Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles

Saturday, September 18, 2010

O Aniversário de uma favela em São Paulo (ferréz)








O Aniversário de uma favela em São Paulo (ferréz)

Muitos podem se perguntar por que comemorar o aniversário de uma favela? Primeiro porque ela comemora 38 anos, segundo porque a 10 anos ela tem uma festa tradicional que junta muito hip-hop, protesto anti militarista (a festa sempre acontece em 7 de setembro ou no sábado sub seqüente).
Comemorar um aniversário, de um lugar que é importante para quem lá vive. Festejar pintando os muros com grafites coloridos, com crianças brincando numa linda praça, talvez uma demonstração de que todos ali sonham com um espaço urbano organizado, e respeitoso.
A festa destina toda renda ao projeto que dá aula para mais de 100 crianças da própria comunidade, apesar disso foi muito difícil realizá-la, ouve um verdadeiro boicote e de todos os lados foram pedidos documentos que não se conseguiria nem para um lugar fechado, assim como ouve autoridades contra o evento, também ouve muita gente a favor, Eleison da Ação educativa, Ananda representando o Calil, Protógenes e principalmente o Senandor Suplicy que ajudou muito e segurou a responsabilidade de ir a sub prefeitura, de conseguir autorização na CET, e de todos documentos que pediram, ele entendeu que era importante para uma comunidade que não tem outra chance de diversão e de conscientização a não ser se ela mesma a fizer.
As barracas são montadas pelos vendedores de lanches, bebidas, e até produtos caseiros como pães e bolos, todos apreensivos e esperando que a festa seja um sucesso para que consigam boas vendas.
As crianças tomam a rua chamada de Avenida Sabin, talvez o médico que deu nome a rua e criou a vacina, também tenha indiretamente criado a vacina da esperança para uma gente tão sofrida, que não deixa de acordar as 4 ou 5 da manhã para ir trabalhar, que cuida da casa dos patrões, mas deixa a sua como esta, que cuida da educação dos filhos dos patrões, mas não consegue acompanhar seus filhos, que faz a alimentação das crianças classe média, e não sabe se seus filhos comeram.
O palco é montado, os brinquedos das crianças são retirados, o pula-pula, a máquina de algodão, o escorregador e vários outros alugados pelo projeto chamado Periferia Ativa, que já existe a 10 anos dentro da favela Godoy paralela a Avenida Sabin.
Os mesmos meninos que alugam os brinquedos organizam a festa, e também tem um grupo de rap chamado Negredo (respeito ao negro), com letras que alertam para o erro de consumir álcool, para o erro de entrar na vida criminal, e ao consumo as drogas.
A festa que esse ano completa 10 anos prova que a periferia pode se organizar, pode não, ela deve se organizar e poder falar por si própria.
O palco está pronto, foi montado por uma empresa do próprio bairro chamada Lonas Base, os donos são moradores negros e militantes que fazem um grande trabalho de fechar as vielas e os acessos para que a festa tenha um controle.
Alexandre, chamado de Dj Ale, é o presidente da Ong Periferia Ativa, ele que corre para lá e para cá para que entre a primeira atração, e assim os grupos locais de Hip-Hop entram em ação, meninos dançando Break, outros cantando, outros recitando, o projeto se faz presente com eles no palco, demonstrando o que aprenderam dentro da biblioteca que já conta com mais de 1.000 livros.
Algumas horas depois começa a entardecer, então a atração surpresa entra para cantar, João Suplicy e Supla tocam as musicas do Brothers of Brazil e mostram a diversidade musical que tem, misturando clássicos da música brasileira com grandes sucessos mundiais e composições próprias, de quebra o Senador Suplicy canta Bob Dylan acompanhado pelos filhos.
Agora é a vez dos escritores entrarem no palco, a literatura ganha vez com os autores do Selo Povo, editora criada no Capão Redondo e que publica livros a 6 reais.
Para a festa na favela, além do escritor Marcos Teles e do poeta Germano Gonçalves, também está presente vinda diretamente de Rondônia, Catia Cernov, autora militante que tem a natureza como matéria prima de seus textos, ela apresenta o livro Amazônia em chamas.
Assim, misturando protesto, luta pelo meio ambiente, amor pela leitura e pelos livros que os representantes da literatura marginal se retiram do palco para dar lugar a mais grupos de rap, como Alvos da Lei, R.D.G, Jairo Periafricania e DMN.
A meia noite o grupo Tr3f entra no palco, eu faço um discurso contundente sobre o consumo, sobre a mão de obra escrava e sobre produtos que compramos, mas não somam em nada com nossa vida, logo depois Maurício DTS entra no palco e fala da dificuldade de se criar um filho especial, todo o show é acompanhado por cadeirantes que apóiam a iniciativa.
10.000 pessoas estão lotando a rua, em todos muros á faixas contra o uso de drogas e de agradecimento a policia, a sub prefeitura, aos amigos que ajudaram e tudo acontece maravilhosamente bem, não tem sequer uma discussão, sequer uma briga, talvez por isso a festa não seja notícia nos jornais do outro dia.
A rainha do samba Leci Brandão chega, enquanto isso o Senador Eduardo Suplicy é ovacionado por todos os presentes, uma demonstração de que a vida política se feita de forma correta também demonstra seus valores.
Leci faz seu show, todos acompanham entusiasmados, acabaram de ver o show do Negredo, e agora esperam Mano Brown, Ice Blue e convidados.
O dia começa a amanhecer, os policiais recebem lanches dos moradores, Mano Brown e convidados entram no palco, muitos abraços, a favela está emocionada, uma hora e meia depois o público ainda canta as músicas, a missão está cumprida, começa a limpeza, desmontar o palco e voltar para a vida normal, pelos menos até o próximo ano...

Friday, September 03, 2010

Amazônia em Chamas

Lançamento livro Amazônia em Chamas - Cernov



Diretamente de Rondônia, a escritora Catia Cernov vem fazer seu lançamento em São Paulo, dia 14 de Setembro as 19:00 horas.
Amazônia em Chamas é o primeiro livro da escritora.
mais um livro da coleção Selo Povo, representando a Literatura Marginal.
ao preço de apenas R$ 6,00.
Dia 14 de Setembro na Ação Educativa.
para conhecer melhor Catia Cernov blog: www.selopovo.blogspot.com
Endereço:
Rua General Jardim 660 - Vila Buarque
Cep: 01223-010 - São Paulo - SP
Fone: 11 3151-2333

Saturday, August 28, 2010

EU VOU...

-Cuidado!
Um grito rouco sai da boca da multidão.Um gemido lento e doloroso parte de dentro de mim.
Eu sei que um tiro seco e covarde vai apagar meu sonho, a vontade de ser livre e o meu desejo de ser feliz.Me vejo caindo em um abismo.Não existe retorno.Vejo pouco o presente, mas meu passado posso ver tão claro... É tudo tão nítido.Meu sorriso de infância, minhas lágrimas.Tudo agora se confunde, o real e o sonho.
Alguém se aproxima de mim.Sinto tocarem meu corpo, mais pessoas vão se juntando.Todos querem ver meu rosto, não posso mais me esconder.Meu sangue ainda está quente.Eles podem observar...
Os “homens” se calaram, não parecem mais tão fortes assim, estão doentes.Acreditam que podem pensar e agir por mim e por todos.Na verdade, eles não sabem pensar.Eles são os donos do circo, domam outros homens, jogam com a verdade e fabricam assassinos.
Agora já posso sentir a dor da morte.E a dor da morte nem é tão forte assim, não tão forte quanto a dor da solidão deste viaduto que estou deitado. Me sentindo como um pano velho,estirado sobre qualquer coisa.
Parece que a cortina vai se fechar.Agora sei que sou uma pintura, gravado na tela da morte e já apagado pelas lágrimas deste tempo.
Já não posso mais gritar, sinto perder os sentidos, sei que estou morrendo...
Está tudo ficando claro, estou dizendo adeus a quem amo.Eu vou...

Tuesday, August 10, 2010

Meninas





Existem meninas bonitas, filhas das favelas
meninas sem glória
A história criando mulheres
mulheres mentindo pra história

Arma em punho
batom feito de sangue
Prontas pra deitar
e fazem do medo uma folia
É um velho filme conhecido
e se repete todo dia

Entrada sem direito à saída
só uma lei pra viver
Os infernos estão cheios
de meninas bonitas
que o mundo não esperou crescer

Este lugar é uma tela
que alguém jogou sangue
Tem histórias de arrepiar
uma obra-prima tão cruel
que o autor não quis assinar

São meninas bonitas
inventadas para amar
Enviam sussurros quentes pelo vento
Carregam um brilho estranho nos olhos
de quem já aprendeu a matar


Sunday, June 27, 2010

TURNÊ SELO POVO


Lançamento do Livro Cronista de Um Tempo Ruim de Ferréz na Livraria Suburbano Convicto.

Thursday, June 24, 2010

Carta na Garrafa



Lake Worth, Flórida, 14 de fevereiro de 1968.

Baby me perdoe, sei que não fui o que você pensou ou queria que fosse.
Nunca fui como um farol de estrelas que brilha somente para iluminar o teu caminho, nem como um dia de sol pra te aquecer, nem como uma lua cheia pra te trazer inspiração.
Tenho a certeza de que não fui o caminho certo que você pudesse seguir, porque fui uma estrada cheia de pedras, um caminho tortuoso, difícil de se caminhar.
Sei que não fui companhia para suas tardes de sonho e ternura.Sei também que não fui como a flor que você acaricia e encosta ao peito, porque muito de mim era só espinhos, ao menor descuido eu poderia te ferir.
Baby me perdoe, por achar que pra você fui apenas um caso, algumas noites de amor e mais nada.
Me desculpe baby,por não ter conseguido demonstrar o quanto te amo e isto te afastou mais e mais de mim.
Sei que nossas diferenças atrapalharam sim, fingimos não notar, mas no fundo dói demais saber que elas existem.Você tão jovem baby, não sei se deveria insistir, um amor tão complicado assim, talvez nem possa existir. É pena que exista e só eu perceba.
Baby, baby, tenho muito mais pra te dizer, é que o silêncio no meu quarto me amedronta e sinto tua falta no travesseiro ao lado do meu.Tenho passado noites em claro, também confesso que tenho chorado, rezando pra ter você pra mim.
Se puder perdoar minha fraqueza e quiser voltar, estarei aqui pronta pra recomeçar, e desta vez prometo, sem pedras nas mãos.Te espero com o coração cheio de certeza, certeza que nunca deixarei de te amar.
Vou colocar esta carta dentro daquela garrafa de vinho, do último que brindamos, talvez em um outro canto do mundo, um casal de namorados a encontre em uma praia deserta e descubra um dia que alguém amou alguém e teve medo, que não se arriscou pra viver um amor.Um amor imenso e verdadeiro.

Com amor.

Susan.


A garrafa foi localizada trinta anos depois na Prainha Branca em Bertioga São Paulo. Foi encontrada por um casal de namorados que acampava em uma bela noite de verão e lua cheia...

Se Teu Amor Foi Embora (Para Estela)

Se o teu amor foi embora e te deixou sozinha, sentada na cadeira de um bar, se foi pra nunca mais voltar...
E quando você chegar em casa e alguém te perguntar; porquê os olhos vermelhos, molhados de chorar? O que você vai dizer? Que errou?
O teu sapato de cristal se quebrou.O teu vestido com espartilho já não te serve mais.Até o espelho é teu inimigo e você não quer mais se olhar.
Quanto orgulho, quanta arrogância, achando que o mundo só deveria girar ao teu redor, e ficar olhando tudo de cima sem nunca se preocupar.
A lua há tempos não vem na tua janela te visitar.Até as flores no quintal, não te sorriem mais. E nunca mais você dormiu legal.
Você sempre soube que o que se quer, se tem. Mas nem todo dia é só o doce e nem todo dia é só o sal...
O filho que seria teu, ainda hoje é. Morreu pelo teu sonho de ser linda, perfeita e genial.
O tempo vai te fazer bem, porque a vida te fez mal.
Por você, teu amor foi embora. Pra nunca mais voltar...
Mas todo tempo é tempo de viver.Pra se restaurar, se corrigir, começar e recomeçar.

Tuesday, June 22, 2010

Quem Pensa é Quem Mais Sofre



É GOOOL!

A seleção brasileira vai entrar em campo. Fábricas interrompem a produção, o comércio fecha as portas mais cedo, pessoas se apressam pra se prostrar em frente a tv.
Não sei quantas horas de programação diária, mas sei que é um longo tempo, só se ouve e vê copa do mundo.
Trinta e duas seleções representam trinta e dois mundos diferentes.Em um país como o Brasil, com um déficit educacional monstruoso, seria uma ótima oportunidade para os meios de comunicação usarem toda estrutura que dispõem para mostrar tantas culturas diferentes, mostrando como vivem, como pensam pessoas de todos os continentes.
Não é isso que acontece, intervalo entre as partidas e lá vem propaganda da cerveja, da rede de fast food, do automóvel...
Fica fácil entender porque se gasta tanto em um evento grandioso, tudo é merchandising. Os jogadores são apenas garotos-propaganda, são poucos os que realmente estão ali por causa do jogo.No final o campeão não importa, importa somente o resultado financeiro, quanto sobrou nas mãos dos mafiosos do esporte.O povo que comprou a cerveja que o jogador mandou, que comprou a linguiça para o churrasco que outro jogador também mandou, ninguém está preocupado com sua frustração no final.
Daqui a quatro anos tem mais...

Friday, June 11, 2010

SELO POVO!

A Selo Povo tem a honra de noticiar que Marcos Teles é o novo autor da editora, ele será o próximo autor da coleção de livros, que já publicou Ferréz e agora lança Cernov.

O livro de Marcos Teles chama-se Sob o Céu Azul.
Segue o link:
http://selopovo.blogspot.com/2010/05/marcos-teles-novo-contratado-da-selo.html

Friday, March 26, 2010

INAUGURAÇÃO DA SEDE DA COOPERATIVA!!!!




DIA 24 DE ABRIL!!!
ENFIM,O SONHO SE TORNOU REALIDADE!!!

Cansados de esperar por oportunidades ou uma "generosa" abertura de portas, músicos da periferia de São Paulo criaram a COOPERMUSP - Cooperativa de Músicos de Periferia de São Paulo. Constituída em 2006 no Capão Redondo, zona sul da cidade.
Cansados de não receberem dignamente por seus trabalhos, muitos já sem esperança de verem suas obras reconhecidas ou registradas em álbuns, devidamente distribuídas pelo mercado, foi onde nasceu a idéia de se formar uma cooperativa de músicos, técnicos e produtores musicais.
Com a proposta de abrir as portas para profissionais da música desenvolverem seus trabalhos de forma sustentável.
A COOPERMUSP disponibilizará a seus cooperados recursos como; estúdios de gravação e ensaios, auditório para palestras, workshop´s,exibição de filmes,apresentações de dança,teatro e principalmente cursos profissionalizantes gratuitos na formação de músicos,técnicos,produtores,iluminadores,cenógrafos e etc.
A COOPERMUSP também planejou estratégias alternativas de marketing, divulgação e distribuição de tudo o que for produzido pelos cooperados.Além de uma rádio com transmissão via Internet e uma produtora de vídeo
A COOPERMUSP também criou uma forma de incluir a comunidade local e adjacente dentro de seu projeto de responsabilidade social.Onde idosos, jovens, egressos do sistema penal e moradores de rua serão incluídos no mercado de trabalho.
Cooperativa de Músicos de Periferia -São Paulo
Rua John Adams-50 Cep. 05882-020 –Fone;11 5812 4824
Capão Redondo - São Paulo - S. P.
E-mail: coopermusp@hotmail.com

Thursday, March 25, 2010

INAUGURAÇÃO DE NOSSSA SEDE!!!

É COM MUITA ALEGRIA QUE CONVIDAMOS TODOS OS PARCEIROS E AMIGOS PARA A INAUGURAÇÃO DE NOSSO PRÉDIO SEDE.
O EVENTO SERÁ NO DIA 24 DE ABRIL.

INAUGURAÇÃO DE NOSSSA SEDE!!!

Friday, January 22, 2010

Aos Visionários


Aos Visionários

Há sempre um tempo em que não se pode sonhar.Há sempre um tempo em que é proibido sorrir.
Há sempre um tempo em que cantar é perigoso,porque há sempre um tempo de truculência e os braços armados do mal, sufocam os gritos das multidões e calam os poetas.

Mas há sempre um tempo que surgem visionários, de almas rebeldes e corações selvagens.Com fúria contida e coragem martírica
Visionários que sempre traçam os mapas. Mapas de novos caminhos e de novas esperanças

E enfim, chega um tempo em que a bandeira da pátria não mais nos intimida.Tremulando ao sabor do vento.Estampada nas capas dos cadernos,nas camisetas e nos biquínis,nos promete novos tempos de paz,justiça e liberdade.

Wednesday, September 30, 2009

FESTA DA COOPERATIVA!


DOMINGO DIA 04 DE OUTUBRO
COOPERMUSP APRESENTA
NO GALPÃO NIGHT
SHOW´S COM :
ALVORADA
BANDA TECORA
OS GUERREIRO´Z
SONEN
PERIFERIA PONTO C
BDR
SÔNIA PEREIRA
SOM D´ZION
NA COMPRA DO INGRESSO VOCE CONCORRE A UMA
MOTO HONDA FAN 125 OKM.
VALOR DO INGRESSO 10 REAIS PREÇO ÚNICO
LOCAL : GALPÃO NIGHT CLUB
ESTRADA DE ITAPECIRICA
PRÓXIMO AO SUPERMERCADO LOPES
INFORMAÇÕES LGUE : 5812-4824

Wednesday, September 16, 2009

Minha Primeira Vez




Muitas coisas na vida a gente aprende com a família.Outras com os amigos e muitas outras tantas aprendemos com nossos professores.
Quando criança,antes mesmo de entrar para a escola, minha avó me ensinou a juntar as letras. O mais engraçado é que ela não era totalmente alfabetizada.Minha avó me mostrava figuras nos livros e simulava a leitura. Solenemente ela fingia entender os textos,eu acreditava...
Quando cheguei à quinta série, conheci Dona Wilma. Ela era uma mulher bonita,de cabelos claros.Usava grandes óculos e tinha ar aristocrático.Já conhecíamos sua fama de professora exigente,durona e para muitos,claro,chata.Muitos desses adjetivos eram verdadeiros, porém,havia um outro que eu descobriria tempos depois.
Dona Wilma era professora de Língua Portuguesa e tinha orgulho do que ensinava.
Minha história de cumplicidade com minha professora começou no dia em que ela nos apresentou um texto de Érico Veríssimo, intitulado O Gaúcho.Ela nos mandou ficar em silêncio e ordenou que lêssemos devagar.No outro dia nos mandou novamente ler o mesmo texto,mas desta vez em voz alta.E assim passaram-se alguns dias,até que ela nos separou em grupos e pediu para que cada grupo lesse um trecho do texto.
Como um maestro rege sua orquestra, ela ia nos guiando pela história contada por Érico.
Sem perceber estávamos dentro dos pampas,viajando no lombo dos cavalos.Tocando boiadas.Respirando o cheiro da chuva na terra molhada . Vestindo bombachas.Comendo suculentos churrascos e sorvendo o chimarrão quente.
Ela nos fazia respirar nas vírgulas e respeitar os pontos finais.No começo, escorregávamos nas estrofes,nos atropelávamos nos hifens,mas sempre encontrávamos novamente o caminho nas reticências...
Quando percebi, estávamos interpretando e sentindo através daquela leitura, o poder que também tem a palavra escrita.
Finalmente ela achou que estávamos prontos para enfrentar novos desafios.E estávamos...
Surpreendentemente numa tarde,já quase no final da aula, ela saiu da sala e pouco tempo depois voltou com a diretora da escola,Dona Nadir.Dona Wilma pediu que ficássemos de pé e que lêssemos para nossa diretora.
E nós lemos...
O silêncio da sala foi quebrado com o ritmo surdo de cada palavra que saía de nossas bocas infantis. Com cada respiração, às vezes lenta ,às vezes mais acelerada, à maneira que sentíamos cada emoção que era expressa no texto.
Dona Nadir,de olhos fechados segurava as mãos de nossa professora, como se estivesse voando sob os pampas gaúchos e com medo de perder para sempre aquele momento.
Quando terminamos a leitura,fez-se novo e demorado silêncio.Dona Nadir abriu os olhos e víamos que não escondia algumas lágrimas.Me lembro perfeitamente do ela disse à nossa professora.Ela disse que aquele era o maior troféu para quem ensina.

Sou um apaixonado pela arte e devo isso à Dona Wilma. Muito do que me tornei, devo a tudo que ela me ensinou.E a agradeço pela insistência,pela paciência que teve com cada um de nós.E temos certeza que ela deixou marcas indeléveis no caráter de quem teve o privilégio de ter sido seu aluno.

Dona Wilma Alvarenga de Oliveira faleceu em um acidente de automóvel no dia 10 de outubro de 1986, na Via Dutra.
Hoje em dia,quando passo em frente a escola que leva o seu nome,faço sempre uma reverência.

Dona Wilma era verdadeiramente uma grande artista e dominou como poucos a arte de ensinar.

Friday, July 24, 2009

Wednesday, June 10, 2009

Aos Amigos,Muito Obrigado!

Imagem:Internet

Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.
Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.

Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...

Wednesday, May 13, 2009

Tecora Base - Cinque

Quando os europeus aportaram na costa africana
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber

Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga

Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar

Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.

Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte

Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo

Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.

Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.

Saturday, April 04, 2009

MANIFESTO REVOLUCIONÁRIO

Manifesto Revolucionário

O mundo precisa de uma revolução.Sem batalhas e sem sangue.Não uma revolução qualquer.Não uma revolução com ricos comprando todo o poder, nem com pequenos tiranos dando golpes de estado e transformando povos e nações em zumbis.
Precisamos de uma revolução verdadeira,que nasça do coração de cada homem,mulher e criança da terra.
É preciso uma revolução de gentileza,de boa vontade,de bondade e respeito.
Precisamos cuidar dos pobres da terra.Precisamos tratar as doenças e elas são tantas.Doenças que nascem da desilusão,da solidão,da ignorância,do vício e da inveja.
Sonhamos mudar o mundo a maneira de cada um de nós,mas é impossível, só podemos começar a mudar o mundo da sala de nossas casas,cuidando de nossas fraquezas e de nossas indiferenças.
Precisamos aprender a respeitar a infância e a velhice.Precisamos parar de envenenar nosso alimento e nossa bebida.
Precisamos aprender a respeitar os diferentes de nós.Todos temos milhões de defeitos,mas temos que aprender a buscar o que há de melhor em cada um.
Precisamos parar de correr sem rumo.Corremos sem sentido algum.Comemos depressa demais.Trabalhamos depressa demais.Amamos depressa demais.Nossa vida está perdendo o sentido.
Precisamos parar um pouco para contemplar o infinito e ver o brilho mágico das estrelas.
Precisamos lembrar que temos pedido demais e oferecido muito pouco.Estamos muito preocupados em juntar coisas e entupimos nossas vidas e nossas casas com bugigangas que nunca vamos usar.
Precisamos perder um pouco a vergonha.Perder a vergonha de dar bom dia,boa tarde e boa noite.Precisamos perder a vergonha de dizer muito obrigado,por favor, com licença.Precisamos perder a vergonha de sorrir,perder a vergonha de dizer eu te amo.
Os ricos da terra precisam olhar para a África e a América Latina.Precisam parar de ver esses povos apenas como mercado futuro.
Precisamos ajudar na educação,ensinar a ler e escrever.Precisamos ler mais poesias.Precisamos ouvir mais músicas.Precisamos nos emocionar mais.É preciso um pouco de lágrimas de satisfação.Porque já choramos demais nossas derrotas de todo dia.
Precisamos parar de escravizar os trabalhadores.Porque quando se escraviza um homem, rouba-se dele o que ele tem de mais sagrado,seu suor e seus sonhos.
Precisamos abandonar nossa inveja,achar que o que é do outro é sempre melhor do que o que é nosso.
Precisamos de uma grande revolução.Precisamos fazer deste mundo um lugar razoável,um lugar onde um homem possa cuidar do outro sem medo,sem ódio e sem preconceito.

O mundo precisa de uma revolução.Uma revolução em busca de felicidade.E isto é possível,sim!


Banda Tecora – Capão – Brasil
São Paulo,Abril de 2009

Monday, March 23, 2009

Em Quatro Dias - Álbum de fotografias em branco



11/01/2003

“A vida nas drogas é um álbum de fotografias em branco”.
“Não vejo nada, não respeito sentimentos, me faz pensar que todos a minha volta são meus inimigos. Me faz acreditar que meus amigos são aqueles que estão juntos na hora da “doideira” e que meu único e verdadeiro amigo é o cara que está ali pra me vender a droga”.

“ATOS E REAÇÕES, ANTES E DEPOIS”

“Quando quero usar um “barato” e tenho dinheiro, fico nervoso, impaciente, arranjo sempre uma desculpa pra me livrar de quem está a minha volta de qualquer jeito, sem tomar conhecimento do que pode acontecer ou sem consciência de que estou magoando alguém, machucando os sentimentos de quem me ama.
Na hora em que estou “good”, tenho certeza que não tenho medo de nada, me acho o melhor, o inatingível, minha coragem é infinita para fazer qualquer coisa, seja o que for, sem me preocupar com as consequências de onde isso pode me levar, se posso ou não prejudicar outras pessoas.Quando estou “muito louco”, não tenho medo de nada nem de ninguém”.

“USO PRA FUGIR DOS PROBLEMAS”


“Quero parar de usar, mas o problema é que sinto falta da “adrenalina” e não tenho como explicar.
Quando estou sóbrio me sinto com medo de tudo e de todos, o meu relógio biológico fica mais agitado, é difícil me controlar.
Sei que cada um “doente” tem um tipo de reação, uns ficam mais violentos, outros são meigos e outros “vegetam”, não sei se vão me entender, mas acho que tudo está estampado nos jornais ou nas tv´s, como o caso da menina que matou os pais.
Tem pessoas que fazem loucuras por dinheiro, pela droga.
Vou dormir agora, está me dando sono, amanhã continuo”...

12/01/2003

“EM BUSCA DE AJUDA”

“A presença da família e das pessoas que estão sempre prontas a me socorrer, me ajudam a suportar um pouco as fases difíceis da falta.
O grande problema é quando tenho algum dinheiro, aí fica quase impossível me controlar, por que sei onde encontrar o que procuro, as coisas novamente fogem do meu controle e me desespero.
Mas com muito esforço consigo sossegar e aos poucos vai ficando tudo calmo, não é fácil, mas vou me acostumando com a falta da sensação que a droga me proporciona”.

“COMO ME SINTO”

“Neste instante estou calmo, não sinto a falta, mas também não sei explicar.
Quando vem a paranoia da abstinência (não sei como ela surge), vem mais forte, como um furacão. De repente, vem uma força, talvez do além, algo muito maior que eu e me ajuda a suportar a dor na alma. Mas junto também vem um medo absurdo, me sinto fragilizado, inseguro, me sinto doente. Não me permito ficar perto de ninguém, tenho vergonha de minha fraqueza, sei que todos observam minha aflição”.

“OS OLHOS DOS OUTROS”

“Não sei, mas sinto que todos me olham diferente, me olham com medo, com desconfiança, e tudo isso dói muito, dói fundo, machuca e deixa feridas como um corte de navalha. É tudo sem explicação...”

13/01/2003

“QUANDO ESTOU SOZINHO”



“Quando fico sozinho em casa recomeça a crise, ela vem sempre mais forte, avassaladora, parece incontrolável, angustiante e sinto como se todas as pessoas que vão chegando em minha casa quisessem me fazer mal, penso que elas só vieram me condenar, me agredir e sinto que não tenho ninguém pra me proteger, fico aflito, esperando um socorro qualquer pra me livrar dessa doença, desse mal sem cura”.

“A AFLIÇÃO”

“Queria explicar como é essa aflição. Só sei que me sinto frágil, sensível, qualquer coisa ou pessoa me deixa assustado, me desespero por não saber como agir”.

“DE ONDE VEM O MEDO”

“O medo surge do nada, como um vento forte, uma tempestade. Vem sem avisar, de repente”.
Mas primeiro vem a “fissura” pra se usar a droga, mas não está tão difícil mais suportar, mas o medo não dá para controlar, fica quase impossível ver alguém ou mesmo conversar com pessoas as quais não tenho certa afinidade.
Vou segurando a onda pra tentar superar mais esta crise de hoje, neste momento estou em crise, com muito medo, agora é meio-dia, essa é a pior hora ,mas estou conseguindo suportar, não tenho dinheiro aqui comigo, isso é ruim e bom ao mesmo tempo, porque se tivesse dinheiro seria mais difícil me controlar e fugiria sem ninguém perceber.

“COMO EXPLICAR A CRISE”

“A vontade de me drogar, vem e vai.
Vem fraquinha e vai ficando cada vez mais forte, às vezes passa rápido, quando passa por um longo tempo, volta bem forte, mas me sinto seguro quando estou com meu pai e minha mãe ao meu lado, me sinto protegido.Mas mesmo assim, ainda me dá agonia”.

14/01/2003

“Mais um dia de luta, mais um dia de vitória”.


“A LUTA PRA VENCER A ABSTINÊNCIA”

“Essa é uma luta sem vencedores e sem derrotados.
Porquê? Quando sinto a falta da droga, fico procurando coisas no chão, penso que o remédio pode ser qualquer coisa pra me deixar “legal”. Por um instante, deixo me levar pelo impulso, procurando desesperadamente pela droga, mas logo passa e penso até que ponto chega a “noia”.
Esta doença é sem controle, me deixa sem horizonte.
Mas estou vencendo dia após dia, hoje estou me sentindo mais forte e tenho certeza que vou conseguir me curar”.

Ângelo Endo

São Paulo, janeiro de 2003.






O que você acabou de ler é um relato na primeira pessoa, um pedaço de um diário de um jovem como tantos na sua luta contra o vício.O diário de Ângelo Endo, nascido em São Paulo em janeiro de 1976.
Seu vício começou na época em que fazia o ensino médio, começou dando uns “pegas” num “baseado”, depois foi experimentar drogas mais fortes e por fim viciou-se no crack.
O vício o fez enveredar pelo mundo do crime, se envolveu em estelionatos, roubos e assaltos, era o famoso ”piloto de fuga”.
Chegou a ser baleado numa dessas fugas.
Sua família se empenhou ao máximo para recuperá-lo, quando ele escreveu esse pequeno diário estava encarando a realidade e decidiu se curar. Estava em tratamento, tomando remédios para controlar a abstinência e pediu para ser internado numa clínica de recuperação.
Como sua internação já estava acertada, pediu a seu pai para que o levasse até a casa de praia. Ângelo queria ver o mar. Seu pai assim o fez.
Chegando lá, seu pai o mantinha sob vigilância dia e noite, sabia que se o deixasse sair Ângelo iria ao encontro das drogas. Na praia o acesso é mais fácil.
Numa noite, seu pai,já exausto, adormeceu, Ângelo pegou a chave do carro que seu pai escondera embaixo do travesseiro e saiu.
Seu pai acordou e percebeu que Ângelo não estava em casa, saiu desesperado para encontrar o filho, foi em vão...

Avisou os familiares e acionou a polícia, alugou até um barco para procurá-lo no mar e nos canais, depois de longo tempo só encontraram o carro queimado, sem nada ter sido levado. O desespero cresceu e se tornou agonia.
Sem esperanças de encontrar o filho o pai de Ângelo retornou para São Paulo, mas logo recebeu um telefonema, eram os policiais informando que encontraram um corpo e que ele retornasse.
Assim foi feito, com o coração na mão, torcendo para que o corpo encontrado não fosse o do seu filho.
No coração de um pai, sempre sobra uma esperança.
O corpo encontrado era o de Ângelo. Num canal, amordaçado, com os pés e as mãos amarradas, preso por galhos, nem um bala foi gasta para matá-lo, foi torturado e e morto com pancadas na cabeça.
Ângelo Endo foi assassinado em fevereiro de 2003 em Peruíbe, litoral de São Paulo.
Na sua luta pra se livrar da doença, queria ver o mar.

A vida nas drogas é sim, um álbum de fotografias em branco.



Cássia Lara e Marcos Teles

Thursday, February 12, 2009

OS SINOS DA REDENÇÃO

Cansamos de viver refugiados em nosso país
Cansamos de ser apenas pontos nos mapas dos partidos políticos
Nós não saímos em colunas sociais
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos

Nós somos um povo que ainda canta
Que se emociona e se espanta
E se espanta com o esquecimento e a humilhação
Nós levantamos antes do sol
Já perdemos muito tempo sonhando

Queremos derrubar o muro social
Exigimos nossa parte do pão
Não somos coitados nem indigentes
Exigimos respeito e o direito de sermos cidadãos

Cansamos das promessas
Cansamos da televisão
Que mostra apenas modelos magrelas
Bundas e playboys baby Johnson
Cansamos da propaganda venenosa
E das novelas que mostram um outro planeta

Queremos outra realidade
Queremos mais responsabilidade
Não queremos esmolas, a sobra da festa
Não precisamos das mansões e dos carrões
Nós exigimos respeito, exigimos educação

Somos o outro lado esquecido da história
Somos mestiços, negros e amarelos
Não pensem que carregamos o mal do mundo nas costas
Porque nosso orgulho é tudo que nos resta

Cansamos de andar de cabeça baixa
Cansamos de apanhar calados
Cansamos dos seus discursos inflamados
É que nós somos da periferia
Dos novos campos de concentração
Tenha certeza com nossa voz
Ainda faremos soar os sinos da redenção.

Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos

Sunday, January 04, 2009

A Vida é Sempre Um Filme Sem Final Feliz



 Imagem: Internet
 
Viver é uma grande aposta.Não escolhemos o lugar onde nascemos nem a família que temos.Sabemos apenas que vivemos em um filme.Com mocinhos e bandidos.Um longo filme com dramas e comédias.Às vezes com efeitos especiais,mas cada um de nós com sua história particular.
Nem sempre é fácil viver uma boa história,são tantos fatores em contrário.Um pouco de solidão,um pouco de ódio,uma imensidão de paixões, toneladas de egoísmo e tantos outros sentimentos reunidos em nossos corpos tão pequenos e frágeis.
Nós humanos temos a incrível capacidade de fazer o próximo sofrer.Passamos a vida pregando falsas ideias,acreditando em coisas sem lógica alguma.Passamos a vida inteira buscando esperança para algo que sabemos bem onde vai dar.
Queremos tudo e sabemos que nada é pra sempre.Como o filme que tem tempo para acabar.Desejamos que nossa história seja sempre um longa - metragem.E isso nos faz mesquinhos,perversos e sanguinários.Podemos envenenar as boas amizades no começo do filme.No fim,podemos jogar crianças de janelas,atirar em homens e mulheres com bebês no colo.Temos a incrível capacidade de chorar nossos mortos e não nos incomodar com os mortos dos outros.
Não adianta pedir paz ou compreensão,estamos todos  preocupados em ganhar o próximo “Oscar” com nosso filme particular.
Corremos,corremos e o final já conhecemos bem,ninguém viverá feliz para sempre.

Monday, December 22, 2008

OS SINOS DA REDENÇÃO

OS SINOS DA REDENÇÃO

CANSAMOS DE VIVER REFUGIADOS EM NOSSO PAÍS
CANSAMOS DE SER APENAS PONTOS NOS MAPAS DOS PARTIDOS POLÍTICOS
NÓS NÃO SAÍMOS EM COLUNAS SOCIAIS
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARA DE BANDIDOS

NÓS SOMOS UM POVO QUE AINDA CANTA
QUE SE EMOCIONA E SE ESPANTA
E SE ESPANTA COM O ESQUECIMENTO E A HUMILHAÇÃO
NÓS LEVANTAMOS ANTES DO SOL
JÁ PERDEMOS MUITO TEMPO SONHANDO

QUEREMOS DERRUBAR O MURO SOCIAL
EXIGIMOS NOSSA PARTE DO PÃO
NÃO SOMOS COITADOS NEM INDIGENTES
EXIGIMOS RESPEITO E O DIREITO DE SERMOS CIDADÃOS

CANSAMOS DAS PROMESSAS
CANSAMOS DA TELEVISÃO
QUE MOSTRA APENAS MODELOS MAGRELAS
BUNDAS E PLAYBOYS BABY JOHNSON
CANSAMOS DA PROPAGANDA VENENOSA
E DAS NOVELAS QUE MOSTRAM UM OUTRO PLANETA

QUEREMOS OUTRA REALIDADE
QUEREMOS MAIS RESPONSABILIDADE
NÃO QUEREMOS ESMOLAS, A SOBRA DA FESTA
NÃO PRECISAMOS DAS MANSÕES E DOS CARRÕES
NÓS EXIGIMOS RESPEITO, EXIGIMOS EDUCAÇÃO

SOMOS O OUTRO LADO ESQUECIDO DA HISTÓRIA
SOMOS MESTIÇOS, NEGROS E AMARELOS
NÃO PENSEM QUE CARREGAMOS O MAL DO MUNDO NAS COSTAS
PORQUE NOSSO ORGULHO É TUDO QUE NOS RESTA

CANSAMOS DE ANDAR DE CABEÇA BAIXA
CANSAMOS DE APANHAR CALADOS
CANSAMOS DOS SEUS DISCURSOS INFLAMADOS
É QUE NÓS SOMOS DA PERIFERIA
DOS NOVOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
TENHA CERTEZA COM NOSSA VOZ
AINDA FAREMOS SOAR OS SINOS DA REDENÇÃO.

NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARAS DE BANDIDOS

Thursday, December 18, 2008

Estação Rodoviária

Estação Rodoviária


Foto:Estadão

Estação rodoviária,noite...
Um grande vazio em meio a tantas pessoas iguais. 
São longas horas de espera.
O ônibus que não encosta.
Um estranho que encosta,o amigo que não veio.
Um amor que partiu.
O moço que chorou.
A menina que sorriu.
Como é longe o Rio...
Por trás de tantos rostos a mesma saudade doída.
A curiosidade...Ver o mundo desabrochar nas estradas.
A lágrima escondida...
Depois da espera,um longo beijo.
Uma angústia.
A mesma solidão.
Um adeus.
Um abraço... 

Tuesday, December 16, 2008

LULA X CONFÚCIO !


Foto:Internet.
Houve uma guerra nuclear e o mundo acabou.São Pedro ficou louco com tanta gente para alojar no céu.Teve uma ideia.Resolveu colocar placas elucidativas para localizar mais facilmente os novos moradores.Ele dividiu as placas em:
Burros.
Muito burros.
Inteligentes.
Sábios.
Com a confusão reinante,São Pedro colocou Lula,um dos muito mortos, na área dos sábios. Tempos depois correu até lá para desfazer o engano.Quando chegou viu o tamanho do problema.Encontrou o sábio chinês Confúcio,sentado numa pedra,mais amarelo e esquálido do que nunca. Que nervoso dizia para Lula:
- Olha Lula,é a última vez que te digo -Encíclica não é uma bicicleta de uma roda só.Eucaristia não tem nada a ver com o custo de vida. Platão não é um prato grande.Annus Domminni não tem nada a ver com o cu do papa.Jesus não morreu de gonorreia e sim na Galileia.E antes que eu me esqueça,pafúncio é a puta que te pariu!!!

Tuesday, November 25, 2008

Vou Processar o bispo Edir Macedo



Vou processar Edir Macedo e a Igreja Universal por propaganda enganosa.
Assistindo a um programa da Record / Universal,vi pessoas chegando com carrões,dando depoimentos,afirmando que a Igreja do Bispo Macedo lhes deu tudo,carro,mansão,viagens,etc...
Claro,eu não sou tão bobo assim.Corri pra Igreja,fui na reunião dos 318 pastores.”Eles fazem milagres,fazem surgir dinheiro em sua vida.” Promete a propaganda.
Pois muito bem,fui em trinta reuniões,orei tanto e com tanta fé (como o bispo me ensinou), fiquei doente de tanto gritar, e ainda dei no desafio a Jesus o dinheiro que peguei emprestado com um agiota.Continuo devendo até hoje.
Mas estou preocupado.Até agora nada de milagre.Nem carro e nem mansão.E o pior,descobri que o Bispo Macedo é ateu.,vende Jesus sem culpa.
Acho que só o Procon pode resolver meu problema.Se a Igreja Universal é comércio,pode ser incluída como prestadora de serviço.Portanto, pode ser responsabilizada por serviços prometidos e não entregues.
Preciso de um advogado!

Estaremos lá!!!


Wednesday, October 15, 2008

DE VOLTA

Depois de tantos meses volto a postar no blog.Muitas coisas aconteceram,a vida tomou um outro rumo(esperado),nossos projetos estão acontecendo.
Logo mais conto as novidades.

Monday, September 17, 2007

Vivo em São Paulo


                                                 Cidade de São Paulo vista da Estação Espacial Internacional !Fonte Estadão)



Vivo em São Paulo

Eu vivo em São Paulo
e às vezes me revolto.
Às vezes também me exalto,
às vezes protesto
e às vezes me calo.
É que eu moro em São Paulo.

Assim é São Paulo,
um mundo com outro mundo dentro.
Eu sofro em São Paulo,
com um futuro que vai ficando distante.
Às vezes choro quando chove em São Paulo.

Eu vivo em São Paulo
e com as luzes da madrugada
sempre me encanto.
Com as fardas cinzentas e hostis
eu sempre me espanto.
Também tenho medo em São Paulo.

Eu morro em São Paulo,
com o ar envenenado,
morro com o descaso.
Morro em São Paulo,
com a ignorância e a indiferença,
com as fábricas de solidão e desespero.
Morro todo dia em São Paulo.

Aqui é São Paulo,
das moças nos paredões,
dos doentes nos calçadões,
das periferias avermelhadas.
Aqui é São Paulo, cidade menina,
sempre esperando o primeiro beijo.
Também amo em São Paulo.

Monday, September 10, 2007

Trecho Da Peça Sombras No Jardim



Joana Preta Por Ela Mesma

Eu me chamo Joana Preta. Nasci em Diamantina, Minas Gerais. Nos meus documentos não consta o nome do meu pai.Minha mãe era uma mulher muito pobre e sem instrução.Desde criança, trabalhou na lavoura, não conheceu uma letra sequer do alfabeto.
Quando eu e meus irmãos estávamos crescidos minha mãe foi trabalhar em uma pousada e me levava para ajudá-la. O salário era insignificante, trabalhávamos somente para garantir o que comer.
Nunca tive tempo para brincar.E também não gosto muito de lembrar da infância que nunca tive.
Quando tinha quinze anos, trabalhava praticamente sozinha na pousada. Minha mãe já estava sem forças, não aguentava mais o trabalho, passava quase o dia inteiro escondida do patrão com medo de ser despedida, eu fazia todo o serviço sozinha pra proteger minha mãe e nosso parco sustento.
Numa tarde ensolarada senti meu coração bater diferente e minha alma de mulher aflorar.Ele entrou porta adentro. Vestia uma camisa impecavelmente branca, chapéu e óculos escuros.Um homem lindo, perfumado, sorridente.Meu coração de menina quase saiu pela boca, ele me olhou e sorriu. Fiquei encantada, sem poder de reação, nunca ninguém havia olhado e sorrido daquela maneira pra mim.
Lembro que ele conversou com o patrão, pegou a chave de um quarto e se foi. Mais tarde voltou mais bonito ainda. Usando um terno cinza, sapatos brilhando e exalando um perfume ainda mais cheiroso.Perguntou alguma coisa ao meu patrão e saiu.

No outro dia cedo eu servia o café para os hóspedes quando ele se sentou à mesa. Me disse bom dia e eu quase derrubei o bule de café, respondi timidamente com um sorriso.Ele perguntou meu nome eu lhe disse. Mas ele não me disse o seu.

Ele me olhava o tempo inteiro e eu retribuía, não entendia o que estava sentindo, sabia que queria ficar olhando pra ele, sentir aquele perfume.Meu corpo arrepiava.

Chegou o dia em que ele iria embora, me senti triste, nunca trocamos mais do que aquelas palavras da primeira manhã na pousada. Me senti muito triste.
Minha mãe me chamou lá nos fundos da pousada e me disse que o moço bonito queria me levar pra São Paulo.Que ele disse à ela que eu seria uma rainha na capital, que eu tinha uma beleza incomum, que eu seria uma estrela de cinema.Perguntei para minha mãe por que ela queria que eu fosse embora com ele se não o conhecíamos. Minha mãe me confessou. O moço a procurara e lhe oferecera dinheiro para poder me levar dali, e que ela sabia que sofreria muito, mas precisava do dinheiro e também queria minha felicidade.

Foi difícil dizer adeus à minha mãe.No momento de ir embora, senti um misto de ódio, curiosidade e saudade.Abracei meus irmãos e parti.

No caminho pra São Paulo, Dionísio (esse era seu nome, mas gostava que o chamassem de Tarzan), foi brincando comigo, conversando e me fazendo confiar.
Eu já imaginava morar numa daquelas casas enormes que eu via nas revistas da patroa, com muitos empregados a minha disposição, já me via estampando capas de revista, tudo como Tarzan prometera à minha mãe...

Quando descemos na rodoviária eu vi e me encantei com o colorido da metrópole. O corre-corre alucinado das pessoas nas ruas, os carros apressados, as luzes, os anúncios no alto dos edifícios. Percebi que a vida por aqui não para. Também viria descobrir depois que esta cidade é um grande coração, mas até então não sabia o lugar que este coração havia me reservado.
A primeira decepção veio quando conheci o primeiro lugar em que fiquei na cidade. Um hotel vagabundo na avenida Senador Queiróz. O lugar era sujo, com homens bêbados, mulheres seminuas caminhando de um lado à outro carregando copos cheios de bebida. O cheiro de álcool, de perfume barato e a fumaça dos cigarros infestavam o ambiente. Os homens quando me viram entrar no saguão pareciam querer me devorar com os olhos e falavam coisas que eu não compreendia. Tarzan mandou todos ficarem quietos, dizendo que eu era sua mina de ouro, de Diamantina.
Quando entrei no quarto, só havia uma velha cama bem larga e uma mesa pequena com uma imagem de São Jorge em cima. Mal coloquei os pés no quarto, Tarzan me agarrou, me jogou na cama, me violentou. Não gritei, não chorei, senti uma dor profunda na alma e muito, muito nojo. Não imaginava que fosse começar sofrendo assim, porque não sabia que o pior ainda estava por vir.

Tarzan me deixou ali naquela espelunca por vários dias, depois foi me buscar e me levou pra morar em um cômodo na Baixada do Glicério.
Todos os dias, a toda hora, Tarzan trazia um sujeito diferente e eu era obrigada a me deitar e fazer tudo o que o sujeito quisesse, era obrigada a me prostituir. Proibida de reclamar, senão Tarzan me espancava sem piedade. Também não podia ir embora, não tinha dinheiro. Não conhecia ninguém além do bandido do Tarzan, além do mais também não conhecia a cidade. Estava no inferno.

Durante muito tempo continuei sofrendo a escravidão que me fora imposta por Tarzan. Fui me acostumando, me condicionando a fazer sexo várias vezes por dia.Logo aprendi a beber e a usar drogas pra tentar esquecer o que me acontecia. Só que quando os efeitos do álcool e das drogas passavam, eu caía em depressão, chorava muito e sonhava com o dia em que despertaria daquele pesadelo.

Mas conheci Dona Vera...Um anjo, um anjo da rua...

Em uma noite de inverno, fazia muito frio e caía uma fina garoa. Tarzan me obrigou fazer “ponto” na Rua dos Timbiras. Fiquei lá durante muitas horas e naquela noite ainda não havia conseguido um único cliente. O Tarzan não me deixava ir embora enquanto não conseguisse algum dinheiro.Eu estava drogada, doente e mal podia parar em pé. Não estava mais suportando o peso do meu próprio corpo, cairia ali mesmo, na calçada molhada. Foi quando senti duas mãos quentes e macias me amparando. A pessoa falou algo em meu ouvido, colocou um cobertor sobre meus ombros e afagou minha cabeça. Colocou um copo em minha boca e era café com leite bem quente. Então vi que era uma mulher. Aquela senhora perguntou meu nome e se eu precisava de ajuda, e com um gesto com a cabeça respondi que sim. E meus dias de sofrimento terminaram ali, como por encanto, como um milagre. Bem ali, na calçada da Rua dos Timbiras.
Dona Vera me levou a um lugar muito amplo onde já estavam muitas pessoas. Umas meninas me receberam, cuidaram de mim e a única coisa que me perguntaram era se eu queria realmente largar aquela vida.

Depois de tudo o que me aconteceu passei muitos anos sofrendo com minha dor e minha solidão.
Soube que Tarzan foi assassinado em um bar da Avenida Mercúrio. Teve uma morte violenta, levou três punhaladas no peito. Não sinto nem raiva nem pena de Tarzan, acho que ele encontrou o que procurou a vida inteira.

Hoje trabalho no Mappin na Praça Ramos, sou demonstradora de cosméticos da Helena Rubinstein. Divido um pequeno apartamento com minha amiga Carmen, uma chilena.Nosso apartamento é pequenininho, bem diferente daquilo que me fora prometido tantos anos atrás, mas é aqui que sou quase feliz.Tenho bonecas espalhadas por todo canto, bibelôs, fotos nas paredes e todo tipo de quinquilharias que encontro nas feiras da Praça da República.

Tempos atrás conheci um rapaz. Se chama Vanderlício, ele tem um nome bem estranho, mas é uma linda pessoa, acho que me apaixonei.
Nos conhecemos na loja, ele me perguntou se eu havia saído de algum cartaz do Cine Comodoro.Me encantei.Aceitei um convite pra passear e ele me falou de sua triste história também.

Nossa historia começou quando o convidei para ir ao meu apartamento.Preparei um lanche pra nós. Nos sentamos um de frente pro outro e ficamos muito tempo em silêncio.Acho que imaginando o quanto havíamos sofrido, cada um à sua maneira. Me procurei dentro dos olhos de Vander. E ele me fez mulher.

No final do ano vamos à Diamantina. Vou voltar depois de tantos anos. Sinceramente não sei o que encontrarei por lá. Só sei que quero de volta, por apenas um instante, viver mais uma vez, um pouco daquele tempo em que também sofri muito, mas era mais feliz.



Sunday, August 19, 2007

Festa





                                                                      Imagem internet


Tempo quente,vidas abertas.
Em cada rosto um sinal de festa.
Corações abertos.
Nos teus lábios um sorriso exposto.
As lágrimas deixe pra depois,pra depois da festa.
Ouça a música que toca.
Saiba que ela me toca.
Então vem,me sente ,me toca,porque agora quero ser tua festa.
Vem dançar,porque lua já tá indo embora.
Vem dançar...eu não vou deixar você  partir
sem beijar a tua boca, senhora.
Vem dançar...vem...


Séculos e Mentiras



Séculos e Mentiras

Ontem li Gilberto Freyre

Acordei com vontade de fazer uma revolução

Pensei em começar cortando as cabeças dos velhos "coronéis"

Esses malditos que mentem e que matam

Depois explodir o congresso nacional

E plantar ervas no lugar

Derrubar repartições do estado

Onde nada funciona direito

Mas o que me atrapalha é esse medo

Um medo de não sei o quê

E se eu falhar,o que vão dizer?

Mas se eu não fizer minha revolução e o povo como vai ficar?

Onde sempre ficou?

Povo no lixo,povo esquecido

Doente e humilhado

E aquela velhinha que passou a vida inteira colhendo café

Hoje bebe cachaça numa praça pra não congelar no frio do inverno

Povo é sem cultura,povo é sem educação

povo é sem remédio, porque a máfia desviou a grana pras mãos de algum senador

São séculos de mentiras

Séculos de humilhação

Histórias plantadas a chicote,ferro e fogo

Quero fazer uma revolução

Vou convocar os exércitos

Exércitos de famintos,loucos e flagelados

Vamos atacar pelo mar,confiscar os peixes

Aproveitar e afundar navios

Mas o que me atrapalha é o medo

Um medo de não sei o quê

Talvez o medo do meu sangue

Que corre em minhas veias como trem desgovernado

Sem maquinista e sem direção

Quero uma revolução com sangue,poesia e lágrimas

Com música ,dor e emoção

E tudo mais a que eu tiver direito

Quero enterrar os destroços das velhas ideologias

Abrir as portas de uma nova consciência

Deixar que floresça um sonho

Um sonho de justiça que nunca chegou a ser mais que semente

Hoje eu quero o poder!

Hoje eu quero o poder!

Hoje li Darcy Ribeiro continuo com vontade de fazer uma revolução...



Thursday, August 16, 2007

Salve Raffa!

Este pra quem não conhece é o Dj Raffa Santoro,novo parceiro da Banda Tecora.
O Raffa é um dos maiores produtores do Brasil e além disso, é um dos pioneiros do Rap Nacional.
Ele nos produziu em Junho no Ateliê Studios.Pra nós ,dias inesquecíveis,muita emoção.
SALVE RAFFA!

CANSADO DE ME ENGANAR

Acho que estamos todos cansados.
Os de "direita" cansaram da morbidez e complacência do presidente de "esquerda".Cansaram também os de "esquerda".Esperavam ainda mais cargos para poder continuar "aparelhando" o governo.Sei que eu cansei.Cansei da OAB,me perdoem mas acho que esta ordem é muito mais parecida com uma ordem secreta ( os pobres começaram a concluir curso de direito e lá vem a tal ordem dizer que as faculdades não são confiáveis).Cansei da OAB,falam demais e fazem de menos,aliás ,acho que não serve pra nada. Cansei dos sindicatos,a maioria dos sindicalistas deste país é picareta,os sindicalistas no Brasil não gostam de progresso,não lutam por melhores condições de trabalho,salários ,etc,fazem política,descaradamente.Todo sindicalista é candidato á alguma coisa e acaba envolvido em "esquemas" de corrupção.Estou mentindo?Vou mostrar um pouco do trabalho do sindicato(não me lembro o nome)dos trabalhadores na saúde.O hospital do Campo Limpo em São Paulo é covardemente sabotado pelo sindicato,funcionários não comparecem ao trabalho,organizam verdadeiros motins e fazem questão de não atender a população. E sei que fazem isto em todas as áreas públicas.Sabem por quê? O governo da cidade de são Paulo está nas mãos dos Democratas(outra coisa que cansei).E sei que isto acontece no país inteiro.Sindicato no Brasil hoje em dia não serve pra nada, a não ser como escola pra formarção de bandido.Cansei da corrupção,aliás,todos sabemos onde começa.Cansei da polícia civil(onde a corrupção também começa).A polícia civil coloca nas ruas todos os dias dezenas( uma média por baixo) de assasinos em potencial nas ruas.Sabem como?Vendendo cartas de habilitação.Há quantos anos todos sabemos disso?A polícia civil controla os detrans e ciretrans(só pra lembrar).Me cansei de tantas coisas...E nem precisei falar de políticos(desses todos estão cansados).Me cansei da mídia descarada,dos intectuais imbecis,cansei do politicamente correto.Cansei dos jornalistas bundas-moles,cansei dos puxa-sacos de plantão,etc.Peço licença pra terminar este texto com um trecho da letra de uma música da minha banda(Tecora).Eu não quero mais beber deste vinhopois já não dá mais pra aguentaragora vou seguir o meu caminhoestou cansado de me enganaroutra estrada eu vejoe nela eu vou caminhar.estou cansado de me enganarEstou cansado de me enganar.
Cansei.

Friday, June 29, 2007

"Deus" Abençoe a Guilhotina




Somos um povo, é fato e precisamos nos afirmar como nação. Mas estamos muito distante disto, a começar pelo básico, nosso sistema educacional é vergonhoso, o estado brasileiro não reconhece o professor como parte fundamental na formação do que poderíamos chamar de sociedade. Por outro lado muitos professores não respeitam aqueles à quem deveriam ensinar. E as crianças que vão às escolas em busca de conhecimento, encontram descaso, falta de atenção e outras coisas que é melhor nem citar.
A escola pública se transformou em polos de vendas de passaportes da alegria para Playcenters e Hopi Haris da vida.Diretoras e coordenadoras não se preocupam mais em levar seus alunos à museus ou teatros, preferem fazer passeios "extracurriculares" à centros de diversão, onde meninos e meninas podem "paquerar". E tem interesse financeiro, é claro.
Acredito piamente que a educação não interessa e nunca interessou aos dirigentes desta "coisa" que chamamos país.Os militares durante a ditadura só se preocupavam em formar soldados, impondo um sistema educacional de quartel.
Alardeamos aos quatro cantos que a cultura brasileira é espetacular, é rica.E o pior é que às vezes acreditamos nessas mentiras.Não, nossa cultura é pobre, não temos uma formação cultural, não temos histórias verdadeiras pra contar, nosso passado ainda é desconhecido, não sabemos como fomos formados, os livros "oficiais" sempre nos negaram o passado verdadeiro. O investimento em cultura é o menor de todos os investimentos, o governo prefere investir em comunicação de massa, imbecilizando os telespectadores ignorantes.
Agora me pego ouvindo que querem eleger o cristo redentor como maravilha do mundo, bobagem, mais uma vez é o Brasil querendo se afirmar como grande coisa. Querer supor que uma imagem grotesca de cimento seja declarada maravilha da humanidade, só pode ser coisa de publicitário querendo vender sabão em pó.Não que no Brasil não tenha maravilhas, é óbvio que tem, mas daí a chamar uma imagem feia, insignificante de maravilha, é preciso desconfiar.
Queremos nos afirmar como nação democrática, é uma piada de mau gosto, gostaria que me mostrassem onde está a democracia no Brasil, ainda não encontrei. Na constituição está escrito que todos somos iguais. Mas esqueceram de avisar aos juízes, delegados, policiais, políticos.O Brasil é e sempre foi um país de meia dúzia de pessoas, eles continuam aí, ditando os rumos desta "coisa", fazendo o que bem entendem.
Não sou Marxista, mas hoje entendo as posições tomadas pelas Farc, e acredito que só vamos consertar este país com muito sangue, mas não com o sangue do povo, sangue de homens desonestos como José Sarney, Lula e sua corja, Paulo Maluf, Orestes Quércia, Renan Calheiros (que vem roubando antes da era Collor), Antonio Carlos Magalhães, e outros tantos que conhecemos.
Não confio na democracia brasileira, por que não confio na justiça brasileira, sem justiça imparcial não há democracia.

Acho que deveríamos solicitar tribunais internacionais para julgar estes criminosos, porque aqui jamais serão punidos pelos crimes praticados contra o povo.Ou então já está na hora de usarmos as velhas guilhotinas em praças públicas.Vamos guilhotinar um corrupto por dia e mostrar para nossos jovens que podemos fazer desta "coisa" uma nação.
Por enquanto vamos nos enganando,fingindo que o povo acredita no Brasil e que o Brasil acredita no povo. E pedindo pra que Deus abençoe a guilhotina!

Wednesday, June 13, 2007

Quando Voltar a Sorrir



Ontem reencontrei João. Há quantos anos não nos víamos. João, amigo de confidências, de muitas noitadas e muitos copos. Mas João é hoje um homem triste. Raspou a cabeça, mudou as roupas e o jeito de falar. Me contou suas tristezas, do mundo que construiu e hoje não é mais dono.

Reencontrei João. Fiquei feliz, mas fiquei triste também, fiquei triste com a tristeza de João. João agora é um homem triste pelas coisas que conseguiu e hoje não é mais dono.

Ele era feliz quando se casou, feliz quando os filhos nasceram e cresceram. Casou, mas se separou. João agora é um homem triste, por tudo que ganhou e hoje não é mais dono.

Comprou casa na praia, na cidade e no campo, comprou carro conversível, viajou o mundo todo, mas João agora é um homem triste, por tudo que pagou e hoje não é mais dono.

Até ontem vagava por aí, sem pressa, sem dinheiro e sem destino. Falou-me da sua dor na alma, da solidão e das estrelas, as estrelas que não lhe apontam mais um caminho. João é hoje um homem triste, com medo e sozinho.

Antigamente, João e eu, éramos comandantes de naus urbanas, nas loucas viagens de ônibus por toda a cidade, da zona sul à zona norte, à procura dos “bailes -sem- fim”, na companhia de mulheres de bocas vermelhas. Mas João é hoje um homem triste, calado e tímido.

João me disse que fez um juramento de nunca mais sorrir, que sua tristeza é infinita e que a vida lhe enganou. Mas apesar de ser hoje um homem triste, João não odeia e nem guarda rancor.

Ontem percebi que João não é o único, às vezes também me pego assim, com a alma cheia de dor, às vezes também fico vagando por aí, sem pressa, sem dinheiro e sem destino, mas ainda não calculei o quanto perdi.

Tenho certeza que sou como João, também tenho a cabeça raspada. Há tempos mudei as roupas e meu jeito de falar, é que também sou um homem triste, por tudo que não consegui conquistar.

Assim como João, ainda olhos as estrelas, procurando um caminho que me leve de volta aos tempos das naus urbanas, às mulheres de bocas vermelhas e aos" bailes-sem-fim". Ainda olho as estrelas, mas tenho certeza que é só pela beleza, pelo brilho, por que hoje também sou como João, um homem triste, calado e sozinho.

Eu sei que vai parecer hipocrisia, mas é que tudo muda tão depressa, quem sabe essa tristeza um dia abrande, um amor talvez não acabe, a dor não doa tanto, o amigo não tenha novamente que partir, talvez tudo melhore, quem sabe, quando um triste João, assim, feito eu e você, puder voltar a sorrir.

Wednesday, January 10, 2007

Sombras no Jardim

Trecho da peça Sombras no Jardim

                                                          Foto: Ana Paula Silva.(retirada a internet)

Recebi uma carta de uma velha amiga me contando sobre seus dias no asilo em que mora.
Me conta que às vezes ri,confessa que às vezes chora.
Diz que sente saudades dos tempos idos, mas que não se arrepende dos amores vividos.
Revela sem pudor sua carência de carne, que ainda sonha com homens viris.
Que tem pena dos parentes que se sentem obrigados à visitá-la de vez em nunca...
Reclama que todos os seus ossos doem, porém, descobriu que sempre foi masoquista.
Fala das plantas do lugar em que vive, das palmeiras, das primaveras, que lhe fazem lembrar de uma velha mangueira no quintal de sua infância, que nas tardes de sol fazia sombras no jardim.
Afirma amar a solidão, companheira nos campos de batalha, conselheira nas noites insones.
Me garante que todos somos sós,sempre fomos e que sempre seremos. Que seremos sempre como uma velha mangueira, fazendo sombras no jardim de nossa infância...

Wednesday, November 29, 2006

Mulheres Ruivas


Mulher de cabelo vermelho.
Mulher com fogo nos cabelos.
Mulher com flor vermelha nos cabelos de fogo.
As ruivas!Ah! As ruivas!
Um velho bruxo disse pra ter cuidado com mulher que traz fogo nos cabelos.Ela tem o poder do encantamento.Encanta os bichos,encanta os homens e as águas e exerce poder sobre a lua.


Carta à Uma Jovem Cantora

Foto:Internet





Se o sol do inverno ainda não brilhou
Não brilhou por inteiro num rosto de menina
E a vida ainda não lhe pôde sorrir
É hora de dobrar a esquina...

Sua música está na rua
E solta a voz pro mundo
E o mundo para para ouvir
E só pra ouvir todos param
E até o dia para,eu paro...

Menina cantando pra gente muda
Menina cantando na cidade surda
Olhos curiosos,olhos tantos,de toda parte
E até olhos sem sorte,olhando pra arte...

Enfim, o sol do inverno já brilhou
Brilhou nos olhos de menina
Cantar,cantar, cada vez mais cantar
Fazer da sua voz,arte e sina
Os olhos curiosos atentos
Olhos curiosos de toda parte
Olhos curiosos de toda sorte
E até mesmo olhos sem sorte,olhando pra arte
Olhando pra Tati...

Thursday, October 19, 2006

Vou Matar o Lula



Vou matar o Lula porque ele mentiu.Vou matar o Lula porque ele traiu a todos de minha geração.

Vou matar o Lula, porque ele matou o ex-operário que fazia discursos inflamados e incendiava as multidões.

Vou matar o Lula,porque ele matou o homem que desafiou o poder,numa época em tudo era proibido.

Vou matar o Lula, porque acreditei na possibilidade de ver um país justo,como ele prometeu.

Vou matar o Lula pelas discussões que fiz defendendo a bandeira do PT,pelos dias e horas perdidos,vendendo bottons do partido,acreditando que podia mudar o futuro.

Vou matar o Lula porque agora entendo;meus heróis só queriam o poder e hoje estão morrendo de overdose dele.

Definitivamente,vou matar o Lula, politicamente, e enterrar com ele os restos de todos os sonhos que me fez comprar.