Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles

Wednesday, June 12, 2013

Movimento Passe Livre

Movimento Passe Livre

Talvez eu esteja indo na contra-mão da história,mas tenho minhas convicções e algumas certezas sobre algumas coisas nas quais acredito.
Sou a favor do Movimento Passe Livre!
Acho justa e pertinente as manifestações que a juventude está fazendo em São Paulo.
Acho que o movimento tem que se expandir,exigir outras coisas também,não só a redução dos preços das passagens.
Muitos dizem que a passagem não é tão cara,que foi reajustada abaixo dos índices de inflação,pode ser,mas a qualidade é uma vergonha. Outra coisa,dizem que não pode ser gratuita,como não? O idoso já esta isento de pagar passagem,porquê não isentar os estudantes, eles já pagam metade. Investir no estudante não é investir no futuro da nação?
Se é possível dar isenções para clubes de futebol,instituições sem fins lucrativos,estádios de futebol,partidos políticos,etc. Será tão oneroso o investimento em educação,em forma de custear o transporte de quem estuda?
Sou a favor do Movimento Passe livre,que também deveria colocar outros assuntos importantes na pauta de reivindicações,como;o fim da obrigatoriedade do voto, mais rigor da lei contra a corrupção,um plano imediato de reformulação do ensino,a diminuição dos gastos com 'parasitas' no serviço público,a entrega do patrimônio público para empresários e empreiteiras,a diminuição da carga tributária,entre outros tantos problemas que nos impedem de viver em paz.
Não aceito a violência gratuita como forma de manifestação,e tenho certeza que as ações de vandalismo que estão ocorrendo não são de pessoas do movimento e sim de aproveitadores,”políticos profissionais”, infiltrados,querendo tirar proveito eleitoreiro.
Acho oportunas as manifestações,já passou da hora de gritar,de cobrar com energia os poderes estabelecidos constitucionalmente que são mantidos pelo suor das pessoas desta nação.
Sou a favor do Movimento Passe Livre,sou a favor do Movimento Brasil Livre!

Marcos Teles


Friday, June 07, 2013

A Noite e os Anjos






Essa  música da Banda Tecora  será umas das que estarão no álbum de estreia de Esther Ribeiro.

Quando a noite acabar
Me conta o que viu na rua
Tira o horror do olhar
Põe minha saliva na tua

Fala do andarilho gelado
Do fantasma na casa ao lado
Fala da força do vento
Mostra o palácio sem telhado
E o sangue escuro no calçamento

O mundo se acabando e eu cantando
Alguém está matando os nossos anjos


Pode olhar pela janela
Mais mil corações despedeçados
Olha a fúria de um menino bandido
Não confie na justiça que mata
Por que ela nunca está errada


O mundo se acabando e eu cantando
Alguém está matando os nossos anjos

O mundo se acabando e eu cantando
A droga está matando os nossos anjos

Colombiana



Um dia ele quis sair de casa
E se jogar de cara no mundo
Nunca pensou sofrer
Mas caiu num abismo profundo

Esculpiu planos,estratégias
A metrópole não o assustava
Com espada de madeira,era guerreiro
Como todo menino, sonhava

Mas chegou a hora de crescer
Hei! Juventude desesperada
Sem lágrimas pra chorar
Procurando tardes de domingo
Ou um poste pra se enforcar

A solidão o acompnaha
Seus companheiros de apartamento
São seus devaneios,seus sonhos
Mas seu espelho lhe obriga ver
Não é o homem que queria ser
Não é o homem que podia ser

Hoje tem amiga de solidão
Uma bruxa colombiana
Uma aranha que lhe prende à sua teia
Viaja,viaja ao centro do seu coração
Sempre se vê procurando uma veia
Com uma agulha presa a mão.

Rua das Lembranças


Já é mais um dia e aí venho eu de volta
Caminhando pelas ruas, as ruas da periferia
Pensando aqui comigo mesmo
Quantos sonhos, desejos impossíveis
E nos pontos de ônibus
Manadas humanas de cabeças baixas
Esperando o trem da vida passar

Sigo olhando os carros velhos, as mesmas pedras encostadas
Um trem que viaja solto e vazio
Vou olhando as veias expostas
As fraturas expostas e os sorrisos tristes
Desses guerreiros e guerreiras
Dessa gente que caminha procurando um rumo
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas
Ruas empoeiradas da periferia

Na memória vou buscando os amigos
Todos os que partiram pra última viagem
Todos os que foram empurrados pros infernos
Os mesmos amigos que ouviam Dafé e Tim Maia
Que procuravam comigo os bailes nos sábados á noite
Sempre caminhando pelas ruas, ruas empoeiradas da periferia

Um anjo sem asas passa por mim
De olhos molhados, com lágrimas vermelhas
Expulso do paraíso, como tantos, como tantos
Também veio morar aqui, na rua das lembranças
Mata o tempo olhando os rostos marcados de minha gente
Dessa gente que sonha e caminha
Dessa gente que sonha e caminha
Pelas ruas, sempre as mesmas ruas, ruas empoeiradas da periferia.

Friday, May 31, 2013

Contos Quase Infantis - A Moça Mais Bonita e o Dia Em Que Fui Herói



Quando adolescente, fui trabalhar no Itaim-Bibi,na fábrica de sapatos de um parente. Eu ainda era praticamente uma criança, e claro,muitas coisas eu ainda não entendia.
Ao lado da fábrica havia dentre outras coisas, uma oficina de chaveiro,uma oficina mecânica,um estúdio fotográfico e uma lanchonete.
Todos os dias ao cair da tarde,reuniam-se ali na lanchonete, praticamente todos os homens daquele pedaço da Rua Bandeira Paulista. Formou-se ali um verdadeiro “Clube dos Cafajestes Tupiniquim”.Como não podia deixar de ser,os assuntos eram os mais variados,desde a final do campeonato até a última “beldade” na capa da revista Ele & Ela. Óbvio também, que nunca ficavam de fora os comentários sobre as mulheres que passavam por aquela parte da rua.
Sem perceber eu também passei a fazer parte do “clube”.Participava das conversas,bebia cerveja e até me arriscava em algumas “cantadas”.

Agora é que “ela” vai entrar na história

Ela passava todos os dias em frente a lanchonete,sempre no mesmo horário,levava uma criança para uma escola na Rua Pedroso Alvarenga. Ela trabalhava em uma casa de família na Rua Urussuí. Seu caminho era ir pela Rua Bandeira Paulista e voltar pela Rua Tabapuã.
Quando ela surgia carregando a criança pela mão,era o momento de maior “tensão” no “clube”.
Ela era linda,o sonho de todos os marmanjos que se reuniam na lanchonete do Zé Pinto. Quando ela passava,dirigiam-lhe todo um dicionário de elogios,pediam-lhe em casamento,assovios e outras tantas coisas que nem posso citar neste texto. Quase todos os dias a cena se repetia.
Ela seguia impassível,sabia do poder de encantamento que exercia sobre aquela turba de “desocupados”.Não esboçava reação alguma,nenhum gesto,um mínimo sinal de sorriso,caminhava altiva e serena,impávida e colossal.
Depois que ela passava seguiam-se os comentários;alguns diziam que ela já estava “no papo”,que era questão de dias para conquistá-la,outros faziam apostas apara ver quem a conquistaria primeiro.
Os dias,os meses seguiam e nada acontecia. Ela continuava passando,o “clube “ se alvoroçava e ela desaparecia na esquina. Novamente comentários e apostas.

Da queda ao heroísmo

Eu estava lá, sozinho na porta da fábrica,sozinho na rua,pronto para ir embora quando de repente, ela surgiu na esquina. Meu coração quase escapou boca afora. Ela vinha se aproximando,como numa cena de filme romântico,parecia caminhar em câmera lenta. Quando passou por mim tive coragem e mandei um Psiu!.Ela caminhou alguns passos ,virou-se e voltou em minha direção. Daquela boca sensual soou a pergunta que me jogaria no fogo do inferno da vergonha:
- O quê você quer comigo menino?
Fiquei mudo,sem saber o que responder. Como não havia pensado no que dizer depois do psiu,balbuciei tremulamente:
-Nada não...
-Tudo bem.
Ela falou e se foi.

Como diria Mark Twain ;as cortinas da vergonha caíram sobre essa cena...
Para minha sorte, não havia testemunhas para essa fracassada e imbecil tentativa de conquista.

A partir deste dia passei a me esconder dela,quando era a hora dela passar,eu corria para os fundos da fábrica e inventava algo para fazer.
Essa estratégia em esconder minha vergonha não durou muito tempo. Numa tarde de novembro,sem que eu sequer imaginasse,os agentes do destino conspiravam para minha redenção. Ela surgiu radiante,vestia uma minissaia branca,tinha os cabelos molhados e parecia desfilar.
Aquela hora o"clube” estava mais cheio do que nunca,havia mais membros,até o delegado estava lá.
Tentei me refugiar,não deu tempo,ela sorriu e parecia olhar para mim. Ela passou pelo “Clube dos Cafajestes”,aproximou-se de mim e surpreendentemente lascou um beijo em minha face rubra. Ela sorriu e falou:
-Oi menino bonito.
Fiquei estático,como um objeto inanimado e olhando pra ela indo embora...

Depois que ela se foi,todos correram em minha direção. Muitos gritavam vivas, outros já preparavam os rojões, alguns já pensavam em chamar os bombeiros para um desfile em carro aberto.
E assim me tornei o herói do “clube”.


Ah! Ela? Não a vi mais. Soube através de pessoas da Favela da Funchal, que ela engatou um tórrido romance com o japonês do estúdio fotográfico. Mas ainda guardo uma lembrança,uma foto dela em cenas picantes numa página de uma revista erótica.

Sunday, May 12, 2013

Trecho da peça Sombras no Jardim.



Trecho da peça  Sombras no Jardim

CENA 6

Locutor - Este programa tem o oferecimento do bar planeta saudade, o lugar onde você põe sua alma e seu coração em um copo.

Locutor - E agora vamos falar com a última ouvinte da noite.Será que ainda tem alguém na linha?

Toca o telefone

Locutor - Boa noite princesa!

Rosa Pequena - Alô?

Locutor - Alô princesa!Você está aí?

Rosa Pequena – Alô? Senhor Solidão?

Locutor - Sim princesa! Estou te ouvindo, qual o teu apelido?

Rosa Pequena - Rosa Pequena!

Locutor - Que delicadeza... Rosa Pequena... Que belo!
Você fala de que lugar pequena flor?

Rosa Pequena- Jardim Ângela, São Paulo.

Locutor - Conheço o Jardim Ângela. Tenho alguns amigos que moram aí.
Tudo bem com você Rosa Pequena?
Rosa Pequena -Vou indo.

Locutor - Você está com a voz triste. Está com sono?

Rosa Pequena – Não, estou cansada.

Locutor - E porquê está acordada até essa hora?

Rosa Pequena - Estou te ouvindo desde o começo do programa.E também não consigo dormir cedo.Aliás, faz tempo que não durmo direito Senhor Solidão.

Locutor - O que houve princesa? Me conte o motivo de tanta solidão.

Rosa Pequena - É uma longa história Senhor Solidão.

Locutor-Não tem problema. Me conte. Quero conhecer tua alma de flor.

Rosa Pequena - Eu sou solitária e viúva desde que me casei.

Locutor –Também foi viúva de marido vivo?

Rosa Pequena –Sim. Isso e mais um pouco.

Locutor – O que aconteceu? Passou um oceano em sua vida?
Rosa Pequena - Um terremoto.

Locutor - Me fale.

Rosa Pequena - Quando conheci meu marido éramos dois jovens.Nos encontrávamos nos bailes de fins de semana. Daí começamos a namorar. Inexperiente como toda adolescente, logo engravidei. E pouco tempo depois nos casamos. Eu não o conhecia direito, foi complicado. Um dia á noite eu estava sentada na porta de meu barraco, a polícia chegou perguntando por ele.Eu disse que ele estava no trabalho e o policial me disse: “que trabalho que nada dona, seu marido é ladrão!”.

Locutor-Que tranco hein, princesa?

Rosa Pequena - Foi um golpe duro. Meu marido não apareceu em casa nesta noite.No outro dia cedo, um amigo dele veio me dizer que ele estava preso, que eu fosse visitá-lo por que a coisa era feia (chorando).

Locutor-Não chore princesa. Respire fundo.

Rosa Pequena - (soluçando) Quando cheguei a delegacia, o delegado me perguntou se eu era esposa dele eu confirmei.O delegado me disse que meu marido iria pegar no mínimo 30 anos de cadeia.Afirmou que mataram um casal de idosos e duas crianças numa chácara em Embú-Guaçu e que meu marido e seus comparsas eram suspeitos. Não tínhamos dinheiro para pagar advogado. Ele foi pra prisão.

Locutor-Que choque pequena rosa.Que choque.

Rosa pequena - Depois disso, minha vida virou um inferno.Eu era obrigada a visitá-lo numa colônia penal no interior, uma cidade longe, horas de viagem, muita humilhação, cansaço, solidão...

( PAUSA)

Locutor - Quer falar mais?

Rosa Pequena - Não vou atrapalhar?

Locutor-Claro que não linda rosa. Abra o coração.

Rosa Pequena - Meu marido ficou 15 anos preso. Conseguiu uma liberdade condicional há quatro meses. Fizemos muitos planos Senhor Solidão.Durante esses anos eu lutei só, criei meu filho, construí uma casa, e agora, mesmo com todos os defeitos meu homem estava em casa. Era um sonho.

Locutor - Você disse era, pequena rosa?

Rosa Pequena - Sim Senhor Solidão era. Ele nunca me amou, ele amava o crime. Há duas semanas foi morto fugindo da polícia depois de fazer um sequestro relâmpago.

( PAUSA)

Locutor - Coisas da vida linda rosa e eu não sei o que te dizer.
A única certeza que tenho é que você não é a única nem será a última a passar por isso. Sim, com certeza você sempre foi viúva. 
Mas nem sempre temos que aceitar as coisas como elas são. Ás vezes precisamos mudar o curso de nossa história, mudar de bairro, de cidade, mudar a cor dos cabelos. Precisamos procurar todos os meios pra enganarmos a solidão, ela nos acompanha, ela é uma sombra que nos segue pela vida afora.
 O que nós dois sabemos é que você agora é uma mulher livre, sem amarras e sem grades. Você também pagou por crimes não cometidos e é sua hora de viver. É sua hora de pegar seu pote de ouro no fim do arco-íris, para cada dia basta seu mal e seus dias de alegria estão chegando. E sei que você também sente isso.

Rosa Pequena  - Sim, é verdade. . .

Locutor - Agora entendo sua falta de sono. Não é medo da solidão, é a dúvida do que fazer com a sua liberdade.

Rosa Pequena - Acho que sim(sorrindo).

Locutor - Então, quando o dia clarear prometa a si mesma colocar seu melhor vestido, uma flor nos cabelos e sorrir para todos, uma rosa não é uma rosa se não se abrir e soltar seu perfume para o mundo.

( Rosa Pequena Sorri)

Locutor - Boa sorte linda Rosa Pequena do Jardim Ângela. Seja feliz você merece.

Rosa Pequena  – Boa noite Senhor Solidão, obrigada.

Locutor - Eu te agradeço por me mostrar seu coração linda flor.Um beijo.

Thursday, May 09, 2013

Funk Consciente!


Tenho recebido algumas críticas por ter participado de uma reunião para discutir a organização dos "pancadões" na cidade de  São Paulo.Quero deixar clara minha posição sobre essa questão.
O Funk (pancadão),queiram ou não queiram é uma expressão cultural como qualquer outra,tem seu estilo,sua moda,sua música e seu comportamento.Se não é cultura é contra-cultura.
Discutir a qualidade da música é outra coisa,gosto é gosto,cada um tem o direito de gostar do que quiser.
O que se tem debatido sobre os pancadões de rua é a falta de organização,o improviso,as letras das músicas e a falta de respeito com as comunidades. Além do barulho excessivo,o consumo de drogas e álcool por crianças e adolescentes,isso é um problema grave.
Os pancadões tem gerado conflitos e confrontos e isso está ficando perigoso e pode se chegar a uma situação insustentável.
As reuniões que estão acontecendo por toda cidade são para se chegar a um consenso sobre o que fazer.Não dá para proibir as pessoas de exercerem seus direitos de lazer e entretenimento,principalmente nas periferias onde o poder constituído tem  interesse menor em investir as verbas públicas.
A política existe para organizar a sociedade,resolver conflitos e atender as necessidades básicas das comunidades.
Não nutro a menor simpatia pelo Partido dos Trabalhadores,partido do atual prefeito da cidade de São Paulo,mas não sou hipócrita e leviano,entendo que a atitude do poder municipal em atentar para a questão dos pancadões e querer organizar os eventos na cidade é uma atitude responsável,porque vai evitar uma série de danos.
Acho que toda a sociedade precisa participar dessa discussão,é do interesse de todos.
Os adultos em sua maioria rejeitam os pancadões,mas todos se esquecem que a rebeldia é inerente a juventude.Quanto mais amaldiçoam o gênero funk,mais os jovens gritam.
Os pancadões precisam sair das ruas e dos alto-falantes dos carros,precisam ir para as praças,com horário para começar e terminar.Os pancadões precisam ser organizados,com anuência e presença dos poderes constituídos e com o consentimento das comunidades.
Gostando o não,os pancadões estão aí e temos que aprender a conviver com eles.

Monday, January 28, 2013

Tragédias Cotidianas


Tragédias Cotidianas
Foto: UOL

Minha amiga Rita Rodrigues me perguntou se eu não comentaria sobre o que aconteceu na casa de shows em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Eu disse a ela que não havia muito o que comentar. Pensei realmente em não escrever nada sobre o assunto. Estava esperando esgotar toda a exploração midiática e política do acidente.
Após refletir,decidi que não devo e não posso perder o direito de me indignar sobre mais uma tragédia.
A indignação começa quando as vidas perdidas já não importam,importam apenas as melhores imagens,os melhores ângulos,aquela imagem exclusiva. Me indigna também os comentaristas profissionais,com suas suposições e falastrices.
A indignação aumenta quando começam a apontar os culpados. O culpado é o músico,não poderia ter usado fogos de artifício no palco. A culpa não é do músico,a culpa é todos nós. Nós matamos os jovens na casa de shows. Nós acendemos o fósforo que matou um pouco de uma nova geração de brasileiros. Porque somos nós que fazemos as escolhas erradas,somos nós que não damos atenção à corrupção que destrói nossas vidas. Somos culpados porque não cobramos devidamente aqueles que nos representam. Somos culpados porque não amamos os nossos iguais. Somos culpados porque somos egoístas.
Nós matamos os jovens em Santa Maria,porque sabemos que a fiscalização nas prefeituras são apenas órgãos paralelos de arrecadação para políticos. Sabemos também que os donos da casa de shows , que só pensavam no lucro e certamente pagavam propina à alguém.
Somos todos culpados porque as tragédias não mais nos assombram,elas viram espetáculo.
E é sempre assim,depois da tragédia,vem a exploração da mídia,vem a comoção,vem o choro. Culpa-se o mais fraco. Inventam uma nova lei. E daí ,vamos dormir confortados e esperar a próxima tragédia. E as tragédias vêm sempre embaladas para presente.
Depois dos funerais,esvaziam-se as manchetes,vem o esquecimento.
Mas um coração de mãe vai sangrar todo dia,até o fim dos tempos.

Marcos Teles.

Saturday, January 26, 2013

HIP H´ÓPERA!




Foto:Internet




   Diziam que Santa era uma mulher perturbada. Contam que desde pequena sonhava com anjos e via fantasmas. Santa jurava que tudo era verdade. Que falava mesmo com seres invisíveis. Talvez fosse coisa de infância, o que seria perfeitamente normal. Mas Santa carregou isso à vida toda.
   Quando moça, nas festas, arrancava as roupas e dançava nua. Às vezes parecia mesmo receber alguma entidade. Falava coisas em língua desconhecida e afirmava prever o futuro.
    Diziam que Santa era louca.
   Santa tinha vida de princesa, vivia em uma ilha de conforto e tranquilidade. Nunca saía de casa sem a companhia do motorista da família. Estudou no melhor colégio da cidade, viajou para muitos países.
    Mas Santa era triste. Sabia-se que algo a incomodava. Santa tinha a alma machucada. Ela buscava respostas...
   Um dia se apaixonou e foi embora com seu amado. Nunca disse pra onde iria. Anos se passaram sem alguém saber de seu paradeiro. 

  


   Santa despertou com um homem segurando sua mão. Levantou-se lentamente e olhou ao redor, sabia que nunca estivera antes naquele lugar. Perguntou àquele homem:
  - Como cheguei até aqui? Onde estou?
  O homem sorriu e abriu os braços apontando às pessoas em uma festa.
   O homem ofereceu o braço para que Santa se apoiasse e foram caminhando em direção às pessoas.
   Juntaram-se a pequena multidão e as pessoas sorriam para Santa, tocavam em sua roupa, em seu cabelo, gostaram de sua presença ali. Ela se sentia bem, um pouco cansada, como se houvesse chegado de uma viagem. Sentia-se feliz, mesmo no meio de gente que nunca havia visto antes.
   Santa cantou, dançou e não bebeu nada. Já não se preocupava em saber porque estava ali.
   O dia amanheceu e não havia mais ninguém, a festa havia acabado. O homem permanecia ao seu lado. Sempre com um sorriso nos lábios, porém, calado.
   Muitas pessoas estavam saindo de suas humildes casas. E eram casas sem rebôco, sem pintura. O esgoto correia a céu aberto, as crianças correndo para irem à escola.Poucos homens apressados para irem ao trabalho e mulheres esbaforidas. Santa perguntou ao homem:
   - Quem são eles? E quem é você?
   E enfim, ela ouviu pela primeira vez a voz daquele homem:
   - Esse é o povo! E eu sou seu companheiro de viagem - respondeu o homem. - e esse povo é gente que trabalha duro, que quer trabalhar e nem sempre pode. Essa gente se levanta antes do sol nascer. Esse é o povo e estão por todos os cantos. Amontoados, esquecidos, humilhados, mas muitas vezes com o pouco que têm conseguem ser felizes. Porque a única coisa que podem repartir entre si é a alegria.
   - Como podem levar uma vida tão dura? E de qual viagem você está falando? Santa perguntou curiosa.
   O Homem calmamente respondeu:
   - Somos companheiros de viagem, de uma viagem que faremos por nossos diferentes mundos. Esse é meu mundo, um mundo que você não conhecia. Te apresento a realidade ,seja bem-vinda!

   Santa não entendeu nada do que o homem lhe disse. Estava vivendo mais um daqueles sonhos que lhe eram corriqueiros, pensou.
   Os dois de braços dados caminhavam por aquele lugar, Santa olhava com tristeza para as pessoas, eram tão pobres... Sentia sua alma doer novamente.
   Atravessaram ruas enlameadas, cruzavam com ratos e insetos no trajeto. Santa sentia o odor de podre que exalava da terra.
  O homem olhava detalhadamente o semblante de Santa cada vez que se deparavam com algo que a deprimia.
   Um menino com uma ferida no rosto se aproximou e pediu um trocado. Com certeza ela lhe daria se estivesse com sua bolsa.
   Eles continuavam a caminhar, o homem ia lhe apontado às coisas do lugar. Um carro velho anunciava a compra de ferro-velho ou trocava bateria de carro por maçã do amor. Outro carro anunciava as promoções de um super mercado.

  Mesmo com tantas dificuldades aquele lugar era cheio de vida e nada parecia familiar para ela.
  Ela se assustou quando viu alguns rapazes que corriam beco adentro. Atrás deles homens fardados vinham com revólveres nas mãos. De repente ouviram-se pancadas, gritos de dor e muitos tiros. Os corpos dos rapazes ficaram no chão, jorrando sangue...
   - Cena comum por aqui. - disse o homem à Santa.
   Santa e aquele homem sentaram-se. Santa chorou.

   Outros rapazes fumavam crack e maconha na escadaria que dava acesso para duas ruas. Tragavam e riam. Pessoas se aproximavam timidamente, deixavam algum dinheiro e levavam um pouco de droga, outros consumiam ali mesmo. Fumavam ou cheiravam, depois iam embora, mas em pouco tempo estavam de volta buscando mais.
   Santa e o homem apenas observavam. Levantaram-se novamente e continuaram a caminhar por ali.
   Santa quis gritar quando viu os funcionários de uma empresa de energia elétrica cortarem todos os fios que levavam luz àquele lugar. Os homens riam, gritavam grosserias para as mulheres que desesperadas pediam pelo amor de deus. Mulheres que diziam que tinham bebês em casa, que o pouco que havia na geladeira iria estragar.

   E assim corria o dia. Santa via bares cheios de homens saudáveis e ônibus lotados de mulheres preocupadas. Observava crianças que voltavam mais cedo da escola, por que não encontraram professor. Mães que voltavam do posto de saúde, com seus filhos nos braços, não havia médicos para lhes atender...
   - Que mundo é este?- perguntava Santa, aflita.
   - O mundo real. - respondia novamente o homem.
   - Não sabia que isso existia. -afirmava com remorso.
   -Você não tem culpa, sempre te esconderam isso. Pra te proteger talvez... Mas acredite, as pessoas se acostumam com o sofrimento. O maior problema são os que lucram com a dor dos outros. As pessoas falam de céu e de inferno, acham que os dois estão em lados opostos, mas não, eles estão lado a lado. Apenas um cordão de força invisível separa o céu do inferno. Você viveu esse tempo todo no céu, estas pessoas estão no inferno.
    O homem fez um silêncio e segurando Santa pela mão seguiu em frente.

   Santa e o homem continuavam a caminhada e ela se deparou com uma casa em que havia muitas crianças na porta. As crianças sorriram quando viram alguns jovens desembarcarem de um carro. Santa achou estranho, se reconheceu naqueles jovens, percebeu que eram gente de seu mundo.
   - O que eles fazem aqui?
  - Eles vêm doar um pouco do tempo e do amor que sentem pelas pessoas. Explicou o homem.
   - Então são todas boas pessoas?
   - Nem todos do seu mundo que vêm ajudar fazem por amor ou caridade. Muitos fazem por dor na consciência ou por lucro fácil.- respondeu ironicamente o homem.


   Caminharam o dia inteiro, Santa não sentia nem fome, nem sede, nada...
   Santa sentia vontade de saber por que o mundo era tão triste e desigual, porque pessoas viviam de forma tão diferentes. Sempre aprendera que havia apenas um Deus e que todos os seres eram seus filhos. Mas que Deus era este?Que separa as pessoas?Que Deus era este que permite que um homem humilhe o outro?

   A noite começava a cair e Santa fechou os olhos por um instante. Quando os abriu novamente se assustou. Estavam parados numa esquina de ruas sem saída. Ruas que não levavam à lugar algum.
   - Onde estamos agora?-perguntou assustada.
   - Podemos dizer que foi onde toda sua vida começou, aqui é onde fica o cordão que divide o céu e o inferno - disse-lhe o homem. - você se lembra de quando era criança?
   - Sim. Eu nunca fui feliz.
   - Eu sei. Sei que também sempre sofreu, mas nunca soube por que sentia tanta melancolia. Vou te contar - o homem colocou a mão sobre os ombros de Santa e continuou - você nunca entendeu por que sonhava com lugares e pessoas que nunca havia conhecido. Também nunca entendeu porque via o futuro, porque sabia quando as pessoas iriam morrer e quando as tragédias iriam acontecer. Você nunca entendeu porque te chamavam de louca. Você falava com os anjos, lembra? Você nunca entendeu sua vida, por isso estamos aqui.

   Santa ouviu calada e imagens foram tomando conta de sua mente. Agora ela estava vendo seu passado. Estava vendo Paris iluminada numa noite de sábado. Santa agora via as lojas cheias de casacos de pele em Milão. E eram muitas imagens e todas surgiam ao mesmo tempo. Uma confusão sem fim em seus pensamentos.
   De repente ela viu o homem, o mesmo homem que a acompanhava. Ele agora era uma criança e estava olhando pra ela sentada dentro do carro. Ela viu agora, que sua mãe fechou o vidro, quando o menino encostou pedindo uma esmola. Ela lembra das palavras de sua mãe: ”Sai daqui trombadinha”. Santa viu a cara faminta daquele menino, a cara que tem somente quem sente fome, a cara que só tem quem tem fome de justiça.E ela se lembrou do instante em que o menino levantou a camisa mostrando a barriga faminta, e o segurança de dentro do carro, acertou um tiro naquela criança. Um tiro tão covarde que até hoje continua ecoando em seu coração.

   Santa começava a juntar as coisas, agora ela sabia que sofria a dor do mundo. Sabia que poderia ter feito algo para transformar um pedaço do mundo. Santa não era louca, sofria por amar os homens.


   Santa olhou nos olhos do homem e falou:
   - Você é um anjo.
   -Você também é um anjo.
   - E como se vira anjo?
   - Quando a gente morre.
   - Então estou morta!Quando aconteceu?
   - No dia em que você sentiu tanta pena de si mesmo e se cortou com cacos de um vidro de colônia.

   Santa olhou ao redor. Não sorriu, não chorou, apenas olhou e perguntou ao seu companheiro de viagem:
   - E agora, pra onde iremos?
   - Por aí, vamos conhecer um mundo que pode ser de todos.
   - Esse mundo existe?
   -Você vai descobrir. Vamos!


                                                                       Fim

Saturday, January 19, 2013

Trecho do Livro


Trecho do livro:

"Hoje me orgulho de minhas mãos calejadas, de cada ruga que trago no rosto, das marcas nas costas e da dignidade com que me propus um dia, sob o azul do céu, apesar de tudo, tocar minha vida em frente.
Hoje também me emocionei muito ao lembrar de minha mãe, que mesmo sem nenhuma instrução, apenas com a sensibilidade que só as mães têm, disse-me certa vez durante uma chuva de verão, que para cada pessoa no mundo foi concedido o direito a um pote de ouro. E que este pote está no final do arco-íris. Por isso na vida temos que ser pacientes, porque tudo tem seu tempo. E se a gente quiser pegar nosso pote de ouro, temos que aprender a esperar o sol abraçar a chuva."

Friday, January 04, 2013

Lia 100121 - Meu Próximo Livro!

Foto internet

Trechos :

“... as crianças com bandeirinhas nas mãos olhavam pra cima, observando os aviões que iriam trazer nossos heróis. Mas naquela hora, já eram os alemães cruzando o céu da Polônia...”.
"Lia Goldstein"

Lia 100121


Um trecho.


- Era 30 de agosto de 1939, foi o dia em que começou a Segunda Guerra mundial, para nós crianças polonesas, foi uma festa, acreditávamos, no poder bélico do bravo exército polonês, o rádio afirmava que a Polônia rapidamente libertaria o mundo, destruindo Adolf Hitler, estávamos preparados para uma grande festa cívica,

prontos para homenagear nossos heróis nacionais. Mas mentiram para o povo polonês, nosso exército já havia sido derrotado, a Alemanha já marchava sobre a Polônia, um dia de batalha, foi o que restou de consolo. Eu tinha 14 anos e já entendia muitas coisas, fui bem-nascida, tinha tido até ali uma educação privilegiada para alguém de minha idade e até para os padrões europeus daquela época, com pouca idade eu falava razoavelmente inglês, francês e alemão por influência de minha mãe professora de literatura e que viveu muitos anos em Paris.
Eu também já havia ido há varias cidades da Europa tínhamos parentes espalhados por vários países.
Mas pouco tempo depois tiraram todos os judeus de suas casas, amontoaram todos em guetos. Essa é uma parte triste da história do meu povo e da humanidade que todos já sabem, mas o que posso garantir è que o povo judeu sabia que algo poderia ser feito, mas o papa Pio XI foi corrompido pelo dinheiro dos nazistas e fez de tudo para não deixar que a Polônia pudesse se defender, o Vaticano agiu assim; aos nazistas tudo, aos judeus isolamento ou extermínio.
Durante a invasão alemã minha família tentou fugir, fomos denunciados pelos “volksdeutsche” - alemães – poloneses, eles conviviam conosco, mas descobrimos que nos odiavam por sermos judeus.
Fomos jogados no gueto de Varsóvia e lá ficamos muito tempo, foi sofrido demais, mais dolorido e mais desumano do que contam os historiadores, só quem sobreviveu aquele horror sabe o que foi um gueto.
Numa manhã os soldados da SS chegaram e foram mandando todos para fora, os judeus seriam levados, para Auschiwitz, para um campo de concentração.
Os soldados nos empurravam para dentro dos vagões, algumas pessoas eram pisoteadas e morriam ali mesmo, quando um vagão entupia de gente, eles atiravam e matavam muitos para que sobrasse mais espaço.
Com fome e com frio seguimos para o inferno, muitos morreram dentro dos vagões.
Quando chegamos ao inferno os demônios nos arrastavam para fora do trem, nos colocavam em fila e iam fazendo uma “seleção”.

Wednesday, November 21, 2012

O País dos Imbecis




Quando olhamos as coisas ao nosso redor e nos deparamos com verdades latentes,sentimos imensa tristeza em constatar o quanto somos imbecis.
Isso mesmo,nós brasileiros somos imbecis.
Somos todos hipócritas,defendemos causas e não as respeitamos.
Somos a chacota do planeta,país de “burros” que se acham intelectuais.
Somos o país do mais ou menos,onde ninguém sabe nada.
Eu fico observando grupos,associações,sindicatos,etc,todos se dizem politizados. Mentira!Meros macacos de circo. Ficam saltando e fazendo gracejos para que o seu dono lhes dê uma banana.
Esses mesmos grupos que se dizem de direitos disso,direitos daquilo e o cacete a quatro. Fazem passeatas tolas contra tudo,já se tornaram chatos demais. Tudo é política,interesse eleitoreiro, insistem em dizer que não, mas quando chega a campanha eleitoral,lá estão eles,trabalhando para seus candidatos.
São os imbecis que ficam torcendo para que tudo dê errado,para poder colocar a culpa nesse ou naquele partido político. Não se importam com a vida,apenas com a política opositora criminosa e irresponsável.
A periferia sofre mais com esses idiotas úteis,que se dizem defensores do povo pobre. E muitos desses “supostos” bons cidadãos,exercem função pública em alguma repartição,muitas vezes indicados e mantidos no cargo por políticos de ideologia diferentes das suas. E são os maiores sabotadores das administrações e das instituições.
Nós somos tão imbecis,que estamos fazendo da vida apenas e tão somente ato político.
A vida não é um ato político. A vida é também um ato de rebeldia e de liberdade.

Tuesday, October 09, 2012

Banco Santander,Mc Cann Erickson e Hilton Raw São Processados Por Plágio


Banco Santander,Mc Cann Erickson e Hilton Raw São Processados Por Plágio


A Agência de publicidade Mc Cann Ericsson,produziu um filme publicitário para o Banco Santander,intitulado Patrocinador Oficial do 37 GP Brasil F1 2008.Neste filme foi usada indevidamente uma música da BANDA TECORA,do Capão Redondo,periferia de São Paulo.
A música plagiada foi utilizada na trilha de um filme feito em 2007 chamado EM COMUM II, uma parceria entre o Canal Futura e o Afro Reggae e foi produzida pelo Dj Raffa Santoro
A produtora do áudio para o filme do Santander foi a Hilton Raw.
O que nos deixa profundamente tristes é que já não bastando toda exploração que nos impõe com seu poderio econômico, um banco estrangeiro e uma agência também estrangeira, agora resolvem se apropriar indevidamente de nosso sagrado suor.
Nós músicos de periferia não temos espaço na mídia,temos que matar um leão por dia,com às vezes,dois três trabalhos e ainda tendo que tocar a noite para manter nosso amor pela arte.
O Escritório Gomes,Almeida e Caldas moveu a ação em setembro de 2010.O processo já está sua fase final.
E pedimos cuidado ao contratar a agência Mc Cann e o produtor Hilton Raw,eles podem te trazer problemas.
E queremos a partir de agora, sugerir um novo slogan para o Santander:
BANCO SANTANDER .O VALOR DAS IDEIAS...DOS OUTROS...

Tuesday, September 25, 2012

Coletivo de Cultura? Tem Certeza? Por que apoiam o PT?


Quando o Escritor Ferréz criou nos final dos anos noventa, o modelo dos saraus que se espalharam pela cidade, acredito que ele não pensou que alguém poderia viver somente disso.
Pois é... Tem gente que vive de sarau na cidade de São Paulo!
Hoje tem sarau em todos os cantos da cidade, sarau para todos os gostos. Cada um com seu nome de “movimento literário”. Tem sarau do burrico, sarau da maloca, sarau do piolhento e ouros tantos.
A maioria dos saraus são pontos de encontro. Poucos vão pela poesia, pela literatura.
Normalmente cada sarau é comandado por um dito “coletivo de cultura”.
 “Coletivo de Cultura” não significa absolutamente nada!
 “Coletivos de Cultura” não produzem nada. Recebem verba para produzir sarau e tão somente. Fazem apenas isso e diga – se, muito mal.
Não procure. Você não vai encontrar muitos livros lançados por coletivos. Alguns poucos lançados, saem até faltando capítulos.
Os “coletivos de cultura” são em sua maioria, apenas um bando de espertalhões que vivem de buscar mensalmente verba na Secretaria Municipal de Cultura.
Secretaria Municipal de Cultura que, aliás, aparelhada pelo governo do PT, usa a verba para manter lideranças e apaniguados. Tirando das costas de parlamentares o custo de cabos eleitorais.
Há muito tempo, os “coletivos de cultura” deixaram de se preocupar com cultura. Alguns juntaram - se aos movimentos de moradia. Fazem manifestações e “ocupações”, mas com verba da Secretaria Municipal e Cultura.
Os “coletivos de cultura” apoderaram - se do VAI (Valorização de Iniciativas Culturais). Trata – se de um programa criado originalmente para projetos encabeçados e desenvolvidos por jovens. Pois bem, hoje o VAI serve para outros interesses. Empresas como, editoras e produtoras vivem em função do programa. Os jovens são minoria.
Hoje, pode – se dizer que o VAI é na verdade, ”vagabundagem cultural”!
Mas isto ainda não é tudo.
A Secretaria Municipal de Cultura também criou uma “agência” de viagens para contemplar seus “coletivos de cultura”. Este ano a Secretaria Municipal de Cultura pagou passagens para dezenas de “coletivos” irem à Feira Internacional do Livro de Buenos Aires. Nem seria necessário dizer que poucos dos “turistas” eram realmente escritores. E tudo pago com o dinheiro do contribuinte. Mas não fique assustado, o Ministério da Cultura já havia feito a mesma coisa um ano antes (Paulo Coelho que o diga) na Feira do Livro de Frankfurt.
A coisa está tão bagunçada que qualquer um,quando precisa de dinheiro para comprar cachaça ou seu “baseado” diário,basta realizar um sarau. Como ouço por aí. Está sem grana? Faça um sarauzinho! O governo do PT paga!
 E tudo isso com o seu dinheiro!

Monday, September 24, 2012

Quem Mentiu no Capão Redondo?

Mentira tem perna curta,no Capão Redondo,mais curta ainda.
Saiba porquê.Sexta-feira,28 de setembro no blog:
www.marcostecora.blogspot.com

Tuesday, August 28, 2012

Melancolias de Agosto


Melancolias de Agosto

Eu não sei ,nem posso explicar,agosto é sempre um mês melancólico.
Talvez seja o inverno chegando ao fim.
Talvez o vento seja mais forte.
Talvez seja o ano avisando seu fim,não sei...
As lágrimas são mais persistentes em agosto...
Talvez a vida comece em agosto...
Em agosto as músicas são mais tristes,a natureza é mais triste e todo mundo também parece mais triste.
Em agosto me sinto mais sozinho.

Monday, July 23, 2012

Até As Flores Eram Cinza...



Existem coisas que nasceram para dar errado. Tudo conspira contra, o tempo está sempre contra, a natureza humana também está sempre contra.
Por vezes não sabemos e não descobriremos os verdadeiros motivos de tanta contrariedade, tantos espinhos no caminho e tantos abismos intransponíveis. Simplesmente as coisas dão errado e ponto final.
Perus é um desses lugares que foram talhados para dar errado...
No começo era a famigerada fábrica de cimento, que acinzentava o ar, os rostos e as flores. Tudo era de um cinza doentio...
Depois o bairro recebeu um golpe que deixaria aberta uma ferida que iria doer para sempre, Perus recebeu na calada das madrugadas um cemitério, onde a ditadura depositava os cadáveres de seus crimes.
E por último, como se já não fosse o bastante, Perus passou a receber o lixo da cidade. Nasceram os lixões de Perus, o bairro era agora o esgoto da cidade de São Paulo.
Realmente Perus nascera fadado ao fracasso...
Mas em 2006 um homem desembarca em Perus e faz uma caminhada solitária pelas ruas do bairro, como todo visitante, observou as dificuldades... E chorou em silêncio...
Esse homem ajudou a organizar a comunidade, mostrando a todos que era possível transformar tudo aquilo e assim foi feito...
Hoje Perus não é mais o esgoto da cidade, o lixão acabou, no lugar ficou o dinheiro gerado pelos créditos de carbono. O cemitério clandestino é uma página da história do Brasil que será mantida na memória para que nunca nos esqueçamos da luta de muitos.
E pra falar das flores...
As flores de Perus não são mais cinza, hoje as flores são vivas.
Ainda falta fazer muitas coisas no bairro, mas ninguém mais abre mão de tudo que foi conquistado. A comunidade está aprendendo a ser dona do seu próprio destino.
O homem que chorou em silêncio nas ruas de Perus chama-se José Police Neto, é vereador pela cidade de São Paulo, está no seu segundo mandato e é candidato à reeleição. José Police Neto entregou para as pessoas de Perus o que todos nós queremos. Que o nosso bairro seja realmente nosso.
Parecia que Perus nascera fadado ao fracasso, o povo mostrou que não. Perus é hoje um bairro vivo!

Friday, July 06, 2012

Soninha 23!

Não pensem que quero apenas incomodá-los com pedido de votos,gostaria que dividissem comigo um pouco da minha indignação.
De vez em quando me pego pessimista,descontente,achando que não temos futuro.
Passaram-se mais de quinhentos anos e ainda somos apenas um povo.Não somos uma nação.
Simplesmemte não nos respeitamos.Não respeitamos nossos vizinhos,nossos companheiros de viagem nos ônibus e trens lotados.Nós só queremos pra nós.E não interessa o que seja ,um favor,um pequeno benefício. Dos políticos não queremos decência,apenas que eles nos arrumem uma tv de plasma,um carro novo,um emprego com bom salário,uma escola particular para nossos filhos e etc.Nosso próximo não nos interessa.Por isso, somos apenas um amontoado de gente em um continente chamado Brasil.
As eleições estão aí (de novo) e são sempre as mesmas mentiras.Candidatos de todos os tipos.Ladrões,assassinos,muitos envolvidos com prostitução,jogo ilegal,tráfico de drogas e etc.Eles se apresentam como santos,nunca fizeram nada errado,nunca provaram nada contra eles e o povo acredita.
Toda essa maldade e hipocrisia me deixam incomodado,preocupado com o futuro.
Acho que o que falta nesta cidade não são somente escolas,hospitais,etc.Falta algo que não temos coragem de aceitar.Nos falta vergonha na cara.
Precisamos assumir que erramos e erramos todos.Precisamos assumir nossa fraqueza,nossa incompetência.Precisamos fazer auto-crítica e assumir nossa preguiça,nosso descaso com nossa cidade e nossa pátria mãe gentil.
Sim,nos falta vergonha na cara.
Nos falta a vergonha de receber ajuda do estado  e não oferecer nada em trocar,nos falta a vergonha de receber pra ensinar e não respeitar quem ensinamos,nos falta a vergonha de jogar lixo nas ruas,de jogar entulho no quintal do vizinho,nos falta a vergonha de comprar uma carta de motorista e colocar vidas alheias em risco e tantas outras coisas...Nos falta a vergonha de sempre querer vantagen em tudo.
Mas também acho que podemos construir uma nova sociedade,debatendo ideias novas,podemos começar a traçar um novo caminho.Pensar esta cidade não somente como um gigantesco canteiro de obras.Costruir prédios é fácil,construir uma nação é outra realidade.
A candidatura da Soninha é um uma brisa fresca que sopra em nossas caras suadas e marcadas pelas rugas da decepção e descontentamento.
Por favor,não pense só em você,pense em um povo que  ainda não é nação.Para o bem desta cidade.De verdade, no dia 7 de outubro ,tenha a coragem de votar Soninha 23!
Marcos Teles