Marcos Tecora Teles
Friday, August 22, 2014
Palestra Lágrimas Futebol Clube
O novo selo “Literatura Marginal DSOP” será apresentado na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo com o lançamento, no dia 30 de agosto, às 19h, de "Palestra Lágrimas Futebol Clube", escrito por Marco Tecora Teles. Uma obra destinada não apenas aos torcedores do Palmeiras, mas a todos os amantes de futebol, bem como os apaixonados por literatura.
Monday, August 18, 2014
Bienal do Livro de São Paulo 2014 Estarei Lá!
http://editoradsop.com.br/noticias/312-editora-dsop-participa-da-bienal-do-livro-de-sao-paulo-com-lancamentos-para-os-publicos-infantojuvenil-e-adulto
Friday, January 24, 2014
Trecho de Sangue nos Olhos
Trecho do livro Sangue nos Olhos
“Mais
uma noite fria e as ruas do Jardim São Bento estavam quase desertas.
Alguns ônibus e poucos carros passavam pela rua principal. De vez em
quando surgia a silhueta de alguém caminhando com pressa.
A neblina espessa deixava o lugar ainda mais escuro. Era uma visão lúgubre, melancólica. Como uma imagem congelada em um quadro pintado por um artista suicida.
A favela estava escondida, entre a neblina e a escuridão de uma noite sem o brilho da lua. As luzes escapavam pelas frestas dos barracos, o som que saía de uma ou outra tevê e algumas risadas abafadas, denunciavam haver um pouco de vida insistindo em pulsar em meio a tanta miséria.”
A neblina espessa deixava o lugar ainda mais escuro. Era uma visão lúgubre, melancólica. Como uma imagem congelada em um quadro pintado por um artista suicida.
A favela estava escondida, entre a neblina e a escuridão de uma noite sem o brilho da lua. As luzes escapavam pelas frestas dos barracos, o som que saía de uma ou outra tevê e algumas risadas abafadas, denunciavam haver um pouco de vida insistindo em pulsar em meio a tanta miséria.”
Thursday, January 16, 2014
A Sociedade Tola e os Rolezinhos
Foto:Terra
Eu não iria escrever nada à respeito dos "rolezinhos",porém,tenho ouvido e lido tanta bobagem que resolvi comentar.
Conheço e convivo com essa molecada que organiza os pancadões.Conheço e convivo com essa molecada que tira o filtro do escapamento das motos.Conheço e convivo com essa molecada que organiza "rolezinhos".
Eu tomo energético com vodka com essa molecada nos pancadões.Eu pego carona com essa molecada,nas motos com "estralador" e sem filtros de ar nos escapamentos e também estive com eles no último "rolezinho" no Shopping Campo Limpo.
Os tolos estão politizando,radicalizando sobre um assunto que imaginam dominar.Explanam longas teses,criam discussões,debates,citam problemas sociais,raciais e outras coisas mais.
Sabem o que essa garotada quer?
Diversão,apenas e tão somente diversão.Eles não estão protestando por nada.
Para saber a razão do som alto nos carros,das motos barulhentas e dos "rolezinhos" eles me disseram a seguinte frase.Simples e definitiva:
"Só queremos chatear os outros.Chatear um pouquinho."
Wednesday, January 15, 2014
Para um Revolucionário de Boteco
Este é você,você mesmo.Que fica por aí,de boteco em boteco,bebendo no copo dos outros,usando camiseta com foto do Che Guevara e dizendo-se revolucionário.Você que anda por aí,pedindo para fumar a última ponta dos baseados dos outros.
Você que se diz do MST,do MTST ,que na verdade só quer um lote pra vender depois.
Pois é você é um bosta!
Agora deixa eu dizer mais.
Você anda por aí falando de mim,dizendo coisas que eu nunca disse,então preste atenção:
Não sou rico.Já fui rico!
Fui muito rico quando tua mãe era a puta mais bonita do meu puteiro.Fui muito rico quando tua mãe transava com quinze, vinte homens na mesma noite e me enchia os bolsos de dinheiro.
Agora estou pobre,tua mãe ficou velha e feia,ninguém quer mais comer.
Talvez você não saiba,mas além de revolucionário de boteco,você é filho da puta!
Friday, December 06, 2013
Sob o Azul do Céu -Trecho
Entendi o porquê de tanta gente e tanta correria, e por que todos tinham tanta pressa, o mercado iria fechar mais cedo, era véspera de natal e todo mundo ali precisava chegar em casa pra não perder a festa.Mas eu não tinha pressa, eu não sabia o que realmente significava o natal, minha mãe dizia que foi o dia em que Cristo nasceu.Mas para mim era um dia como outro qualquer, sabia que as crianças ganhavam presentes no natal. Lá em casa não ganhávamos nada. Na vila também ninguém ganhava nada. A não ser quando as eleições estavam próximas, aí chegavam uns homens de gravata, com carros cheios de bolas, carrinhos e bonecas. Eles mandavam as crianças fazerem uma fila e iam entregando um a um. Mas os brinquedos eram tão ruins, que as crianças mal começavam a brincar e as bonecas perdiam os braços, as pernas, os carrinhos perdiam as rodas e as bolas eram de um plástico tão fino que pareciam balões de aniversário. Depois os homens de gravata faziam um discurso, ficavam emocionados e prometiam voltar em breve.Eu nunca os esperei.
Até que tive sorte, escolhi o dia certo pra começar a trabalhar ali no Mercadão.Carreguei várias sacolas, as senhoras eram simpáticas, ganhei um bom dinheiro de gorjetas e no final do dia, até frutas boas eu levaria pra casa.
Entrei no ônibus de volta pra casa. Agora estava menos cheio, tinha até lugar pra escolher.Sentei lá no fundo, encostei a cabeça no vidro e fui olhando o caminho de volta. Lembrei do presépio, dos enfeites de natal. E que Papai Noel era gordo, sorridente e tinha olhos azuis.E nunca, nunca apareceu lá em casa.
Wednesday, November 27, 2013
Rua das Lembranças
Já é mais um dia e aí venho eu de volta
Caminhando pelas ruas, as ruas da periferia
Pensando aqui comigo mesmo
Quantos sonhos, desejos impossíveis
E nos pontos de ônibus
Manadas humanas de cabeças baixas
Esperando o trem da vida passar
Caminhando pelas ruas, as ruas da periferia
Pensando aqui comigo mesmo
Quantos sonhos, desejos impossíveis
E nos pontos de ônibus
Manadas humanas de cabeças baixas
Esperando o trem da vida passar
Sigo olhando os carros velhos, as mesmas pedras encostadas
Um trem que viaja solto e vazio
Vou olhando as veias expostas
As fraturas expostas e os sorrisos tristes
Desses guerreiros e guerreiras
Dessa gente que caminha procurando um rumo
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas
Ruas empoeiradas da periferia
Um trem que viaja solto e vazio
Vou olhando as veias expostas
As fraturas expostas e os sorrisos tristes
Desses guerreiros e guerreiras
Dessa gente que caminha procurando um rumo
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas
Ruas empoeiradas da periferia
Na memória vou buscando os amigos
Todos os que partiram pra última viagem
Todos os que foram empurrados pros infernos
Os mesmos amigos que ouviam Dafé e Tim Maia
Que procuravam comigo os bailes nos sábados á noite
Sempre caminhando pelas ruas, ruas empoeiradas da periferia
Todos os que partiram pra última viagem
Todos os que foram empurrados pros infernos
Os mesmos amigos que ouviam Dafé e Tim Maia
Que procuravam comigo os bailes nos sábados á noite
Sempre caminhando pelas ruas, ruas empoeiradas da periferia
Um anjo sem asas passa por mim
De olhos molhados, com lágrimas vermelhas
Expulso do paraíso, como tantos, como tantos
Também veio morar aqui, na rua das lembranças
Mata o tempo olhando os rostos marcados de minha gente
Dessa gente que sonha e caminha
Dessa gente que sonha e caminha
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas, ruas empoeiradas da periferia.
De olhos molhados, com lágrimas vermelhas
Expulso do paraíso, como tantos, como tantos
Também veio morar aqui, na rua das lembranças
Mata o tempo olhando os rostos marcados de minha gente
Dessa gente que sonha e caminha
Dessa gente que sonha e caminha
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas, ruas empoeiradas da periferia.
Tuesday, November 19, 2013
Pobres Fanáticos
Este é um texto antigo,ainda cai bem...
Os militantes do PT agem
como torcedores fanáticos e sempre perdem a razão,no fundo eu até
entendo, é a paixão...
Defendem o árbitro quando este "rouba" à favor de seu time,mas quando é o contrário...
Não quero com minhas opiniões tentar fazer “lavagem” cerebral em ninguém. Aliás os marqueteiros nazistas do PT conseguem fazer isso muito bem,basta ver a fúria com que algumas pessoas defendem o Lula.
Não tenho pretensão alguma de influenciar ninguém com minhas opiniões,apenas exerço meu direito(por enquanto) de expressá-las.
Mas se as pessoas não conseguem entender o que digo e escrevo,lamento.Precisam abrir o olhos e calar a boca.Tentar ofender alguém que você não conhece não é muito bonito e nem democrático.
Respeito é um principio básico de civilidade.
Quando falo do PT,sei do que estou falando.Conheço muitos pilantras que se dizem democratas e só querem mesmo é o poder absoluto.
Quanto aos homens da Al Qaeda,tenho certeza,são mais corajosos que os "gangsters" do PT.
Estamos numa democracia sem-vergonha,sim. Mas por enquanto ainda vale a vontade da maioria,então votem em quem quiserem,depois teremos que consertar tudo mesmo.
Mas o que dói mesmo é observar a ingenuidade de gente de bom coração e índole irretocável,"trabalhando" pela “reeleição” de um mau caráter.
Defendem o árbitro quando este "rouba" à favor de seu time,mas quando é o contrário...
Não quero com minhas opiniões tentar fazer “lavagem” cerebral em ninguém. Aliás os marqueteiros nazistas do PT conseguem fazer isso muito bem,basta ver a fúria com que algumas pessoas defendem o Lula.
Não tenho pretensão alguma de influenciar ninguém com minhas opiniões,apenas exerço meu direito(por enquanto) de expressá-las.
Mas se as pessoas não conseguem entender o que digo e escrevo,lamento.Precisam abrir o olhos e calar a boca.Tentar ofender alguém que você não conhece não é muito bonito e nem democrático.
Respeito é um principio básico de civilidade.
Quando falo do PT,sei do que estou falando.Conheço muitos pilantras que se dizem democratas e só querem mesmo é o poder absoluto.
Quanto aos homens da Al Qaeda,tenho certeza,são mais corajosos que os "gangsters" do PT.
Estamos numa democracia sem-vergonha,sim. Mas por enquanto ainda vale a vontade da maioria,então votem em quem quiserem,depois teremos que consertar tudo mesmo.
Mas o que dói mesmo é observar a ingenuidade de gente de bom coração e índole irretocável,"trabalhando" pela “reeleição” de um mau caráter.
Thursday, November 07, 2013
A Sacola Mágica
A Sacola Mágica
Não sei de onde
surgiu essa história,a ouvi anos atrás em uma mesa de bar. Talvez
seja uma adaptação de alguma história conhecida ou um desses
contos de domínio público.
Tenho contado essa
história para crianças,mesmo não sendo exatamente um conto
infantil. O que sei é que as crianças adoravam ouvi-la. Por
isso,resolvi escrevê-la e espero que divirtam-se com o texto.
Um mendigo caminhava
pelas ruas de uma grande e rica cidade. Carregava com cuidado uma
velha sacola. Ele estava faminto,caminhava sem rumo por dias e dias.
Ao passar em frente
a um restaurante,parou, pensou e entrou no estabelecimento. Os
funcionários ficaram surpresos e ao mesmo tempo constrangidos ao
verem aquele homem maltrapilho e carregando uma sacola suja entrar em
lugar tão fino.
O mendigo pediu para
falar com o gerente,os funcionários relutaram,deram desculpas e por
fim,chamaram o gerente do restaurante.
O gerente
aproximou-se e perguntou o que queria o mendigo:
-Em que posso
servi-lo?
-Posso falar com o
senhor por um instante,em particular?
Surpreso com a
educação do homem,o gerente o levou para um canto do
restaurante.Indicou -lhe uma cadeira e também sentou-se.
O mendigo ajeitou
com cuidado a velha sacola e falou para o gerente:
-Me desculpe a
audácia de entrar em tão elegante restaurante e tomar seu precioso
tempo,mas estou caminhando por dias e estou faminto. O senhor poderia
me servir um prato?
O gerente não
ficou surpreso com o pedido do homem,era habitual pessoas pedirem o
que sobrava dos alimentos. O gerente revelou um motivo especial para
atender aquele pedido:
-Olha amigo,me
desculpe a tristeza,perdi minha mãe há poucos dias. Ainda estou
muito triste e acho que servir-lhe um prato vai me trazer um pouco de
alegria,pois sei que minha mãe ficaria orgulhosa de mim, ela era uma
mulher caridosa.
O gerente chamou
um garçom e pediu que servisse o melhor prato e o melhor vinho
àquele miserável. E assim foi feito.
Após
alimentar-se o mendigo chamou novamente o gerente e lhe falou:
- Amigo,muito
obrigado!
-Não há de
quê. Receba como um presente à memória de minha mãe-disse o
gerente.
- O senhor tem
um local onde eu possa lhe mostrar uma coisa?
Novamente
surpreso o gerente leva o homem para a dispensa do restaurante. Lá
dentro o mendigo pede para que ele tranque a porta.
-Não se
assuste,não vim lhe causar mal,o que tenho pra mostrar é somente
para o senhor-falou o mendigo.
O homem
maltrapilho e miserável colocou a sacola em cima de um mesa e lá de
dentro tirou uma miniatura de um piano. Com extremo cuidado,colocou
as mãos novamente dentro da sacola e de lá retirou dois camundongos
trajando fraque.
O gerente olhava
incrédulo para aquele homem,tentando imaginar o que ele faria com os
ratos e o pequenino piano.
O mendigo abriu
um sorriso e ordenou que um dos camundongos tomasse lugar ao piano. O
pequeno animal ajeitou o traje e sentou-se no pequenino banco. Com
mais um sorriso o mendigo ordenou que o outro camundongo se colocasse
ao lado do pequenino instrumento.
Encantado e
extremamente emocionado o gerente estava mudo,presenciava uma
maravilha.
Com um pequeno
palito ,o mendigo começou a reger seus músicos.
O camundongo ao
piano fazia soar notas celestiais e da garganta do outro
camundongo,saía uma voz jamais ouvida.
O gerente ouvia
a música e chorava...E chorava...E chorava...
Após os dois
camundongos executarem a música,o mendigo os colocou de novo dentro
da sacola.
-Obrigado pelo
almoço.-disse o mendigo ao gerente do restaurante.
Ainda trêmulo
pela surpresa e tocado por tamanha emoção o gerente pergunta ao
mendigo:
-Porquê você
vive na rua? Você pode vender esses animais e ficar rico.
-Não preciso de
dinheiro. Esses dois animais são minha família e minha vida. Não
haveria dinheiro que pudesse comprá-los.
-Muito obrigado
por ter me mostrado um milagre de Deus- disse o gerente.
Após agradecer
pelo alimento e pelo vinho o mendigo foi embora. Minutos depois ele
retornou e chamou o gerente:
-Me perdoa!
-Perdoar? Eu que
te agradeço. Você me mostrou uma maravilha - falou o gerente.
- Eu menti para
o senhor. Aproveitei seu momento de tristeza e menti. Me desculpe.
-Como
mentiu?Ouvi a música,vi os ratinhos …
-Na verdade,quem
faz tudo é o pianista,o outro apenas dubla.
O mendigo foi
embora com sua sacola e nunca mais foi visto naquela rua.
Tuesday, October 08, 2013
Vem aí ! Sangue nos Olhos
-Você não se lembra de nada?
Claudinei ouvia Luiz perguntar sobre a noite anterior.
-Nada,só lembro quando ele pisou no pescoço de Carminha.
-E ela? Também não viu?
-Ele bateu muito nela,ficou desacordada.
Luiz vai até o fundo do sitio,olha atentamente o poço que há tempos estava abrindo.Volta,olha para o amigo e pergunta ainda assustado com o que via:
-Você fez tudo isso sozinho? Enterrou o corpo no poço? Limpou o sangue?
Claudinei confirmou balançando a cabeça.
-Você consegue se levantar?
Claudinei,fica de pé e empurrando a cadeira de rodas diz para o amigo:
-Dói um pouco.Fiquei muito tempo sentado.
-Carminha te viu de pé?
-Não,é melhor que ela não saiba o que aconteceu,ela só se lembra de ter apanhado do safado do Firmino.
Luiz faz o sinal da cruz e comenta:
-Caralho!Credo em cruz!
Wednesday, August 28, 2013
A Bolsa de Guardar Estrelas
A
Bolsa de Guardar Estrelas
Existe um tempo em nossa infância que muitas coisas
inexplicáveis acontecem com a gente. E no fundo, quem quer
explicar?Apenas vivemos...e também, depois que crescemos nossa
memória não consegue mais nos trazer as imagens da primeira
infância.
Não me recordo muito bem. Nem quando,nem como. Sei que
já fui pequenino.
Uma vez viajei para a casa dos meus avós ,no interior
da Bahia. Passei alguns dias maravilhosos por lá. No dia da viagem
de volta,minha avó Idalina me chamou lá nos fundos da casa e me deu
de presente uma velha bolsa de couro.
Recebi aquele presente sem entender direito a utilidade
de tal objeto.
Minha avó Idalina ,sorriu entendendo minha dúvida e
inquietação e me disse com voz delicada:
- Essa é uma bolsa valiosa,ela é para guardar
estrelas.
Fiquei ainda mais curioso e lhe perguntei:
-Como assim,vó? Pra guardar estrelas?
-Quando a noite estiver muito,muito estrelada fique de
olhos bem arregalados,você vai poder ver as estrelas caírem do céu.
-Estrelas caem? Porquê vó?
-No céu nem sempre tem espaço para tantas estrelas.
Elas crescem e vão empurrando umas às outras. As mais fraquinhas
por não terem forças para se segurar,sempre se soltam. Por isso
você tem que ficar atento,quando alguma cair,corra depressa,pegue-a
com cuidado e coloque-a na bolsa. A bolsa não deixa que elas se
apaguem.
Lembro que a noite era clara. E eram tantas as
estrelas, que pareciam querer encobrir todo aquele céu. Lembrando
das palavras de minha avó,fui lá dentro de casa e peguei a velha
bolsa que eu havia deixado debaixo da cama.
Fixei os olhos lá no alto e uma luz veio
descendo,descendo até cair no meio do taboal que existia em frente a
minha casa. Corri como louco,peguei a pequena estrela e a coloquei
rapidamente na bolsa.
Durante algum tempo,pegar e guardar estrelas era minha
distração.
Logo a notícia se espalhou e pessoas de todos os cantos
do mundo vinham até minha casa,somente pra ver as estrelas que eu
guardava na velha bolsa.
O tempo passou muito rápido,eu cresci e guardar
estrelas, era para crianças,não para rapazes. Mesmo assim,de vez em
quando eu ia lá,abria a velha bolsa e olhava o brilho que vinha de
dentro.
O tempo continuava passando rápido demais e, guardar
estrelas era coisa para crianças,não para homens.
Um dia fui olhar a velha bolsa,lá não havia estrela
alguma. Elas se apagaram e até a velha bolsa parecia ainda mais
velha...parecia triste.
Quando crianças sempre temos algo para guardar alguma
coisa.Alguns possuem um baú,uma caixa, ou mesmo uma velha bolsa para... guardar estrelas.
Quando crescemos,sem saber, ganhamos um pequeno vaso
invisível,onde a gente guarda as lágrimas que choramos nos nossos
dias mais tristes,mas também, o sorriso mais feliz que demos em nossa
infância.
E hoje chegou uma notícia. De que uma garotinha na
Palestina,possui uma velha bolsa... De guardar estrelas...
Monday, August 05, 2013
O Brasil é o País do Crime
O Brasil é o País do Crime!
Imagem internet
O crime é o maior empreendimento do Brasil.Não há neste país nenhum outro investimento tão lucrativo e seguro. Não há nenhuma fábrica de bens de consumo, nenhuma rede de venda a varejo, nenhuma empresa prestadora de serviços, de telecomunicações ou qualquer outra atividade lícita que dê tanto lucro quanto o crime. O crime é uma instituição genuinamente brasileira.Nenhuma outra nação conseguiu adotar de forma tão competente esta atividade.
Para começar a dissertar sobre este assunto terei que voltar lá nos primórdios, na época do descobrimento, quando Pedro Álvares Cabral aqui chegou, trazendo sua corja de genocidas e estupradores.
Depois de tomada a posse destas terras tropicais, a coroa portuguesa, temendo invasões estrangeiras, preocupou-se em povoar a nova colônia. Mas lá na corte eram poucos os que queriam aventurar-se na travessia do oceano atlântico, por não saberem o que os aguardavam em lugar tão distante e misterioso.Não restando alternativa, a aristocracia resolveu fazer acordos com a marginália de Portugal.Viriam para o Novo Mundo e aqui começariam nova vida.Muitos receberiam títulos e terras.O que seria absolutamente conveniente, pois resolveriam dois problemas ao mesmo tempo, se livrariam da escória e conseguiriam tomar posse de verdade das novas terras conquistadas.Os acordos foram feitos.E o Brasil começou assim...
Não vou me dar ao trabalho de relatar aqui o que já temos como registros históricos de pilhagem na época da colonização, pois quero entrar no assunto que é o título deste texto.
No Brasil sempre houve apenas duas classes sociais, ricos e pobres. A chamada “classe média” surgiria anos depois com a revolução industrial no País.
Os ricos sempre fizeram as leis e sempre tiveram nas mãos os rumos de nossa nação.As leis sempre foram feitas pelos ricos para uso próprio como forma de proteção, já que no início do século XX até meados dos anos 50, os que mais cometiam crimes no Brasil eram fazendeiros, grileiros, posseiros e proprietários de manufaturas.Eram eles que encomendavam assassinatos, por questões de terras, estupravam mulheres e expulsavam trabalhadores de pequenas cidades.Quando por algum descuido eram pegos pega lei, o poder financeiro os livrava facilmente de qualquer empecilho penal.
O (atual?) código penal brasileiro data de 1940.E foi feito sob medida para as classes dominantes.
Durante o correr dos anos, algumas leis foram incluídas, outras alteradas, modificadas, porém, o código continuou a ter seu uso dirigido à mesma camada da sociedade e hoje, por ironia, também favorece o crime organizado.
Indubitavelmente o crime dá lucro, todos ganham muito com ele, em todos os setores da sociedade.A violência gera empregos diretos e indiretos.Seja contratando criminosos ou aos que vivem em decorrência de delitos.Como advogados, juízes, policiais, empresas de segurança privada, empresas de acessórios eletrônicos, traficantes, ”aviões”, “mulas”, sequestradores, assassinos, sindicalistas, imprensa,
políticos, empresários, publicitários,fiscais de prefeituras e de todas as instâncias de fazenda pública,entre tantas outras atividades.
O Brasil foi planejado para o crime!
Sem o crime o país não cresce!
Acredito que pelo menos 70% da população brasileira já tenha cometido um delito, mesmo sem saber.Muitos de nós já corrompemos alguém ou fomos corrompidos.
De onde vem todo este mal? Podem dizer que sou radical, etc, mas vou afirmar com convicção.O Crime também e principalmente, nasce dentro na lei (lei?)!
A POLÍCIA
A polícia brasileira é assassina e cruel, a polícia brasileira é quem corrompe o sistema inteiro.
A polícia no Brasil tem poder demais, muito mais do que deveria ter!
Dê uma carteira e um revólver na mão de alguém despreparado e veja o que acontece. No mínimo, truculência e abuso de poder.A polícia no Brasil é quem fomenta o crime, é quem dá a certeza de impunidade.A polícia sempre teve um preço.Antes era paga pelos senhores de escravos. Hoje é paga para proteger os mesmos senhores, mas ao mesmo tempo, também recebe do crime.
Desarme a polícia e diminuirá a violência! Ou você acredita
que quem arma os bandidos são os cartéis da droga?
Sabemos que é impossível combater o crime com tamanha desfaçatez.
Como acreditar numa polícia que acha que tem o poder de abordar, prender, julgar e punir um cidadão em uma rua de uma periferia qualquer? Como acreditar em uma polícia que constitui sociedade com traficantes?
Como acreditar em uma polícia que transforma delegacias em balcões de negócios?
Como acreditar em uma polícia que usa carros do estado pra recolher moedas em caça-níqueis, dinheiro em bordéis e em casas de jogos? Isso é só pra dizer o mínimo!
OS PRESÍDIOS
As cadeias estão sempre lotadas, por quê será? Muitos criminosos? Também. Mas será mesmo apenas isso? E os lucros das cadeias? Com quem fica? Sim! Cadeia dá lucro! Ou você acredita mesmo que um preso possa custar 1.700 reais ao estado? Vamos fazer uma conta?
Os restaurantes do governo do Estado de São Paulo, subsidiam refeições vendidas nos restaurantes Bom Prato, cada refeição custa 1 real.Um preso se alimenta em média três vezes ao dia, então no final de trinta dias ele consumirá 90 reais em média dos cofres do estado, sem falar que presos não recebem material de higiene, como sabonetes, pasta de dentes, etc.
Então, como pode um preso custar 1700 reais aos cofres do estado? Você ainda tem dúvidas de que o crime é um grande negócio?
O Brasil tem pressa em formar criminosos!
Qual o verdadeiro motivo de tanto descaso com nossas crianças? Por quê tanta maldade com nossos adolescentes?
A verdade está aí, nua e crua.O crime é o maior empreendimento deste país.
Uma outra pergunta: Por quê será que não reformam o código penal?Será que é porque as perdas (financeiras) serão muito grandes?Por quê será?
MÁQUINA DE FABRICAR CRIMINOSOS
Na história da humanidade sempre houve o uso da mão-de-obra de prisioneiros.Presos políticos, presos de guerra e etc, que foram designados para trabalhos forçados.Os Estados Unidos e muitos países europeus usaram e ainda usam muito desta “força de trabalho”.
Como citei anteriormente o código penal brasileiro não obriga o preso a trabalhar.Claro, por causa do código “caduco”, feito para “barões”.Hoje em dia um preso que queira trabalhar,tem que pagar alguma coisa a alguém,já que um dia de trabalho lhe é debitado na pena .
Mas existe e sempre existiu um esquema para encher cadeias.Para muitas “autoridades” cadeia cheia é investimento,é bolso cheio.
Será que é tão difícil educar alguém? Como pode uma criança de 10 anos se transformar em um assassino cruel?Eu tenho a resposta.
A antiga Febem (hoje Fundação Casa), sempre foi uma máquina de fabricar criminosos. Durante o regime militar (onde tudo começou), menores infratores ou não, eram literalmente “jogados” nessas casas de correção.Mas nunca houve intenção de corrigir ninguém, o que sempre houve foi coação, violência, abuso sexual e outras humilhações.Ao invés de reeducar os futuros cidadãos, criavam e continuam criando exércitos de psicopatas.
Tenho muitos amigos que passaram pela Febem, muitos sobreviveram e hoje levam uma vida pacata, com família e trabalho digno. Muitos outros, anos mais tarde, morreram em confronto com a polícia.Mas todos, todos entraram lá crianças. E eram crianças que ainda jogavam bola na rua, brincavam com bolinhas de gude, soltavam pipas.E muitos eram absolutamente inocentes.
As pessoas procuram a resposta para tanta violência e por incrível que pareça a resposta está na frente de todos.
Todos sabemos da condição desumana com que são tratados os encarcerados.
A cadeia pode ser humanizada.
Pode sim! Dê trabalho e escola aos presos. Cadeia tem quer boa! É isso mesmo!Cadeia tem que ser boa, com horário para o trabalho, com horário para o estudo, para o culto religioso, horário para as refeições, para o entretenimento e etc.
O preso tem que pagar sua pena sem benefício algum, tem que cumprir integralmente, porém, tem que ser preparado para voltar à sociedade.
O estado não precisa gastar um centavo na formação escolar e profissional de um preso. A cadeia é autossustentável. Para cada três dias de trabalho é abatido um dia de pena.Todos querem trabalhar, é lógico, quanto mais estudo e trabalho, mais próxima estará a liberdade.
O estado não quer educar os cidadãos livres, imagine se vão se dar ao trabalho de educar os encarcerados.
Como afirmei o custo na educação e formação dentro dos presídios não custará nada aos cofres públicos.As cadeias estão cheias de profissionais.Lá estão professores, médicos, advogados, engenheiros, e tantos outros profissionais.O trabalho não é moeda de troca com a liberdade? Então?
Claro!Um ensina o outro, um trabalha para o outro e todos trabalham de graça para o estado.Todo mundo sai ganhando, principalmente a sociedade que ao invés de receber de volta assassinos revoltados, receberá profissionais com anos de educação.
Como escrevi no início, o Brasil é o país do crime.Não parece que esse estado de coisas irá mudar tão cedo.Uma sociedade moldada na mentira e na corrupção levará décadas para se transformar.
Sei que não é possível acabar com o crime.Quase todo o sistema jurídico que conhecemos foi formulado com base no velho testamento.Muitas nações adotaram a religião como ponto de partida para suas leis, mas os livros sagrados apontam como maior benção o livre arbítrio.Todos somos livres para fazermos o que quisermos, o que é um paradoxo.
O crime nunca vai acabar, mas é possível transformar o criminoso. O problema é que no Brasil não se combate o crime de verdade, na fonte.
A verdade é que o crime sempre foi e sempre será a maior fonte de renda deste país!
O Brasil é o país do crime!
Sunday, August 04, 2013
Sangue nos Olhos
Sangue nos Olhos
Um trecho.
O Opala reluzente surgiu rodando devagarinho na descida depois da curva, na rodovia Régis Bitencourt, divisa das cidades de São Lourenço e Itapecerica da Serra.
Os policiais recebiam a confirmação pelo rádio de que era mesmo esse veículo,um Opala 4.1 S, preto,placas AL 1018 de São Paulo.
Acabara de ser montado o bloqueio policial,várias viaturas e alguns caminhões fechavam os dois lados da estrada,os soldados estavam de prontidão,preparados para parar o veículo que parecia vir aumentando a velocidade a cada palmo de chão.
O Opala começou a ganhar um pouco mais de velocidade e os primeiro tiros de advertência foram disparados,o veículo não parava.
Os tiros já partiam em direção ao veículo e ele só rodava mais e mais depressa...Até se chocar em um dos caminhões que fechavam a rodovia.
Os policiais se aproximaram e dispararam vários tiros,quebrando os pára brisas do carro.
Um oficial aproximou-se lentamente do carro,empunhava uma pistola e gritava para que o ocupante saísse com as mãos na cabeça.
Longos e tensos minutos passaram-se,nem uma movimentação ou barulho vinha de dentro do Opala,apenas o fogo que começou a se alastrar pelo interior do carro.
Outros policiais juntaram-se ao oficial,abriram as portas do carro e lá dentro só havia as ferragens do que sobrara de uma cadeira de rodas...
Wednesday, June 12, 2013
Movimento Passe Livre
Movimento Passe Livre
Talvez eu esteja indo
na contra-mão da história,mas tenho minhas convicções e algumas
certezas sobre algumas coisas nas quais acredito.
Sou a favor do
Movimento Passe Livre!
Acho justa e pertinente
as manifestações que a juventude está fazendo em São Paulo.
Acho que o movimento
tem que se expandir,exigir outras coisas também,não só a redução
dos preços das passagens.
Muitos dizem que a
passagem não é tão cara,que foi reajustada abaixo dos índices de
inflação,pode ser,mas a qualidade é uma vergonha. Outra
coisa,dizem que não pode ser gratuita,como não? O idoso já esta
isento de pagar passagem,porquê não isentar os estudantes, eles já
pagam metade. Investir no estudante não é investir no futuro da
nação?
Se é possível dar
isenções para clubes de futebol,instituições sem fins
lucrativos,estádios de futebol,partidos políticos,etc. Será tão
oneroso o investimento em educação,em forma de custear o transporte
de quem estuda?
Sou a favor do
Movimento Passe livre,que também deveria colocar outros assuntos
importantes na pauta de reivindicações,como;o fim da
obrigatoriedade do voto, mais rigor da lei contra a corrupção,um
plano imediato de reformulação do ensino,a diminuição dos gastos
com 'parasitas' no serviço público,a entrega do patrimônio público
para empresários e empreiteiras,a diminuição da carga
tributária,entre outros tantos problemas que nos impedem de viver em
paz.
Não aceito a violência
gratuita como forma de manifestação,e tenho certeza que as ações
de vandalismo que estão ocorrendo não são de pessoas do movimento
e sim de aproveitadores,”políticos profissionais”,
infiltrados,querendo tirar proveito eleitoreiro.
Acho oportunas as
manifestações,já passou da hora de gritar,de cobrar com energia os
poderes estabelecidos constitucionalmente que são mantidos pelo suor
das pessoas desta nação.
Sou a favor do
Movimento Passe Livre,sou a favor do Movimento Brasil Livre!
Marcos Teles
Friday, June 07, 2013
A Noite e os Anjos
Essa música da Banda Tecora será umas das que estarão no álbum de estreia de Esther Ribeiro.
Quando a noite acabar
Me conta o que viu na rua
Tira o horror do olhar
Põe minha saliva na tua
Fala do andarilho gelado
Do fantasma na casa ao lado
Fala da força do vento
Mostra o palácio sem telhado
E o sangue escuro no calçamento
O mundo se acabando e eu cantando
Alguém está matando os nossos anjos
Pode olhar pela janela
Mais mil corações despedeçados
Olha a fúria de um menino bandido
Não confie na justiça que mata
Por que ela nunca está errada
O mundo se acabando e eu cantando
Alguém está matando os nossos anjos
O mundo se acabando e eu cantando
A droga está matando os nossos anjos
Colombiana
Um dia ele quis sair de casa
E se jogar de cara no mundo
Nunca pensou sofrer
Mas caiu num abismo profundo
Esculpiu planos,estratégias
A metrópole não o assustava
Com espada de madeira,era guerreiro
Como todo menino, sonhava
Mas chegou a hora de crescer
Hei! Juventude desesperada
Sem lágrimas pra chorar
Procurando tardes de domingo
Ou um poste pra se enforcar
Seus companheiros de apartamento
São seus devaneios,seus sonhos
Mas seu espelho lhe obriga ver
Não é o homem que queria ser
Não é o homem que podia ser
Hoje tem amiga de solidão
Uma bruxa colombiana
Uma aranha que lhe prende à sua teia
Viaja,viaja ao centro do seu coração
Sempre se vê procurando uma veia
Com uma agulha presa a mão.
Rua das Lembranças
Caminhando pelas ruas, as ruas da periferia
Pensando aqui comigo mesmo
Quantos sonhos, desejos impossíveis
E nos pontos de ônibus
Manadas humanas de cabeças baixas
Esperando o trem da vida passar
Sigo olhando os carros velhos, as mesmas pedras encostadas
Um trem que viaja solto e vazio
Vou olhando as veias expostas
As fraturas expostas e os sorrisos tristes
Desses guerreiros e guerreiras
Dessa gente que caminha procurando um rumo
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas
Ruas empoeiradas da periferia
Na memória vou buscando os amigos
Todos os que partiram pra última viagem
Todos os que foram empurrados pros infernos
Os mesmos amigos que ouviam Dafé e Tim Maia
Que procuravam comigo os bailes nos sábados á noite
Sempre caminhando pelas ruas, ruas empoeiradas da periferia
Um anjo sem asas passa por mim
De olhos molhados, com lágrimas vermelhas
Expulso do paraíso, como tantos, como tantos
Também veio morar aqui, na rua das lembranças
Mata o tempo olhando os rostos marcados de minha gente
Dessa gente que sonha e caminha
Dessa gente que sonha e caminha
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas, ruas empoeiradas da periferia.
Friday, May 31, 2013
Contos Quase Infantis - A Moça Mais Bonita e o Dia Em Que Fui Herói
Quando adolescente, fui
trabalhar no Itaim-Bibi,na fábrica de sapatos de um parente. Eu
ainda era praticamente uma criança, e claro,muitas coisas eu ainda
não entendia.
Ao lado da fábrica
havia dentre outras coisas, uma oficina de chaveiro,uma oficina
mecânica,um estúdio fotográfico e uma lanchonete.
Todos os dias ao cair
da tarde,reuniam-se ali na lanchonete, praticamente todos os homens
daquele pedaço da Rua Bandeira Paulista. Formou-se ali um verdadeiro
“Clube dos Cafajestes Tupiniquim”.Como não podia deixar de
ser,os assuntos eram os mais variados,desde a final do campeonato até
a última “beldade” na capa da revista Ele & Ela. Óbvio
também, que nunca ficavam de fora os comentários sobre as mulheres
que passavam por aquela parte da rua.
Sem perceber eu também
passei a fazer parte do “clube”.Participava das conversas,bebia
cerveja e até me arriscava em algumas “cantadas”.
Agora é que “ela”
vai entrar na história
Ela passava todos os
dias em frente a lanchonete,sempre no mesmo horário,levava uma
criança para uma escola na Rua Pedroso Alvarenga. Ela trabalhava em uma
casa de família na Rua Urussuí. Seu caminho era ir pela Rua
Bandeira Paulista e voltar pela Rua Tabapuã.
Quando ela surgia
carregando a criança pela mão,era o momento de maior “tensão”
no “clube”.
Ela era linda,o sonho
de todos os marmanjos que se reuniam na lanchonete do Zé Pinto.
Quando ela passava,dirigiam-lhe todo um dicionário de
elogios,pediam-lhe em casamento,assovios e outras tantas coisas que
nem posso citar neste texto. Quase todos os dias a cena se repetia.
Ela seguia
impassível,sabia do poder de encantamento que exercia sobre aquela
turba de “desocupados”.Não esboçava reação alguma,nenhum
gesto,um mínimo sinal de sorriso,caminhava altiva e serena,impávida
e colossal.
Depois que ela passava
seguiam-se os comentários;alguns diziam que ela já estava “no
papo”,que era questão de dias para conquistá-la,outros faziam
apostas apara ver quem a conquistaria primeiro.
Os dias,os meses
seguiam e nada acontecia. Ela continuava passando,o “clube “ se
alvoroçava e ela desaparecia na esquina. Novamente comentários e
apostas.
Da queda ao heroísmo
Eu estava lá, sozinho
na porta da fábrica,sozinho na rua,pronto para ir embora quando de
repente, ela surgiu na esquina. Meu coração quase escapou boca
afora. Ela vinha se aproximando,como numa cena de filme
romântico,parecia caminhar em câmera lenta. Quando passou por mim
tive coragem e mandei um Psiu!.Ela caminhou alguns passos ,virou-se
e voltou em minha direção. Daquela boca sensual soou a pergunta que
me jogaria no fogo do inferno da vergonha:
- O quê você quer
comigo menino?
Fiquei mudo,sem saber o
que responder. Como não havia pensado no que dizer depois do
psiu,balbuciei tremulamente:
-Nada não...
-Tudo bem.
-Nada não...
-Tudo bem.
Ela falou e se foi.
Como diria Mark
Twain ;as cortinas da vergonha caíram sobre essa cena...
Para minha sorte, não
havia testemunhas para essa fracassada e imbecil tentativa de
conquista.
A partir deste dia
passei a me esconder dela,quando era a hora dela passar,eu corria para os fundos da fábrica e inventava algo para fazer.
Essa estratégia em
esconder minha vergonha não durou muito tempo. Numa tarde de
novembro,sem que eu sequer imaginasse,os agentes do destino
conspiravam para minha redenção. Ela surgiu radiante,vestia uma
minissaia branca,tinha os cabelos molhados e parecia desfilar.
Aquela hora o"clube”
estava mais cheio do que nunca,havia mais membros,até o delegado
estava lá.
Tentei me refugiar,não
deu tempo,ela sorriu e parecia olhar para mim. Ela passou pelo “Clube
dos Cafajestes”,aproximou-se de mim e surpreendentemente lascou um
beijo em minha face rubra. Ela sorriu e falou:
-Oi menino bonito.
Fiquei estático,como
um objeto inanimado e olhando pra ela indo embora...
Depois que ela se
foi,todos correram em minha direção. Muitos gritavam vivas, outros
já preparavam os rojões, alguns já pensavam em chamar os
bombeiros para um desfile em carro aberto.
E assim me tornei o
herói do “clube”.
Ah! Ela? Não a vi
mais. Soube através de pessoas da Favela da Funchal, que ela engatou
um tórrido romance com o japonês do estúdio fotográfico. Mas
ainda guardo uma lembrança,uma foto dela em cenas picantes numa
página de uma revista erótica.
Sunday, May 12, 2013
Trecho da peça Sombras no Jardim.
Trecho da peça Sombras no Jardim
CENA 6
Locutor - Este
programa tem o oferecimento do bar planeta saudade, o lugar onde você põe sua
alma e seu coração em um copo.
Locutor - E agora
vamos falar com a última ouvinte da noite.Será que ainda tem alguém na linha?
Toca o telefone
Locutor - Boa noite
princesa!
Rosa Pequena - Alô?
Locutor - Alô
princesa!Você está aí?
Rosa Pequena – Alô?
Senhor Solidão?
Locutor - Sim
princesa! Estou te ouvindo, qual o teu apelido?
Rosa Pequena - Rosa
Pequena!
Locutor - Que
delicadeza... Rosa Pequena... Que belo!
Você fala de que
lugar pequena flor?
Rosa Pequena- Jardim Ângela,
São Paulo.
Locutor - Conheço o Jardim
Ângela. Tenho alguns amigos que moram aí.
Tudo bem com você Rosa
Pequena?
Rosa Pequena -Vou
indo.
Locutor - Você está
com a voz triste. Está com sono?
Rosa Pequena – Não,
estou cansada.
Locutor - E porquê
está acordada até essa hora?
Rosa Pequena - Estou
te ouvindo desde o começo do programa.E também não consigo dormir cedo.Aliás,
faz tempo que não durmo direito Senhor Solidão.
Locutor - O que houve
princesa? Me conte o motivo de tanta solidão.
Rosa Pequena - É uma
longa história Senhor Solidão.
Locutor-Não tem
problema. Me conte. Quero conhecer tua alma de flor.
Rosa Pequena - Eu sou
solitária e viúva desde que me casei.
Locutor –Também foi
viúva de marido vivo?
Rosa Pequena –Sim. Isso
e mais um pouco.
Locutor – O que
aconteceu? Passou um oceano em sua vida?
Rosa Pequena - Um
terremoto.
Locutor - Me fale.
Rosa Pequena - Quando
conheci meu marido éramos dois jovens.Nos encontrávamos nos bailes de fins de
semana. Daí começamos a namorar. Inexperiente como toda adolescente, logo
engravidei. E pouco tempo depois nos casamos. Eu não o conhecia direito, foi
complicado. Um dia á noite eu estava sentada na porta de meu barraco, a polícia
chegou perguntando por ele.Eu disse que ele estava no trabalho e o policial me
disse: “que trabalho que nada dona, seu marido é ladrão!”.
Locutor-Que tranco
hein, princesa?
Rosa Pequena - Foi um
golpe duro. Meu marido não apareceu em casa nesta noite.No outro dia cedo, um
amigo dele veio me dizer que ele estava preso, que eu fosse visitá-lo por que a
coisa era feia (chorando).
Locutor-Não chore
princesa. Respire fundo.
Rosa Pequena -
(soluçando) Quando cheguei a delegacia, o delegado me perguntou se eu era
esposa dele eu confirmei.O delegado me disse que meu marido iria pegar no
mínimo 30 anos de cadeia.Afirmou que mataram um casal de idosos e duas crianças
numa chácara em Embú-Guaçu e que meu marido e seus comparsas eram suspeitos.
Não tínhamos dinheiro para pagar advogado. Ele foi pra prisão.
Locutor-Que choque
pequena rosa.Que choque.
Rosa pequena - Depois
disso, minha vida virou um inferno.Eu era obrigada a visitá-lo numa colônia
penal no interior, uma cidade longe, horas de viagem, muita humilhação,
cansaço, solidão...
( PAUSA)
Locutor - Quer falar
mais?
Rosa Pequena - Não
vou atrapalhar?
Locutor-Claro que não
linda rosa. Abra o coração.
Rosa Pequena - Meu
marido ficou 15 anos preso. Conseguiu uma liberdade condicional há quatro meses.
Fizemos muitos planos Senhor Solidão.Durante esses anos eu lutei só, criei meu filho,
construí uma casa, e agora, mesmo com todos os defeitos meu homem estava em
casa. Era um sonho.
Locutor - Você disse era,
pequena rosa?
Rosa Pequena - Sim Senhor
Solidão era. Ele nunca me amou, ele amava o crime. Há duas semanas foi morto
fugindo da polícia depois de fazer um sequestro relâmpago.
( PAUSA)
Locutor - Coisas da
vida linda rosa e eu não sei o que te dizer.
A única certeza que
tenho é que você não é a única nem será a última a passar por isso. Sim, com
certeza você sempre foi viúva.
Mas nem sempre temos
que aceitar as coisas como elas são. Ás vezes precisamos mudar o curso de nossa
história, mudar de bairro, de cidade, mudar a cor dos cabelos. Precisamos
procurar todos os meios pra enganarmos a solidão, ela nos acompanha, ela é uma
sombra que nos segue pela vida afora.
O que nós dois sabemos é que você agora é uma
mulher livre, sem amarras e sem grades. Você também pagou por crimes não
cometidos e é sua hora de viver. É sua hora de pegar seu pote de ouro no fim do
arco-íris, para cada dia basta seu mal e seus dias de alegria estão chegando. E
sei que você também sente isso.
Rosa Pequena - Sim, é verdade. . .
Locutor - Agora
entendo sua falta de sono. Não é medo da solidão, é a dúvida do que fazer com a
sua liberdade.
Rosa Pequena - Acho
que sim(sorrindo).
Locutor - Então,
quando o dia clarear prometa a si mesma colocar seu melhor vestido, uma flor
nos cabelos e sorrir para todos, uma rosa não é uma rosa se não se abrir e
soltar seu perfume para o mundo.
( Rosa Pequena Sorri)
Locutor - Boa sorte
linda Rosa Pequena do Jardim Ângela. Seja feliz você merece.
Rosa Pequena – Boa noite Senhor Solidão, obrigada.
Locutor - Eu te
agradeço por me mostrar seu coração linda flor.Um beijo.
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