Marcos Tecora Teles

Marcos Tecora Teles

Monday, May 08, 2017

Contos Eróticos Infantis – Fotografias de Mulher Nua e Casamentos

Foto :Internet

Eu me lembro que houve um ano, lá nos anos setenta, que o inverno foi demasiadamente rigoroso. O vento gelado soprou por dias sem parar, a garoa era intermitente, a sensação era de inverno polar.
Aquele inverno entrou em meus ossos e acho que nunca mais saiu.
Me recordo de uma sexta-feira, em que fui à feira e ao Supermercado ki-Preço com minha tia.Na volta para casa,eu estava congelando,minhas orelhas estavam duras e minhas mãos ficaram totalmente roxas,eu estava tendo hipotermia.Quando chegamos em casa,a primeira coisa que minha tia fez,foi providenciar uma toalha, onde enrolou minhas mãos e depois aqueceu com o ferro de passar roupas.
Depois do susto e já devidamente recuperado, fiquei a tarde inteira vendo televisão, até que Miltinho gritou no portão:
- Marquinhos!Marquinhos! Tenho uma novidade!
Imaginei... Lá vinha encrenca.
Miltinho, como sempre que algo diferente estava prestes a acontecer, estava eufórico, mesmo naquele frio desgraçado, vestia apenas um calção e uma camiseta. Estava suado de tanto bater de porta em porta, contando a novidade e fazendo um convite:
- Minha avó vai casar!Minha mãe está convidando todo mundo! - Miltinho estava feliz.
- Ué, mas sua avó já não é casada? Minha prima perguntou.
Com ar de superioridade, Miltinho respondeu:
- E daí? Tem gente que já se casou tantas vezes, olha sua tia Petronila!
Tia Petronila já estava no oitavo casamento, todos os seus ex-maridos sempre tiveram mais de 80 anos, Tia Petronila, tinha vinte e dois anos. Tia Petronila nunca teve boa reputação na vizinhança.
Aquela conversa já estava tomando outros rumos, minha tia me mandou saber da mãe de Miltinho que história era aquela. Mesmo reclamando do frio, lá fui eu.
Já na casa de Miltinho, sua mãe me explicou que, a avó de Miltinho, sua mãe, realmente resolveu marcar a data do casamento e que depois, com mais tempo, falaria o motivo.
Miltinho contou para sua mãe o que havia me acontecido pela manhã e que minha tia havia esquentado minhas mãos com o ferro de passar roupas. A mãe de Miltinho foi lá no quartinho dos fundos da casa e voltou com um capote nas mãos.Ela me disse que aquele capote iria me manter aquecido quando fosse à rua e que o capote havia sido de sua mãe,a noiva.
Confesso que quase recusei o capote, não era feio, um tanto feminino e parecia muito antigo. O frio lá fora falou mais alto. O danado do capote realmente esquentava.
Ao chegar em cassa e tirar o capote,descobri coisas nos bolsos. Havia moedas sem valor, um terço de Nossa Senhora de Fátima e para minha surpresa e alegria, um bolso camuflado no forro onde estava escondido um envelope já amarelado. Dentro do envelope a felicidade, seis fotografias de uma linda moça nua.
É óbvio que as fotografias me chamaram à atenção e aguçaram minha criatividade adolescente.
As seis fotografias da moça nua me acompanharam por semanas, toda hora eu ia  olhá-las e admirar a beleza daquela moça. E eu admirava bastante...
Fiquei curioso em descobrir quem era a pessoa retratada nas fotografias. No começo, pensei se tratar de alguma artista, mas aos poucos fui achando aquele rosto familiar.
Durante dias, escondi de todos, aquele delicioso segredo, mas para fazer inveja a Miltinho, resolvi lhe contar, e ele, claro, insistiu para que eu lhe mostrasse as fotografias imediatamente. Quando abriu o envelope, Miltinho quase morre de susto e gritou:
- Marquinhos, caramba!É minha vó!
Bem... Bem... Bem... Não vou narrar aqui a conversa que se seguiu depois. Pularemos esta parte.

Miltinho e eu, tomados pela surpresa, resolvemos mostrar as fotos de sua avó para sua mãe.
Não sabíamos como começar as perguntas, estávamos sem jeito, afinal de contas, portávamos um “terrível” segredo familiar.
A mãe de Miltinho, como sempre, muito desconfiada de nós, sem nenhuma formalidade perguntou:
-Tá bom, o que vocês estão escondendo, o que aprontaram desta vez?
Eu estava envergonhado em ter que mostrar fotografias de uma moça nua para uma senhora.
- Mãe, o Marquinhos achou umas fotos da vovó, ela está peladona!
A sala estava repleta de pessoas que faziam os preparativos da festa de casamento da avó de Miltinho, que seria no dia seguinte.
Fomos pegos de surpresa com a presença e com a gargalhada do avô de Miltinho,que não percebemos,estava no fundo da casa. Caminhando em nossa direção , gritou para a esposa que estava na cozinha:
- Minha velha, venha cá! Os meninos encontraram seus retratos!

A avó de Miltinho veio caminhando devagar, estava ruborizada. O avô de Miltinho acomodou-a ao seu lado no sofá. Ele pegou um cinzeiro, acendeu um cigarro, pegou seu copo de cerveja e nos convidou a ouvirmos sua história e de sua noiva:
- Eu era um rapaz bem apessoado, naquele tempo dirigia um caminhão, entregava todo tipo de produto naquele sertão bravo. Conheci muitos lugares e pessoas, vi de tudo na vida. Eu era um aventureiro, um conquistador. As garotas corriam atrás de mim. Aonde eu chegava com meu FNM, logo chamava a atenção. Não parece, mas já fui o sonho de muita garota.
Íamos ouvindo e ríamos com sua risada. O avô de Miltinho era um homem diferente. A cada pausa na história dava uma tragada no cigarro, que logo deixava no cinzeiro e recomeçava:
- Um dia, vindo de Caetité, resolvi subir a serra e passei por Paramirim. Assim que cheguei, parei o caminhão no posto de combustível e atravessei a rua. Quando fui entrar na venda, tive que esperar uma moça passar, a porta da venda era muito pequena, não passavam duas pessoas ao mesmo tempo. Sorri para ela e a segui com os olhos, lá na frente, vi que ela olhava para trás. Já falei que eu era conquistador?
Sorrimos todos.
Aquele homem, pouco a pouco foi mudando o tom de sua voz, falando mais baixo e abraçando sua noiva, que cada vez, ficava mais próxima dele. Ele a abraçava com ternura,como se tivesse medo de quebrá-la,como se ela fosse uma flor de pétalas delicadas. Ela era, era mesmo.


 Afagando os cabelos dela ele continuou:
-A cada vez que passava por Paramirim, eu fazia o possível e o impossível para vê-la. Só depois de meses é que descobri onde aquela moça morava. Então, passei a circular pela rua de sua casa. Demorou mais do que eu esperava, mas um dia ela falou comigo.
A avó de Miltinho continuava ruborizada e sorria timidamente aconchegada ao noivo, ouvia sua história de amor sendo contada para os filhos, netos e alguns amigos privilegiados.
- Mas tive uma decepção, gente. -Falou o avô de Miltinho – Ela era noiva!Estava de casamento marcado!
Mais uma surpresa, ficamos espantados e ainda mais curiosos.
-Eu estava apaixonado e quando ela me contou que iria se casar, não aguentei, fui pro bar de Telefone e tomei um pifão daqueles. E tem outra coisa, acabei conhecendo o pai dela e ele mesmo me convidou para o casamento da filha.
A avó de Miltinho sorriu e comentou:
-Acho que foi você quem se convidou.
O avô de Miltinho tomou mais um gole de cerveja e prosseguiu a narrativa:

- Bom, uma tarde, arrumei um jeito pra poder falar com ela, nesse meio tempo, eu já sabia que ela também estava gostando de mim. Eu tinha certeza que ela não queria se casar com o malacafudo do Gil de Ribamar, um sujeito desclassificado. Mas esqueçam ele...
O avô de Miltinho foi bruscamente interrompido pela neta mais nova, que estava ansiosa pra saber como terminaria a história.
- Que demora vovô!Conta logo!
- Tudo bem. - o avô de Miltinho prosseguiu - Fui ao casamento, fui à igreja, assisti a cerimônia, escutei o sermão do padre, rezei o pai-nosso e bebi muita cachaça na festa. Chamei a noiva para uma conversa e lhe falei: Arrume suas coisas, vamos embora porque eu te amo.
Os olhos da avó de Miltinho estavam úmidos, as lágrimas já rolavam em seu rosto que parecia não querer envelhecer. Ela se aconchegava ainda mais nos ombros de seu noivo. Havia uma cumplicidade entre eles que era inexplicável.
- E pra terminar – disse o avô de Miltinho – fugimos para São Paulo e nunca nos casamos oficialmente, afinal de contas, a avó de vocês ainda estava casada. Agora que sabemos que Gil de Ribamar partiu desta para melhor, vamos nos casar.

A festa de casamento, os dois velhinhos no altar dizendo sim e trocando um beijo apaixonado, jamais sairá de minha memória.
Tempos depois, devolvi as fotografias para o avô de Miltinho.

- Marquinhos, não eram seis fotografias? Aqui só têm cinco!Miltinho me inquiriu.
-Não, são só cinco!
-Mentira!Eram seis!

Uma daquelas fotografias guardei como lembrança, pelo privilégio de ter conhecido uma incrível história de amor.
Hoje, já não há mais invernos intensos e nem mais histórias de amor como antigamente.


Sunday, February 12, 2017

Contos Eróticos Infantis O Padre Bianca

Contos Eróticos Infantis
O Padre Bianca
Imagem:Internet


   Todos nós, sem exceção, carregamos por toda a vida fatos marcantes de nossa infância. Um dia, lá na frente,vamos sentir saudades de lugares que visitamos,choraremos por coisas e pessoas que deixamos pra trás. Mas também, em algum momento, vamos sorrir das traquinagens e das loucuras infantis. A infância parece nunca ter fim e quando percebemos, somos adultos , amadurecemos, vemos que tudo valeu à pena e passamos a entender melhor a vida.

   Era o ano de 1978 e era época de Copa do Mundo na Argentina. Saíamos do Colégio Mário Rangel e corríamos para o campo do Águia, que ficava do outro lado da rua, na lateral da Igreja São José Operário. No campo, formávamos os times e disputávamos nossa copa do mundo particular.
   Somente aos domingos entrávamos na igreja, íamos à missa e depois, nos reuníamos no campo para nosso jogo sem fim.
   Miltinho e eu não gostávamos de ir à missa, só íamos aos domingos na missa das sete horas, por causa de Cleonice. Miltinho como sempre, desta vez apaixonara-se por ela, aliás, ele se apaixonava por uma nova garota a cada sete dias, sem nunca ter sucesso.
   Cleonice morava no Jardim Lilah e Miltinho me fazia andar quilômetros para passarmos pela rua detrás da casa dela para jogarmos pedra em seu telhado, era a maneira que ele achava que chamaria atenção. O que acabou também não dando certo. O Luiz do bar, percebendo nossa insistência, colocou Duque, seu cachorro pastor alemão para nos dar uma carreira. Miltinho, enfim, para o bem de minha saúde, desistiu de Cleonice.
   Miltinho eu e a turma do futebol, não éramos bem-vindos nas missas. O padre Emílio nos marcava sob pressão, nos vigiava o tempo todo e quando falávamos mais alto nos chamava à atenção. Foi em um desses domingos que o Padre Emílio apresentou uma nova pessoa para nossa comunidade, era Eliel. Eliel lhe ajudaria nas celebrações. Ele seria o novo diácono.
   Eliel lia os folhetos, cantava e também usava uma roupa igual a do padre. Ao ver Eliel falando para as pessoas na igreja, Miltinho perguntou em voz alta:
   - Padre Emílio, esse é o novo padre?
   Padre Emílio, rindo da pergunta de Miltinho e explicando calmamente, disse:
  - Não meu filho, ele é diácono, vai me ajudar nas coisas da igreja.
   Para surpresa de todos e nossa vergonha descomunal, Miltinho, lá do fundo da igreja gritou para o coitado do Padre Emílio:
   -Ele é padre sim! Ele usa vestido, igual ao senhor!
   O domingo foi de sol.

   Eliel gostava de futebol e junto com o Genésio, resolveu montar para nós um time de futebol. E era um time com uniformes e etc.
   Genésio não tinha uma boa reputação no bairro, diziam que ele era “macho e fêmea”. Usavas as unhas pintadas e quando conversava afeminava a voz.
   Eliel ficou muito amigo de Genésio, começou a passar várias horas por dia em sua casa,os dois eram fãs de Ney Matogrosso.Aquela súbita e estreita amizade despertou a curiosidade da molecada.Os meninos mais velhos faziam campana ao lado das janelas da casa de Genésio,tentando ver ou ouvir o que se passava lá dentro...

   Finalmente chegou o dia de estrearmos o time e os uniformes, estávamos ansiosos para a disputa de nossa primeira partida “oficial”. Genésio e Eliel nos davam as últimas instruções.
   O jogo começou e nada dava certo pra nós, só na metade do primeiro tempo, já perdíamos por três á zero! Manezinho, um conhecido malandro do bairro, também assíduo frequentador da casa de Genésio, gritava do lado do campo:
   - Ô Genésio! Ô Bianca! Arrumem esse time!
   Ouvimos os gritos de Manezinho, Miltinho olhou pra mim, olhei pro Alemão que olhou para o Adir,que olhou pro Ciro e ao mesmo tempo,tomados pela surpresa, nos perguntamos uns aos outros:
   - Bianca?!!
   Bianca era o nome de “guerra” de Eliel. Depois de nosso espanto, Manezinho nos revelou que ele, Genésio e Eliel, ganhavam um dinheiro extra, “conversando” dentro de carros com velhos ricos, lá na Avenida São Gabriel.

   O último domingo de novembro de 1978 foi o último dia em que vimos Eliel. Antes que a missa terminasse o Padre Emílio informou que era aniversário do Diácono Eliel e todos cantaríamos parabéns para ele. A igreja esta cheia, toda a comunidade estava presente naquele dia, os times que jogariam depois da missa, até o Manezinho estava lá.
   A banda começou a tocar o Parabéns pra Você, o padre começou a cantar, tudo caminhava para um final feliz, até que...Miltinho com a voz esganada puxou outro coro:
   - E pra Bianca nada?
   Nem seria necessário dizer que não houve festa.

   O tempo passou, o time acabou e o famoso campo do Águia deu lugar ao comércio e a uma agência do Bradesco. Anos depois soubemos da morte de Genésio, com uma doença grave, teve medo de morrer só, atirou-se de uma ponte.
   Passamos muitos anos sem notícias de Eliel, até que Miltinho voltando depois de trinta dias de férias em Governador Valadares, bateu na porta de casa de madrugada e me contou eufórico:
   - Marquinhos!Sabe quem eu vi?
   - Sei lá!
   - Marquinhos, encontrei o Eliel!
   - Onde?
   -No circo!
   - Ele tava fazendo o quê lá? Miltinho, ele te viu?
   - Ele é artista agora! O nome dele é Bianca Matogrosso!
   Deveria ser obrigatório haver sol em todos os lugares do mundo, todos os domingos.


Wednesday, November 02, 2016

Análise Direta: Marcos Teles

O escritor e músico Marcos Teles fala sobre  o livro Palestra Lágrimas Futebol Clube e vários assuntos no Programa Análise Direta.

Monday, October 17, 2016

XXII Brooklinfest 2016

Escritor Marcos Tecora Teles do Capão Redondo Zona Sul da Cidade de São Paulo estará nas ruas do Brooklin. Com obras publicadas na França e no Brasil.
Tema Bildung(formação).
X
XII Brooklinfest 2016 nos dias 22 e 23 de outubro celebrará a obra de Marcos Tecora Teles,escritor da Literatura do Capão Redondo.
Livros:
O azul do Céu Histórias das Ruas
Je suis Rio Editora Ana Caoana França
Palestra Lágrimas Futebol Clube
Os eventos do Brooklin realizados pela Associação do Brooklin criam alinhamento
entre pessoas e suas obras.A cultura brasileira com dimensão universal.


Luiz Delfino Cardia.

Sunday, October 16, 2016

Grandes Manipulações no Futebol - História Verídica



Grandes manipulações no futebol.Essa é uma das verídicas:

Em 1977 foi lançado pela Rede Globo o slogan “O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!”.
Tratava-se de um torneio onde só participavam times que tivessem o nome de Corinthians e pela lógica só um time com esse nome seria campeão. Ao mesmo tempo, o Sport Club Corinthians Paulista, há vinte e três anos na fila, tinha um desempenho no Paulistão pra lá de incentivado pela arbitragem e, na final contra a Ponte Preta (time infinitamente superior), estranhamente teve seu centroavante Rui Rey expulso por Dulcídio Wanderley Boschilla no começo da partida. Dias depois, Rui Rey ouvia tocar a sirene do Parque São Jorge em sua homenagem, como reforço recém-contratado para a temporada de 1978. A história não mente.
Interessante lembrar este slogan, : "O CORINTHIANS VAI SER CAMPEÃO. A REDE GLOBO GARANTE!"
Texto internet.Resposta no blog do Odir Cunha.


Wednesday, August 24, 2016

Depois Daquele Beijo

Foto: Internet


Depois Daquele Beijo


   Hoje, exatamente hoje, faz vinte anos que vivo na mais completa escuridão. Provavelmente, minha história não seja tão especial e nem signifique muita coisa. Provavelmente, minha história seja igual à história de milhares de outras pessoas. Mas esta é minha história. E uma coisa eu posso afirmar; ninguém recebe o primeiro beijo da vida de uma garota e passa incólume pela vida.

   Depois de longos, turbulentos e tristes anos, voltei ao bairro onde nasci e vivi parte de minha vida. Fui visitar alguns amigos de minha família.
   Era uma tarde fria de agosto, um sábado. Fui recebida com afeto e percebi a comoção que causei nos amigos, ao chegar amparada por Billy, meu cão – guia. Depois dos abraços afetuosos e beijos emocionados, nos sentamos e tomamos café. Tudo como nos velhos tempos.

   Mas campainha tocou...
   Enquanto alguém foi atender ao portão, continuávamos conversando eufóricos e sorrindo alto.
   A voz daquela visita inesperada fez abrir uma porta no tempo. E era a mesma voz, a mesma voz melancólica do menino bonito e tristonho por quem me apaixonei um dia.
   Nosso reencontro foi como deveria ter sido, emocionante, repleto de arrependimentos e pedidos de desculpas. Tínhamos muito o que falar,mas também tínhamos muito o que calar.
   Ele quis saber de tudo o havia acontecido comigo em todos esses anos, quis saber como me sentia e eu não lhe escondi nada. Contei a ele que foi em uma tarde de sábado como aquela, onde ficamos sozinhos. Ali, naquela mesma casa, naquela mesma sala, ouvindo Van Morrison tocar na vitrola, que trocamos um beijo. Meu primeiro beijo. Eu lhe contei que foi ali, que uma garota aos catorze anos se apaixonou por um rapaz bonito e romântico. Eu o fiz lembrar que, depois daquela tarde eu lhe ligava perguntando; e agora? E ele sorria do outro lado da linha.
    Lembrei a ele que, depois daquela tarde de sábado,durante meses,todas as tardes de sábado foram mágicas,dançávamos colados e trocávamos beijos apaixonados.Sentávamos no tapete daquela sala,ele já adulto bebia vinho e eu bebia Coca- Cola.
   Eu contei a ele sobre minha tristeza. Sobre a humilhação na minha festa de quinze anos. Contei que contava os dias, ansiosa e insone, esperando o dia chegar para poder dançar com ele, eu queria dançar a valsa com meu príncipe. Mas ele não apareceu. Sem se despedir, desapareceu e nunca mais voltou. Não podia deixar de lhe contar sobre toda minha tristeza e decepção.
   Também falei que anos depois me casei com uma pessoa que quase acabou com minha vida. Eu falei que me casei com um homem que parecia me amar, mas só me trouxe dor e tristeza. Um homem violento e viciado. Um homem habituado apenas à boemia e aos prostíbulos. E não pude esconder que esse homem contraiu o vírus da AIDS e que por sorte ou sei lá, a única coisa que me passou foi sífilis e perdi completamente a visão. Talvez por piedade de mim, Deus o tenha levado pouco tempo depois.
   Contei sobre a perda de meus pais e que, desde então vivo quase só.
   Eu falava e ele só ouvia. Eu pedi para ver seu rosto com minhas mãos.Ele aproximou seu rosto do meu e lhe toquei a face.Era o mesmo rosto delicado,o mesmo perfume e o mesmo hálito que exalava vida.Eu toquei seu rosto e podia ver o passado,via as luzes das tardes ensolaradas.Eu tocava seu rosto e a mesma música chegava em meus ouvidos.Eu tocava seu rosto e nas pontas dos meus dedos ainda podia sentir a tristeza daquela alma doce,que por muito e muito tempo viveu atormentada pelo abandono na infância,pela pobreza e pela fome.Eu tocava em seu rosto e suas lágrimas escorriam por entre meus dedos e pude, enfim,saber que aquele menino bonito e tristonho também me amou um dia.
   Ele me contou que teve medo e fugiu de tudo, mas nunca se esqueceu daquela tarde de sábado. Ele também descobriu que ninguém dá o primeiro beijo da vida de uma garota e passa incólume pela vida.

   Hoje, também é sábado e minha sobrinha está me fazendo companhia. Ela vai passar o final de semana aqui em casa. Minha sobrinha não conhece toda minha história, mas ela ligou o som e colocou uma música pra tocar. ”Sweet Thing”, Van Morrison...


Saturday, June 25, 2016

Contos Eróticos Infantis - Com Chocolate nas Veias


Contos Eróticos Infantis
Com Chocolate nas Veias
Imagem:internet

Quando meu tio me levou para trabalhar em sua fábrica de sapatos femininos no Itaim - Bibi, muitas coisas mudaram em minha vida. Foi lá que aprendi, que às vezes precisamos  amadurecer antes da hora.
E foi lá também que conheci muitas pessoas bacanas. Com algumas daquelas pessoas, fiz amizades duradouras, com muitas outras sempre tive um pouco de receio de me aproximar.
Foi lá, na fábrica de sapatos de meu tio que me tornei quem sou.
Meu tio sempre foi muito generoso e também se encarregou de arrumar um emprego para Miltinho, na Esfiharia do Jaber, na Rua Tabapuã.
No edifício ao lado da esfiharia, morava Lili, uma menina gordinha, sorridente, simpática, de olhos castanhos e...linda!
Como eu já imaginava, Miltinho apaixonou – se platonicamente por ela. Durante meses, Lili era a única palavra que saía da boca de Miltinho.

Na fábrica de sapatos, uma das minhas responsabilidades era comprar materiais para a confecção dos calçados. Três vezes por semana, eu tinha que ir até a Rua Maceió comprar couros.
 Meu trajeto até o ponto de ônibus, era da Rua Bandeira Paulista até a Avenida Cidade Jardim, onde eu embarcava no Trólebus que subia a Rua Augusta.
Lili também tomava o mesmo ônibus e fazia o mesmo trajeto que eu. Acabamos ficando amigos. Lili fazia curso de fotografia no centro da cidade. Ela também ficou amiga de Miltinho.
Ainda me lembro do primeiro assunto ente Lili e eu. Conversamos sobre a notícia que mais se comentava naqueles dias. Naquela época, no início dos anos oitenta, muita gente desaparecia misteriosamente na cidade de São Paulo. No Itaim – Bibi, havia confirmações de que muitas garotas desapareceram sem deixar vestígios. A polícia dizia para as famílias que, provavelmente, elas haviam fugido com os namorados...

Uma das figuras mais estranhas que conhecemos no Itaim – Bibi foi Guido. Ele era o mestre chocolateiro da fábrica de chocolates, na Rua Joaquim Floriano. Guido não trabalhava todos os dias, ficamos sabendo que ele só trabalhava as noites em que formulava novas receitas para os bombons.
Na fábrica de chocolates, eram produzidos os melhores bombons do mundo. Nunca houve nada igual.
Logo descobrimos os dias em que Guido havia ido trabalhar. Assim que descíamos do ônibus na Avenida Nove de Julho, imediatamente, sentíamos o aroma que exalava das chaminés da fábrica de chocolates. Aquele cheiro inconfundível nos inebriava.

Guido era realmente um homem muito esquisito, parecia muito jovem, mas  ao mesmo tempo, também aparentava ser velho.Usava roupas pesadas e estava sempre vestindo um grande casaco preto.Usava cachecóis que lhe cobriam o pescoço e parte lhe escondia a boca.Guido também nunca retirava o chapéu.Parecia estar sempre tentando esconder alguma coisa.
Quando saía da fábrica, após seu turno de trabalho, ritualísticamente, ia tomar  café na padaria na Rua Doutor Renato Paes de Barros e ficava por lá, até o horário em que os alunos  saiam do colégio.Ele era conhecido dos jovens do bairro e gostava de conversar com eles,principalmente com  as garotas,todas,sem exceção,adoravam Guido.Ele sempre levava consigo,pacotes daqueles maravilhosos bombons.Quando chegava em gente ao colégio,era um alvoroço,as garotas já sabiam que ganhariam chocolate.

Miltinho não gostava de Guido, sempre que o via passar, comentava com  preocupação:
- Marquinhos... Marquinhos... Marquinhos, esse cara é louco.
- Que é isso, Miltinho? Deixa o homem em paz!
Miltinho insistia:
- Veja bem! Ele é jovem, usa essas roupas de idoso, todo estranho, não sei se você percebeu...
- Percebeu o quê?
- Ele vive com frio! E as mãos dele? Quando cumprimenta a gente, as mãos dele são geladas!
-Deve ser por causa da fábrica, lá tem muitas geladeiras.
-Marquinhos, na fábrica tem um monte de fogão gigante. Lá dentro deve ser um calor dos infernos.
Comecei a ficar encucado com Guido...

Miltinho esta cada vez mais apaixonado por Lili. Falava dos seus planos ao lado dela,chegava a imaginar a festa de casamento. Miltinho estava alucinado de amor e a todo instante me pedia opinião:
- Marquinhos, você acha que devo me declarar pra ela? Devo dizer que estou afim?
-Sei lá, você é quem sabe.
-Eu penso em falar pra ela, mas tenho medo.
-Ué! Medo do quê?
- E se Lili me der um fora? Vou perder a amizade dela. Você não acha melhor eu sofrer calado no meu canto e poder estar sempre perto dela, do que nunca mais poder vê-la?
Miltinho até que tinha alguma razão. Além do receio de perder Lili de uma vez por todas, ainda havia a diferença de classes. Lili era uma garota rica do Itaim- Bibi e ele, um garoto pobre do Capão Redondo.
Sempre soubemos que um garoto pobre do Capão Redondo era obrigado a sofrer calado.


Miltinho passou abertamente a odiar Guido, depois que o chocolateiro começou a galantear Lili. Todos os dias, Guido enviava bombons e bilhetes para Lili e ela parecia gostar de ser cortejada pelo chocolateiro.
Miltinho estava incomodado com aquela situação e ficava cada dia mais nervoso:
- Marquinhos!Vou matar esse cara!
Eu tentava lhe acalmar:
-Você está louco, Miltinho?Não tem nada demais, são amigos.
Miltinho se calava e eu sabia que sofria muito.


Ficamos profundamente entristecidos quando Suzi desapareceu. Suzi era uma garota bacana, ela trabalhava na loja da Levi´s na Rua João Cachoeira. Ela sempre nos ensinava sobre política. As pessoas diziam que, como tantos outros, Suzi havia sido presa pela ditadura.

Meses depois do desaparecimento de Suzi, fomos à festa de aniversário do Nego Teta, estávamos  animados,todos os nossos amigos compareceram,o pessoal do colégio,da Favela da Funchal e até o pessoal do Clube do Mé.Guido também estava na festa do Nego Teta.
Miltinho não se sentia confortável, estava encabulado e não tirava os olhos de Guido e Lili.
Guido falava ao ouvido da garota,ela sorria,parecia bem à vontade com a conversa do chocolateiro.
Vindo rapidamente em minha direção, Miltinho decidiu:
- Marquinhos, vou falar com ela, vou me declarar! Que se dane!
Miltinho atravessou o salão e foi até onde estavam Lili e Guido, chamou Lili em um canto, disse - lhe algo e voltou:
-Pronto! Falei pra ela.
- E o que ela disse?
- Que vai pensar...
A festa acabou naquele instante para Miltinho e eu, saímos do salão sem que ninguém nos visse. No caminho para o ponto de ônibus, resolvemos parar no Jack in The Box para comermos hambúrguer e tomarmos Coca-Cola, era uma maneira de esfriar a cabeça e aplacar um pouco da tristeza e Miltinho.
Mas aquela noite ainda estava longe de acabar...
Quando saíamos da lanchonete, vimos um casal que entrava na rua que dava para os fundos da fábrica de chocolates, reconhecemos Guido, que vinha segurando o braço de Lili.
Miltinho me puxou e me convenceu a seguir os dois.
Ainda de longe, observamos Guido e Lili entrarem na fábrica de chocolates. Depois de algum tempo em que os dois já se encontravam lá dentro, nos aproximamos da porta e encostamos nossos ouvidos para tentarmos captar qualquer barulho que pudesse vir lá de dentro.
Miltinho estava morrendo de ciúmes e sentia-se derrotado. Era nítido seu olhar de angústia e decepção.
O tempo passava e só ouvíamos o barulho de metais. De vez em quando escutávamos bem baixinho a voz de Guido sussurrando palavras ininteligíveis. Apuramos um pouco mais nossa audição e enfim, ouvimos claramente a voz de Guido, que falava  em um idioma que até então não conhecíamos.

Tentei convencer Miltinho  a sairmos daquele lugar, disse – lhe que aquilo era perder tempo, que não adiantava mais sofrer,que era melhor partir pra outra.
Miltinho já havia se convencido em irmos embora, Mas um grito de pavor nos congelou a espinha. Desesperada, Lili pedia socorro, gritava alto e chorava aterrorizada.
Miltinho e eu não tivemos dúvidas, começamos a gritar, chutar e tentar arrombar a porta.
Repentinamente, fez – se um brevíssimo silêncio e em seguida, ouvimos passos apressados se afastando lá dentro.

Do lado de fora, Miltinho  eu continuávamos tentando arrombar a porta da fábrica de chocolates.Pensei em pedir ajuda,mas a rua estava completamente deserta aquela hora da noite.Também pensei em ir até a delegacia,mas Miltinho achava que talvez não desse tempo de salvar Lili.
Miltinho raciocinava rápido e viu um pequeno vitrô sobre a pequena porta e me falou;
- Sobe nas minhas costas, vai!
Miltinho se abaixou, coloquei meus pés em seus ombros e pulei. Com muito esforço alcancei a borda do vitrô. Dei um soco com todas as minhas forças, o vidro se quebrou e me esgueirei para passar pelo vão ínfimo.
Caí dentro da fábrica de chocolates e abri a porta para que Miltinho também entrasse. Lá dentro, caminhamos por um pequeno corredor e acabamos dentro de uma grande cozinha, repleta de caldeirões fervendo leite e chocolate, máquinas e utensílios diversos. Sobre uma bancada, amarrada e nua, encontramos Lili.


A polícia foi até a casa onde Guido morava. Uma mansão sombria na Rua Mário Ferraz. Lá, encontraram um verdadeiro tesouro. Obras de artes de valor incalculável. Quadros tão antigos quanto se podia imaginar, impossível  datar quando foram pintados,talvez milênios.
O que realmente chamou a atenção da polícia foi a quantidade das belas estátuas espalhadas por toda a casa. Estátuas esculpidas com chocolate e em tamanho natural. Elas exalavam aquele aroma inconfundível  que saía das chaminés da fábrica.
Um caminhão foi chamado para transportar tudo o que fora  apreendido na  casa de Guido.
Quando começaram a carregar as estátuas, a surpresa foi aterradora, as estátuas eram feitas para esconder os cadáveres das garotas desaparecidas.

 Ficamos ainda mais chocados e assustados quando soubemos a forma com que o chocolateiro assassinava suas vítimas. Guido colocava entorpecentes - que ele  mesmo sabia preparar - dentro dos bombons que oferecia para as garotas que escolhia como vítimas.
Guido levava as garotas já dopadas para a fábrica de chocolates, depois de violentá-las e cometer todo tipo de crueldade, usava a máquina de filtrar o leite para lhes retirar completamente todo o sangue. Depois, injetava  nas veias das meninas,calda quente de chocolate. Com o sangue das garotas, ele produzia o ingrediente secreto que colocava em seus bombons.


O tempo passa mais rápido, quanto mais vamos amadurecendo.
Para decepção de Miltinho, Lili foi morar na Alemanha e não tem intenção de voltar.
Guido desapareceu, não deixou nenhum rastro.


Ah! Quase me esqueci de falar sobre Sara...
Sara era neta do judeu, dono da loja de couros, aonde eu ia três vezes por semana fazer compras. Miltinho conheceu Sara e claro, também ficou completamente apaixonado por ela.
Com Sara ele não quis perder tempo, em uma festa na casa do Nego Teta, Miltinho decidiu declarar seu amor infinito a ela. Preparou-se e foi todo confiante e com ar de conquistador experiente. Chegou perto da moça e não teve dúvidas, disparou:
- Sara, você é linda, eu te amo e estou afim de namorar contigo!
Ao ouvir a declaração de Miltinho, Sara, do alto de seus vinte e sete anos, não pensou duas vezes:
- Se enxerga moleque! Você acha que tenho cara de babá?

Miltinho e eu, até hoje, até hoje, odiamos chocolate.