Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles

Tuesday, March 08, 2011

Zé Azul do Rio de Janeiro


   
Zé Azul do Rio de Janeiro


    Me lembro bem de como vim parar aqui. Foi depois de uma briga com meu pai. Meu pai? Meu pai era um homem violento e espancava todos em casa por qualquer motivo. Era proibido olhar no rosto de meu pai, ele não gostava. Meu pai não sorria, não chorava, nunca demonstrava emoção alguma, era impassível. Nunca o compreendi direito e confesso que também nunca quis fazê-lo.
    Meu pai bebia muito, aí as coisas ficavam um pouco piores. Humilhava minha mãe, dizia-lhe impropérios, ofensas e constantemente, agressões físicas.


    Foi em uma noite de São João que saí de casa.

    Meu pai estava descontroladamente bêbado. Estávamos em volta da fogueira na casa do Biquinha, na Rocinha, era uma festa agradável. Todos bebiam, dançavam forró e pareciam felizes. Aquela gente fazia questão de manter a tradição que traziam de suas cidades do nordeste.
    De repente sem nenhum motivo, como de costume, meu pai se levantou, dirigiu-se até a cadeira onde minha mãe estava sentada e deu-lhe um soco violento no rosto. Minha mãe caiu e meu pai ainda a chutou na barriga.
    Meu sangue ferveu, meus olhos se encheram de fúria e meu coração de ódio. Um ódio vivo e cristalino. Com o pedaço de madeira que eu estava alimentando o fogo, desferi-lhe um golpe na cabeça. Meu pai caiu na fogueira e não conseguiu se levantar.
    Algumas pessoas correram pra socorrer minha mãe, outras meu pai, eu fique ali, sem rumo, sem falar nada.
   Coloquei o pedaço de madeira na fogueira, dei um beijo em minha mãe e saí andando.

   Nunca mais voltei pra casa. Nunca mais fui a mesma pessoa. Carrego na alma um pouco de culpa, de revolta e principalmente solidão.
  Vivo nas ruas usando roupas feitas de saco de lixo azuis. Me chamam Zé Azul.Sou o Zé Azul do Rio de Janeiro.
  Sobrevivo desde então, comendo sobras que me dão. Durmo nas marquises, nas praças, nas praias e onde me for conveniente. Não cobro nada da vida e a vida nada me cobra também.
  Sofro demais com minha opção de viver por aí... Principalmente pelos meus iguais. Irmãos e irmãs de rua, cada um com sua resposta pra sua condição. E são tantas histórias, histórias de violência, doença, vícios e desistência.
  Não luto por mais nada, não quero nada além do próximo resto de comida como refeição.
 Sou só, caminho só, durmo só, choro só também. Não aceito dividir esta minha dor de existir. Ela é só minha e de mais ninguém.

  Passo os dias olhando as árvores que mudam de lugar todas as noites. Homens, mulheres e crianças que passam o dia nos parques e se recolhem a noite pra morrer um pouco.

  A Arlete morreu ontem. Arlete era uma andarilha com problemas mentais. Foi estuprada e morta por um bando de meninos que pararam um carro embaixo do viaduto em que ela dormia. Acho que ela nem sofreu muito. Nós que vivemos desta maneira aprendemos a morrer calados sem chamar a atenção.

  Passo meses sem pronunciar palavra alguma. Não tenho o que dizer, nem tenho quem me escute. Acho que não precisamos usar as palavras, usamos nossos olhos solitários.
 Tenho que confessar que morro de medo da noite. Ela me assusta, vejo fantasmas em todos os cantos. Quando durmo e consigo sonhar, vejo imagens de minha casa. Vejo sempre a casa vazia, não há ninguém nela. É vazia como meu coração.

   Não entendo como ainda nascem pessoas nas ruas todos os dias. E já nascem com várias idades, alguns até já nascem velhos e caquéticos. Outros tantos nascem bem vestidos, mas nascem todos mudos.
   Não tenho mais vontade de sair dessa condição. Me sinto livre, porém, me sinto só. É uma solidão sem fim, sem dor, sem sentido algum, apenas solidão. Nem triste, nem dolorida, apenas e tão somente solidão. Aprendi a me proteger da noite, dos fantasmas do passado, aprendi a me proteger de mim. 

   Meu coração joguei na fogueira, naquela noite de São João, junto com minha ira, meu ódio e minha emoção. Sou o Zé Azul, o Zé Azul do Rio de Janeiro. É assim que chamam nas ruas. Sou só, caminho só, durmo só. Os caminhos que percorro me ensinaram que não devo fazer escolhas. É só dizer sim e não. É só procurar a luz da lua nas ruas vazias do Leblon e ver o sol nascer por trás das pedras do Arpoador, e sempre antes de todos.

  Não sei por que motivos, passei em frente a casa no morro em que vivi.Meu pai estava sentado na porta, de cabeça baixa.Vi que chorava. Sei que não me reconheceria nessas roupas de sacos de lixo. Lá dentro da casa tenho certeza de ter ouvido alguém pronunciar meu nome. Ouvi alguém dizer: “- Lylian”.

Friday, February 18, 2011

Jorge e Célia

Tudo é tão estranho sem você aqui
Parece que foi ontem que desapareceu
As coisas ainda estão no mesmo lugar
No mesmo lugar em que você deixou
A roupa passada pra dançar
os pratos na mesa, lembrando o último jantar
No copo o vinho que sobrou
Nos lábios o gosto de um beijo seu
E nunca me senti assim tão só
E nunca me senti assim tão só
E nunca me senti tão só, assim...
O vento anuncia o temporal
As folhas caídas no quintal
As flores sentem dó de mim
Não sei mais o que fazer com essa dor
que não consigo esconder
Não acredito mais em dias de sol
e nem nas claras noites de luar
O teu jardim me faz acreditar
que o céu se esqueceu de mim
E nunca me senti assim tão só
E nunca me senti assim tão só
E nunca me senti tão só assim...
Me pego olhando pra você
Naquela foto de frente pro mar
E seu sorriso de cristal
me dá a certeza de que nunca há chance pro amor
Vou levar flores pra você
e também a garrafa com a carta
que encontramos na praia
Perdoe se eu nunca mais voltar
porque é sempre difícil perder alguém
É sempre difícil suportar uma dor sem fim
É sempre dolorido cuidar de um amor
De um único e grande amor que um dia o vento levou
E sempre vou viver assim tão só
E sempre vou viver assim tão só
Pra sempre vou viver tão só, assim...

Trecho da Peça Sombras no Jardim



Trecho da peça Sombras no Jardim

Foto:Ana Paula Silva(retirada da internet)

Recebi uma carta de uma velha amiga, me contando sobre seus dias no asilo em que mora.
Me conta que às vezes ri, confessa que às vezes chora.
Diz que sente saudades dos tempos idos, mas que não se arrepende dos amores vividos.
Revela sem pudor sua carência de carne, que ainda sonha com homens viris.
Que tem pena dos parentes que se sentem obrigados a visitá-la de vez em nunca.
Reclama que todos os seus ossos doem, porém, descobriu que sempre foi masoquista.
Fala das plantas do lugar em que vive, das palmeiras, das primaveras, que lhe fazem lembrar de uma velha mangueira no quintal de sua infância, que nas tardes de sol fazia sombras no jardim.
Afirma amar a solidão, companheira nos campos de batalha, conselheira nas noites insones.
Me garante que todos somos sós, sempre fomos e que sempre seremos. Que seremos sempre como uma velha mangueira, fazendo sombras no jardim de nossa de infância...

Friday, February 11, 2011

Clube do Coração Solitário


Como em quase todos os dias, acordei cedo, tomei banho , engoli um pedaço de pão e saí correndo. Já estava atrasada para o trabalho.
A distância de casa até minha loja não era assim tão grande, mas o trânsito era imprevisível.E eu me sentia péssima, não dormira bem, as constantes discussões com meu marido estavam me deixando cada dia mais deprimida. Depois de muitos anos de convivência, esta fase que estávamos passando parecia arrasadora e definitiva.
O trabalho na loja da família me distraía, as meninas que trabalhavam comigo haviam se tornado companheiras e a elas eu relatava meus sentimentos e angústias.E elas me ouviam, me deixavam chorar e me consolavam.
Sempre fui recatada.Sempre fui o retrato de uma mulher criada em um universo machista. Deixei a casa de papai para me casar...E por isso, talvez, o respeito excessivo, o medo de expressar minhas ideias, minhas dúvidas e a serviliência quase auto - escravizante.
Minha vida estava uma porcaria, minha vida se resumia em somente cuidar da loja, do “senhor” marido e de dois filhos adultos preguiçosos. Durante anos vivi assim. Até aquela quarta-feira...
O dia começara preguiçoso, eu estava como sempre cansada, triste, decepcionada com a vida, a família, os amigos...Eu queria mesmo era morrer.
Claudia, uma de minhas funcionárias me trouxe um café forte e disse que era pra me ajudar a encarar mais um dia. Me aconselhou a procurar novas amizades,mesmo que fossem virtuais,me incentivou a entrar em salas de bate-papo para pessoas maduras.Hesitei no início, relutei e por fim tive coragem.
Digitei um apelido e entrei na sala.Fiquei observando e lendo as “conversas”. Não queria páginas com conteúdo pornográfico, por isso precisava sondar o território.Fui ficando ali, achava engraçado algumas perguntas, as frases feitas, as paixões instantâneas que as pessoas expressavam...E gostei...
Um apelido me chamou atenção, CCS, quase todas as mulheres na sala “conversavam” com ele, eu não sabia o que ele respondia. Então lhe enviei um tímido olá!
A resposta veio demorada, porém carregada de educação e gentileza, ele perguntou de onde eu teclava, me “disse” coisas bonitas, me senti feliz.Teclamos por um longo tempo, ele se despediu e prometeu “voltar” mais tarde.Voltei ao meu trabalho.
No final da tarde, novamente entrei na sala, lá estava ele, eu disse boa tarde, ele me respondeu com letras maiúsculas um outro boa tarde.Teclamos, ele falou sobre sua vida, falei da minha (escondendo muito do que vivia realmente), ele parecia ser confiável.Gostei de sua conversa, da maneira que ele via o mundo, de como entendia as pessoas, de como respeitava as ideias alheias e da solidariedade que parecia lhe ser inerente.
Foi com certa melancolia que me despedi de meu novo amigo aquela tarde.Tive vontade de acelerar o tempo, amanhã estava muito longe...
Mais um dia de trabalho, nem bem arrumei minhas coisas rotineiras, sentei na frente do computador e lá estava ele.Não tive coragem de lhe confessar que sonhara com aquele apelido, que eu havia passado a noite em claro contando as horas para o dia clarear.Tudo que ele havia dito sobre relacionamento, solidão...Era como se já me conhecesse...
Passamos o dia teclando, ele me convidou para usarmos o "Messenger", fiquei um pouco receosa, assim mesmo aceitei o convite.Não havia uma foto, no lugar apenas um avatar com três letras.CCS.Passamos quase o dia inteiro teclando, até que ele me deu o número do seu telefone.Disse a ele que não poderia ligar, que eu era uma mulher casada, madura, com filhos, lhe dei todos os motivos possíveis para escapar daquela “armadilha”.Não consegui, a curiosidade, a vontade de conhecer a voz por trás do apelido, de ouvir o som daquelas palavras doces que ele escrevia me encorajaram e liguei.
Eu disse um alô inseguro e esperei a voz que viria do outro lado da linha.Tremi e transpirei, me senti com quinze anos, com o coração na boca.Curiosa e com medo.Medo do que estava sentindo naquele instante.Foi libertador...
Quinze dias depois da primeira ligação, já me sentia envolvida por aquele homem, já tínhamos nos visto pela web cam.Parecia inacreditável, ele já era parte da minha vida.
Ele queria me conhecer de forma real, me falou que queria me dizer olhando nos olhos tudo que dizia na vida virtual.Eu relutava, morria de medo de que me vissem em companhia de um completo desconhecido, mas as meninas me incentivaram, e marcamos um encontro.
Ele me esperava na rua paralela a estação, encostei o carro, buzinei, minhas pernas tremiam, eu podia ouvira as batidas do meu coração.Ele veio se aproximando devagar, colocou a cabeça pra dentro do carro e me beijou.Um beijo longo que me fez estremecer e esquecer minha condição de esposa fiel e mãe presente.Abri a porta do carro ele entrou, rodamos por algumas ruas e sem consultá-lo entrei em um motel.Ele não pareceu surpreso, apenas me perguntou se eu tinha certeza se queria realmente fazer aquilo. Respondi que lá dentro decidiria.
Entramos no quarto, ele sentou-se na cama e me olhava, eu permaneci em pé olhando dentro dos seus olhos.Abri os botões de minha blusa e coloquei sua mão sobre meio seio, lhe pedi pra sentir meu coração, ele sorriu e me acariciou.Seu toque me fez jogar fora todos os tabus que me privaram a vida inteira de ser mulher e humana. Seu toque me fez jogar fora todos os meus conceitos judaico-cristãos, de família, igreja e moral.Eu queria era ser amada, precisava me sentir mulher, amante, traidora, dominadora.Dona do meu mundo.Nos amamos sem medo do pecado e sem medo do inferno...
Na esquina em frente à estação ele desceu do carro, me beijou e partiu.Perguntei se nos veríamos de novo e ele disse que não.
Demorei um tempo pra entender sua afirmação.Primeiro me senti desprezada, achando que ele não gostou de ter feito amor comigo. Somente tempos depois pude perceber que ele me amou de verdade. Uma única vez, mas foi pra sempre.
Tive coragem e contei para meu marido e meus filhos, lhes falei que queria ir embora, que iria viver só.Meu marido mesmo sabendo de tudo, me permitiu ficar em casa, dizendo que eu não precisaria sair. No fundo, no fundo ele não me condenou.
No dia do nascimento do meu primeiro neto, meu marido me convidou pra tomar um drink, que fossemos comemorar.Há tempos não tinha bebido tanto, eu estava radiante e feliz de verdade, meu marido segurou minhas mãos e disse que nunca havia me visto tão linda.Falei que ele estava sendo gentil, ele disse que não,que era verdadeiro o que estava dizendo.Ele se ajoelhou e disse que ainda me amava.Fiquei emocionada e percebi que nunca havia deixado de amá-lo também.
Eu e meu marido estamos nos conhecendo novamente, descobrindo novos lugares e nos permitindo mais.
Nunca mais entrei em salas de bate- papo,ainda lembro do homem a quem amei eternamente por uma única vez. Sei que errei ao me envolver.O que me conforta é ter a certeza que ele mudou minha vida.Apaguei o CCS do meu computador, não faço mais parte do Clube do Coração Solitário.
Meu nome é Rita de Cássia e quero morrer de amor...

Tuesday, January 11, 2011

The Motor “Music” Home - A Lendária Nave da Música


Foto:Internet

   A Estrada do M´boy Mirim estava alagada,havia caído um temporal dos infernos.Sofás ainda boiavam nas calçadas, o trânsito estava completamente parado. Buzinas, calor insuportável.
Apenas mais um fim de semana de verão em São Paulo.
   Com muita paciência, consegui levar o velho Fuscão até o Jardim Ângela. Entrei na Rua da Gaita de Foles e parei na esquina da Rua dos Clarins.
   A chuva não parava, o carro também não funcionava mais. A bateria tinha arriado, não havia mais condições de sair dali sem um mecânico. Reclinei o banco e coloquei uma fita pra rodar, encontrei a caixa de latas de cerveja. Fechei os olhos e acompanhei o ritmo da chuva com a música que saía dos alto-falantes. E por ali fiquei.
    Alguma coisa me fez abrir os olhos. Vi um grande veiculo estacionado na Rua do Fonógrafo, na esquina com a Rua das Flautas Transversais.Era o veículo mais “diferente” que vi na vida. Uma mistura de tudo o que a mente humana já havia projetado.Era uma parte submarino, parte navio, parte trem e outra parte, um ônibus gigante.
    Lembrei-me que certa vez um cara que bebeu comigo num boteco, lá no Parque do Lago, me falou sobre tal “nave”. Com todo respeito, ouvi sua história. E claro, não acreditei.
Parecia estranho, de repente o céu estava estrelado como nunca antes eu havia reparado.
   O estranho veículo estacionado, bem ali. Fiquei encantado! Uma força desconhecida me puxava em sua direção, era irresistível tamanha beleza.
Abri a porta do velho Fusca e caminhei em direção ao veículo. Meus olhos incrédulos buscavam os detalhes, era tudo muito perfeito.
   As dezenas de rodas eram douradas, os pneus tinham faixas prateadas, em todo o redor da estranha “nave” havia sacadas, como nas velhas “jardineiras”, que décadas atrás cruzavam a cidade.
   Fui me aproximando, entre curioso e cauteloso.Uma pequena porta se abriu, um senhor desceu lentamente segurando nos corrimões dourados.Ele veio em minha direção, sorrindo, acenando e já me convidando a embarcar na nave.Ele não pronunciou nada, mesmo assim entendi e aceitei o convite.Subi a pequena escada e entrei na mais incrível experiência de minha vida.
   A entrada pequena não demonstrava a exata medida daquele veículo espetacular, tudo era enorme e bonito, a decoração era luxuosa, belos tapetes forravam o assoalho, grossas cortinas cobriam as janelas e a luzes coloridas iluminavam delicadamente todo o interior.
   Logo na primeira sala três rapazes tocavam um jazz, aqueles dos primórdios, com baixo, pianola, um saxofone, um banjo e uma bateria dixie.Me cumprimentaram com sorrisos e acenos com as cabeças,gentilmente retribuí os cumprimentos e prossegui corredor adentro.
   Na sala seguinte reconheci muitas pessoas que ali estavam. Nat e Pixinguinha conversavam animadamente. Frank e Tom faziam um dueto ao som do lustroso Steinway e a cada pausa bebericavam um gole de champagne. Todos pareciam felizes, percebi que se tratava de uma grande festa.
   Chegamos ao bar e lá estava ela, usando um vestido de veludo azul, colado ao corpo, com um decote de pecadora e exibindo curvas libidinosas.Fixei meus olhos em seus olhos, nunca a havia visto antes, mas senti que ela me reconheceu de algum lugar do passado.
   O velho senhor segurou a minha mão e colocou sobre a mão dela, indicou o corredor em frente e nos incentivou a prosseguir “nave” adentro.
   Não queria parar pra pensar no que estava acontecendo, foi somente uma cerveja que tomei lá fora... Me sentia leve, feliz e sonâmbulo, me senti dentro de um sonho,personagem de um filme dos anos vinte, ou trinta, ou sei lá... Sei que estava vivendo algo misterioso e que tive medo que fosse mesmo um sonho.E tive medo de acordar.
   Ela me conduzia pelos corredores, curioso eu observava as cabines. Em uma delas John gesticulava para Raul e ambos sorriam.Encostados nas paredes do corredor Vallens e Marilyn trocavam carícias ao som do blues que saía do velho violão Martin de Johnson.
   Na passagem de um “vagão” para o outro ela se agarrou em meu pescoço e me beijou demoradamente. A lua e a brisa da madrugada foram cúmplices da mais bela cena de amor que vivi.
   Achei graça quando adentrei um grande espaço, que mais parecia uma sala de estar, sentados frente à frente Bob, Tim e Brown, gargalhavam enquanto acendiam um rechonchudo “baseado”.
   Ela me levou para uma pequena e confortável cabine e me amou...Me amou... Me amou...
   Percebi que tudo parecia estar chegando ao fim, todos se dirigiam ao grande salão. Foi uma correria, todos queriam os melhores lugares. Afinal, era hora do grande show da noite. No palco principal, depois da apresentação de Enrico, Callas e Fitzgerald, era a vez dos Kings of Stars.Nada mais nada menos que a maior banda de todos os tempos. Juntos pela primeira e última vez, Hendrix na guitarra, Bonhan na bateria, Pastorius no baixo e nos vocais Mercury, Janis e Presley.
   Na plateia, Jackson, Curt, George, Marvin, Holliday e muitos outros faziam um sonoro, animadíssimo e afinado coro.Um outro espetáculo à parte...
   O sol do meio dia já batia em meu rosto, quando um garoto bateu no vidro do carro, gritava pedindo para que eu tirasse o velho Fuscão da frente da garagem de seu pai.
   Uma profunda decepção me atacou. Pigarreei, tossi, esfreguei os olhos e não reconhecia o lugar onde estivera estacionado a noite toda. A placa no poste me trouxe de volta, Rua dos Clarins.
    A “nave’ foi um doce sonho. O Motor” Music” Home era só uma lenda da qual ouvi falar lá no Bar do Bal. E já era hora de ir embora, tentar aproveitar o resto do domingo no churrasco lá no Guaracy.
   Liguei o Fuscão 77, enfim, ele “pegou”. Subi a Rua da Gaita de Foles e entrei na Estrada do M´Boy Mirim.As imagens não me saiam da memória. Juro que ainda podia sentir o perfume dela, um pouco do que ficou em minha camisa. Nos meus ouvidos ainda ecoava a música mágica das guitarras, dos oboés e das flautas.
   O semáforo fechou, procurei a caixa de latas de cerveja, um pedaço de tecido veio no lugar. Era um cachecol, o mesmo que Presley usara no show dos Kings.
   Olhei no retrovisor, alguém de vestido azul entrou num táxi, ainda pude ver seus lábios se juntando, formando um beijo. E era pra mim.
   Até hoje não consegui saber se sonhei ou se vivi aquela noite, aquela festa.O que sei é que a velha “nave” nunca mais saiu de mim.
   Dia desses no Largo Treze entrei em um bar pra comprar cigarros, reconheci o cara que bebeu comigo no Parque do Lago.Ele sorriu e me convidou para uma cerveja.Me contou muitas histórias e por fim me confessou...Era ele quem pilotava o Motor“Music” Home.

Wednesday, November 10, 2010

A Capa do Livro!

Em breve,mais um lançamento da coleção Selo Povo.

Tuesday, October 26, 2010

MANIFESTO REVOLUCIONÁRIO






 Imagem:Internet




O mundo precisa de uma revolução.Uma revolução limpa,sem armas,sem batalhas e sem sangue. Mas não uma revolução qualquer.Não uma revolução com ricos comprando todo o poder, nem com pequenos tiranos dando golpes de estado e transformando povos e nações em zumbis.
Precisamos de uma revolução verdadeira,que nasça do coração de cada homem,mulher e criança da terra.
É preciso uma revolução de gentileza,de boa vontade,de bondade e respeito.
Precisamos cuidar dos pobres da terra.Precisamos tratar as doenças e elas são tantas... Doenças que nascem da desilusão,da solidão,da ignorância,do vício e da inveja.
Sonhamos em mudar o mundo a maneira de cada um de nós,mas é impossível, só podemos começar a mudar o mundo a partir da sala de nossa casa,cuidando de nossas fraquezas e de nossas indiferenças.
Precisamos aprender a respeitar a infância, a velhice e também aprender a respeitar os animais.
Precisamos parar de envenenar nosso ar, nosso alimento e nossa bebida.
Precisamos aprender a respeitar os diferentes de nós.Todos temos milhões de defeitos,mas temos que aprender a buscar o que há de melhor em cada um.
Precisamos parar de correr sem rumo.Corremos sem sentido algum.Comemos depressa demais.Trabalhamos depressa demais.Amamos depressa demais.Nossa vida está perdendo o sentido.
Precisamos parar um pouco para contemplar o infinito e ver o brilho mágico das estrelas.
Precisamos lembrar que temos pedido demais e oferecido muito pouco.
Estamos muito preocupados em juntar coisas e entupimos nossas vidas e nossas casas com bugigangas que sabemos; nunca vamos usar.
Precisamos perder um pouco a vergonha.Perder a vergonha de dar bom dia,boa tarde e boa noite.Precisamos perder a vergonha de dizer muito obrigado,por favor, com licença.Precisamos perder a vergonha de sorrir,perder a vergonha de dizer eu te amo.
Os ricos da terra precisam olhar para a África e a América Latina.Precisam parar de ver esses povos apenas como mercado futuro.
Precisamos ajudar na educação,ensinar a ler e escrever.Precisamos ler mais poesias.Precisamos ouvir mais músicas.Precisamos nos emocionar mais.É preciso um pouco de lágrimas de satisfação.Porque já choramos demais nossas derrotas de todo dia.
Precisamos parar de escravizar os trabalhadores.Porque quando se escraviza um homem, rouba-se dele o que ele tem de mais sagrado,seu suor e seus sonhos.
Precisamos abandonar nossa inveja,achar que o que é do outro é sempre melhor do que o que é nosso.
Precisamos de uma grande revolução.Precisamos fazer deste mundo um lugar razoável,um lugar onde um homem possa cuidar do outro sem medo,sem ódio e sem preconceito.
O mundo precisa urgentemente de uma revolução.Uma revolução em busca de felicidade.E isto é possível,sim!

Saturday, September 18, 2010

O Aniversário de uma favela em São Paulo (ferréz)








O Aniversário de uma favela em São Paulo (ferréz)

Muitos podem se perguntar por que comemorar o aniversário de uma favela? Primeiro porque ela comemora 38 anos, segundo porque a 10 anos ela tem uma festa tradicional que junta muito hip-hop, protesto anti militarista (a festa sempre acontece em 7 de setembro ou no sábado sub seqüente).
Comemorar um aniversário, de um lugar que é importante para quem lá vive. Festejar pintando os muros com grafites coloridos, com crianças brincando numa linda praça, talvez uma demonstração de que todos ali sonham com um espaço urbano organizado, e respeitoso.
A festa destina toda renda ao projeto que dá aula para mais de 100 crianças da própria comunidade, apesar disso foi muito difícil realizá-la, ouve um verdadeiro boicote e de todos os lados foram pedidos documentos que não se conseguiria nem para um lugar fechado, assim como ouve autoridades contra o evento, também ouve muita gente a favor, Eleison da Ação educativa, Ananda representando o Calil, Protógenes e principalmente o Senandor Suplicy que ajudou muito e segurou a responsabilidade de ir a sub prefeitura, de conseguir autorização na CET, e de todos documentos que pediram, ele entendeu que era importante para uma comunidade que não tem outra chance de diversão e de conscientização a não ser se ela mesma a fizer.
As barracas são montadas pelos vendedores de lanches, bebidas, e até produtos caseiros como pães e bolos, todos apreensivos e esperando que a festa seja um sucesso para que consigam boas vendas.
As crianças tomam a rua chamada de Avenida Sabin, talvez o médico que deu nome a rua e criou a vacina, também tenha indiretamente criado a vacina da esperança para uma gente tão sofrida, que não deixa de acordar as 4 ou 5 da manhã para ir trabalhar, que cuida da casa dos patrões, mas deixa a sua como esta, que cuida da educação dos filhos dos patrões, mas não consegue acompanhar seus filhos, que faz a alimentação das crianças classe média, e não sabe se seus filhos comeram.
O palco é montado, os brinquedos das crianças são retirados, o pula-pula, a máquina de algodão, o escorregador e vários outros alugados pelo projeto chamado Periferia Ativa, que já existe a 10 anos dentro da favela Godoy paralela a Avenida Sabin.
Os mesmos meninos que alugam os brinquedos organizam a festa, e também tem um grupo de rap chamado Negredo (respeito ao negro), com letras que alertam para o erro de consumir álcool, para o erro de entrar na vida criminal, e ao consumo as drogas.
A festa que esse ano completa 10 anos prova que a periferia pode se organizar, pode não, ela deve se organizar e poder falar por si própria.
O palco está pronto, foi montado por uma empresa do próprio bairro chamada Lonas Base, os donos são moradores negros e militantes que fazem um grande trabalho de fechar as vielas e os acessos para que a festa tenha um controle.
Alexandre, chamado de Dj Ale, é o presidente da Ong Periferia Ativa, ele que corre para lá e para cá para que entre a primeira atração, e assim os grupos locais de Hip-Hop entram em ação, meninos dançando Break, outros cantando, outros recitando, o projeto se faz presente com eles no palco, demonstrando o que aprenderam dentro da biblioteca que já conta com mais de 1.000 livros.
Algumas horas depois começa a entardecer, então a atração surpresa entra para cantar, João Suplicy e Supla tocam as musicas do Brothers of Brazil e mostram a diversidade musical que tem, misturando clássicos da música brasileira com grandes sucessos mundiais e composições próprias, de quebra o Senador Suplicy canta Bob Dylan acompanhado pelos filhos.
Agora é a vez dos escritores entrarem no palco, a literatura ganha vez com os autores do Selo Povo, editora criada no Capão Redondo e que publica livros a 6 reais.
Para a festa na favela, além do escritor Marcos Teles e do poeta Germano Gonçalves, também está presente vinda diretamente de Rondônia, Catia Cernov, autora militante que tem a natureza como matéria prima de seus textos, ela apresenta o livro Amazônia em chamas.
Assim, misturando protesto, luta pelo meio ambiente, amor pela leitura e pelos livros que os representantes da literatura marginal se retiram do palco para dar lugar a mais grupos de rap, como Alvos da Lei, R.D.G, Jairo Periafricania e DMN.
A meia noite o grupo Tr3f entra no palco, eu faço um discurso contundente sobre o consumo, sobre a mão de obra escrava e sobre produtos que compramos, mas não somam em nada com nossa vida, logo depois Maurício DTS entra no palco e fala da dificuldade de se criar um filho especial, todo o show é acompanhado por cadeirantes que apóiam a iniciativa.
10.000 pessoas estão lotando a rua, em todos muros á faixas contra o uso de drogas e de agradecimento a policia, a sub prefeitura, aos amigos que ajudaram e tudo acontece maravilhosamente bem, não tem sequer uma discussão, sequer uma briga, talvez por isso a festa não seja notícia nos jornais do outro dia.
A rainha do samba Leci Brandão chega, enquanto isso o Senador Eduardo Suplicy é ovacionado por todos os presentes, uma demonstração de que a vida política se feita de forma correta também demonstra seus valores.
Leci faz seu show, todos acompanham entusiasmados, acabaram de ver o show do Negredo, e agora esperam Mano Brown, Ice Blue e convidados.
O dia começa a amanhecer, os policiais recebem lanches dos moradores, Mano Brown e convidados entram no palco, muitos abraços, a favela está emocionada, uma hora e meia depois o público ainda canta as músicas, a missão está cumprida, começa a limpeza, desmontar o palco e voltar para a vida normal, pelos menos até o próximo ano...

Friday, September 03, 2010

Amazônia em Chamas

Lançamento livro Amazônia em Chamas - Cernov



Diretamente de Rondônia, a escritora Catia Cernov vem fazer seu lançamento em São Paulo, dia 14 de Setembro as 19:00 horas.
Amazônia em Chamas é o primeiro livro da escritora.
mais um livro da coleção Selo Povo, representando a Literatura Marginal.
ao preço de apenas R$ 6,00.
Dia 14 de Setembro na Ação Educativa.
para conhecer melhor Catia Cernov blog: www.selopovo.blogspot.com
Endereço:
Rua General Jardim 660 - Vila Buarque
Cep: 01223-010 - São Paulo - SP
Fone: 11 3151-2333

Saturday, August 28, 2010

EU VOU...

-Cuidado!
Um grito rouco sai da boca da multidão.Um gemido lento e doloroso parte de dentro de mim.
Eu sei que um tiro seco e covarde vai apagar meu sonho, a vontade de ser livre e o meu desejo de ser feliz.Me vejo caindo em um abismo.Não existe retorno.Vejo pouco o presente, mas meu passado posso ver tão claro... É tudo tão nítido.Meu sorriso de infância, minhas lágrimas.Tudo agora se confunde, o real e o sonho.
Alguém se aproxima de mim.Sinto tocarem meu corpo, mais pessoas vão se juntando.Todos querem ver meu rosto, não posso mais me esconder.Meu sangue ainda está quente.Eles podem observar...
Os “homens” se calaram, não parecem mais tão fortes assim, estão doentes.Acreditam que podem pensar e agir por mim e por todos.Na verdade, eles não sabem pensar.Eles são os donos do circo, domam outros homens, jogam com a verdade e fabricam assassinos.
Agora já posso sentir a dor da morte.E a dor da morte nem é tão forte assim, não tão forte quanto a dor da solidão deste viaduto que estou deitado. Me sentindo como um pano velho,estirado sobre qualquer coisa.
Parece que a cortina vai se fechar.Agora sei que sou uma pintura, gravado na tela da morte e já apagado pelas lágrimas deste tempo.
Já não posso mais gritar, sinto perder os sentidos, sei que estou morrendo...
Está tudo ficando claro, estou dizendo adeus a quem amo.Eu vou...

Tuesday, August 10, 2010

Meninas





Existem meninas bonitas, filhas das favelas
meninas sem glória
A história criando mulheres
mulheres mentindo pra história

Arma em punho
batom feito de sangue
Prontas pra deitar
e fazem do medo uma folia
É um velho filme conhecido
e se repete todo dia

Entrada sem direito à saída
só uma lei pra viver
Os infernos estão cheios
de meninas bonitas
que o mundo não esperou crescer

Este lugar é uma tela
que alguém jogou sangue
Tem histórias de arrepiar
uma obra-prima tão cruel
que o autor não quis assinar

São meninas bonitas
inventadas para amar
Enviam sussurros quentes pelo vento
Carregam um brilho estranho nos olhos
de quem já aprendeu a matar


Sunday, June 27, 2010

TURNÊ SELO POVO


Lançamento do Livro Cronista de Um Tempo Ruim de Ferréz na Livraria Suburbano Convicto.

Thursday, June 24, 2010

Carta na Garrafa



Lake Worth, Flórida, 14 de fevereiro de 1968.

Baby me perdoe, sei que não fui o que você pensou ou queria que fosse.
Nunca fui como um farol de estrelas que brilha somente para iluminar o teu caminho, nem como um dia de sol pra te aquecer, nem como uma lua cheia pra te trazer inspiração.
Tenho a certeza de que não fui o caminho certo que você pudesse seguir, porque fui uma estrada cheia de pedras, um caminho tortuoso, difícil de se caminhar.
Sei que não fui companhia para suas tardes de sonho e ternura.Sei também que não fui como a flor que você acaricia e encosta ao peito, porque muito de mim era só espinhos, ao menor descuido eu poderia te ferir.
Baby me perdoe, por achar que pra você fui apenas um caso, algumas noites de amor e mais nada.
Me desculpe baby,por não ter conseguido demonstrar o quanto te amo e isto te afastou mais e mais de mim.
Sei que nossas diferenças atrapalharam sim, fingimos não notar, mas no fundo dói demais saber que elas existem.Você tão jovem baby, não sei se deveria insistir, um amor tão complicado assim, talvez nem possa existir. É pena que exista e só eu perceba.
Baby, baby, tenho muito mais pra te dizer, é que o silêncio no meu quarto me amedronta e sinto tua falta no travesseiro ao lado do meu.Tenho passado noites em claro, também confesso que tenho chorado, rezando pra ter você pra mim.
Se puder perdoar minha fraqueza e quiser voltar, estarei aqui pronta pra recomeçar, e desta vez prometo, sem pedras nas mãos.Te espero com o coração cheio de certeza, certeza que nunca deixarei de te amar.
Vou colocar esta carta dentro daquela garrafa de vinho, do último que brindamos, talvez em um outro canto do mundo, um casal de namorados a encontre em uma praia deserta e descubra um dia que alguém amou alguém e teve medo, que não se arriscou pra viver um amor.Um amor imenso e verdadeiro.

Com amor.

Susan.


A garrafa foi localizada trinta anos depois na Prainha Branca em Bertioga São Paulo. Foi encontrada por um casal de namorados que acampava em uma bela noite de verão e lua cheia...

Se Teu Amor Foi Embora (Para Estela)

Se o teu amor foi embora e te deixou sozinha, sentada na cadeira de um bar, se foi pra nunca mais voltar...
E quando você chegar em casa e alguém te perguntar; porquê os olhos vermelhos, molhados de chorar? O que você vai dizer? Que errou?
O teu sapato de cristal se quebrou.O teu vestido com espartilho já não te serve mais.Até o espelho é teu inimigo e você não quer mais se olhar.
Quanto orgulho, quanta arrogância, achando que o mundo só deveria girar ao teu redor, e ficar olhando tudo de cima sem nunca se preocupar.
A lua há tempos não vem na tua janela te visitar.Até as flores no quintal, não te sorriem mais. E nunca mais você dormiu legal.
Você sempre soube que o que se quer, se tem. Mas nem todo dia é só o doce e nem todo dia é só o sal...
O filho que seria teu, ainda hoje é. Morreu pelo teu sonho de ser linda, perfeita e genial.
O tempo vai te fazer bem, porque a vida te fez mal.
Por você, teu amor foi embora. Pra nunca mais voltar...
Mas todo tempo é tempo de viver.Pra se restaurar, se corrigir, começar e recomeçar.

Tuesday, June 22, 2010

Quem Pensa é Quem Mais Sofre



É GOOOL!

A seleção brasileira vai entrar em campo. Fábricas interrompem a produção, o comércio fecha as portas mais cedo, pessoas se apressam pra se prostrar em frente a tv.
Não sei quantas horas de programação diária, mas sei que é um longo tempo, só se ouve e vê copa do mundo.
Trinta e duas seleções representam trinta e dois mundos diferentes.Em um país como o Brasil, com um déficit educacional monstruoso, seria uma ótima oportunidade para os meios de comunicação usarem toda estrutura que dispõem para mostrar tantas culturas diferentes, mostrando como vivem, como pensam pessoas de todos os continentes.
Não é isso que acontece, intervalo entre as partidas e lá vem propaganda da cerveja, da rede de fast food, do automóvel...
Fica fácil entender porque se gasta tanto em um evento grandioso, tudo é merchandising. Os jogadores são apenas garotos-propaganda, são poucos os que realmente estão ali por causa do jogo.No final o campeão não importa, importa somente o resultado financeiro, quanto sobrou nas mãos dos mafiosos do esporte.O povo que comprou a cerveja que o jogador mandou, que comprou a linguiça para o churrasco que outro jogador também mandou, ninguém está preocupado com sua frustração no final.
Daqui a quatro anos tem mais...

Friday, June 11, 2010

SELO POVO!

A Selo Povo tem a honra de noticiar que Marcos Teles é o novo autor da editora, ele será o próximo autor da coleção de livros, que já publicou Ferréz e agora lança Cernov.

O livro de Marcos Teles chama-se Sob o Céu Azul.
Segue o link:
http://selopovo.blogspot.com/2010/05/marcos-teles-novo-contratado-da-selo.html

Friday, March 26, 2010

INAUGURAÇÃO DA SEDE DA COOPERATIVA!!!!




DIA 24 DE ABRIL!!!
ENFIM,O SONHO SE TORNOU REALIDADE!!!

Cansados de esperar por oportunidades ou uma "generosa" abertura de portas, músicos da periferia de São Paulo criaram a COOPERMUSP - Cooperativa de Músicos de Periferia de São Paulo. Constituída em 2006 no Capão Redondo, zona sul da cidade.
Cansados de não receberem dignamente por seus trabalhos, muitos já sem esperança de verem suas obras reconhecidas ou registradas em álbuns, devidamente distribuídas pelo mercado, foi onde nasceu a idéia de se formar uma cooperativa de músicos, técnicos e produtores musicais.
Com a proposta de abrir as portas para profissionais da música desenvolverem seus trabalhos de forma sustentável.
A COOPERMUSP disponibilizará a seus cooperados recursos como; estúdios de gravação e ensaios, auditório para palestras, workshop´s,exibição de filmes,apresentações de dança,teatro e principalmente cursos profissionalizantes gratuitos na formação de músicos,técnicos,produtores,iluminadores,cenógrafos e etc.
A COOPERMUSP também planejou estratégias alternativas de marketing, divulgação e distribuição de tudo o que for produzido pelos cooperados.Além de uma rádio com transmissão via Internet e uma produtora de vídeo
A COOPERMUSP também criou uma forma de incluir a comunidade local e adjacente dentro de seu projeto de responsabilidade social.Onde idosos, jovens, egressos do sistema penal e moradores de rua serão incluídos no mercado de trabalho.
Cooperativa de Músicos de Periferia -São Paulo
Rua John Adams-50 Cep. 05882-020 –Fone;11 5812 4824
Capão Redondo - São Paulo - S. P.
E-mail: coopermusp@hotmail.com

Thursday, March 25, 2010

INAUGURAÇÃO DE NOSSSA SEDE!!!

É COM MUITA ALEGRIA QUE CONVIDAMOS TODOS OS PARCEIROS E AMIGOS PARA A INAUGURAÇÃO DE NOSSO PRÉDIO SEDE.
O EVENTO SERÁ NO DIA 24 DE ABRIL.

INAUGURAÇÃO DE NOSSSA SEDE!!!

Friday, January 22, 2010

Aos Visionários


Aos Visionários

Há sempre um tempo em que não se pode sonhar.Há sempre um tempo em que é proibido sorrir.
Há sempre um tempo em que cantar é perigoso,porque há sempre um tempo de truculência e os braços armados do mal, sufocam os gritos das multidões e calam os poetas.

Mas há sempre um tempo que surgem visionários, de almas rebeldes e corações selvagens.Com fúria contida e coragem martírica
Visionários que sempre traçam os mapas. Mapas de novos caminhos e de novas esperanças

E enfim, chega um tempo em que a bandeira da pátria não mais nos intimida.Tremulando ao sabor do vento.Estampada nas capas dos cadernos,nas camisetas e nos biquínis,nos promete novos tempos de paz,justiça e liberdade.

Wednesday, September 30, 2009

FESTA DA COOPERATIVA!


DOMINGO DIA 04 DE OUTUBRO
COOPERMUSP APRESENTA
NO GALPÃO NIGHT
SHOW´S COM :
ALVORADA
BANDA TECORA
OS GUERREIRO´Z
SONEN
PERIFERIA PONTO C
BDR
SÔNIA PEREIRA
SOM D´ZION
NA COMPRA DO INGRESSO VOCE CONCORRE A UMA
MOTO HONDA FAN 125 OKM.
VALOR DO INGRESSO 10 REAIS PREÇO ÚNICO
LOCAL : GALPÃO NIGHT CLUB
ESTRADA DE ITAPECIRICA
PRÓXIMO AO SUPERMERCADO LOPES
INFORMAÇÕES LGUE : 5812-4824

Wednesday, September 16, 2009

Minha Primeira Vez




Muitas coisas na vida a gente aprende com a família.Outras com os amigos e muitas outras tantas aprendemos com nossos professores.
Quando criança,antes mesmo de entrar para a escola, minha avó me ensinou a juntar as letras. O mais engraçado é que ela não era totalmente alfabetizada.Minha avó me mostrava figuras nos livros e simulava a leitura. Solenemente ela fingia entender os textos,eu acreditava...
Quando cheguei à quinta série, conheci Dona Wilma. Ela era uma mulher bonita,de cabelos claros.Usava grandes óculos e tinha ar aristocrático.Já conhecíamos sua fama de professora exigente,durona e para muitos,claro,chata.Muitos desses adjetivos eram verdadeiros, porém,havia um outro que eu descobriria tempos depois.
Dona Wilma era professora de Língua Portuguesa e tinha orgulho do que ensinava.
Minha história de cumplicidade com minha professora começou no dia em que ela nos apresentou um texto de Érico Veríssimo, intitulado O Gaúcho.Ela nos mandou ficar em silêncio e ordenou que lêssemos devagar.No outro dia nos mandou novamente ler o mesmo texto,mas desta vez em voz alta.E assim passaram-se alguns dias,até que ela nos separou em grupos e pediu para que cada grupo lesse um trecho do texto.
Como um maestro rege sua orquestra, ela ia nos guiando pela história contada por Érico.
Sem perceber estávamos dentro dos pampas,viajando no lombo dos cavalos.Tocando boiadas.Respirando o cheiro da chuva na terra molhada . Vestindo bombachas.Comendo suculentos churrascos e sorvendo o chimarrão quente.
Ela nos fazia respirar nas vírgulas e respeitar os pontos finais.No começo, escorregávamos nas estrofes,nos atropelávamos nos hifens,mas sempre encontrávamos novamente o caminho nas reticências...
Quando percebi, estávamos interpretando e sentindo através daquela leitura, o poder que também tem a palavra escrita.
Finalmente ela achou que estávamos prontos para enfrentar novos desafios.E estávamos...
Surpreendentemente numa tarde,já quase no final da aula, ela saiu da sala e pouco tempo depois voltou com a diretora da escola,Dona Nadir.Dona Wilma pediu que ficássemos de pé e que lêssemos para nossa diretora.
E nós lemos...
O silêncio da sala foi quebrado com o ritmo surdo de cada palavra que saía de nossas bocas infantis. Com cada respiração, às vezes lenta ,às vezes mais acelerada, à maneira que sentíamos cada emoção que era expressa no texto.
Dona Nadir,de olhos fechados segurava as mãos de nossa professora, como se estivesse voando sob os pampas gaúchos e com medo de perder para sempre aquele momento.
Quando terminamos a leitura,fez-se novo e demorado silêncio.Dona Nadir abriu os olhos e víamos que não escondia algumas lágrimas.Me lembro perfeitamente do ela disse à nossa professora.Ela disse que aquele era o maior troféu para quem ensina.

Sou um apaixonado pela arte e devo isso à Dona Wilma. Muito do que me tornei, devo a tudo que ela me ensinou.E a agradeço pela insistência,pela paciência que teve com cada um de nós.E temos certeza que ela deixou marcas indeléveis no caráter de quem teve o privilégio de ter sido seu aluno.

Dona Wilma Alvarenga de Oliveira faleceu em um acidente de automóvel no dia 10 de outubro de 1986, na Via Dutra.
Hoje em dia,quando passo em frente a escola que leva o seu nome,faço sempre uma reverência.

Dona Wilma era verdadeiramente uma grande artista e dominou como poucos a arte de ensinar.

Friday, July 24, 2009

Wednesday, June 10, 2009

Aos Amigos,Muito Obrigado!

Imagem:Internet

Cada um de nós é como uma onda.Onda que o oceano leva de um lado à outro. E seguimos sendo empurrados pela brisa e enfeitiçados pelo brilho encantador das estrelas.
Às vezes queremos ser vento ,às vezes queremos ser nuvem.Queremos sempre ser um pouco de cada coisa ao mesmo tempo...E aprendemos a amar sem ninguém nos ensinar.
Encontramos pessoas pela vida afora e começamos a dividir nossas frustrações,nossos desencantos e também nossos delírios, e essas pessoas nós chamamos de amigos.
E são esses amigos que nos fazem prosseguir, como o vento soprando a nuvem.
Porque os amigos compram e pagam a vista os nossos sonhos,financiam nossas loucuras.
Nada do que queremos ser,seremos sozinhos.Porque é preciso dividir com alguém o peso nos ombros,a carga na alma , a lágrima e também o sorriso.
Sonhamos em transformar o mundo, porém, cada um de nós tem seu mundo particular.E não podemos ajudar a transformar o mundo de quem assim não o queira.
Mas sempre podemos mudar nossa casa e nossa rua.Podemos mudar o mundo cuidando uns dos outros.

Precisamos aprender a nos responsabilizar por todos,cuidando dos nossos filhos e dos filhos do nosso vizinho também.
Às vezes queremos ser vento,às vezes queremos ser nuvem,mas às vezes também queremos ser rochedo. Porque o rochedo é como sonho,não envelhece nunca.
Porém,muitas vezes queremos ser tempestade, somente pra poder varrer as ruas e alamedas por onde os sonhos dos nossos amigos irão passar...

Wednesday, May 13, 2009

Tecora Base - Cinque

Quando os europeus aportaram na costa africana
E convenceram irmãos a venderem irmãos
A troco de migalhas e falsas promessas
Não sabiam o destino que estavam traçando sem querer ou saber

Milhares de seres humanos
Guerreiros,chefes de tribos,agricultores e até reis
Todos pais,mães e filhos arrancados a ferro e fogo
De suas terras e de suas raízes
Enjaulados nos porões imundos dos navios de carga

Jogados entre os assassinos e os ratos
Vítimas de estupros e todo tipo de violência
Mães desesperadas se jogavam com seus filhos ao mar
Homicídio ou eutanásia?
A história nunca vai explicar

Aprisionados no Porto de Lomboko
Dias de dor no transporte para Havana ou Nova Iorque
Carne humana, forte e barata exposta nos mercados
Para ser vendida à vista.

Com a intervenção da Marinha Britânica
O longo processo do Amistad, defendido por John Adams e Cinqe
Que acabou gerando a Guerra de Secessão americana
A primeira vitória do povo negro em uma corte

Dos cânticos nas colheitas de algodão
O samba, o rock´n roll
O jazz, o rap e o baião
As paredes psicodélicas de Basquiat
Os escravocratas sem saber
Espalharam a cultura africana pelo mundo

Hoje até a igreja pede desculpas
Por ter sido conivente com a escravidão
Pede desculpas pelos séculos de silêncio
Quem vai pagar por toda dor e humilhação?
Mas estamos aí por todo canto
Com nossa verdade e nossa cultura
Nosso orgulho de afrodescendente.

Salve todos os mártires do povo negro
Assassinados pelas brutalidades das correntes,dos porretes e dos pelourinhos
E que com seu sangue traçaram nosso caminho até aqui.

Saturday, April 04, 2009

MANIFESTO REVOLUCIONÁRIO

Manifesto Revolucionário

O mundo precisa de uma revolução.Sem batalhas e sem sangue.Não uma revolução qualquer.Não uma revolução com ricos comprando todo o poder, nem com pequenos tiranos dando golpes de estado e transformando povos e nações em zumbis.
Precisamos de uma revolução verdadeira,que nasça do coração de cada homem,mulher e criança da terra.
É preciso uma revolução de gentileza,de boa vontade,de bondade e respeito.
Precisamos cuidar dos pobres da terra.Precisamos tratar as doenças e elas são tantas.Doenças que nascem da desilusão,da solidão,da ignorância,do vício e da inveja.
Sonhamos mudar o mundo a maneira de cada um de nós,mas é impossível, só podemos começar a mudar o mundo da sala de nossas casas,cuidando de nossas fraquezas e de nossas indiferenças.
Precisamos aprender a respeitar a infância e a velhice.Precisamos parar de envenenar nosso alimento e nossa bebida.
Precisamos aprender a respeitar os diferentes de nós.Todos temos milhões de defeitos,mas temos que aprender a buscar o que há de melhor em cada um.
Precisamos parar de correr sem rumo.Corremos sem sentido algum.Comemos depressa demais.Trabalhamos depressa demais.Amamos depressa demais.Nossa vida está perdendo o sentido.
Precisamos parar um pouco para contemplar o infinito e ver o brilho mágico das estrelas.
Precisamos lembrar que temos pedido demais e oferecido muito pouco.Estamos muito preocupados em juntar coisas e entupimos nossas vidas e nossas casas com bugigangas que nunca vamos usar.
Precisamos perder um pouco a vergonha.Perder a vergonha de dar bom dia,boa tarde e boa noite.Precisamos perder a vergonha de dizer muito obrigado,por favor, com licença.Precisamos perder a vergonha de sorrir,perder a vergonha de dizer eu te amo.
Os ricos da terra precisam olhar para a África e a América Latina.Precisam parar de ver esses povos apenas como mercado futuro.
Precisamos ajudar na educação,ensinar a ler e escrever.Precisamos ler mais poesias.Precisamos ouvir mais músicas.Precisamos nos emocionar mais.É preciso um pouco de lágrimas de satisfação.Porque já choramos demais nossas derrotas de todo dia.
Precisamos parar de escravizar os trabalhadores.Porque quando se escraviza um homem, rouba-se dele o que ele tem de mais sagrado,seu suor e seus sonhos.
Precisamos abandonar nossa inveja,achar que o que é do outro é sempre melhor do que o que é nosso.
Precisamos de uma grande revolução.Precisamos fazer deste mundo um lugar razoável,um lugar onde um homem possa cuidar do outro sem medo,sem ódio e sem preconceito.

O mundo precisa de uma revolução.Uma revolução em busca de felicidade.E isto é possível,sim!


Banda Tecora – Capão – Brasil
São Paulo,Abril de 2009

Monday, March 23, 2009

Em Quatro Dias - Álbum de fotografias em branco



11/01/2003

“A vida nas drogas é um álbum de fotografias em branco”.
“Não vejo nada, não respeito sentimentos, me faz pensar que todos a minha volta são meus inimigos. Me faz acreditar que meus amigos são aqueles que estão juntos na hora da “doideira” e que meu único e verdadeiro amigo é o cara que está ali pra me vender a droga”.

“ATOS E REAÇÕES, ANTES E DEPOIS”

“Quando quero usar um “barato” e tenho dinheiro, fico nervoso, impaciente, arranjo sempre uma desculpa pra me livrar de quem está a minha volta de qualquer jeito, sem tomar conhecimento do que pode acontecer ou sem consciência de que estou magoando alguém, machucando os sentimentos de quem me ama.
Na hora em que estou “good”, tenho certeza que não tenho medo de nada, me acho o melhor, o inatingível, minha coragem é infinita para fazer qualquer coisa, seja o que for, sem me preocupar com as consequências de onde isso pode me levar, se posso ou não prejudicar outras pessoas.Quando estou “muito louco”, não tenho medo de nada nem de ninguém”.

“USO PRA FUGIR DOS PROBLEMAS”


“Quero parar de usar, mas o problema é que sinto falta da “adrenalina” e não tenho como explicar.
Quando estou sóbrio me sinto com medo de tudo e de todos, o meu relógio biológico fica mais agitado, é difícil me controlar.
Sei que cada um “doente” tem um tipo de reação, uns ficam mais violentos, outros são meigos e outros “vegetam”, não sei se vão me entender, mas acho que tudo está estampado nos jornais ou nas tv´s, como o caso da menina que matou os pais.
Tem pessoas que fazem loucuras por dinheiro, pela droga.
Vou dormir agora, está me dando sono, amanhã continuo”...

12/01/2003

“EM BUSCA DE AJUDA”

“A presença da família e das pessoas que estão sempre prontas a me socorrer, me ajudam a suportar um pouco as fases difíceis da falta.
O grande problema é quando tenho algum dinheiro, aí fica quase impossível me controlar, por que sei onde encontrar o que procuro, as coisas novamente fogem do meu controle e me desespero.
Mas com muito esforço consigo sossegar e aos poucos vai ficando tudo calmo, não é fácil, mas vou me acostumando com a falta da sensação que a droga me proporciona”.

“COMO ME SINTO”

“Neste instante estou calmo, não sinto a falta, mas também não sei explicar.
Quando vem a paranoia da abstinência (não sei como ela surge), vem mais forte, como um furacão. De repente, vem uma força, talvez do além, algo muito maior que eu e me ajuda a suportar a dor na alma. Mas junto também vem um medo absurdo, me sinto fragilizado, inseguro, me sinto doente. Não me permito ficar perto de ninguém, tenho vergonha de minha fraqueza, sei que todos observam minha aflição”.

“OS OLHOS DOS OUTROS”

“Não sei, mas sinto que todos me olham diferente, me olham com medo, com desconfiança, e tudo isso dói muito, dói fundo, machuca e deixa feridas como um corte de navalha. É tudo sem explicação...”

13/01/2003

“QUANDO ESTOU SOZINHO”



“Quando fico sozinho em casa recomeça a crise, ela vem sempre mais forte, avassaladora, parece incontrolável, angustiante e sinto como se todas as pessoas que vão chegando em minha casa quisessem me fazer mal, penso que elas só vieram me condenar, me agredir e sinto que não tenho ninguém pra me proteger, fico aflito, esperando um socorro qualquer pra me livrar dessa doença, desse mal sem cura”.

“A AFLIÇÃO”

“Queria explicar como é essa aflição. Só sei que me sinto frágil, sensível, qualquer coisa ou pessoa me deixa assustado, me desespero por não saber como agir”.

“DE ONDE VEM O MEDO”

“O medo surge do nada, como um vento forte, uma tempestade. Vem sem avisar, de repente”.
Mas primeiro vem a “fissura” pra se usar a droga, mas não está tão difícil mais suportar, mas o medo não dá para controlar, fica quase impossível ver alguém ou mesmo conversar com pessoas as quais não tenho certa afinidade.
Vou segurando a onda pra tentar superar mais esta crise de hoje, neste momento estou em crise, com muito medo, agora é meio-dia, essa é a pior hora ,mas estou conseguindo suportar, não tenho dinheiro aqui comigo, isso é ruim e bom ao mesmo tempo, porque se tivesse dinheiro seria mais difícil me controlar e fugiria sem ninguém perceber.

“COMO EXPLICAR A CRISE”

“A vontade de me drogar, vem e vai.
Vem fraquinha e vai ficando cada vez mais forte, às vezes passa rápido, quando passa por um longo tempo, volta bem forte, mas me sinto seguro quando estou com meu pai e minha mãe ao meu lado, me sinto protegido.Mas mesmo assim, ainda me dá agonia”.

14/01/2003

“Mais um dia de luta, mais um dia de vitória”.


“A LUTA PRA VENCER A ABSTINÊNCIA”

“Essa é uma luta sem vencedores e sem derrotados.
Porquê? Quando sinto a falta da droga, fico procurando coisas no chão, penso que o remédio pode ser qualquer coisa pra me deixar “legal”. Por um instante, deixo me levar pelo impulso, procurando desesperadamente pela droga, mas logo passa e penso até que ponto chega a “noia”.
Esta doença é sem controle, me deixa sem horizonte.
Mas estou vencendo dia após dia, hoje estou me sentindo mais forte e tenho certeza que vou conseguir me curar”.

Ângelo Endo

São Paulo, janeiro de 2003.






O que você acabou de ler é um relato na primeira pessoa, um pedaço de um diário de um jovem como tantos na sua luta contra o vício.O diário de Ângelo Endo, nascido em São Paulo em janeiro de 1976.
Seu vício começou na época em que fazia o ensino médio, começou dando uns “pegas” num “baseado”, depois foi experimentar drogas mais fortes e por fim viciou-se no crack.
O vício o fez enveredar pelo mundo do crime, se envolveu em estelionatos, roubos e assaltos, era o famoso ”piloto de fuga”.
Chegou a ser baleado numa dessas fugas.
Sua família se empenhou ao máximo para recuperá-lo, quando ele escreveu esse pequeno diário estava encarando a realidade e decidiu se curar. Estava em tratamento, tomando remédios para controlar a abstinência e pediu para ser internado numa clínica de recuperação.
Como sua internação já estava acertada, pediu a seu pai para que o levasse até a casa de praia. Ângelo queria ver o mar. Seu pai assim o fez.
Chegando lá, seu pai o mantinha sob vigilância dia e noite, sabia que se o deixasse sair Ângelo iria ao encontro das drogas. Na praia o acesso é mais fácil.
Numa noite, seu pai,já exausto, adormeceu, Ângelo pegou a chave do carro que seu pai escondera embaixo do travesseiro e saiu.
Seu pai acordou e percebeu que Ângelo não estava em casa, saiu desesperado para encontrar o filho, foi em vão...

Avisou os familiares e acionou a polícia, alugou até um barco para procurá-lo no mar e nos canais, depois de longo tempo só encontraram o carro queimado, sem nada ter sido levado. O desespero cresceu e se tornou agonia.
Sem esperanças de encontrar o filho o pai de Ângelo retornou para São Paulo, mas logo recebeu um telefonema, eram os policiais informando que encontraram um corpo e que ele retornasse.
Assim foi feito, com o coração na mão, torcendo para que o corpo encontrado não fosse o do seu filho.
No coração de um pai, sempre sobra uma esperança.
O corpo encontrado era o de Ângelo. Num canal, amordaçado, com os pés e as mãos amarradas, preso por galhos, nem um bala foi gasta para matá-lo, foi torturado e e morto com pancadas na cabeça.
Ângelo Endo foi assassinado em fevereiro de 2003 em Peruíbe, litoral de São Paulo.
Na sua luta pra se livrar da doença, queria ver o mar.

A vida nas drogas é sim, um álbum de fotografias em branco.



Cássia Lara e Marcos Teles

Thursday, February 12, 2009

OS SINOS DA REDENÇÃO

Cansamos de viver refugiados em nosso país
Cansamos de ser apenas pontos nos mapas dos partidos políticos
Nós não saímos em colunas sociais
Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos

Nós somos um povo que ainda canta
Que se emociona e se espanta
E se espanta com o esquecimento e a humilhação
Nós levantamos antes do sol
Já perdemos muito tempo sonhando

Queremos derrubar o muro social
Exigimos nossa parte do pão
Não somos coitados nem indigentes
Exigimos respeito e o direito de sermos cidadãos

Cansamos das promessas
Cansamos da televisão
Que mostra apenas modelos magrelas
Bundas e playboys baby Johnson
Cansamos da propaganda venenosa
E das novelas que mostram um outro planeta

Queremos outra realidade
Queremos mais responsabilidade
Não queremos esmolas, a sobra da festa
Não precisamos das mansões e dos carrões
Nós exigimos respeito, exigimos educação

Somos o outro lado esquecido da história
Somos mestiços, negros e amarelos
Não pensem que carregamos o mal do mundo nas costas
Porque nosso orgulho é tudo que nos resta

Cansamos de andar de cabeça baixa
Cansamos de apanhar calados
Cansamos dos seus discursos inflamados
É que nós somos da periferia
Dos novos campos de concentração
Tenha certeza com nossa voz
Ainda faremos soar os sinos da redenção.

Nós somos tímidos, somos temidos
Somos anjos com caras de bandidos

Sunday, January 04, 2009

A Vida é Sempre Um Filme Sem Final Feliz



 Imagem: Internet
 
Viver é uma grande aposta.Não escolhemos o lugar onde nascemos nem a família que temos.Sabemos apenas que vivemos em um filme.Com mocinhos e bandidos.Um longo filme com dramas e comédias.Às vezes com efeitos especiais,mas cada um de nós com sua história particular.
Nem sempre é fácil viver uma boa história,são tantos fatores em contrário.Um pouco de solidão,um pouco de ódio,uma imensidão de paixões, toneladas de egoísmo e tantos outros sentimentos reunidos em nossos corpos tão pequenos e frágeis.
Nós humanos temos a incrível capacidade de fazer o próximo sofrer.Passamos a vida pregando falsas ideias,acreditando em coisas sem lógica alguma.Passamos a vida inteira buscando esperança para algo que sabemos bem onde vai dar.
Queremos tudo e sabemos que nada é pra sempre.Como o filme que tem tempo para acabar.Desejamos que nossa história seja sempre um longa - metragem.E isso nos faz mesquinhos,perversos e sanguinários.Podemos envenenar as boas amizades no começo do filme.No fim,podemos jogar crianças de janelas,atirar em homens e mulheres com bebês no colo.Temos a incrível capacidade de chorar nossos mortos e não nos incomodar com os mortos dos outros.
Não adianta pedir paz ou compreensão,estamos todos  preocupados em ganhar o próximo “Oscar” com nosso filme particular.
Corremos,corremos e o final já conhecemos bem,ninguém viverá feliz para sempre.

Monday, December 22, 2008

OS SINOS DA REDENÇÃO

OS SINOS DA REDENÇÃO

CANSAMOS DE VIVER REFUGIADOS EM NOSSO PAÍS
CANSAMOS DE SER APENAS PONTOS NOS MAPAS DOS PARTIDOS POLÍTICOS
NÓS NÃO SAÍMOS EM COLUNAS SOCIAIS
NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARA DE BANDIDOS

NÓS SOMOS UM POVO QUE AINDA CANTA
QUE SE EMOCIONA E SE ESPANTA
E SE ESPANTA COM O ESQUECIMENTO E A HUMILHAÇÃO
NÓS LEVANTAMOS ANTES DO SOL
JÁ PERDEMOS MUITO TEMPO SONHANDO

QUEREMOS DERRUBAR O MURO SOCIAL
EXIGIMOS NOSSA PARTE DO PÃO
NÃO SOMOS COITADOS NEM INDIGENTES
EXIGIMOS RESPEITO E O DIREITO DE SERMOS CIDADÃOS

CANSAMOS DAS PROMESSAS
CANSAMOS DA TELEVISÃO
QUE MOSTRA APENAS MODELOS MAGRELAS
BUNDAS E PLAYBOYS BABY JOHNSON
CANSAMOS DA PROPAGANDA VENENOSA
E DAS NOVELAS QUE MOSTRAM UM OUTRO PLANETA

QUEREMOS OUTRA REALIDADE
QUEREMOS MAIS RESPONSABILIDADE
NÃO QUEREMOS ESMOLAS, A SOBRA DA FESTA
NÃO PRECISAMOS DAS MANSÕES E DOS CARRÕES
NÓS EXIGIMOS RESPEITO, EXIGIMOS EDUCAÇÃO

SOMOS O OUTRO LADO ESQUECIDO DA HISTÓRIA
SOMOS MESTIÇOS, NEGROS E AMARELOS
NÃO PENSEM QUE CARREGAMOS O MAL DO MUNDO NAS COSTAS
PORQUE NOSSO ORGULHO É TUDO QUE NOS RESTA

CANSAMOS DE ANDAR DE CABEÇA BAIXA
CANSAMOS DE APANHAR CALADOS
CANSAMOS DOS SEUS DISCURSOS INFLAMADOS
É QUE NÓS SOMOS DA PERIFERIA
DOS NOVOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
TENHA CERTEZA COM NOSSA VOZ
AINDA FAREMOS SOAR OS SINOS DA REDENÇÃO.

NÓS SOMOS TÍMIDOS, SOMOS TEMIDOS
SOMOS ANJOS COM CARAS DE BANDIDOS

Thursday, December 18, 2008

Estação Rodoviária

Estação Rodoviária


Foto:Estadão

Estação rodoviária,noite...
Um grande vazio em meio a tantas pessoas iguais. 
São longas horas de espera.
O ônibus que não encosta.
Um estranho que encosta,o amigo que não veio.
Um amor que partiu.
O moço que chorou.
A menina que sorriu.
Como é longe o Rio...
Por trás de tantos rostos a mesma saudade doída.
A curiosidade...Ver o mundo desabrochar nas estradas.
A lágrima escondida...
Depois da espera,um longo beijo.
Uma angústia.
A mesma solidão.
Um adeus.
Um abraço... 

Tuesday, December 16, 2008

LULA X CONFÚCIO !


Foto:Internet.
Houve uma guerra nuclear e o mundo acabou.São Pedro ficou louco com tanta gente para alojar no céu.Teve uma ideia.Resolveu colocar placas elucidativas para localizar mais facilmente os novos moradores.Ele dividiu as placas em:
Burros.
Muito burros.
Inteligentes.
Sábios.
Com a confusão reinante,São Pedro colocou Lula,um dos muito mortos, na área dos sábios. Tempos depois correu até lá para desfazer o engano.Quando chegou viu o tamanho do problema.Encontrou o sábio chinês Confúcio,sentado numa pedra,mais amarelo e esquálido do que nunca. Que nervoso dizia para Lula:
- Olha Lula,é a última vez que te digo -Encíclica não é uma bicicleta de uma roda só.Eucaristia não tem nada a ver com o custo de vida. Platão não é um prato grande.Annus Domminni não tem nada a ver com o cu do papa.Jesus não morreu de gonorreia e sim na Galileia.E antes que eu me esqueça,pafúncio é a puta que te pariu!!!

Tuesday, November 25, 2008

Vou Processar o bispo Edir Macedo



Vou processar Edir Macedo e a Igreja Universal por propaganda enganosa.
Assistindo a um programa da Record / Universal,vi pessoas chegando com carrões,dando depoimentos,afirmando que a Igreja do Bispo Macedo lhes deu tudo,carro,mansão,viagens,etc...
Claro,eu não sou tão bobo assim.Corri pra Igreja,fui na reunião dos 318 pastores.”Eles fazem milagres,fazem surgir dinheiro em sua vida.” Promete a propaganda.
Pois muito bem,fui em trinta reuniões,orei tanto e com tanta fé (como o bispo me ensinou), fiquei doente de tanto gritar, e ainda dei no desafio a Jesus o dinheiro que peguei emprestado com um agiota.Continuo devendo até hoje.
Mas estou preocupado.Até agora nada de milagre.Nem carro e nem mansão.E o pior,descobri que o Bispo Macedo é ateu.,vende Jesus sem culpa.
Acho que só o Procon pode resolver meu problema.Se a Igreja Universal é comércio,pode ser incluída como prestadora de serviço.Portanto, pode ser responsabilizada por serviços prometidos e não entregues.
Preciso de um advogado!

Estaremos lá!!!


Wednesday, October 15, 2008

DE VOLTA

Depois de tantos meses volto a postar no blog.Muitas coisas aconteceram,a vida tomou um outro rumo(esperado),nossos projetos estão acontecendo.
Logo mais conto as novidades.