêssemos para nossa diretora.
E nós lemos...
O silêncio da sala foi quebrado com o ritmo surdo de cada palavra que saía de nossas bocas infantis. Com cada respiração, às vezes lenta ,às vezes mais acelerada, à maneira que sentíamos cada emoção que era expressa no texto.
Dona Nadir,de olhos fechados segurava as mãos de nossa professora, como se estivesse voando sob os pampas gaúchos e com medo de perder para sempre aquele momento.
Quando terminamos a leitura,fez-se novo e demorado silêncio.Dona Nadir abriu os olhos e víamos que não escondia algumas lágrimas.Me lembro perfeitamente do ela disse à nossa professora.Ela disse que aquele era o maior troféu para quem ensina.
Sou um apaixonado pela arte e devo isso à Dona Wilma. Muito do que me tornei, devo a tudo que ela me ensinou.E a agradeço pela insistência,pela paciência que teve com cada um de nós.E temos certeza que ela deixou marcas indeléveis no caráter de quem teve o privilégio de ter sido seu aluno.
Dona Wilma Alvarenga de Oliveira faleceu em um acidente de automóvel no dia 10 de outubro de 1986, na Via Dutra.
Hoje em dia,quando passo em frente a escola que leva o seu nome,faço sempre uma reverência.
Dona Wilma era verdadeiramente uma grande artista e dominou como poucos a arte de ensinar.
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Friday, July 24, 2009
Wednesday, June 10, 2009
Aos Amigos,Muito Obrigado!
Imagem:Internet
Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.
Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...
Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.
Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...
Wednesday, May 13, 2009
Tecora Base - Cinque
Quando os europeus aportaram na costa africana
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber
Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga
Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar
Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.
Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte
Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo
Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.
Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber
Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga
Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar
Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.
Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte
Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo
Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.
Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.
Saturday, April 04, 2009
MANIFESTO REVOLUCIONÁRIO
Manifesto Revolucionário
O mundo precisa de uma revolução.Sem batalhas e sem sangue.Não uma revolução qualquer.Não uma revolução com ricos comprando todo o poder, nem com pequenos tiranos dando golpes de estado e transformando povos e nações em zumbis.
Precisamos de uma revolução verdadeira,que nasça do coração de cada homem,mulher e criança da terra.
É preciso uma revolução de gentileza,de boa vontade,de bondade e respeito.
Precisamos cuidar dos pobres da terra.Precisamos tratar as doenças e elas são tantas.Doenças que nascem da desilusão,da solidão,da ignorância,do vício e da inveja.
Sonhamos mudar o mundo a maneira de cada um de nós,mas é impossível, só podemos começar a mudar o mundo da sala de nossas casas,cuidando de nossas fraquezas e de nossas indiferenças.
Precisamos aprender a respeitar a infância e a velhice.Precisamos parar de envenenar nosso alimento e nossa bebida.
Precisamos aprender a respeitar os diferentes de nós.Todos temos milhões de defeitos,mas temos que aprender a buscar o que há de melhor em cada um.
Precisamos parar de correr sem rumo.Corremos sem sentido algum.Comemos depressa demais.Trabalhamos depressa demais.Amamos depressa demais.Nossa vida está perdendo o sentido.
Precisamos parar um pouco para contemplar o infinito e ver o brilho mágico das estrelas.
Precisamos lembrar que temos pedido demais e oferecido muito pouco.Estamos muito preocupados em juntar coisas e entupimos nossas vidas e nossas casas com bugigangas que nunca vamos usar.
Precisamos perder um pouco a vergonha.Perder a vergonha de dar bom dia,boa tarde e boa noite.Precisamos perder a vergonha de dizer muito obrigado,por favor, com licença.Precisamos perder a vergonha de sorrir,perder a vergonha de dizer eu te amo.
Os ricos da terra precisam olhar para a África e a América Latina.Precisam parar de ver esses povos apenas como mercado futuro.
Precisamos ajudar na educação,ensinar a ler e escrever.Precisamos ler mais poesias.Precisamos ouvir mais músicas.Precisamos nos emocionar mais.É preciso um pouco de lágrimas de satisfação.Porque já choramos demais nossas derrotas de todo dia.
Precisamos parar de escravizar os trabalhadores.Porque quando se escraviza um homem, rouba-se dele o que ele tem de mais sagrado,seu suor e seus sonhos.
Precisamos abandonar nossa inveja,achar que o que é do outro é sempre melhor do que o que é nosso.
Precisamos de uma grande revolução.Precisamos fazer deste mundo um lugar razoável,um lugar onde um homem possa cuidar do outro sem medo,sem ódio e sem preconceito.
O mundo precisa de uma revolução.Uma revolução em busca de felicidade.E isto é possível,sim!
Banda Tecora – Capão – Brasil
São Paulo,Abril de 2009
O mundo precisa de uma revolução.Sem batalhas e sem sangue.Não uma revolução qualquer.Não uma revolução com ricos comprando todo o poder, nem com pequenos tiranos dando golpes de estado e transformando povos e nações em zumbis.
Precisamos de uma revolução verdadeira,que nasça do coração de cada homem,mulher e criança da terra.
É preciso uma revolução de gentileza,de boa vontade,de bondade e respeito.
Precisamos cuidar dos pobres da terra.Precisamos tratar as doenças e elas são tantas.Doenças que nascem da desilusão,da solidão,da ignorância,do vício e da inveja.
Sonhamos mudar o mundo a maneira de cada um de nós,mas é impossível, só podemos começar a mudar o mundo da sala de nossas casas,cuidando de nossas fraquezas e de nossas indiferenças.
Precisamos aprender a respeitar a infância e a velhice.Precisamos parar de envenenar nosso alimento e nossa bebida.
Precisamos aprender a respeitar os diferentes de nós.Todos temos milhões de defeitos,mas temos que aprender a buscar o que há de melhor em cada um.
Precisamos parar de correr sem rumo.Corremos sem sentido algum.Comemos depressa demais.Trabalhamos depressa demais.Amamos depressa demais.Nossa vida está perdendo o sentido.
Precisamos parar um pouco para contemplar o infinito e ver o brilho mágico das estrelas.
Precisamos lembrar que temos pedido demais e oferecido muito pouco.Estamos muito preocupados em juntar coisas e entupimos nossas vidas e nossas casas com bugigangas que nunca vamos usar.
Precisamos perder um pouco a vergonha.Perder a vergonha de dar bom dia,boa tarde e boa noite.Precisamos perder a vergonha de dizer muito obrigado,por favor, com licença.Precisamos perder a vergonha de sorrir,perder a vergonha de dizer eu te amo.
Os ricos da terra precisam olhar para a África e a América Latina.Precisam parar de ver esses povos apenas como mercado futuro.
Precisamos ajudar na educação,ensinar a ler e escrever.Precisamos ler mais poesias.Precisamos ouvir mais músicas.Precisamos nos emocionar mais.É preciso um pouco de lágrimas de satisfação.Porque já choramos demais nossas derrotas de todo dia.
Precisamos parar de escravizar os trabalhadores.Porque quando se escraviza um homem, rouba-se dele o que ele tem de mais sagrado,seu suor e seus sonhos.
Precisamos abandonar nossa inveja,achar que o que é do outro é sempre melhor do que o que é nosso.
Precisamos de uma grande revolução.Precisamos fazer deste mundo um lugar razoável,um lugar onde um homem possa cuidar do outro sem medo,sem ódio e sem preconceito.
O mundo precisa de uma revolução.Uma revolução em busca de felicidade.E isto é possível,sim!
Banda Tecora – Capão – Brasil
São Paulo,Abril de 2009
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Monday, March 23, 2009
Em Quatro Dias - Álbum de fotografias em branco
11/01/2003
“A vida nas drogas é um álbum de fotografias em branco”.
“Não vejo nada, não respeito sentimentos, me faz pensar que todos a minha volta são meus inimigos. Me faz acreditar que meus amigos são aqueles que estão juntos na hora da “doideira” e que meu único e verdadeiro amigo é o cara que está ali pra me vender a droga”.
“ATOS E REAÇÕES, ANTES E DEPOIS”
“Quando quero usar um “barato” e tenho dinheiro, fico nervoso, impaciente, arranjo sempre uma desculpa pra me livrar de quem está a minha volta de qualquer jeito, sem tomar conhecimento do que pode acontecer ou sem consciência de que estou magoando alguém, machucando os sentimentos de quem me ama.
Na hora em que estou “good”, tenho certeza que não tenho medo de nada, me acho o melhor, o inatingível, minha coragem é infinita para fazer qualquer coisa, seja o que for, sem me preocupar com as consequências de onde isso pode me levar, se posso ou não prejudicar outras pessoas.Quando estou “muito louco”, não tenho medo de nada nem de ninguém”.
“USO PRA FUGIR DOS PROBLEMAS”
“Quero parar de usar, mas o problema é que sinto falta da “adrenalina” e não tenho como explicar.
Quando estou sóbrio me sinto com medo de tudo e de todos, o meu relógio biológico fica mais agitado, é difícil me controlar.
Sei que cada um “doente” tem um tipo de reação, uns ficam mais violentos, outros são meigos e outros “vegetam”, não sei se vão me entender, mas acho que tudo está estampado nos jornais ou nas tv´s, como o caso da menina que matou os pais.
Tem pessoas que fazem loucuras por dinheiro, pela droga.
Vou dormir agora, está me dando sono, amanhã continuo”...
12/01/2003
“EM BUSCA DE AJUDA”
“A presença da família e das pessoas que estão sempre prontas a me socorrer, me ajudam a suportar um pouco as fases difíceis da falta.
O grande problema é quando tenho algum dinheiro, aí fica quase impossível me controlar, por que sei onde encontrar o que procuro, as coisas novamente fogem do meu controle e me desespero.
Mas com muito esforço consigo sossegar e aos poucos vai ficando tudo calmo, não é fácil, mas vou me acostumando com a falta da sensação que a droga me proporciona”.
“COMO ME SINTO”
“Neste instante estou calmo, não sinto a falta, mas também não sei explicar.
Quando vem a paranoia da abstinência (não sei como ela surge), vem mais forte, como um furacão. De repente, vem uma força, talvez do além, algo muito maior que eu e me ajuda a suportar a dor na alma. Mas junto também vem um medo absurdo, me sinto fragilizado, inseguro, me sinto doente. Não me permito ficar perto de ninguém, tenho vergonha de minha fraqueza, sei que todos observam minha aflição”.
“OS OLHOS DOS OUTROS”
“Não sei, mas sinto que todos me olham diferente, me olham com medo, com desconfiança, e tudo isso dói muito, dói fundo, machuca e deixa feridas como um corte de navalha. É tudo sem explicação...”
13/01/2003
“QUANDO ESTOU SOZINHO”
“Quando fico sozinho em casa recomeça a crise, ela vem sempre mais forte, avassaladora, parece incontrolável, angustiante e sinto como se todas as pessoas que vão chegando em minha casa quisessem me fazer mal, penso que elas só vieram me condenar, me agredir e sinto que não tenho ninguém pra me proteger, fico aflito, esperando um socorro qualquer pra me livrar dessa doença, desse mal sem cura”.
“A AFLIÇÃO”
“Queria explicar como é essa aflição. Só sei que me sinto frágil, sensível, qualquer coisa ou pessoa me deixa assustado, me desespero por não saber como agir”.
“DE ONDE VEM O MEDO”
“O medo surge do nada, como um vento forte, uma tempestade. Vem sem avisar, de repente”.
Mas primeiro vem a “fissura” pra se usar a droga, mas não está tão difícil mais suportar, mas o medo não dá para controlar, fica quase impossível ver alguém ou mesmo conversar com pessoas as quais não tenho certa afinidade.
Vou segurando a onda pra tentar superar mais esta crise de hoje, neste momento estou em crise, com muito medo, agora é meio-dia, essa é a pior hora ,mas estou conseguindo suportar, não tenho dinheiro aqui comigo, isso é ruim e bom ao mesmo tempo, porque se tivesse dinheiro seria mais difícil me controlar e fugiria sem ninguém perceber.
“COMO EXPLICAR A CRISE”
“A vontade de me drogar, vem e vai.
Vem fraquinha e vai ficando cada vez mais forte, às vezes passa rápido, quando passa por um longo tempo, volta bem forte, mas me sinto seguro quando estou com meu pai e minha mãe ao meu lado, me sinto protegido.Mas mesmo assim, ainda me dá agonia”.
14/01/2003
“Mais um dia de luta, mais um dia de vitória”.
“A LUTA PRA VENCER A ABSTINÊNCIA”
“Essa é uma luta sem vencedores e sem derrotados.
Porquê? Quando sinto a falta da droga, fico procurando coisas no chão, penso que o remédio pode ser qualquer coisa pra me deixar “legal”. Por um instante, deixo me levar pelo impulso, procurando desesperadamente pela droga, mas logo passa e penso até que ponto chega a “noia”.
Esta doença é sem controle, me deixa sem horizonte.
Mas estou vencendo dia após dia, hoje estou me sentindo mais forte e tenho certeza que vou conseguir me curar”.
Ângelo Endo
São Paulo, janeiro de 2003.
O que você acabou de ler é um relato na primeira pessoa, um pedaço de um diário de um jovem como tantos na sua luta contra o vício.O diário de Ângelo Endo, nascido em São Paulo em janeiro de 1976.
Seu vício começou na época em que fazia o ensino médio, começou dando uns “pegas” num “baseado”, depois foi experimentar drogas mais fortes e por fim viciou-se no crack.
O vício o fez enveredar pelo mundo do crime, se envolveu em estelionatos, roubos e assaltos, era o famoso ”piloto de fuga”.
Chegou a ser baleado numa dessas fugas.
Sua família se empenhou ao máximo para recuperá-lo, quando ele escreveu esse pequeno diário estava encarando a realidade e decidiu se curar. Estava em tratamento, tomando remédios para controlar a abstinência e pediu para ser internado numa clínica de recuperação.
Como sua internação já estava acertada, pediu a seu pai para que o levasse até a casa de praia. Ângelo queria ver o mar. Seu pai assim o fez.
Chegando lá, seu pai o mantinha sob vigilância dia e noite, sabia que se o deixasse sair Ângelo iria ao encontro das drogas. Na praia o acesso é mais fácil.
Numa noite, seu pai,já exausto, adormeceu, Ângelo pegou a chave do carro que seu pai escondera embaixo do travesseiro e saiu.
Seu pai acordou e percebeu que Ângelo não estava em casa, saiu desesperado para encontrar o filho, foi em vão...
Avisou os familiares e acionou a polícia, alugou até um barco para procurá-lo no mar e nos canais, depois de longo tempo só encontraram o carro queimado, sem nada ter sido levado. O desespero cresceu e se tornou agonia.
Sem esperanças de encontrar o filho o pai de Ângelo retornou para São Paulo, mas logo recebeu um telefonema, eram os policiais informando que encontraram um corpo e que ele retornasse.
Assim foi feito, com o coração na mão, torcendo para que o corpo encontrado não fosse o do seu filho.
No coração de um pai, sempre sobra uma esperança.
O corpo encontrado era o de Ângelo. Num canal, amordaçado, com os pés e as mãos amarradas, preso por galhos, nem um bala foi gasta para matá-lo, foi torturado e e morto com pancadas na cabeça.
Ângelo Endo foi assassinado em fevereiro de 2003 em Peruíbe, litoral de São Paulo.
Na sua luta pra se livrar da doença, queria ver o mar.
A vida nas drogas é sim, um álbum de fotografias em branco.
Cássia Lara e Marcos Teles
Thursday, February 12, 2009
OS SINOS DA REDENÇÃO
Cansamos de viver refugiados em nosso país
Cansamos de ser apenas pontos nos mapas dos partidos políticos
Nós não saímos em colunas sociais
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos
Nós somos um povo que ainda canta
Que se emociona e se espanta
E se espanta com o esquecimento e a humilhação
Nós levantamos antes do sol
Já perdemos muito tempo sonhando
Queremos derrubar o muro social
Exigimos nossa parte do pão
Não somos coitados nem indigentes
Exigimos respeito e o direito de sermos cidadãos
Cansamos das promessas
Cansamos da televisão
Que mostra apenas modelos magrelas
Bundas e playboys baby Johnson
Cansamos da propaganda venenosa
E das novelas que mostram um outro planeta
Queremos outra realidade
Queremos mais responsabilidade
Não queremos esmolas, a sobra da festa
Não precisamos das mansões e dos carrões
Nós exigimos respeito, exigimos educação
Somos o outro lado esquecido da história
Somos mestiços, negros e amarelos
Não pensem que carregamos o mal do mundo nas costas
Porque nosso orgulho é tudo que nos resta
Cansamos de andar de cabeça baixa
Cansamos de apanhar calados
Cansamos dos seus discursos inflamados
É que nós somos da periferia
Dos novos campos de concentração
Tenha certeza com nossa voz
Ainda faremos soar os sinos da redenção.
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos
Cansamos de ser apenas pontos nos mapas dos partidos políticos
Nós não saímos em colunas sociais
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos
Nós somos um povo que ainda canta
Que se emociona e se espanta
E se espanta com o esquecimento e a humilhação
Nós levantamos antes do sol
Já perdemos muito tempo sonhando
Queremos derrubar o muro social
Exigimos nossa parte do pão
Não somos coitados nem indigentes
Exigimos respeito e o direito de sermos cidadãos
Cansamos das promessas
Cansamos da televisão
Que mostra apenas modelos magrelas
Bundas e playboys baby Johnson
Cansamos da propaganda venenosa
E das novelas que mostram um outro planeta
Queremos outra realidade
Queremos mais responsabilidade
Não queremos esmolas, a sobra da festa
Não precisamos das mansões e dos carrões
Nós exigimos respeito, exigimos educação
Somos o outro lado esquecido da história
Somos mestiços, negros e amarelos
Não pensem que carregamos o mal do mundo nas costas
Porque nosso orgulho é tudo que nos resta
Cansamos de andar de cabeça baixa
Cansamos de apanhar calados
Cansamos dos seus discursos inflamados
É que nós somos da periferia
Dos novos campos de concentração
Tenha certeza com nossa voz
Ainda faremos soar os sinos da redenção.
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos
Sunday, January 04, 2009
A Vida é Sempre Um Filme Sem Final Feliz
Imagem: Internet
Viver é uma grande aposta.Não escolhemos o lugar onde nascemos nem a família que temos.Sabemos apenas que vivemos em um filme.Com mocinhos e bandidos.Um longo filme com dramas e comédias.Às vezes com efeitos especiais,mas cada um de nós com sua história particular.
Nem sempre é fácil viver uma boa história,são tantos fatores em contrário.Um pouco de solidão,um pouco de ódio,uma imensidão de paixões, toneladas de egoísmo e tantos outros sentimentos reunidos em nossos corpos tão pequenos e frágeis.
Nós humanos temos a incrível capacidade de fazer o próximo sofrer.Passamos a vida pregando falsas ideias,acreditando em coisas sem lógica alguma.Passamos a vida inteira buscando esperança para algo que sabemos bem onde vai dar.
Queremos tudo e sabemos que nada é pra sempre.Como o filme que tem tempo para acabar.Desejamos que nossa história seja sempre um longa - metragem.E isso nos faz mesquinhos,perversos e sanguinários.Podemos envenenar as boas amizades no começo do filme.No fim,podemos jogar crianças de janelas,atirar em homens e mulheres com bebês no colo.Temos a incrível capacidade de chorar nossos mortos e não nos incomodar com os mortos dos outros.
Não adianta pedir paz ou compreensão,estamos todos preocupados em ganhar o próximo “Oscar” com nosso filme particular.
Corremos,corremos e o final já conhecemos bem,ninguém viverá feliz para sempre.
Monday, December 22, 2008
OS SINOS DA REDENÇÃO
OS SINOS DA REDENÇÃO
CANSAMOS DE VIVER REFUGIADOS EM NOSSO PAÍS
CANSAMOS DE SER APENAS PONTOS NOS MAPAS DOS PARTIDOS POLÍTICOS
NÓS NÃO SAÍMOS EM COLUNAS SOCIAIS
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARA DE BANDIDOS
NÓS SOMOS UM POVO QUE AINDA CANTA
QUE SE EMOCIONA E SE ESPANTA
E SE ESPANTA COM O ESQUECIMENTO E A HUMILHAÇÃO
NÓS LEVANTAMOS ANTES DO SOL
JÁ PERDEMOS MUITO TEMPO SONHANDO
QUEREMOS DERRUBAR O MURO SOCIAL
EXIGIMOS NOSSA PARTE DO PÃO
NÃO SOMOS COITADOS NEM INDIGENTES
EXIGIMOS RESPEITO E O DIREITO DE SERMOS CIDADÃOS
CANSAMOS DAS PROMESSAS
CANSAMOS DA TELEVISÃO
QUE MOSTRA APENAS MODELOS MAGRELAS
BUNDAS E PLAYBOYS BABY JOHNSON
CANSAMOS DA PROPAGANDA VENENOSA
E DAS NOVELAS QUE MOSTRAM UM OUTRO PLANETA
QUEREMOS OUTRA REALIDADE
QUEREMOS MAIS RESPONSABILIDADE
NÃO QUEREMOS ESMOLAS, A SOBRA DA FESTA
NÃO PRECISAMOS DAS MANSÕES E DOS CARRÕES
NÓS EXIGIMOS RESPEITO, EXIGIMOS EDUCAÇÃO
SOMOS O OUTRO LADO ESQUECIDO DA HISTÓRIA
SOMOS MESTIÇOS, NEGROS E AMARELOS
NÃO PENSEM QUE CARREGAMOS O MAL DO MUNDO NAS COSTAS
PORQUE NOSSO ORGULHO É TUDO QUE NOS RESTA
CANSAMOS DE ANDAR DE CABEÇA BAIXA
CANSAMOS DE APANHAR CALADOS
CANSAMOS DOS SEUS DISCURSOS INFLAMADOS
É QUE NÓS SOMOS DA PERIFERIA
DOS NOVOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
TENHA CERTEZA COM NOSSA VOZ
AINDA FAREMOS SOAR OS SINOS DA REDENÇÃO.
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARAS DE BANDIDOS
CANSAMOS DE VIVER REFUGIADOS EM NOSSO PAÍS
CANSAMOS DE SER APENAS PONTOS NOS MAPAS DOS PARTIDOS POLÍTICOS
NÓS NÃO SAÍMOS EM COLUNAS SOCIAIS
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARA DE BANDIDOS
NÓS SOMOS UM POVO QUE AINDA CANTA
QUE SE EMOCIONA E SE ESPANTA
E SE ESPANTA COM O ESQUECIMENTO E A HUMILHAÇÃO
NÓS LEVANTAMOS ANTES DO SOL
JÁ PERDEMOS MUITO TEMPO SONHANDO
QUEREMOS DERRUBAR O MURO SOCIAL
EXIGIMOS NOSSA PARTE DO PÃO
NÃO SOMOS COITADOS NEM INDIGENTES
EXIGIMOS RESPEITO E O DIREITO DE SERMOS CIDADÃOS
CANSAMOS DAS PROMESSAS
CANSAMOS DA TELEVISÃO
QUE MOSTRA APENAS MODELOS MAGRELAS
BUNDAS E PLAYBOYS BABY JOHNSON
CANSAMOS DA PROPAGANDA VENENOSA
E DAS NOVELAS QUE MOSTRAM UM OUTRO PLANETA
QUEREMOS OUTRA REALIDADE
QUEREMOS MAIS RESPONSABILIDADE
NÃO QUEREMOS ESMOLAS, A SOBRA DA FESTA
NÃO PRECISAMOS DAS MANSÕES E DOS CARRÕES
NÓS EXIGIMOS RESPEITO, EXIGIMOS EDUCAÇÃO
SOMOS O OUTRO LADO ESQUECIDO DA HISTÓRIA
SOMOS MESTIÇOS, NEGROS E AMARELOS
NÃO PENSEM QUE CARREGAMOS O MAL DO MUNDO NAS COSTAS
PORQUE NOSSO ORGULHO É TUDO QUE NOS RESTA
CANSAMOS DE ANDAR DE CABEÇA BAIXA
CANSAMOS DE APANHAR CALADOS
CANSAMOS DOS SEUS DISCURSOS INFLAMADOS
É QUE NÓS SOMOS DA PERIFERIA
DOS NOVOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
TENHA CERTEZA COM NOSSA VOZ
AINDA FAREMOS SOAR OS SINOS DA REDENÇÃO.
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARAS DE BANDIDOS
Thursday, December 18, 2008
Estação Rodoviária
Estação Rodoviária
Foto:Estadão
Estação rodoviária,noite...
Um grande vazio em meio a tantas pessoas iguais.
São longas horas de espera.
O ônibus que não encosta.
Um estranho que encosta,o amigo que não veio.
Um amor que partiu.
O moço que chorou.
A menina que sorriu.
Como é longe o Rio...
Por trás de tantos rostos a mesma saudade doída.
A curiosidade...Ver o mundo desabrochar nas estradas.
A lágrima escondida...
Depois da espera,um longo beijo.
Uma angústia.
A mesma solidão.
Um adeus.
Um abraço...
Tuesday, December 16, 2008
LULA X CONFÚCIO !
Foto:Internet.
Houve uma guerra nuclear e o mundo acabou.São Pedro ficou louco com tanta gente para alojar no céu.Teve uma ideia.Resolveu colocar placas elucidativas para localizar mais facilmente os novos moradores.Ele dividiu as placas em:
Burros.
Muito burros.
Inteligentes.
Sábios.
Com a confusão reinante,São Pedro colocou Lula,um dos muito mortos, na área dos sábios. Tempos depois correu até lá para desfazer o engano.Quando chegou viu o tamanho do problema.Encontrou o sábio chinês Confúcio,sentado numa pedra,mais amarelo e esquálido do que nunca. Que nervoso dizia para Lula:
- Olha Lula,é a última vez que te digo -Encíclica não é uma bicicleta de uma roda só.Eucaristia não tem nada a ver com o custo de vida. Platão não é um prato grande.Annus Domminni não tem nada a ver com o cu do papa.Jesus não morreu de gonorreia e sim na Galileia.E antes que eu me esqueça,pafúncio é a puta que te pariu!!!
Tuesday, November 25, 2008
Vou Processar o bispo Edir Macedo
Vou processar Edir Macedo e a Igreja Universal por propaganda enganosa.
Assistindo a um programa da Record / Universal,vi pessoas chegando com carrões,dando depoimentos,afirmando que a Igreja do Bispo Macedo lhes deu tudo,carro,mansão,viagens,etc...
Claro,eu não sou tão bobo assim.Corri pra Igreja,fui na reunião dos 318 pastores.”Eles fazem milagres,fazem surgir dinheiro em sua vida.” Promete a propaganda.
Pois muito bem,fui em trinta reuniões,orei tanto e com tanta fé (como o bispo me ensinou), fiquei doente de tanto gritar, e ainda dei no desafio a Jesus o dinheiro que peguei emprestado com um agiota.Continuo devendo até hoje.
Mas estou preocupado.Até agora nada de milagre.Nem carro e nem mansão.E o pior,descobri que o Bispo Macedo é ateu.,vende Jesus sem culpa.
Acho que só o Procon pode resolver meu problema.Se a Igreja Universal é comércio,pode ser incluída como prestadora de serviço.Portanto, pode ser responsabilizada por serviços prometidos e não entregues.
Preciso de um advogado!
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Wednesday, October 15, 2008
Monday, September 17, 2007
Vivo em São Paulo
Cidade de São Paulo vista da Estação Espacial Internacional !Fonte Estadão)
Vivo em São Paulo
Eu vivo em São Paulo
e às vezes me revolto.
Às vezes também me exalto,
às vezes protesto
e às vezes me calo.
É que eu moro em São Paulo.
Assim é São Paulo,
um mundo com outro mundo dentro.
Eu sofro em São Paulo,
com um futuro que vai ficando distante.
Às vezes choro quando chove em São Paulo.
Eu vivo em São Paulo
e com as luzes da madrugada
sempre me encanto.
Com as fardas cinzentas e hostis
eu sempre me espanto.
Também tenho medo em São Paulo.
Eu morro em São Paulo,
com o ar envenenado,
morro com o descaso.
Morro em São Paulo,
com a ignorância e a indiferença,
com as fábricas de solidão e desespero.
Morro todo dia em São Paulo.
Aqui é São Paulo,
das moças nos paredões,
dos doentes nos calçadões,
das periferias avermelhadas.
Aqui é São Paulo, cidade menina,
sempre esperando o primeiro beijo.
Também amo em São Paulo.
Monday, September 10, 2007
Trecho Da Peça Sombras No Jardim
Joana Preta Por Ela Mesma
Eu me chamo Joana Preta. Nasci em Diamantina, Minas Gerais. Nos meus documentos não consta o nome do meu pai.Minha mãe era uma mulher muito pobre e sem instrução.Desde criança, trabalhou na lavoura, não conheceu uma letra sequer do alfabeto.
Quando eu e meus irmãos estávamos crescidos minha mãe foi trabalhar em uma pousada e me levava para ajudá-la. O salário era insignificante, trabalhávamos somente para garantir o que comer.
Nunca tive tempo para brincar.E também não gosto muito de lembrar da infância que nunca tive.
Quando tinha quinze anos, trabalhava praticamente sozinha na pousada. Minha mãe já estava sem forças, não aguentava mais o trabalho, passava quase o dia inteiro escondida do patrão com medo de ser despedida, eu fazia todo o serviço sozinha pra proteger minha mãe e nosso parco sustento.
Numa tarde ensolarada senti meu coração bater diferente e minha alma de mulher aflorar.Ele entrou porta adentro. Vestia uma camisa impecavelmente branca, chapéu e óculos escuros.Um homem lindo, perfumado, sorridente.Meu coração de menina quase saiu pela boca, ele me olhou e sorriu. Fiquei encantada, sem poder de reação, nunca ninguém havia olhado e sorrido daquela maneira pra mim.
Lembro que ele conversou com o patrão, pegou a chave de um quarto e se foi. Mais tarde voltou mais bonito ainda. Usando um terno cinza, sapatos brilhando e exalando um perfume ainda mais cheiroso.Perguntou alguma coisa ao meu patrão e saiu.
No outro dia cedo eu servia o café para os hóspedes quando ele se sentou à mesa. Me disse bom dia e eu quase derrubei o bule de café, respondi timidamente com um sorriso.Ele perguntou meu nome eu lhe disse. Mas ele não me disse o seu.
Ele me olhava o tempo inteiro e eu retribuía, não entendia o que estava sentindo, sabia que queria ficar olhando pra ele, sentir aquele perfume.Meu corpo arrepiava.
Chegou o dia em que ele iria embora, me senti triste, nunca trocamos mais do que aquelas palavras da primeira manhã na pousada. Me senti muito triste.
Minha mãe me chamou lá nos fundos da pousada e me disse que o moço bonito queria me levar pra São Paulo.Que ele disse à ela que eu seria uma rainha na capital, que eu tinha uma beleza incomum, que eu seria uma estrela de cinema.Perguntei para minha mãe por que ela queria que eu fosse embora com ele se não o conhecíamos. Minha mãe me confessou. O moço a procurara e lhe oferecera dinheiro para poder me levar dali, e que ela sabia que sofreria muito, mas precisava do dinheiro e também queria minha felicidade.
Foi difícil dizer adeus à minha mãe.No momento de ir embora, senti um misto de ódio, curiosidade e saudade.Abracei meus irmãos e parti.
No caminho pra São Paulo, Dionísio (esse era seu nome, mas gostava que o chamassem de Tarzan), foi brincando comigo, conversando e me fazendo confiar.
Eu já imaginava morar numa daquelas casas enormes que eu via nas revistas da patroa, com muitos empregados a minha disposição, já me via estampando capas de revista, tudo como Tarzan prometera à minha mãe...
Quando descemos na rodoviária eu vi e me encantei com o colorido da metrópole. O corre-corre alucinado das pessoas nas ruas, os carros apressados, as luzes, os anúncios no alto dos edifícios. Percebi que a vida por aqui não para. Também viria descobrir depois que esta cidade é um grande coração, mas até então não sabia o lugar que este coração havia me reservado.
A primeira decepção veio quando conheci o primeiro lugar em que fiquei na cidade. Um hotel vagabundo na avenida Senador Queiróz. O lugar era sujo, com homens bêbados, mulheres seminuas caminhando de um lado à outro carregando copos cheios de bebida. O cheiro de álcool, de perfume barato e a fumaça dos cigarros infestavam o ambiente. Os homens quando me viram entrar no saguão pareciam querer me devorar com os olhos e falavam coisas que eu não compreendia. Tarzan mandou todos ficarem quietos, dizendo que eu era sua mina de ouro, de Diamantina.
Quando entrei no quarto, só havia uma velha cama bem larga e uma mesa pequena com uma imagem de São Jorge em cima. Mal coloquei os pés no quarto, Tarzan me agarrou, me jogou na cama, me violentou. Não gritei, não chorei, senti uma dor profunda na alma e muito, muito nojo. Não imaginava que fosse começar sofrendo assim, porque não sabia que o pior ainda estava por vir.
Tarzan me deixou ali naquela espelunca por vários dias, depois foi me buscar e me levou pra morar em um cômodo na Baixada do Glicério.
Todos os dias, a toda hora, Tarzan trazia um sujeito diferente e eu era obrigada a me deitar e fazer tudo o que o sujeito quisesse, era obrigada a me prostituir. Proibida de reclamar, senão Tarzan me espancava sem piedade. Também não podia ir embora, não tinha dinheiro. Não conhecia ninguém além do bandido do Tarzan, além do mais também não conhecia a cidade. Estava no inferno.
Durante muito tempo continuei sofrendo a escravidão que me fora imposta por Tarzan. Fui me acostumando, me condicionando a fazer sexo várias vezes por dia.Logo aprendi a beber e a usar drogas pra tentar esquecer o que me acontecia. Só que quando os efeitos do álcool e das drogas passavam, eu caía em depressão, chorava muito e sonhava com o dia em que despertaria daquele pesadelo.
Mas conheci Dona Vera...Um anjo, um anjo da rua...
Em uma noite de inverno, fazia muito frio e caía uma fina garoa. Tarzan me obrigou fazer “ponto” na Rua dos Timbiras. Fiquei lá durante muitas horas e naquela noite ainda não havia conseguido um único cliente. O Tarzan não me deixava ir embora enquanto não conseguisse algum dinheiro.Eu estava drogada, doente e mal podia parar em pé. Não estava mais suportando o peso do meu próprio corpo, cairia ali mesmo, na calçada molhada. Foi quando senti duas mãos quentes e macias me amparando. A pessoa falou algo em meu ouvido, colocou um cobertor sobre meus ombros e afagou minha cabeça. Colocou um copo em minha boca e era café com leite bem quente. Então vi que era uma mulher. Aquela senhora perguntou meu nome e se eu precisava de ajuda, e com um gesto com a cabeça respondi que sim. E meus dias de sofrimento terminaram ali, como por encanto, como um milagre. Bem ali, na calçada da Rua dos Timbiras.
Dona Vera me levou a um lugar muito amplo onde já estavam muitas pessoas. Umas meninas me receberam, cuidaram de mim e a única coisa que me perguntaram era se eu queria realmente largar aquela vida.
Depois de tudo o que me aconteceu passei muitos anos sofrendo com minha dor e minha solidão.
Soube que Tarzan foi assassinado em um bar da Avenida Mercúrio. Teve uma morte violenta, levou três punhaladas no peito. Não sinto nem raiva nem pena de Tarzan, acho que ele encontrou o que procurou a vida inteira.
Hoje trabalho no Mappin na Praça Ramos, sou demonstradora de cosméticos da Helena Rubinstein. Divido um pequeno apartamento com minha amiga Carmen, uma chilena.Nosso apartamento é pequenininho, bem diferente daquilo que me fora prometido tantos anos atrás, mas é aqui que sou quase feliz.Tenho bonecas espalhadas por todo canto, bibelôs, fotos nas paredes e todo tipo de quinquilharias que encontro nas feiras da Praça da República.
Tempos atrás conheci um rapaz. Se chama Vanderlício, ele tem um nome bem estranho, mas é uma linda pessoa, acho que me apaixonei.
Nos conhecemos na loja, ele me perguntou se eu havia saído de algum cartaz do Cine Comodoro.Me encantei.Aceitei um convite pra passear e ele me falou de sua triste história também.
Nossa historia começou quando o convidei para ir ao meu apartamento.Preparei um lanche pra nós. Nos sentamos um de frente pro outro e ficamos muito tempo em silêncio.Acho que imaginando o quanto havíamos sofrido, cada um à sua maneira. Me procurei dentro dos olhos de Vander. E ele me fez mulher.
No final do ano vamos à Diamantina. Vou voltar depois de tantos anos. Sinceramente não sei o que encontrarei por lá. Só sei que quero de volta, por apenas um instante, viver mais uma vez, um pouco daquele tempo em que também sofri muito, mas era mais feliz.
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Sunday, August 19, 2007
Festa
Imagem internet
Tempo quente,vidas abertas.
Em cada rosto um sinal de festa.
Corações abertos.
Nos teus lábios um sorriso exposto.
As lágrimas deixe pra depois,pra depois da festa.
Ouça a música que toca.
Saiba que ela me toca.
Então vem,me sente ,me toca,porque agora quero ser tua festa.
Vem dançar,porque lua já tá indo embora.
Vem dançar...eu não vou deixar você partir
sem beijar a tua boca, senhora.
Vem dançar...vem...
Séculos e Mentiras

Séculos
e Mentiras
Ontem
li Gilberto Freyre
Acordei
com vontade de fazer uma revolução
Pensei
em começar cortando as cabeças dos velhos "coronéis"
Esses
malditos que mentem e que matam
Depois
explodir o congresso nacional
E
plantar ervas no lugar
Derrubar
repartições do estado
Onde
nada funciona direito
Mas
o que me atrapalha é esse medo
Um
medo de não sei o quê
E
se eu falhar,o que vão dizer?
Mas
se eu não fizer minha revolução e o povo como vai ficar?
Onde
sempre ficou?
Povo
no lixo,povo esquecido
Doente
e humilhado
E
aquela velhinha que passou a vida inteira colhendo café
Hoje
bebe cachaça numa praça pra não congelar no frio do inverno
Povo
é sem cultura,povo é sem educação
povo
é sem remédio, porque a máfia desviou a grana pras mãos de algum
senador
São
séculos de mentiras
Séculos
de humilhação
Histórias
plantadas a chicote,ferro e fogo
Quero
fazer uma revolução
Vou
convocar os exércitos
Exércitos
de famintos,loucos e flagelados
Vamos
atacar pelo mar,confiscar os peixes
Aproveitar
e afundar navios
Mas
o que me atrapalha é o medo
Um
medo de não sei o quê
Talvez
o medo do meu sangue
Que
corre em minhas veias como trem desgovernado
Sem
maquinista e sem direção
Quero
uma revolução com sangue,poesia e lágrimas
Com
música ,dor e emoção
E
tudo mais a que eu tiver direito
Quero
enterrar os destroços das velhas ideologias
Abrir
as portas de uma nova consciência
Deixar
que floresça um sonho
Um
sonho de justiça que nunca chegou a ser mais que semente
Hoje
eu quero o poder!
Hoje
eu quero o poder!
Hoje
li Darcy Ribeiro continuo com vontade de fazer uma revolução...
Thursday, August 16, 2007
Salve Raffa!
CANSADO DE ME ENGANAR
Acho que estamos todos cansados.
Os de "direita" cansaram da morbidez e complacência do presidente de "esquerda".Cansaram também os de "esquerda".Esperavam ainda mais cargos para poder continuar "aparelhando" o governo.Sei que eu cansei.Cansei da OAB,me perdoem mas acho que esta ordem é muito mais parecida com uma ordem secreta ( os pobres começaram a concluir curso de direito e lá vem a tal ordem dizer que as faculdades não são confiáveis).Cansei da OAB,falam demais e fazem de menos,aliás ,acho que não serve pra nada. Cansei dos sindicatos,a maioria dos sindicalistas deste país é picareta,os sindicalistas no Brasil não gostam de progresso,não lutam por melhores condições de trabalho,salários ,etc,fazem política,descaradamente.Todo sindicalista é candidato á alguma coisa e acaba envolvido em "esquemas" de corrupção.Estou mentindo?Vou mostrar um pouco do trabalho do sindicato(não me lembro o nome)dos trabalhadores na saúde.O hospital do Campo Limpo em São Paulo é covardemente sabotado pelo sindicato,funcionários não comparecem ao trabalho,organizam verdadeiros motins e fazem questão de não atender a população. E sei que fazem isto em todas as áreas públicas.Sabem por quê? O governo da cidade de são Paulo está nas mãos dos Democratas(outra coisa que cansei).E sei que isto acontece no país inteiro.Sindicato no Brasil hoje em dia não serve pra nada, a não ser como escola pra formarção de bandido.Cansei da corrupção,aliás,todos sabemos onde começa.Cansei da polícia civil(onde a corrupção também começa).A polícia civil coloca nas ruas todos os dias dezenas( uma média por baixo) de assasinos em potencial nas ruas.Sabem como?Vendendo cartas de habilitação.Há quantos anos todos sabemos disso?A polícia civil controla os detrans e ciretrans(só pra lembrar).Me cansei de tantas coisas...E nem precisei falar de políticos(desses todos estão cansados).Me cansei da mídia descarada,dos intectuais imbecis,cansei do politicamente correto.Cansei dos jornalistas bundas-moles,cansei dos puxa-sacos de plantão,etc.Peço licença pra terminar este texto com um trecho da letra de uma música da minha banda(Tecora).Eu não quero mais beber deste vinhopois já não dá mais pra aguentaragora vou seguir o meu caminhoestou cansado de me enganaroutra estrada eu vejoe nela eu vou caminhar.estou cansado de me enganarEstou cansado de me enganar.
Cansei.
Os de "direita" cansaram da morbidez e complacência do presidente de "esquerda".Cansaram também os de "esquerda".Esperavam ainda mais cargos para poder continuar "aparelhando" o governo.Sei que eu cansei.Cansei da OAB,me perdoem mas acho que esta ordem é muito mais parecida com uma ordem secreta ( os pobres começaram a concluir curso de direito e lá vem a tal ordem dizer que as faculdades não são confiáveis).Cansei da OAB,falam demais e fazem de menos,aliás ,acho que não serve pra nada. Cansei dos sindicatos,a maioria dos sindicalistas deste país é picareta,os sindicalistas no Brasil não gostam de progresso,não lutam por melhores condições de trabalho,salários ,etc,fazem política,descaradamente.Todo sindicalista é candidato á alguma coisa e acaba envolvido em "esquemas" de corrupção.Estou mentindo?Vou mostrar um pouco do trabalho do sindicato(não me lembro o nome)dos trabalhadores na saúde.O hospital do Campo Limpo em São Paulo é covardemente sabotado pelo sindicato,funcionários não comparecem ao trabalho,organizam verdadeiros motins e fazem questão de não atender a população. E sei que fazem isto em todas as áreas públicas.Sabem por quê? O governo da cidade de são Paulo está nas mãos dos Democratas(outra coisa que cansei).E sei que isto acontece no país inteiro.Sindicato no Brasil hoje em dia não serve pra nada, a não ser como escola pra formarção de bandido.Cansei da corrupção,aliás,todos sabemos onde começa.Cansei da polícia civil(onde a corrupção também começa).A polícia civil coloca nas ruas todos os dias dezenas( uma média por baixo) de assasinos em potencial nas ruas.Sabem como?Vendendo cartas de habilitação.Há quantos anos todos sabemos disso?A polícia civil controla os detrans e ciretrans(só pra lembrar).Me cansei de tantas coisas...E nem precisei falar de políticos(desses todos estão cansados).Me cansei da mídia descarada,dos intectuais imbecis,cansei do politicamente correto.Cansei dos jornalistas bundas-moles,cansei dos puxa-sacos de plantão,etc.Peço licença pra terminar este texto com um trecho da letra de uma música da minha banda(Tecora).Eu não quero mais beber deste vinhopois já não dá mais pra aguentaragora vou seguir o meu caminhoestou cansado de me enganaroutra estrada eu vejoe nela eu vou caminhar.estou cansado de me enganarEstou cansado de me enganar.
Cansei.
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