Marcos Tecora Teles
Thursday, May 09, 2013
Funk Consciente!
Tenho recebido algumas críticas por ter participado de uma reunião para discutir a organização dos "pancadões" na cidade de São Paulo.Quero deixar clara minha posição sobre essa questão.
O Funk (pancadão),queiram ou não queiram é uma expressão cultural como qualquer outra,tem seu estilo,sua moda,sua música e seu comportamento.Se não é cultura é contra-cultura.
Discutir a qualidade da música é outra coisa,gosto é gosto,cada um tem o direito de gostar do que quiser.
O que se tem debatido sobre os pancadões de rua é a falta de organização,o improviso,as letras das músicas e a falta de respeito com as comunidades. Além do barulho excessivo,o consumo de drogas e álcool por crianças e adolescentes,isso é um problema grave.
Os pancadões tem gerado conflitos e confrontos e isso está ficando perigoso e pode se chegar a uma situação insustentável.
As reuniões que estão acontecendo por toda cidade são para se chegar a um consenso sobre o que fazer.Não dá para proibir as pessoas de exercerem seus direitos de lazer e entretenimento,principalmente nas periferias onde o poder constituído tem interesse menor em investir as verbas públicas.
A política existe para organizar a sociedade,resolver conflitos e atender as necessidades básicas das comunidades.
Não nutro a menor simpatia pelo Partido dos Trabalhadores,partido do atual prefeito da cidade de São Paulo,mas não sou hipócrita e leviano,entendo que a atitude do poder municipal em atentar para a questão dos pancadões e querer organizar os eventos na cidade é uma atitude responsável,porque vai evitar uma série de danos.
Acho que toda a sociedade precisa participar dessa discussão,é do interesse de todos.
Os adultos em sua maioria rejeitam os pancadões,mas todos se esquecem que a rebeldia é inerente a juventude.Quanto mais amaldiçoam o gênero funk,mais os jovens gritam.
Os pancadões precisam sair das ruas e dos alto-falantes dos carros,precisam ir para as praças,com horário para começar e terminar.Os pancadões precisam ser organizados,com anuência e presença dos poderes constituídos e com o consentimento das comunidades.
Gostando o não,os pancadões estão aí e temos que aprender a conviver com eles.
Monday, January 28, 2013
Tragédias Cotidianas
Tragédias
Cotidianas
Foto: UOL
Minha amiga Rita
Rodrigues me perguntou se eu não comentaria sobre o que aconteceu na
casa de shows em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eu disse a ela que
não havia muito o que comentar. Pensei realmente em não escrever
nada sobre o assunto. Estava esperando esgotar toda a exploração
midiática e política do acidente.
Após refletir,decidi
que não devo e não posso perder o direito de me indignar sobre mais
uma tragédia.
A indignação começa
quando as vidas perdidas já não importam,importam apenas as
melhores imagens,os melhores ângulos,aquela imagem exclusiva. Me
indigna também os comentaristas profissionais,com suas suposições
e falastrices.
A indignação aumenta
quando começam a apontar os culpados. O culpado é o músico,não
poderia ter usado fogos de artifício no palco. A culpa não é do
músico,a culpa é todos nós. Nós matamos os jovens na casa de
shows. Nós acendemos o fósforo que matou um pouco de uma nova
geração de brasileiros. Porque somos nós que fazemos as escolhas
erradas,somos nós que não damos atenção à corrupção que
destrói nossas vidas. Somos culpados porque não cobramos
devidamente aqueles que nos representam. Somos culpados porque não
amamos os nossos iguais. Somos culpados porque somos egoístas.
Nós matamos os jovens
em Santa Maria,porque sabemos que a fiscalização nas prefeituras
são apenas órgãos paralelos de arrecadação para políticos.
Sabemos também que os donos da casa de shows , que só pensavam no
lucro e certamente pagavam propina à alguém.
Somos todos culpados
porque as tragédias não mais nos assombram,elas viram espetáculo.
E é sempre
assim,depois
da tragédia,vem a exploração da mídia,vem a comoção,vem o
choro. Culpa-se o mais fraco. Inventam uma nova lei. E daí ,vamos
dormir confortados e esperar a próxima tragédia. E as tragédias
vêm sempre embaladas para presente.
Depois dos funerais,esvaziam-se as manchetes,vem o esquecimento.
Mas um coração de mãe vai sangrar todo dia,até o fim dos tempos.
Depois dos funerais,esvaziam-se as manchetes,vem o esquecimento.
Mas um coração de mãe vai sangrar todo dia,até o fim dos tempos.
Marcos
Teles.
Saturday, January 26, 2013
HIP H´ÓPERA!
Foto:Internet
Diziam que Santa era uma mulher perturbada. Contam que desde pequena sonhava com anjos e via fantasmas. Santa jurava que tudo era verdade. Que falava mesmo com seres invisíveis. Talvez fosse coisa de infância, o que seria perfeitamente normal. Mas Santa carregou isso à vida toda.
Quando moça, nas festas, arrancava as roupas e dançava nua. Às vezes parecia mesmo receber alguma entidade. Falava coisas em língua desconhecida e afirmava prever o futuro.
Diziam que Santa era louca.
Santa tinha vida de princesa, vivia em uma ilha de conforto e tranquilidade. Nunca saía de casa sem a companhia do motorista da família. Estudou no melhor colégio da cidade, viajou para muitos países.
Mas Santa era triste. Sabia-se que algo a incomodava. Santa tinha a alma machucada. Ela buscava respostas...
Um dia se apaixonou e foi embora com seu amado. Nunca disse pra onde iria. Anos se passaram sem alguém saber de seu paradeiro.
Santa despertou com um homem segurando sua mão. Levantou-se lentamente e olhou ao redor, sabia que nunca estivera antes naquele lugar. Perguntou àquele homem:
- Como cheguei até aqui? Onde estou?
O homem sorriu e abriu os braços apontando às pessoas em uma festa.
O homem ofereceu o braço para que Santa se apoiasse e foram caminhando em direção às pessoas.
Juntaram-se a pequena multidão e as pessoas sorriam para Santa, tocavam em sua roupa, em seu cabelo, gostaram de sua presença ali. Ela se sentia bem, um pouco cansada, como se houvesse chegado de uma viagem. Sentia-se feliz, mesmo no meio de gente que nunca havia visto antes.
Santa cantou, dançou e não bebeu nada. Já não se preocupava em saber porque estava ali.
O dia amanheceu e não havia mais ninguém, a festa havia acabado. O homem permanecia ao seu lado. Sempre com um sorriso nos lábios, porém, calado.
Muitas pessoas estavam saindo de suas humildes casas. E eram casas sem rebôco, sem pintura. O esgoto correia a céu aberto, as crianças correndo para irem à escola.Poucos homens apressados para irem ao trabalho e mulheres esbaforidas. Santa perguntou ao homem:
- Quem são eles? E quem é você?
E enfim, ela ouviu pela primeira vez a voz daquele homem:
- Esse é o povo! E eu sou seu companheiro de viagem - respondeu o homem. - e esse povo é gente que trabalha duro, que quer trabalhar e nem sempre pode. Essa gente se levanta antes do sol nascer. Esse é o povo e estão por todos os cantos. Amontoados, esquecidos, humilhados, mas muitas vezes com o pouco que têm conseguem ser felizes. Porque a única coisa que podem repartir entre si é a alegria.
- Como podem levar uma vida tão dura? E de qual viagem você está falando? Santa perguntou curiosa.
O Homem calmamente respondeu:
- Somos companheiros de viagem, de uma viagem que faremos por nossos diferentes mundos. Esse é meu mundo, um mundo que você não conhecia. Te apresento a realidade ,seja bem-vinda!
Santa não entendeu nada do que o homem lhe disse. Estava vivendo mais um daqueles sonhos que lhe eram corriqueiros, pensou.
Os dois de braços dados caminhavam por aquele lugar, Santa olhava com tristeza para as pessoas, eram tão pobres... Sentia sua alma doer novamente.
Atravessaram ruas enlameadas, cruzavam com ratos e insetos no trajeto. Santa sentia o odor de podre que exalava da terra.
O homem olhava detalhadamente o semblante de Santa cada vez que se deparavam com algo que a deprimia.
Um menino com uma ferida no rosto se aproximou e pediu um trocado. Com certeza ela lhe daria se estivesse com sua bolsa.
Eles continuavam a caminhar, o homem ia lhe apontado às coisas do lugar. Um carro velho anunciava a compra de ferro-velho ou trocava bateria de carro por maçã do amor. Outro carro anunciava as promoções de um super mercado.
Mesmo com tantas dificuldades aquele lugar era cheio de vida e nada parecia familiar para ela.
Ela se assustou quando viu alguns rapazes que corriam beco adentro. Atrás deles homens fardados vinham com revólveres nas mãos. De repente ouviram-se pancadas, gritos de dor e muitos tiros. Os corpos dos rapazes ficaram no chão, jorrando sangue...
- Cena comum por aqui. - disse o homem à Santa.
Santa e aquele homem sentaram-se. Santa chorou.
Outros rapazes fumavam crack e maconha na escadaria que dava acesso para duas ruas. Tragavam e riam. Pessoas se aproximavam timidamente, deixavam algum dinheiro e levavam um pouco de droga, outros consumiam ali mesmo. Fumavam ou cheiravam, depois iam embora, mas em pouco tempo estavam de volta buscando mais.
Santa e o homem apenas observavam. Levantaram-se novamente e continuaram a caminhar por ali.
Santa quis gritar quando viu os funcionários de uma empresa de energia elétrica cortarem todos os fios que levavam luz àquele lugar. Os homens riam, gritavam grosserias para as mulheres que desesperadas pediam pelo amor de deus. Mulheres que diziam que tinham bebês em casa, que o pouco que havia na geladeira iria estragar.
E assim corria o dia. Santa via bares cheios de homens saudáveis e ônibus lotados de mulheres preocupadas. Observava crianças que voltavam mais cedo da escola, por que não encontraram professor. Mães que voltavam do posto de saúde, com seus filhos nos braços, não havia médicos para lhes atender...
- Que mundo é este?- perguntava Santa, aflita.
- O mundo real. - respondia novamente o homem.
- Não sabia que isso existia. -afirmava com remorso.
-Você não tem culpa, sempre te esconderam isso. Pra te proteger talvez... Mas acredite, as pessoas se acostumam com o sofrimento. O maior problema são os que lucram com a dor dos outros. As pessoas falam de céu e de inferno, acham que os dois estão em lados opostos, mas não, eles estão lado a lado. Apenas um cordão de força invisível separa o céu do inferno. Você viveu esse tempo todo no céu, estas pessoas estão no inferno.
O homem fez um silêncio e segurando Santa pela mão seguiu em frente.
Santa e o homem continuavam a caminhada e ela se deparou com uma casa em que havia muitas crianças na porta. As crianças sorriram quando viram alguns jovens desembarcarem de um carro. Santa achou estranho, se reconheceu naqueles jovens, percebeu que eram gente de seu mundo.
- O que eles fazem aqui?
- Eles vêm doar um pouco do tempo e do amor que sentem pelas pessoas. Explicou o homem.
- Então são todas boas pessoas?
- Nem todos do seu mundo que vêm ajudar fazem por amor ou caridade. Muitos fazem por dor na consciência ou por lucro fácil.- respondeu ironicamente o homem.
Caminharam o dia inteiro, Santa não sentia nem fome, nem sede, nada...
Santa sentia vontade de saber por que o mundo era tão triste e desigual, porque pessoas viviam de forma tão diferentes. Sempre aprendera que havia apenas um Deus e que todos os seres eram seus filhos. Mas que Deus era este?Que separa as pessoas?Que Deus era este que permite que um homem humilhe o outro?
A noite começava a cair e Santa fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente se assustou. Estavam parados numa esquina de ruas sem saída. Ruas que não levavam à lugar algum.
- Onde estamos agora?-perguntou assustada.
- Podemos dizer que foi onde toda sua vida começou, aqui é onde fica o cordão que divide o céu e o inferno - disse-lhe o homem. - você se lembra de quando era criança?
- Sim. Eu nunca fui feliz.
- Eu sei. Sei que também sempre sofreu, mas nunca soube por que sentia tanta melancolia. Vou te contar - o homem colocou a mão sobre os ombros de Santa e continuou - você nunca entendeu por que sonhava com lugares e pessoas que nunca havia conhecido. Também nunca entendeu porque via o futuro, porque sabia quando as pessoas iriam morrer e quando as tragédias iriam acontecer. Você nunca entendeu porque te chamavam de louca. Você falava com os anjos, lembra? Você nunca entendeu sua vida, por isso estamos aqui.
Santa ouviu calada e imagens foram tomando conta de sua mente. Agora ela estava vendo seu passado. Estava vendo Paris iluminada numa noite de sábado. Santa agora via as lojas cheias de casacos de pele em Milão. E eram muitas imagens e todas surgiam ao mesmo tempo. Uma confusão sem fim em seus pensamentos.
De repente ela viu o homem, o mesmo homem que a acompanhava. Ele agora era uma criança e estava olhando pra ela sentada dentro do carro. Ela viu agora, que sua mãe fechou o vidro, quando o menino encostou pedindo uma esmola. Ela lembra das palavras de sua mãe: ”Sai daqui trombadinha”. Santa viu a cara faminta daquele menino, a cara que tem somente quem sente fome, a cara que só tem quem tem fome de justiça.E ela se lembrou do instante em que o menino levantou a camisa mostrando a barriga faminta, e o segurança de dentro do carro, acertou um tiro naquela criança. Um tiro tão covarde que até hoje continua ecoando em seu coração.
Santa começava a juntar as coisas, agora ela sabia que sofria a dor do mundo. Sabia que poderia ter feito algo para transformar um pedaço do mundo. Santa não era louca, sofria por amar os homens.
Santa olhou nos olhos do homem e falou:
- Você é um anjo.
-Você também é um anjo.
- E como se vira anjo?
- Quando a gente morre.
- Então estou morta!Quando aconteceu?
- No dia em que você sentiu tanta pena de si mesmo e se cortou com cacos de um vidro de colônia.
Santa olhou ao redor. Não sorriu, não chorou, apenas olhou e perguntou ao seu companheiro de viagem:
- E agora, pra onde iremos?
- Por aí, vamos conhecer um mundo que pode ser de todos.
- Esse mundo existe?
-Você vai descobrir. Vamos!
Fim
Saturday, January 19, 2013
Trecho do Livro
Trecho do livro:
"Hoje me orgulho de minhas mãos calejadas, de cada ruga que trago no rosto, das marcas nas costas e da dignidade com que me propus um dia, sob o azul do céu, apesar de tudo, tocar minha vida em frente.
Hoje também me emocionei muito ao lembrar de minha mãe, que mesmo sem nenhuma instrução, apenas com a sensibilidade que só as mães têm, disse-me certa vez durante uma chuva de verão, que para cada pessoa no mundo foi concedido o direito a um pote de ouro. E que este pote está no final do arco-íris. Por isso na vida temos que ser pacientes, porque tudo tem seu tempo. E se a gente quiser pegar nosso pote de ouro, temos que aprender a esperar o sol abraçar a chuva."
Friday, January 04, 2013
Lia 100121 - Meu Próximo Livro!
Foto internet
Trechos :
“... as crianças com bandeirinhas nas mãos olhavam pra cima, observando os aviões que iriam trazer nossos heróis. Mas naquela hora, já eram os alemães cruzando o céu da Polônia...”.
"Lia Goldstein"
Lia 100121
Um trecho.
- Era 30 de agosto de 1939, foi o dia em que começou a Segunda Guerra mundial, para nós crianças polonesas, foi uma festa, acreditávamos, no poder bélico do bravo exército polonês, o rádio afirmava que a Polônia rapidamente libertaria o mundo, destruindo Adolf Hitler, estávamos preparados para uma grande festa cívica,
prontos para homenagear nossos heróis nacionais. Mas mentiram para o povo polonês, nosso exército já havia sido derrotado, a Alemanha já marchava sobre a Polônia, um dia de batalha, foi o que restou de consolo. Eu tinha 14 anos e já entendia muitas coisas, fui bem-nascida, tinha tido até ali uma educação privilegiada para alguém de minha idade e até para os padrões europeus daquela época, com pouca idade eu falava razoavelmente inglês, francês e alemão por influência de minha mãe professora de literatura e que viveu muitos anos em Paris.
Eu também já havia ido há varias cidades da Europa tínhamos parentes espalhados por vários países.
Mas pouco tempo depois tiraram todos os judeus de suas casas, amontoaram todos em guetos. Essa é uma parte triste da história do meu povo e da humanidade que todos já sabem, mas o que posso garantir è que o povo judeu sabia que algo poderia ser feito, mas o papa Pio XI foi corrompido pelo dinheiro dos nazistas e fez de tudo para não deixar que a Polônia pudesse se defender, o Vaticano agiu assim; aos nazistas tudo, aos judeus isolamento ou extermínio.
Durante a invasão alemã minha família tentou fugir, fomos denunciados pelos “volksdeutsche” - alemães – poloneses, eles conviviam conosco, mas descobrimos que nos odiavam por sermos judeus.
Fomos jogados no gueto de Varsóvia e lá ficamos muito tempo, foi sofrido demais, mais dolorido e mais desumano do que contam os historiadores, só quem sobreviveu aquele horror sabe o que foi um gueto.
Numa manhã os soldados da SS chegaram e foram mandando todos para fora, os judeus seriam levados, para Auschiwitz, para um campo de concentração.
Os soldados nos empurravam para dentro dos vagões, algumas pessoas eram pisoteadas e morriam ali mesmo, quando um vagão entupia de gente, eles atiravam e matavam muitos para que sobrasse mais espaço.
Com fome e com frio seguimos para o inferno, muitos morreram dentro dos vagões.
Quando chegamos ao inferno os demônios nos arrastavam para fora do trem, nos colocavam em fila e iam fazendo uma “seleção”.
Trechos :
“... as crianças com bandeirinhas nas mãos olhavam pra cima, observando os aviões que iriam trazer nossos heróis. Mas naquela hora, já eram os alemães cruzando o céu da Polônia...”.
"Lia Goldstein"
Lia 100121
Um trecho.
- Era 30 de agosto de 1939, foi o dia em que começou a Segunda Guerra mundial, para nós crianças polonesas, foi uma festa, acreditávamos, no poder bélico do bravo exército polonês, o rádio afirmava que a Polônia rapidamente libertaria o mundo, destruindo Adolf Hitler, estávamos preparados para uma grande festa cívica,
prontos para homenagear nossos heróis nacionais. Mas mentiram para o povo polonês, nosso exército já havia sido derrotado, a Alemanha já marchava sobre a Polônia, um dia de batalha, foi o que restou de consolo. Eu tinha 14 anos e já entendia muitas coisas, fui bem-nascida, tinha tido até ali uma educação privilegiada para alguém de minha idade e até para os padrões europeus daquela época, com pouca idade eu falava razoavelmente inglês, francês e alemão por influência de minha mãe professora de literatura e que viveu muitos anos em Paris.
Eu também já havia ido há varias cidades da Europa tínhamos parentes espalhados por vários países.
Mas pouco tempo depois tiraram todos os judeus de suas casas, amontoaram todos em guetos. Essa é uma parte triste da história do meu povo e da humanidade que todos já sabem, mas o que posso garantir è que o povo judeu sabia que algo poderia ser feito, mas o papa Pio XI foi corrompido pelo dinheiro dos nazistas e fez de tudo para não deixar que a Polônia pudesse se defender, o Vaticano agiu assim; aos nazistas tudo, aos judeus isolamento ou extermínio.
Durante a invasão alemã minha família tentou fugir, fomos denunciados pelos “volksdeutsche” - alemães – poloneses, eles conviviam conosco, mas descobrimos que nos odiavam por sermos judeus.
Fomos jogados no gueto de Varsóvia e lá ficamos muito tempo, foi sofrido demais, mais dolorido e mais desumano do que contam os historiadores, só quem sobreviveu aquele horror sabe o que foi um gueto.
Numa manhã os soldados da SS chegaram e foram mandando todos para fora, os judeus seriam levados, para Auschiwitz, para um campo de concentração.
Os soldados nos empurravam para dentro dos vagões, algumas pessoas eram pisoteadas e morriam ali mesmo, quando um vagão entupia de gente, eles atiravam e matavam muitos para que sobrasse mais espaço.
Com fome e com frio seguimos para o inferno, muitos morreram dentro dos vagões.
Quando chegamos ao inferno os demônios nos arrastavam para fora do trem, nos colocavam em fila e iam fazendo uma “seleção”.
Wednesday, November 21, 2012
O País dos Imbecis
Quando olhamos as
coisas ao nosso redor e nos deparamos com verdades latentes,sentimos
imensa tristeza em constatar o quanto somos imbecis.
Isso mesmo,nós
brasileiros somos imbecis.
Somos todos
hipócritas,defendemos causas e não as respeitamos.
Somos a chacota do
planeta,país de “burros” que se acham intelectuais.
Somos o país do mais
ou menos,onde ninguém sabe nada.
Eu fico observando
grupos,associações,sindicatos,etc,todos se dizem politizados.
Mentira!Meros macacos de circo. Ficam saltando e fazendo gracejos
para que o seu dono lhes dê uma banana.
Esses mesmos grupos que
se dizem de direitos disso,direitos daquilo e o cacete a quatro.
Fazem passeatas tolas contra tudo,já se tornaram chatos demais.
Tudo é política,interesse eleitoreiro, insistem em dizer que não,
mas quando chega a campanha eleitoral,lá estão eles,trabalhando
para seus candidatos.
São os imbecis que
ficam torcendo para que tudo dê errado,para poder colocar a culpa
nesse ou naquele partido político. Não se importam com a
vida,apenas com a política opositora criminosa e irresponsável.
A periferia sofre mais
com esses idiotas úteis,que se dizem defensores do povo pobre. E
muitos desses “supostos” bons cidadãos,exercem função pública
em alguma repartição,muitas vezes indicados e mantidos no cargo
por políticos de ideologia diferentes das suas. E são os maiores
sabotadores das administrações e das instituições.
Nós somos tão
imbecis,que estamos fazendo da vida apenas e tão somente ato
político.
A vida não é um ato
político. A vida é também um ato de rebeldia e de liberdade.
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Tuesday, October 09, 2012
Banco Santander,Mc Cann Erickson e Hilton Raw São Processados Por Plágio
Banco
Santander,Mc Cann Erickson e Hilton Raw São Processados
Por Plágio
A
Agência de publicidade Mc Cann Ericsson,produziu um filme
publicitário para o Banco Santander,intitulado Patrocinador Oficial
do 37 GP Brasil F1 2008.Neste filme foi usada indevidamente uma
música da BANDA TECORA,do Capão Redondo,periferia de São Paulo.
A
música plagiada foi utilizada na trilha de um filme feito em 2007
chamado EM COMUM II, uma parceria entre o Canal Futura e o Afro
Reggae e foi produzida pelo Dj Raffa Santoro
A
produtora do áudio para o filme do Santander foi a Hilton Raw.
O
que nos deixa profundamente tristes é que já não bastando toda
exploração que nos impõe com seu poderio econômico, um banco
estrangeiro e uma agência também estrangeira, agora resolvem se
apropriar indevidamente de nosso sagrado suor.
Nós
músicos de periferia não temos espaço na mídia,temos que matar um
leão por dia,com às vezes,dois três trabalhos e ainda tendo que
tocar a noite para manter nosso amor pela arte.
O
Escritório Gomes,Almeida e Caldas moveu a ação em setembro de
2010.O processo já está sua fase final.
E pedimos cuidado ao contratar a agência Mc Cann e o produtor Hilton Raw,eles podem te trazer problemas.
E
queremos a partir de agora, sugerir um novo slogan para o Santander:
BANCO
SANTANDER .O VALOR DAS IDEIAS...DOS OUTROS...
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Tuesday, September 25, 2012
Coletivo de Cultura? Tem Certeza? Por que apoiam o PT?
Quando o Escritor Ferréz criou nos final dos anos noventa, o modelo dos saraus que se espalharam pela cidade, acredito que ele não pensou que alguém poderia viver somente disso.
Pois é... Tem gente que vive de sarau na cidade de São Paulo!
Hoje tem sarau em todos os cantos da cidade, sarau para todos os gostos. Cada um com seu nome de “movimento literário”. Tem sarau do burrico, sarau da maloca, sarau do piolhento e ouros tantos.
A maioria dos saraus são pontos de encontro. Poucos vão pela poesia, pela literatura.
Normalmente cada sarau é comandado por um dito “coletivo de cultura”.
“Coletivo de Cultura” não significa absolutamente nada!
“Coletivos de Cultura” não produzem nada. Recebem verba para produzir sarau e tão somente. Fazem apenas isso e diga – se, muito mal.
Não procure. Você não vai encontrar muitos livros lançados por coletivos. Alguns poucos lançados, saem até faltando capítulos.
Os “coletivos de cultura” são em sua maioria, apenas um bando de espertalhões que vivem de buscar mensalmente verba na Secretaria Municipal de Cultura.
Secretaria Municipal de Cultura que, aliás, aparelhada pelo governo do PT, usa a verba para manter lideranças e apaniguados. Tirando das costas de parlamentares o custo de cabos eleitorais.
Há muito tempo, os “coletivos de cultura” deixaram de se preocupar com cultura. Alguns juntaram - se aos movimentos de moradia. Fazem manifestações e “ocupações”, mas com verba da Secretaria Municipal e Cultura.
Os “coletivos de cultura” apoderaram - se do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais). Trata – se de um programa criado originalmente para projetos encabeçados e desenvolvidos por jovens. Pois bem, hoje o VAI serve para outros interesses. Empresas como, editoras e produtoras vivem em função do programa. Os jovens são minoria.
Hoje, pode – se dizer que o VAI é na verdade, ”vagabundagem cultural”!
Mas isto ainda não é tudo.
A Secretaria Municipal de Cultura também criou uma “agência” de viagens para contemplar seus “coletivos de cultura”. Este ano a Secretaria Municipal de Cultura pagou passagens para dezenas de “coletivos” irem à Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. Nem seria necessário dizer que poucos dos “turistas” eram realmente escritores. E tudo pago com o dinheiro do contribuinte. Mas não fique assustado, o Ministério da Cultura já havia feito a mesma coisa um ano antes (Paulo Coelho que o diga) na Feira do Livro de Frankfurt.
A coisa está tão bagunçada que qualquer um,quando precisa de dinheiro para comprar cachaça ou seu “baseado” diário,basta realizar um sarau. Como ouço por aí. Está sem grana? Faça um sarauzinho! O governo do PT paga!
E tudo isso com o seu dinheiro!
Monday, September 24, 2012
Quem Mentiu no Capão Redondo?
Mentira tem perna curta,no Capão Redondo,mais curta ainda.
Saiba porquê.Sexta-feira,28 de setembro no blog:
www.marcostecora.blogspot.com
Saiba porquê.Sexta-feira,28 de setembro no blog:
www.marcostecora.blogspot.com
Tuesday, August 28, 2012
Melancolias de Agosto
Melancolias
de Agosto
Eu não sei ,nem
posso explicar,agosto é sempre um mês melancólico.
Talvez seja o
inverno chegando ao fim.
Talvez o vento seja
mais forte.
Talvez seja o ano
avisando seu fim,não sei...
As lágrimas são
mais persistentes em agosto...
Talvez a vida comece
em agosto...
Em agosto as músicas
são mais tristes,a natureza é mais triste e todo mundo também
parece mais triste.
Em agosto me sinto
mais sozinho.
Monday, July 23, 2012
Até As Flores Eram Cinza...
Existem coisas que nasceram para dar errado.
Tudo conspira contra, o tempo está sempre contra, a natureza humana também está
sempre contra.
Por vezes não sabemos e não descobriremos
os verdadeiros motivos de tanta contrariedade, tantos espinhos no caminho e
tantos abismos intransponíveis. Simplesmente as coisas dão errado e ponto
final.
Perus é um desses lugares que foram
talhados para dar errado...
No começo era a famigerada fábrica de
cimento, que acinzentava o ar, os rostos e as flores. Tudo era de um cinza
doentio...
Depois o bairro recebeu um golpe que
deixaria aberta uma ferida que iria doer para sempre, Perus recebeu na calada
das madrugadas um cemitério, onde a ditadura depositava os cadáveres de seus
crimes.
E por último, como se já não fosse o bastante,
Perus passou a receber o lixo da cidade. Nasceram os lixões de Perus, o bairro
era agora o esgoto da cidade de São Paulo.
Realmente Perus nascera fadado ao
fracasso...
Mas em 2006 um homem desembarca em
Perus e faz uma caminhada solitária pelas ruas do bairro, como todo visitante,
observou as dificuldades... E chorou em silêncio...
Esse homem ajudou a organizar a comunidade,
mostrando a todos que era possível transformar tudo aquilo e assim foi feito...
Hoje Perus não é mais o esgoto da cidade,
o lixão acabou, no lugar ficou o dinheiro gerado pelos créditos de carbono. O
cemitério clandestino é uma página da história do Brasil que será mantida na
memória para que nunca nos esqueçamos da luta de muitos.
E pra falar das flores...
As flores de Perus não são mais
cinza, hoje as flores são vivas.
Ainda falta fazer muitas coisas no bairro,
mas ninguém mais abre mão de tudo que foi conquistado. A comunidade está aprendendo
a ser dona do seu próprio destino.
O homem que chorou em silêncio nas
ruas de Perus chama-se José Police Neto, é vereador pela cidade de São Paulo, está
no seu segundo mandato e é candidato à reeleição. José Police Neto entregou
para as pessoas de Perus o que todos nós queremos. Que o nosso bairro seja
realmente nosso.
Parecia que Perus nascera fadado ao fracasso, o povo mostrou que não. Perus é hoje um bairro vivo!
Friday, July 06, 2012
Soninha 23!
Não pensem que quero apenas incomodá-los com pedido de votos,gostaria que dividissem comigo um pouco da minha indignação.
De vez em quando me pego pessimista,descontente,achando que não temos futuro.
Passaram-se mais de quinhentos anos e ainda somos apenas um povo.Não somos uma nação.
Simplesmemte não nos respeitamos.Não respeitamos nossos vizinhos,nossos companheiros de viagem nos ônibus e trens lotados.Nós só queremos pra nós.E não interessa o que seja ,um favor,um pequeno benefício. Dos políticos não queremos decência,apenas que eles nos arrumem uma tv de plasma,um carro novo,um emprego com bom salário,uma escola particular para nossos filhos e etc.Nosso próximo não nos interessa.Por isso, somos apenas um amontoado de gente em um continente chamado Brasil.
As eleições estão aí (de novo) e são sempre as mesmas mentiras.Candidatos de todos os tipos.Ladrões,assassinos,muitos envolvidos com prostitução,jogo ilegal,tráfico de drogas e etc.Eles se apresentam como santos,nunca fizeram nada errado,nunca provaram nada contra eles e o povo acredita.
Toda essa maldade e hipocrisia me deixam incomodado,preocupado com o futuro.
Acho que o que falta nesta cidade não são somente escolas,hospitais,etc.Falta algo que não temos coragem de aceitar.Nos falta vergonha na cara.
Precisamos assumir que erramos e erramos todos.Precisamos assumir nossa fraqueza,nossa incompetência.Precisamos fazer auto-crítica e assumir nossa preguiça,nosso descaso com nossa cidade e nossa pátria mãe gentil.
Sim,nos falta vergonha na cara.
Nos falta a vergonha de receber ajuda do estado e não oferecer nada em trocar,nos falta a vergonha de receber pra ensinar e não respeitar quem ensinamos,nos falta a vergonha de jogar lixo nas ruas,de jogar entulho no quintal do vizinho,nos falta a vergonha de comprar uma carta de motorista e colocar vidas alheias em risco e tantas outras coisas...Nos falta a vergonha de sempre querer vantagen em tudo.
Mas também acho que podemos construir uma nova sociedade,debatendo ideias novas,podemos começar a traçar um novo caminho.Pensar esta cidade não somente como um gigantesco canteiro de obras.Costruir prédios é fácil,construir uma nação é outra realidade.
A candidatura da Soninha é um uma brisa fresca que sopra em nossas caras suadas e marcadas pelas rugas da decepção e descontentamento.
Por favor,não pense só em você,pense em um povo que ainda não é nação.Para o bem desta cidade.De verdade, no dia 7 de outubro ,tenha a coragem de votar Soninha 23!
Marcos Teles
De vez em quando me pego pessimista,descontente,achando que não temos futuro.
Passaram-se mais de quinhentos anos e ainda somos apenas um povo.Não somos uma nação.
Simplesmemte não nos respeitamos.Não respeitamos nossos vizinhos,nossos companheiros de viagem nos ônibus e trens lotados.Nós só queremos pra nós.E não interessa o que seja ,um favor,um pequeno benefício. Dos políticos não queremos decência,apenas que eles nos arrumem uma tv de plasma,um carro novo,um emprego com bom salário,uma escola particular para nossos filhos e etc.Nosso próximo não nos interessa.Por isso, somos apenas um amontoado de gente em um continente chamado Brasil.
As eleições estão aí (de novo) e são sempre as mesmas mentiras.Candidatos de todos os tipos.Ladrões,assassinos,muitos envolvidos com prostitução,jogo ilegal,tráfico de drogas e etc.Eles se apresentam como santos,nunca fizeram nada errado,nunca provaram nada contra eles e o povo acredita.
Toda essa maldade e hipocrisia me deixam incomodado,preocupado com o futuro.
Acho que o que falta nesta cidade não são somente escolas,hospitais,etc.Falta algo que não temos coragem de aceitar.Nos falta vergonha na cara.
Precisamos assumir que erramos e erramos todos.Precisamos assumir nossa fraqueza,nossa incompetência.Precisamos fazer auto-crítica e assumir nossa preguiça,nosso descaso com nossa cidade e nossa pátria mãe gentil.
Sim,nos falta vergonha na cara.
Nos falta a vergonha de receber ajuda do estado e não oferecer nada em trocar,nos falta a vergonha de receber pra ensinar e não respeitar quem ensinamos,nos falta a vergonha de jogar lixo nas ruas,de jogar entulho no quintal do vizinho,nos falta a vergonha de comprar uma carta de motorista e colocar vidas alheias em risco e tantas outras coisas...Nos falta a vergonha de sempre querer vantagen em tudo.
Mas também acho que podemos construir uma nova sociedade,debatendo ideias novas,podemos começar a traçar um novo caminho.Pensar esta cidade não somente como um gigantesco canteiro de obras.Costruir prédios é fácil,construir uma nação é outra realidade.
A candidatura da Soninha é um uma brisa fresca que sopra em nossas caras suadas e marcadas pelas rugas da decepção e descontentamento.
Por favor,não pense só em você,pense em um povo que ainda não é nação.Para o bem desta cidade.De verdade, no dia 7 de outubro ,tenha a coragem de votar Soninha 23!
Marcos Teles
Monday, June 11, 2012
Sobre o Sarau do Binho... Por Favor,Mais Poesia e Menos Política!
Imagem deboragarcia.blogspot.com
Art. 1º A
República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito
e tem como fundamentos:
Parágrafo
único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Este é o primeiro capítulo da Constituição da República
Federativa do Brasil, promulgada no dia 5 de outubro de1988.
Antes desse dia histórico, foram vinte e quatro anos de
incertezas e angústias. O povo brasileiro não sabia por qual caminho iria caminhar.
Vinte um anos de um regime militar que nos tirou direitos civis. Durante esse
período, eleições verdadeiras nunca existiram.
Foi um trabalho árduo de muitos homens e mulheres que se
propuseram a organizar a sociedade.Quase
todos trabalhando na clandestinidade porque não havia o mínino direito à
expressão.
Ainda nos falta muito como nação, mas não podemos deixar de
comemorar muitos avanços.
O que não podemos é retroceder, jogar no lixo o suor, a
história, e até a vida de muitos que vislumbraram o Brasil como nação livre e
independente.
Durante séculos nos contaram muitas mentiras, ocultaram
nossa história, omitiram nossos verdadeiros heróis.
Há tempos deixamos de aceitar as mentiras que sempre nos
contaram. Estamos aprendendo a caminhar
lado a lado com a verdade.
Comecei este texto citando a Constituição para alertar
alguns grupos políticos e afirmando que eles estão indo na contramão da
história. Eles ainda insistem em defender regimes comunistas.
O comunismo morreu quando o ex dirigente Mikhail Gorbachev revelou
ao mundo que a União Soviética estava falida. Falida economicamente e como nação.
O comunismo não deu certo, isto é fato.
Acho que o comunismo é excelente no papel, mas quando
pensamos nas diferenças de pensamento e nas atitudes, aí a coisa é muito diferente.
Pessoas não são iguais.
Estamos amadurecendo nosso processo democrático, as pessoas
estão entendo o valor de cada conquista. Antes o trabalhador labutava horas e horas
apenas para comprar comida, hoje continua trabalhando muito, mas também já pode
comprar um pouco de conforto.
Nunca podemos deixar de lutar por aquilo que acreditamos, mas
antes, precisamos respeitar o direito alheio. Não podemos exigir somente para nós,
a democracia é bela pelo fato de que todos devem ser ouvidos, todos têm o direito
a expressar suas opiniões. A democracia foi criada para respeitar a vontade da
maioria sem esquecer o direito e a dignidade das minorias.
Sobre o Bar do Binho.
Agora vou entrar no assunto que me trouxe até aqui, a
questão do Sarau do Binho.
O Sarau do Binho é um ponto de cultura importante para a
cidade de São Paulo, mas não só o Sarau do Binho, todos os saraus que acontecem
na cidade são importantes.
Quando soube do fechamento do bar, me senti incomodado, pois
sei da relevância e das atividades que acontecem por lá. Confesso que não sou frequentador
assíduo do sarau, tenho compromissos que me impedem de sair à noite nos dias de
semana, mas quando tenho um tempo, vou lá.
Li na internet muitas coisas, muita gente se indignou com o
fechamento do bar. Resolvi por conta própria contatar as autoridades municipais
e saber realmente o que estava acontecendo. A verdade veio à tona...
Na quinta-feira, dia 31 de maio último, liguei na
subprefeitura do Campo Limpo e falei com o Sr. Dario, chefe da fiscalização, ele
me informou sobre o que realmente estava acontecendo, me relatou fatos e marcamos uma reunião para o dia
seguinte às 16 horas.
Liguei para o Robson (Binho) e o convidei para a reunião, onde
tentaríamos chegar a um acordo que atendesse a vontade de todos. A reunião foi
marcada.
Na sexta-feira dia 1 de junho, chegamos à subprefeitura e o
Sr.Dario nos informou que quem participaria da reunião seria o Dr. Sérgio, chefe
o CPDU (Coordenadoria e Planejamento de Desenvolvimento Urbano) e o Subprefeito
Trajano Conrado.
Nos encaminhamos para o gabinete e lá ficamos por mais de
uma hora.Participaram da conversa,o subprefeito,o engenheiro
Sérgio,Robson(Binho) eu,Bruno de Paula(Coopermusp),mais duas pessoas que
acompanhavam o Robson(Binho).
A conversa foi amigável, onde todos falamos sobre a importância
do sarau. Mas para nossa surpresa, não era o sarau que estava na pauta e sim o
Bar do Binho.
O Dr. Sérgio informou (com documentos) que o bar havia seis
anos que estava passando por problemas de documentação e que o Robson estava
ciente do fato. Que desde o início lhe foi negado o alvará de funcionamento
porque o bar estava em uma área de zoneamento residencial.
Também fomos informados de que o bar já havia sido multado
duas vezes pelos mesmos problemas. Há um processo por rompimento de lacre. Existem
vinte e cinco reclamações de vizinhos, porque o bar não tem revestimento, nem
tratamento acústico e fica aberto às
vezes até as três da manhã com música ao vivo e música mecânica em alto volume.Foram
enumerados vários problemas, e enfim chegamos a um acordo.
A subprefeitura se comprometeu a conceder um alvará em 15
dias em um outro local próximo indicado pelo Robson.Também se comprometeu a
ajudá-lo no parcelamento das dívidas e emitir ofício ao delegado ,informando
sobre o fim do processo.
Como representante de uma instituição me propus também a ajudar.
Me comprometi a formalizar uma associação cultural e indicar parceiros para
ajudarem a manter a associação.
Saímos contentes da reunião, parecia que as coisas iriam se resolver.
Estávamos empenhados e tudo caminhava para um final feliz.Me enganei...
Na segunda-feira, dia 4 de junho, recebi um convite via internet,
sobre o Sarau em um novo espaço provisório, na Praça do Campo Limpo. Fiquei contente,
achei que todos se uniriam para buscar um espaço definitivo para o Bar do Binho.
Para minha surpresa quando cheguei ao local, fui recebido
com hostilidade, disseram que minha presença não era bem-vinda ali e que eu
deveria ir embora. Permaneci impassível, olhando em cada rosto, vi o Binho lá
no fundo,fui até ele e o cumprimentei,perguntei se ele havia falado sobre a
proposta e o conteúdo da reunião, ele não respondeu. Tomei a palavra e falei
por alguns minutos. Estavam todos mudos, como se não acreditassem que eu iria
até o local. Fui interrompido por uma pessoa que gritava algo desconexo, saí do
recinto e fui embora.
O que constatei em tudo o que aconteceu foi o seguinte:
O Robson (Binho) não falou a verdade, está defendendo o
tempo todo seus interesses econômicos, o bar é seu sustento, até aí tudo certo,
o que não concordo é transferir a culpa, ou por negligência ou por
desconhecimento da lei para o poder público. Também não concordo por usar um
movimento popular de cultura para interesse próprio. Também não concordo em
usar o sarau como desculpa para desrespeitar outros cidadãos.
O Sarau acontece às segundas-feiras, mas o bar abre todos os
dias. O sarau poderia ser feito em qualquer lugar,não necessariamente no bar.
Também constatei que alguns movimentos populares de cultura,
estão preocupados em fazer apenas movimentos políticos partidários e se
escondendo atrás da bandeira da cultura.
Muitos saraus vão desaparecer por falta de poetas. É muita
política e pouca poesia.
É muito mais coerente e legítimo que fundem de uma vez um
partido político, com registros, estatutos e tudo o que for direito.
Afirmo que não sou
contra a luta legítima.Sou contra a manipulação dos fatos.
A verdade dói, mas só dói uma vez, a mentira dói a vida
inteira!
Wednesday, May 02, 2012
O País que Eu não Quero!
Estamos acompanhando as notícias que chegam sem parar,ficamos de boca aberta com tamanha falta de respeito à pátria amada.
Um senador,três governadores e sabe- se lá quantos deputados,todos servindo de office boys do crime.
Começa mais uma CPI no congresso e sinceramente não acredito que sairá algo que significará alguma mudança.
É triste constatar o desvio de conduta,a falta de vergonha e tantas outras faltas...
Afirmam com todas as letras que somos a sexta economia do mundo.Me pergunto:Que economia?Nossa indústria praticamente jogada às traças.Não produzimos nada de valor agregado.Exportamos grãos,bundas, jogadores de futebol e sandálias havaianas,acho pouco para um país tão grande...
Se pararmos para pensar,veremos o quanto estamos atrasados enquanto civilização.Décadas de atraso na educação,não temos um sistema de saúde preventivo(que é muito mais barato) e tantos outros atrasos...
A população dos grandes centros culpam os governos por causa do trânsito,mas ninguém explica que isso é um problema insolúvel,o Brasil para se modernizar escolheu a indústria do automóvel( mesmo não existindo uma fábrica brasileira,diga-se de passagem) e as fábricas querem que cada brasileiro tenha um carro.Enquanto isso gasta-se com desapropriações e desmatamento para se construir ruas e estradas.Esqueceram das ferrovias,porquê será? Será que é porque o trem tem vida longa?
O governo federal mente o tempo todo,maquiando números,escondendo verdades latentes e jogando dinheiro fora numa propaganda que beira os tempos de Joseph Goebbels...
Falamos em educar as crianças,mas acho que primeiro precisamos urgentemente reeducar os adultos.Precisamos nos reeducar, reeducar o Brasil.
Marcos"Tecora" Teles
Monday, February 13, 2012
Movimentos Radicais
A esquerda radical está morta!
O protesto sem a consulta popular é tiro no próprio pé.
Hoje os movimentos( políticos) populares estão fazendo exatamente o contrário do que nós plantamos no passado,hoje eles conseguem colocar a sociedade contra eles mesmos.
Os movimentos populares(se é que são mesmo),se esquecem da regra básica,combinar com a comunidade.Fechar uma Avenida por vontade de protestar,é ganhar o ódio da senhora que mora nos confins das periferias,que precisa ganhar o dinheiro para pagar as prestações do carro comprado em 90 meses.
As revoluções não deram muito certo.O povo aprendeu,porque sempre foi bucha de canhão.Enquanto tomava porrada,seus líderes fumavam os charutos e bebiam o run.Basta olhar nossa pátria mãe gentil.Onde estão os grandes heróis da revolução?
Nossos "heróis" se venderam...
Hoje defendo uma única bandeira,a bandeira do Brasil.
Não passo a mão na cabeça de quem erra.Só defendo os inocentes,e eles são poucos...
Quase todo mundo se vende um pouco hoje em dia.
Hoje não sou nem de esquerda,nem de centro e nem de direita.Hoje sou um homem maduro que defende a verdade.
Eu sei o que se passa por trás de cada grupo organizado que se diz defensor do direito do povo,o interesse político esta´sempre em primeiro lugar...
Ideias devem ser debatidas.Não quero que ninguém pense como eu,também não me obriguem a mudar meu pensamento.
Hoje percebo que o que as pessoas querem neste país é só o respeito as leis.
Legalidade é tudo!
Wednesday, January 04, 2012
E Era Pra Ser Só Mais Um Domingo...
E Era Pra Ser Só Mais Um Domingo...
Domingo, 20 de agosto de 2006, acordei cedo, o dia estava bonito, não tinha nada programado, resolvi ir ao campo de futebol assistir uma partida (há meses não ia).
Senti um clima de festa no ar,muita gente,muito barulho e os amigos chegando,foi uma grande surpresa!
Era uma partida organizada pelos amigos para comemorar o aniversário de uma pessoa especialíssima.
Senti definitivamente que seria um dia diferente. E foi.
Os amigos foram chegando e cada um que aparecia era uma emoção incontida,amigos de infância,que sinceramente acreditava que nunca mais os veria.
Estávamos todos lá,depois de dez,quinze,vinte anos,sei lá quanto tempo,sei que estávamos ali,reunidos como nos velhos tempos.
Não tivemos tempo de falarmos detalhadamente sobre a vida,sei que cada um encontrou seu caminho,agora eram feirantes,advogados,professores,comerciantes,músicos...
Mas o momento de maior emoção veio com o Luizinho,o mais espetacular dos amigos,aquele que sempre tinha um conselho,um sorriso e um abraço pra confortar quem quer que fosse.
Ele chegou em uma cadeira de rodas,uma doença tirou-lhe uma das pernas,no rosto o mesmo sorriso e a mesma dignidade.
Joãozinho seu maior confidente não se conteve ao vê-lo,abraçou-o e chorou,choramos todos...
Ficamos ali,homens feitos,alguns já com barbas completamente brancas,chorando emocionados,dez minutos de lágrimas...
Jorge,o pastor, convidou-nos para uma oração...
Depois aconteceu o jogo,foi divertido e terminou 5x1 pros sem-barriga...
Fomos pro churrasco,muita cerveja e histórias. E brindamos a vida!
Chegou a noite e um à um foi seguir seu caminho com a promessa de um novo encontro,de uma nova reunião.Juro que vou esperar ansiosamente.
Hoje acordei com uma dor de cabeça..mas feliz,a vida deve ser brindada a cada dia,as amizades duradouras devem ser brindadas!
E era par ser só mais um domingo...
Domingo, 20 de agosto de 2006, acordei cedo, o dia estava bonito, não tinha nada programado, resolvi ir ao campo de futebol assistir uma partida (há meses não ia).
Senti um clima de festa no ar,muita gente,muito barulho e os amigos chegando,foi uma grande surpresa!
Era uma partida organizada pelos amigos para comemorar o aniversário de uma pessoa especialíssima.
Senti definitivamente que seria um dia diferente. E foi.
Os amigos foram chegando e cada um que aparecia era uma emoção incontida,amigos de infância,que sinceramente acreditava que nunca mais os veria.
Estávamos todos lá,depois de dez,quinze,vinte anos,sei lá quanto tempo,sei que estávamos ali,reunidos como nos velhos tempos.
Não tivemos tempo de falarmos detalhadamente sobre a vida,sei que cada um encontrou seu caminho,agora eram feirantes,advogados,professores,comerciantes,músicos...
Mas o momento de maior emoção veio com o Luizinho,o mais espetacular dos amigos,aquele que sempre tinha um conselho,um sorriso e um abraço pra confortar quem quer que fosse.
Ele chegou em uma cadeira de rodas,uma doença tirou-lhe uma das pernas,no rosto o mesmo sorriso e a mesma dignidade.
Joãozinho seu maior confidente não se conteve ao vê-lo,abraçou-o e chorou,choramos todos...
Ficamos ali,homens feitos,alguns já com barbas completamente brancas,chorando emocionados,dez minutos de lágrimas...
Jorge,o pastor, convidou-nos para uma oração...
Depois aconteceu o jogo,foi divertido e terminou 5x1 pros sem-barriga...
Fomos pro churrasco,muita cerveja e histórias. E brindamos a vida!
Chegou a noite e um à um foi seguir seu caminho com a promessa de um novo encontro,de uma nova reunião.Juro que vou esperar ansiosamente.
Hoje acordei com uma dor de cabeça..mas feliz,a vida deve ser brindada a cada dia,as amizades duradouras devem ser brindadas!
E era par ser só mais um domingo...
Wednesday, November 16, 2011
Mais um Super Lançamento Selo Povo
Tuesday, October 18, 2011
Comentário de um Gay Inteligente.
Retirado de uma comunidade do Orkut.
Comentário de um gay inteligente.
Enfim, alguém tremendamente lúcido, inteligente, esclarecido e principalmente uma pessoa que respeita e merece respeito.
Tenho 42 anos, sou gay, torcedor do cruzeiro, advogado e moro em Londres.
Nunca sofri nenhum tipo de discriminação em virtude de minha orientação sexual.
E como gay, penso que tenho alguma autoridade nesse assunto.
Primeiramente - e já contrariando a turba - gostaria de expressar minha sincera simpatia pelo Deputado Bolsonaro, que no fundo deve ser uma pessoa de uma doçura ímpar, apesar de suas manifestações "grosseiras e/ou politicamente incorretas".
Mas ele está corretíssimo em suas ponderações sobre as ideias dos gays brasileiros.
Vou direto ao assunto.
Nunca tive problemas em ser homossexual, porque sou uma pessoa comum, quase igual à vida de qualquer heterossexual.
Esse negócio de viver a vida expressando diuturnamente sua sexualidade é uma doença.
A sexualidade é algo que se encontra na esfera da intimidade e não diz respeito a ninguém.
Não tenho trejeitos e não aprecio quem os tem.
Para mim, qualquer tipo de extremo é patológico.
Minha vida é dedicada e focada em outras coisas, principalmente o trabalho.
Outros, como doentes que são, vivem a vida focados na sexualidade.
O machão grosseiro e mulherengo ou a bicha louca demonstram bem estes extremos.
Qualquer tipo de pervertido ou depravado (como a Preta Gil), o pedófilo, estão neste mesmo barco.
Nunca fui numa parada gay e jamais irei, pois para mim aquilo é um circo de loucas horrorosas, uma apologia à bizarrice e à cocaína.
Sejam francos e falem a verdade!
Hoje aplaudimos o bizarro e a perversão doentia e ainda levamos nossos filhos pra assistir esses desfiles.
Se a parada gay realmente fosse um ato político, relembrando sua real importância histórica, muito bem caberia no carnaval - abrindo o desfile das escolas de samba. Muito mais apropriado.
Está rolando sim, um movimento das bichas enlouquecidas, no sentido de transformar o mundo num grande puteiro-hospício gay.
Eu tenho um sobrinho de 11 anos e nunca senti a necessidade de explicar para ele que o "titio é gay" - isto é uma palhaçada.
As crianças devem ser educadas no sentido de respeitar o próximo e ponto.
Isto engloba tudo.
Se pararmos para olhar como o mundo se encontra, temos que reconhecer que o modelo de educação que se desenvolve há décadas foi criado no sentido de deseducar e desestruturar cultural e intelectualmente as massas.
Universidades por todo mundo vomitam milhões de pseudos-intelectuais todos os anos, mas tudo piora a cada dia e caminhamos a passos largos para o buraco.
Todos os governos do mundo conspiram contra seus próprios cidadãos e se transformaram em grandes máfias, junto com os Bancos e as Corporações estão levando tudo, inclusive (e principalmente) nossa própria humanidade.
A corrupção se alastra pelo globo e nunca vimos tantas guerras e descrições que vão desde o aspecto moral, até o material - a destruição de nosso próprio planeta.
A coisa está tão feia, mas tão feia, que somente uma intervenção "divina" é capaz de frear nossos insanos governantes e a turba alucinada.
E digo mais !
A fonte desse movimento encontra-se dentro da Rede Globo, onde a viadagem anda solta, desde muito tempo atrás.
Os maiores interessados no crescimento desse movimento gay são os diretores dessa TV desumana, a Globo, que no fundo no fundo, incita as crianças e jovens a assumirem um lado feminino, que em tese, às vezes nem existe de fato.
Se ninguém disser um chega BEM ALTO a essa gayzada frenética, a coisa sairá dos limites - como já está saindo.
Essa é a expressão de milhares e milhares de pessoas, para não dizer milhões.
Friday, September 09, 2011
Só Pra Falar do Meu Avô

Em uma noite clara, no começo dos anos 70 eu desembarquei na rodoviária Julio Prestes. Chegava em São Paulo, trazido por meu avô.
A noite era quente e estrelada.Entramos num velho táxi DKV e seguimos para o Capão Redondo.Rua Humberto Pascale,onde eu vim morar.
Meu avô era um homem do sertão. Amava o trabalho, amava gente e plantas. Meu avô era apaixonado pela vida, mas a vida não foi tão justa com ele.
Meu avô levou uma queda e teve um ferimento na perna.Durante anos sofreu com a ferida e nunca esmoreceu.Prosseguiu trabalhando, até que um dia teve que amputar a perna. Foi um tempo difícil pra mim. Ele passou meses internando e fiquei todo esse tempo sem vê-lo.
Em uma tarde de domingo uma ambulância parou na porta de casa.Quando a porta do carro se abriu ele estava lá dentro,sorrindo e com o rosto iluminado... Estava sendo transferido para um centro de recuperação em Itapecerica da Serra, agora eu ia poder vê-lo todos os dias.
Meu avô era um ser diferente. Desses raros, que nascem a cada mil anos e nos faz entender o sentido exato da vida. Me ensinou a amar o trabalho e a respeitar o suor que cai do rosto de quem luta.
Por amar gente e plantas, não podia ver um terreno vazio que logo ia pedir para o proprietário deixar que ele limpasse e cultivasse alguma plantação. E era isso que ele fazia, juntava a molecada, e íamos todos cuidar do pequeno pedaço de terra. Ali ele plantava milho, mandioca, batata-doce, hortaliças e depois que tudo crescia ele saía distribuindo para as pessoas da vila. Confesso que também gostava de fazer aquilo...
Ele gostava de contar histórias, de reunir pessoas ao seu redor, gostava de distribuir carinho e atenção. Ele dizia que tinha um sonho. De um dia poder ver brotar homens da terra. Tinha o sonho de plantar uma semente mágica e ao invés de uma árvore, surgir gente.
Meu avô morreu em julho de 1985. A última horta que plantou foi na Rua John Adams número 50, ele não viu brotar.
Sinto muito a falta dele, penso nele todos os dias. Às vezes quando as coisas não caminham bem,me pergunto o que ele me diria para fazer.Por tudo que me ensinou,por todo o amor que me deu,ele sempre será minha bússola e meu porto seguro.
Meu avô sonhava em ver homens brotando da terra. Exatamente onde plantou sua última horta é a sede de nosso projeto. Pena ele não estar aqui pra ver... Onde lançou sua última semente, vamos colher cidadãos.
Wednesday, August 17, 2011
Só Preciso do que Mereço
Não vou mais tentar entender o que se passa na mente da maioria das pessoas.
O que sei é muitos não fazem nada, não querem fazer nada, reclamam de tudo, são contra tudo e querem que tudo lhes seja colocado nas mãos. Simplesmente ficam sentados em casa, nos botecos e não se importam com nada, apenas com vida dos outros. Querem conforto sem sacrifícios e querem luxo sem esforço.
Confesso que ando cansado de ouvir lamúrias e ver tanta preguiça, má vontade e tantos outros sentimentos negativos.
Sei que a vida é boa...
Tenho muitas tarefas diárias e ainda assim, todos os dias procuro algo novo pra fazer, pra ocupar ainda mais o tempo. E já nem lembro há quanto tempo não tenho dinheiro, mas tem sempre alguém segurando a barra pra mim. Um amigo ajuda a pagar o aluguel, outro paga a cerveja, se não tiver uma carona, ando a pé, e por aí vai...
O fato é que estou sempre trabalhando, estou sempre querendo mudar o destino de alguém, com uma palavra, uma ideia,ouvindo,ajudando a encher uma laje, escrevendo uma carta, e tantas outras coisas, coisas simples para alguns e importantes para tantos outros... Não há graça em ser feliz sozinho...
Sempre penso como o agricultor, que levanta cedo todo dia, vai arar a terra, plantar a semente, regar as mudas, mas sempre com a certeza que não há certeza. Se chover muito a plantação alaga, se não chover, não terá frutos. O agricultor sabe que depende do clima e do tempo, e não é só do seu próprio tempo, por isso o agricultor apenas trabalha...
É assim que toco minha vida, trabalhando, para que a vida de meus amigos e de minha comunidade seja melhor.
Não que eu não goste de dinheiro, penso que o dinheiro é pra ser usado como ferramenta de transformação e de progresso. O dinheiro tem que ser conquistado com esforço e satisfação.
Essa nossa sociedade entorpecida precisa acordar e ver que o bem estar de todos depende de cada um.
Acho que tenho tudo o que preciso e só preciso do que mereço.
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